15 DE AGOSTO DE 1880 - MADRID: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO A BRILHAR NA MAIOR PRAÇA DE TOUROS DO MUNDO

 

Biblioteca nacional de Portugal

            Na tourada de domingo em Madrid José Bento de Araujo foi muito feliz e teve bastantes applausos.

            Os touros sairam muito bravos.

            O cavalleiro executou com pericia a sorte de gaiola ao primeiro touro e poz mais dois ferros á tira, tres de cara, e tres á meia volta.

            Nos restantes houve-se com a mesma coragem.

            José Bento (de Araujo) estava convidado para tomar parte em uma corrida que deve realisar-se no dia 22 em beneficio e tinha proposta para trabalhar ali em setembro, mas retira para Portugal porque tem de entrar na corrida do dia 1 em Almada e depois em mais outras de differentes praças. 

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 20 de Agosto de 1880

15 DE AGOSTO DE 1880 - MADRID: UMA CORRIDA TRÁGICA COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA MAIOR PRAÇA DE TOUROS DO MUNDO

 
Biblioteca nacional de Portugal

COISAS E LOISAS

            Na corrida de toiros que se realisou no domingo em Madrid appareceu um bicho que deu que fallar. Diz d’elle El Imparcial:

            Toro como de cinco yerbas, bonita lámina, retinto en negro, albardao, de libras, muy bien armado y fino, muy bravo, de gran cabeza, rematando y lijero (ligero) de piés. Pertenecia á la vacada de D. Donato Palomino.

            Pois este touro saltou quatorze vezes á trincheira falsa, esteve duas vezes a ponto de saltar á segunda trincheira, matou na primeira suerte quatro cavallos e deixou um mal ferido, mandou para o hospital o picador Ortega e o bandarilheiro Morenillo, e para o cemitério o bandarilheiro Nicolás Fuertes (el Pollo).

            O touro saiu da gaiola como uma verdadeira féra, que era. Fez praça completa, deixando o picador Ortega, que foi desmontado, em tão mau estado com uma forte bordoada que apanhou na cabeça, que foi immediatamente conduzido ao hospital.

            As capas acudiram aos picadores, que foram todos desmontados. N’esta occasião é que el Pollo, que passava de capa o animal, foi por este colhido, cahindo redondamente morto. A haste entrou-lhe no coração, abrindo-o em direcção do pescoço. Quando foi despedido, cahiu de cabeça na arena, conservando-se dois segundos o corpo em posição vertical, agitado por ligeiro estremecimento. El Pollo deixa um filho e mulher, a qual está actualmente em São Sebastião (San Sebastián), onde na tourada de domingo ficaram sem logar mais de dez mil amadores, quasi todos francezes.

            Morenillo foi ferido ligeiramente no acto de saltar á trincheira e conduzido á enfermaria.

            A auctoridade, receando que succedessem mais desgraças, não consentiu que se effectuasse a sorte da morte, para a realisação da qual se apresntou Mateito que ainda chegou a dar dois pinchazos no bicho. O publico protestou ruidosamente contra essa deliberação da auctoridade.

            O cavalleiro (José) Bento de Araujo lidou a contento do publico, e sem incidente notavel, dois touros embolados. Houve tambem dois novilhos embolados para curiosos, que martyrisaram completamente os animaes. A respeito d’esta diversão diz a Gazeta Universal:

            «Dos touros embolados não falamos, porque é a barbaridade das barbaridades».

            Apesar dos incidentes lastimaveis da ultima tourada. espera-se com anciedade a do proximo domingo, que é promovida por uns empregados do caminho de ferro.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 19 de Agosto de 1880

NOTA

Durante uma outra corrida, realizada uma semana antes na praça de touros de Madrid, o cavaleiro José Bento de Araújo tinha partido o pé esquerdo no seguimento de uma investida do touro.

NOTA

Mais informação sobre a tragédia e a praça de touros de Madrid aqui:

https://eladelantado.com/fuente-del-berro-la-plaza-de-toros-que-tuvo-madrid-en-el-actual-palacio-de-los-deportes/

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2023/11/15-de-agosto-de-1880-madrid-o-cavaleiro_15.html

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15 DE AGOSTO DE 1880 - MADRID: UMA CORRIDA TRÁGICA COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA MAIOR PRAÇA DE TOUROS DO MUNDO...

 
Plaza da Fuente del Berro, Madrid (que antecede a de Las Ventas)
FOTO: DR - Colecção Fernández Rivero (Tratada por Ia)

            Por um telegramma recebido no domingo á noute de Madrid, sabemos que o cavalleiro (José) Bento de Araujo foi muito feliz na tourada d’aquella tarde, recebendo alguns brindes e bastantes applausos.

            Foi colhido por um touro, de que lhe resultou a morte, um rapaz bandarilheiro, (Nicolás Fuertes, El Pollo) que ha tempo passou por Lisboa, vindo de Montevideu, e que a empreza da praça do Campo de Sant’Anna andava diligenciando contractar.

            Ficaram feridos mais dois bandarilheiros.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 17 de Agosto de 1880

NOTA

Mais informação sobre a tragédia e a praça de touros de Madrid aqui:

https://eladelantado.com/fuente-del-berro-la-plaza-de-toros-que-tuvo-madrid-en-el-actual-palacio-de-los-deportes/

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4 DE JUNHO DE 1882 – LISBOA: UMA «CORRIDA EXTRAORDINARIA» NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 
Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            Grandes novidades se preparam para a proxima corrida extraordinaria que no domingo ha de ter logar na praça do Campo de Sant’Anna.

            Os afficionados andam enthusiasmados e por tudo isso tem sido já grande a procura de bilhetes tanto de camarotes como de trincheiras. Talvez que se arrependa quem não andar adiantado. São todos puros os 13 touros que hão de ser corridos, e são pertencentes ao acreditado lavrador o sr. D. José de Avillez. Muitissimo ha a esperar da sua bravura.

            O brilhante cortejo será composto dos festejados cavalleiros (Manoel) Mourisca, (José Maria) Casimiro Monteiro e José Bento (de Araujo), e dos nossos mais estimados bandarilheiros portuguezes, taes como: (Irmãos) Robertos (Vicente Roberto da Fonseca e Roberto da Fonseca, ambos de Salvaterra de Magos) e , Peixinhos, (Silvestre José) Calabaça, (João do Rio) Sancho,  (Francisco Vaz) Caixinha, e (João) Costa.

O cavaleiro Manoel Mourisca
FOTO: Serões, BNP (Tratada por IA)

            Com estes e outros attractivos mais, espera-se que esta corrida seja uma das melhores da presente epoca tauromachica.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 2 de Junho de 1882

14 DE MAIO DE 1882 – LISBOA: CORRIDA COM «AFAMADOS HESPANHOES E OS MELHORES CAPINHAS PORTUGUEZES» NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 
Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            Ha a maior influencia (affluencia) pela corrida de hoje. Trabalham afamados hespanhoes, e os melhores capinhas portuguezes.

            Cavalleiros Manuel Mourisca e José Bento d’Araujo.

O cavaleiro Manoel Mourisca
FOTO: Serões, Biblioteca nacional de Portugal (Foto tratada por IA)

            O gado é valentissimo.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 14 de Maio de 1882

14 DE MAIO DE 1882 – LISBOA: 13 TOUROS PUROS PARA OS CAVALEIROS MANUEL MOURISCA E JOSÉ BENTO DE ARAUJO MAISOS OUTROS ARTISTAS ESPANHÓIS E PORTUGUESES

 

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 11 de Maio de 1882

14 DE MAIO DE 1882 – LISBOA: MAIS UMA CORRIDA NA PRAÇA DA CAPITAL COM ARTISTAS DE ESPANHA E PORTUGAL

 

Biblioteca nacional de Portugal

Praça do Campo de Sant’Anna

—        Domingo 14 de maio.

            Corrida de 13 touros, pertencentes ao sr. J. V. d’Almeida, de Benavente. Cavalleiros (Manoel) Mourisca e (José) Bento de Araujo. Bandarilheiros hespanhoes e os melhores portuguezes.

            Os bilhetes á venda na tabacaria Climaco, rua da Bitesga, 71.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 11 de Maio de 1882

28 DE AGOSTO DE 1882 - ALMADA: CORRIDA EXTRAORDINARIA COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

Biblioteca ncional de Portugal

Tauromachia

            Na proxima segunda feira ha uma tourada extraordinaria em Almada.

            O gado é bravissimo.

O cavaleiro José Bento de Araujo
FOTO: Família Araújo (Tratada por IA)

            É cavalleiro José Bento d’Araujo. Bandarilheiros os melhores.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 23 de Agosto de 1882

14 DE MAIO DE 1882 – LISBOA: MAIS UMA CORRIDA NA PRAÇA DA CAPITAL COM ARTISTAS DE ESPANHA E DE PORTUGAL

 

Praça do Campo de Sant'Anna, Lisboa.
"Desenho do natural por Antonio Ramalho" - BNP (Tratado por IA)

ESPECTACULOS

Praça do Campo de Sant’Anna

— Domingo 14 de maio.

            Corrida de 13 touros, pertencentes ao sr. J. V. d’Almeida, de Benavente. Cavalleiros (Manoel) Mourisca e (José) Bento de Araujo. Bandarilheiros hespanhoes Juan Roriz (El Lagartija), (NOTA: Juan Ruiz Vargas, «Lagartija» — 1855-1899) Euzebio Martins e Marianno Torneiro; e os melhores capinhas portuguezes.

            Os bilhetes á venda na tabacaria Climaco, rua da Bitesga, 71.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 13 de Maio de 1882

20 DE AGOSTO DE 1882 – LISBOA: CORRIDA DE TOUROS COM DESAFIO ÀS 5 HORAS DA TARDE...

 

Praça do Campo de Sant'Anna
FOTO: Arquivo CML

Praça do Campo de Sant’Anna

Domingo, 20 de agosto de 1882

Dez touros para cavallo

Beneficio do cavalleiro 

Antonio Maria Monteiro

O cavaleiro Antonio Maria Monteiro
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            CORRIDA á antiga portugueza. 14 touros pertencentes ao ex.mo sr. marquez de Vagos (D. Francisco) que pela primeira vez n’esta epoca manda touros a esta praça, e o anno passado deu o applaudido curro que foi toureado pelos hespanhoes. Toma parte na corrida lidando dois touros a cavallo, em obsequio ao beneficiado o ex.mo sr. Jeronymo T. Vianna — 5 cavalleiros, 10 touros para cavallo. — Os cavalleiros (Manoel) Mourisca e (José) Bento de Araujo toureiam a ferros curtos; o cavalleiro Vieira Junior bandarilha em selim raso, trabalho que pela primeira vez se executa n’esta praça. — O beneficiado lidará dois touros, um sem auxilio de capote, e outro esperando em sorte de cara á porta da gaiolla, trabalho arriscadissimo, e de grande difficuldade. — Os melhores bandarilheiros portuguezes — Neto, José Martins, vulgo o Azeiteiro. — Tomam parte na corrida como campinos, em obsequio ao beneficiado, os lavradores Serigados do Ribatejo. O ex.mo sr. Cannas offereceu para se lidar n’esta tarde a bravissima vacca que matou o cavallo em Bemfica no dia 20 de maio ultimo, causando grande panico e alvoroço. Uma commissão d’amadores offerecem 45 mil réis ao cavalleiro que puser na ferocissima vacca 6 ferros sem ser colhido.

            Espera se que por todos estes attractivos seja a corrida mais notavel da epoca.

            Os bilhetes acham se á venda na tabacaria Climaco, rua da Bitesga, 71, desde o dia 17 e no domingo nos respectivos locaes da praça.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 16 de Agosto de 1882

6 E 7 DE AGOSTO DE 1882 – MONTEMOR-O-NOVO: CORRIDAS DE INAUGURAÇÃO DA PRAÇA COM OS CAVALEIROS LUIZ DO REGO E JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

O cavaleiro Luiz do Rego
FOTO: Serões - Biblioteca Nacional de Portugal (Tratada por IA)

PRAÇA DE TOUROS

Na Villa de Montemór-o-Novo

Domingo 6 e segunda feira 7 de Agosto de 1882

Praça de touros de Montemor-o-Novo
FOTO: MORBASE - Município de Montemor-o-Novo (Tratada por IA)

            INAUGURAÇÃO da praça, festejos na egreja de Nossa Senhora da Visitação; inauguração do novo hospital que será feita no dia 6.

            Haverá um vistoso arraial nos dias 6 e 7, bem como festas d’igreja, illuminação, fogo d’artificio e duas brilhantes corridas de 20 touros apartados cuidadosamente das manadas que possue o acreditado lavrador de Lavre o ex.mo Antonio José da Veiga.

            Em cada tarde serão corridos 10 touros havendo porém no dia 7 um novilho, a mais, para ser lidado pelos amadores.

            Pela mais cavalheirosa bizarria presta-se obsequiosamente a lidar um touro em cada tarde o distinctissimo e laureado cavalleiro amador, o ex.mo sr.

D. Luiz do Rego

Que tão justamente tem grangeado a sympathia publica pelo seu muito conhecimento d’arte, elegancia e pericia. Tambem toureia o festejado cavalleiro

José Bento d’Araujo

e os não menos applaudimos (applaudidos?) bandarilheiros, Vicente Roberto da Fonseca, Roberto da Fonseca e Antonio Augusto e bem assim d’um valentissimo grupo de

Homens de forcado

de Aldêa Gallega do Ribatejo. (NOTA: A localidade foi elevada à categoria de cidade em 1985. A alteração de nome para Montijo data de 6 de Junho de 1930.)

            O notavel e bemquisto bandarilheiro Roberto da Fonseca executará nos touros que se prestem á lide as mais variadas sortes de Capa, ou Muleta, Trastéo, etc.

            Preços: Camarotes 5$000 réis, Sombra 500 réis, Sol 800 réis.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 1 de Agosto de 1882

30 DE JULHO DE 1882 – LISBOA: CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO FICA DOENTE E FALHA CORRIDA

 
Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            Não saiu egual o curro que serviu no domingo em beneficio do cavalleiro (José Maria) Casimiro Monteiro; no entanto appareceram touros muito bravos, que se prestaram á lide.

O cavaleiro José Maria Casimiro Monteiro
FOTO: SERÕES (Tratada por IA) - BNP

            Foram cavalleiros Manuel Mourisca e o beneficiado. (NOTA: José Maria Casimiro Monteiro) José Bento d’Araujo não compareceu por ter adoecido.

            Manuel Mourisca montava o excellente cavallo baio que ultimamente comprou, lidando n’elle o 1.º e o 11.º touros. Executou, tanto no primeiro como no segundo, bonitas e arriscadas sortes, com aquelle sangue frio e arte que todos lhe reconhecem.

            Foi muito applaudido.

            Casimiro Monteiro lidou o 4.º e o 8.º touros. No 4.º alcançou logo applausos porque se houve a contento do publico. No 8.º, o tal touro Leão, um animal valentissimo de grande corpo, mas muito difficil para a lide, alcançou uma ovação e uma chamada especial. Houve razão para isso, porque Casimiro Monteiro, em harmonia com o programma, lidou o bravo animal a ferros curtos, enfeitando-o muito bem em sortes arriscadas.

            Robertos, Cortez, Peixinho e Caixinha mostraram-se mestres. Caixinha, tambem em cumprimento do programma, executou um quiebro na cadeira, saindo-lhe a sorte bem. Peixinho é que não conseguiu executar o salto da garrocha, no 12.º tourso, sendo a causa principal d’isso ter cedido a sorte de gaiola a Raphael Peixinho.

            No intervallo foi chamado Casimiro Monteiro e presenteado com alguns objectos de valor, ramos, etc. Fez-se um peditorio para a viuva e orphãos do cavalleiro Batalha. (NOTA: Francisco Carlos Batalha nasceu em Lisboa no dia 18 de Fevereiro de 1841. Faleceu de doença cerebral na casa que habitava nas Escadinhas de São Lourenço em Abril de 1882.)

O cavaleiro Francisco Carlos Batalha
FOTO: SERÕES (Tratada por IA) - BNP

            A concorrencia foi regular, e a direcção acertada.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 1 de Agosto de 1882

12 DE JANEIRO DE 1882 – LISBOA: CORRIDA OFERECIDA PELA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO DE SANT’ANNA A “ALFONSO XII, REY DE ESPAÑA” COM 3 CAVALEIROS PROFISSIONAIS, INCLUINDO JOSÉ BENTO DE ARAUJO, E OUTROS TANTOS AMADORES

 
Biblioteca nacional de Portugal

Visita dos reis de Hespanha — Festejos

            A tourada de hontem, em honra de suas magestades catholicas, e dada pela empreza Custódio Vidal, foi extraordinariamente concorrida. Não havia um camarote sem alugador, e nas trincheiras viam-se muitos espectadores por não chegarem os palanques de sombra e sol para a grande quantidade de gente que affluiu.

"CORRIDA DE TOROS ORGANIZADA POR EL CABALLEIRO DOS ANJOS: 
CABALLEROS EN LA PLAZA SALUDANDO Á SS. MM."
Desenho de J. Comba - La Ilustración Española y Americana - 30 de Janeiro de 1882 - BNE, Madrid.

            A tourada começou ás 2 horas, como estava annunciado, sendo as cortezias feitas pelos tres cavalleiros de profissão José (Casimiro Monteiro) e Antonio Monteiro, e José Bento d’Araujo.

            Na 1.ª parte o que houve de mais notavel foi o segundo touro passado de muleta, com verdadeira mestria, pelo bandarilheiro Roberto da Fonseca, que obteve extraordinarios applausos.

            Findo o intervallo, entrou na arena o sr. Tinoco (Alfredo Tinoco da Silva), á Marialva, e foi picado o 1.º touro com a valentia e denodo que aquelle dextro cavalleiro amador costuma exhibir.

            O empresario mendou então suspender por algum tempo o espectaculo para a chega de suas magestades os reis de Hespanha e os de Portugal. Como tardassem, foi a pedido do publico corrido o 2.º touro para capinhas, chegando as familias reaes na occasião em que este era recolhido.

            Quando os reis de Hespanha, a sr.ª D. Maria Pia, principes, e comitiva deram entrada no camarote real as bandas de caçadores 5, e dos cegos da casa pia tocaram o hymno hespanhol, descobrindo-se e ponde-se de pé todos os espectadores.

            Sua magestade el-rei o sr. D. Luiz não compareceu.

            Aos cumprimentos do publico corresponderam suas magestades com a affabilidade e fina delicateza que os distingue.

            Trocados os cumprimentos entre o publico e os monarchas, proseguiu o espectaculo, dando entrada na arena o dextro e elegante cavalleiro amador o sr. Alfredo Marreca e o sr. Tinouco,(Tinoco) que apesar de não lhe pertencer tourear mais de que um touro na 2.ª parte teve de aceder ao pedido dos espectadores, que sabendo que el rei D. Affonso dera em Madrid os mais evidentes testemunhos de apreço pela dextreza d’esse cavalleiro amador, quiz que o nosso hospede tivesse occasião de o ver mais uma vez trabalhar.

            O animal que os srs. Marreca e Tinoco tiveram de lidar não possuia as melhores qualidades; investia a custo, tomava querenças, (NOTA: O touro deixou de investir de forma franca e aberta no centro da arena, obrigando o cavaleiro a correr riscos para tirá-lo das tabelas.) e emfim só se prestava sendo muito citado.

            O sr. Alfredo Marreca foi mais feliz, innegavelmente porque o touro tinha mais vontade á côr do seu cavallo castanho do que ao russo do sr. Tinoco; de toso os modos o primeiro d’estes cavalleiros teve ensejo de fazer brilhantissima figura, como sempre, mettendo algumas farpas em sortes irreprehensivelmente executadas. O sr. Tinoco, sem desmerecer da sua dextresa, teve sim muitas palmas, porque as Merecia, mas pela razão que já indicámos, não poude metter egual quantidade de ferros á que metteu o sr. Marreca.

            Depois de mais um touro bandarilhado com muita arte pelos irmãos Robertos, e bem passado de muleta pelo Roberto da Fonseca entrou na arena o sr. Luiz do Rego, montado no seu brioso Léotard.

            Digamol o com a imparcialidade que costumamos sempre, o sr. D. Luiz foi quem teve as honras da tarde, e merecidamente.

            O touro era bravo e de muitas pernas; de ordinario investia sempre quando citado e não carregava; mas algumas vezes desmentiu estas qualidades tornando-se de sentido.

            O sr. D. Luiz do Rego soube aproveital o em sortes á meia volta e á tira, e pôz dois pares de ferros com arte e valentia inexcediveis.

            A ultima d’estas sortes produziu uma extraordinaria ovação ao arrojado amador. O touro achava se entrincheirado junto á porta dos cavalleiros, quando citado não investia, mas partindo inesperadamente,  quando o habil amador se achava a maeio da praça foi recebido com valentia pelo denodado cavalleiro que o castigou n’uma esplendida sorte á garupa, mas executada com audacia e perfeição tal, que o publico irrompeu n’uma ovação que se approximava muito do delirio.

            Quando saiam os tres cavalleiros de profissão para picarem o toiro que lhes pertencia na segunda parte, appareceu o cavalleiro Manoel Mourisca offerecendo os ferros.

            O publico pediu logo que Mourisca picasse o touro, tendo os 3 cavalleiros que se achavam na praça a delicadeza de lhes offerecerem os seus cavallos. Mourisca não aceitou e indo buscar o cavallo em que o sr. Marreca trabalhara, voltou e lidou bem o animal que se achava na arena, e que então já tinha recebido dos 3 cavalleiros alguns ferros muito bem postos.

            Peixinho executou com luzimento o salto da vara, e todos os capinhas trabalharam bem, sobresahindo os Robertos.

            Houve a má idéa de mandar pegar um touro, contando-se para isso com uns forcados que se achavam nas trincheiras; com o que não se contou foi que muitos outros individuos saltassem tambem, estabalecendo se assim a confusão.Afinal o touro foi pegado mal por um dos moços do curro.

            Em conclusão, o gado saiu regular, e a funcção esteve animada, não saindo o publico descontente, apesar d’algumas irregularidades.

            In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 13 de Janeiro de 1882

30 DE JULHO DE 1882 – LISBOA: BENEFICIO DO CAVALEIRO JOSÉ MARIA CASIMIRO MONTEIRO NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 

O cavaleiro José Maria Casimiro Monteiro
FOTO: Serões - BNP (Tratada por IA)

ESPECTACULOS

 Praça do Campo de Sant’Anna.

            Domingo 30. — Ás 5 horas da tarde.

            Grande e extraordinaria corrida de 13 touros pertencentes ao opulento lavrador D. Caetano de Bragança, (Lafões) em beneficio do cavalleiro José Maria Casimiro Monteiro.

            Tomam parte na corrida os estimados cavalleiros (Manoel) Mourisca, José Bento d’Araujo e o beneficiado; e os melhores bandarilheiros portuguezes.

            Um distincto amador em obsequio ao beneficiado presta-se a tomar parte na lide como cavalleiro.

            Os bilhetes á venda na tabacaria Climaco, n.º 71.

            Preços os do costume.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 26 de Julho de 1882

NOTA

A embolação é franca para que o público possa ajuizar a qualidade do gado. Começa às 09H00 da manhã.