30 DE AGOSTO DE 1896 – RIO DE JANEIRO: UMA “BELA TOURADA” NA FESTA DE ALFREDO TINOCO DA SILVA


 
Biblioteca nacional do Brasil

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ALFREDO TINOCO (DA SILVA)

        O sympathico e festejado cavalleiro (Alfredo) Tinoco (da Silva), teve hontem o prazer de ver a sua festa artistica brilhantemente concorrida. A praça do Boulevard estava ornamentada interiormente com festões de folhagens, bandeiras, galhardetes, etc.

        Á hora marcada, ao som do hymno nacional appareceram na arena Tinoco e José Bento (de Araujo), cercados do cortejo de bandarilheiros, forcados e moços do curro.

        Feitas as cortezias começou o combate. O primeiro touro foi destinado a José Bento (de Araujo), que aproveitou logo a sorte da gaiola. O bicho era ousado, e picado pelo primeiro ferro, continuou a investir seguidamente contra o cavallo enfeitando-o José Bento (de Araujo) galhardamente, até com ferros curtos, postos com grande pericia e excellente defeza do cavallo. Recolhido o cavalleiro, no meio de applausos, foi Coulon (Colón!) para a frente do touro, fazendo alguns passes com o capote e uma navarra muito limpa. O clarim deu o signal para a péga.

        O Caralinda bateu as palmas ao touro, cahiu-lhe mal na cabeça e foi sacudido. O touro estava ainda bastante forte, mas o forcado Miguel cahiu-lhe entre os chifres com bom pulso, fazendo uma pèga real que enthusiasmou toda a Praça. Alguns espectadores até beijaram o valente forcado.

        O 2º touro, nacional, foi enfeitado com alguns ferrros pelos bandarilheiros. Coulon passou-o com a Mulleta e simulou bem a sorte da morte. Foi tambem bem pegado á unha.

        (Alfredo) Tinoco (da Silva) apresentou-se para picar o 3º touro a ferros curtos. Falhou a sorte da gaiola; mas depois o intrepido cavalheiro conseguiu enfeitar o bicho sempre com ferros curtos, embora algumas postos precepitadamente. O touro era vivo e perseguia o cavallo, mesmo depois de ferido. (Alfredo) Tinoco (da Silva) fez maravilhas de equitação, defendendo-se.

        Durante o intervallo (Alfredo) Tinoco (da Silva) foi chamado á arena e delirantemente applaudido, recebendo innumeros brindes dos seus amigos e admiradores. O emprezario Pereira tambem foi saudado.

        O 4º touro levou algumas bandarilhas bem postas e passado a capote foi recolhido.

        O 5º era fugidio. Levou um ou outro ferro e uma vaia estrepitosa que parece não o haver encommodado muito.

        O 6º touro já era nosso conhecido. Entretanto foi o melhor da corrida de hontem.

        Logo á gaiola (Alfredo) Tinoco (da Silva) o feriu com uma vistosa farpa posta a preceito. E depois outra, e mais outra, e muitas outras, até tres ou quatro ferros curtos, um dos quaes n’uma meia volta apertadissima, o que só por si bastaria para provar a pericia e a ousadia do bravo (Alfredo) Tinoco (da Silva), que foi ruidosamente festejado.

O touro ainda deu capa a uma excellente péga.

Uma bella tourada, a de hontem e parabens ao (Alfredo) Tinoco (da Silva).

In GAZETA DE NOTICIAS, Rio de Janeiro – 31 de Agosto de 1896