9 DE ABRIL DE 1882 – LISBOA: INAUGURAÇÃO DA TEMPORADA NUMA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA PARCIALMENTE REMODELADA

 
Biblioteca nacional de Portugal

            São importantes os reparos que se estão procedendo na praça do Campo de Sant’Anna.

            A trincheira falsa é toda nova, assim como quasi toda a bancada do sol. Os camarotes foram todos restaurados, apresentando excellente effeito.

Praça do Campo de Sant'Anna, Lisboa.
FOTO: Arquivo CML

            A actual empreza conta poder inaugurar a proxima epoca tauromachica no domingo de Paschoa, 9 de Abril.

            Estão já contratados os seguintes artistas:

            Cavalleiros — Manuel Mourisca Junior, Alfredo Tinoco (da Silva), José Maria Casimiro Monteiro, Antonio Maria Monteiro e José Bento de Araujo.

            Bandarilheiros Irmãos Robertos, Calabaça, Peixinho, Sancho, Caixinhas e Costa.

            Está aberta a assignatura de camarotes, cadeiras e logares de trincheiras.

            As reclamações podem ser dirigidas para a rua da Bitesga, 71, até 30 do corrente mez.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 17 de Março de 1882

12 DE JANEIRO DE 1882 – LISBOA: CORRIDA OFERECIDA PELA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO DE SANT’ANNA A “ALFONSO XII, REY DE ESPAÑA” COM 3 CAVALEIROS PROFISSIONAIS, INCLUINDO JOSÉ BENTO DE ARAUJO, E OUTROS TANTOS AMADORES

 
Biblioteca nacional de Portugal

Visita dos reis de Hespanha — Festejos

            Á 1 hora da tarde de hontem chegou á estação de Lisboa o comboyo que conduzia os reaes visitantes.

            A gare, conforme dissemos hontem, achava se vistosamente adornada, sobresaindo as côres hespanholas e portuguezas, e os brazões de Portugal, Italia, Hespanha e Austria.

            A banda da guarda municipal achava-se na extremidade da gare.

            O nosso monarcha, seu augusto pae el-rei o sr. D. Fernando e o principe real D. Carlos entraram na estação pouco antes da chegada dos regios visitantes.

            Na plataforma do sul estavam cerca de 600 pessoas, entre as quaes figuravam camaristas e ajudantes de serviço, officiaes móres, pares, deputador, altos funccionarios, generaes de terra e mar, representantes da côrte, e muitos hespanhoes.

            A platafórma norte, para a qual a companhia dos caminhos de ferro fez convites por meio de bilhetes achava se completamente cheia de senhoras, que se assentavam em quatro ordens de cadeiras a todo o comprimento da platafórma, estando o resto do espaço todo cheio de cavalheiros.

            Apenas chegou o comboyo real, el-rei D. Affonso, saindo da sua carruagem, abraçou el-rei o sr. D. Luiz.

            O rei de Hespanha vestia a farda de capitão general. D. Maria Christina trajava vestido de velludo azul, chapeau de pellucia branca com plumas da mesma côr.

            Na gare foram apresentados, na sala do throno, a suas magestades catholicas, por el-rei D. Luiz, alguns dos srs. Ministros, camaristas, ajudantes de campo, officiaes ás ordens, e altos funccionarios do paiz.

            Decorridos alguns minutos de descanço, as pessoas reaes dirigiram-se para as carruagens ricas de gala, que as esperavam.

            Seguiu então o cortejo, indo na frente um esquadrão de lanceiros, precedendo-o uma carruagem da casa real, onde ia o sr. duque de Loulé, e depois mais seis carruagens, tiradas umas a duas e outras a tres parelhas, com os camaristas portuguezes e hespanhoes.

            Seguia-se então a carruagem dos reis.

            Os reis de Hespanha tomavam assento no logar do fundo, tendo á frente el-rei D. Luiz e sua alteza real o principe D. Carlos. Á estribeira ia o sr. infante D. Augusto, commandante da brigada.

            Á carruagem real seguia o regimento de lanceiros 2 e o de cavallaria 4, e após esta força a carruagem d’el-rei o sr. D. Fernando, carruagens de ministros, corpo diplomatico, funccionarios, alguns trens particulares e diversos cavalleiros.

            A guarnição formou desde Santa Apoloniaaté a rua do Arsenal. Em Belem estava postada junto do palacio uma força para fazer as honras devidas aos regios visitantes.

            A concorrencia pelas ruas era enorme. As janellas achavam-se apinhadas de senhoras.

            Em todo o trajecto suas magestades foram respeitosamente cumprimentados, mostrando assim o povo de Lisboa, que sabe acolher com a delicadez que lhe é tradicional, os seus visitantes.

            Os nossos reaes hospedes eram esperados no paço de Belem por sua magestade a rainha a sr.ª D. Maria Pia, acompanhada de todas as suas damas de honra. A sr.ª D. Maria Pia fez a apresentação de cada uma das suas damas.

            A parte do palacio destinada aos soberanos, compõe-se dos seguintes aposentos:

            1.º       A sala dourada, em cujo tecto se admirar excellentes quadros e ornamentos.

            Esta sala tem resposteiros, cortinas e guarnições escarlates, grandes espelhos e mobilia antiga. Ao lado está um singelo oratorio.

            2.º       A sala de jantar, com dois grandes consolos dourados com espelhos antigos, e guarnição moderna, toda de mogno.

            3.º       A sala da recepção mais rica com mobilia, antiga e moderna, esta de forro escarlate, e a outra amarella; as guarnições e decorações são amarellas.

            Ha n’esta sala um bonito relogio antigo de Lenoir, jarrões grandes de Sèvres, antigos jarrões da China, cestos e outras louças da Saxonia, um esplendido étagère antigo, com espelhos, com embutidos e figuras de metal. Dois armarios, antigos, um dos quaes, tem delicadas pinturas. Uma secretaria grande com embutidos, obra portugueza dada a el rei D. Pedro V.

            N’esta secretaria, muito curiosa, leem-se em medalhas os nomes dos nossos principaes generaes, navegadores e homens de letras; o nome das mais importantes batalhas ganhas pelos portuguezes, e ainda muitos outros disticos allegoricos.

            A meza do centro tem um rico panno, branco e outro. É n’esta sala que está o piano.

            4.º       Segue-se o quarto do rei D. Affonso, com mobilia e guarnições azues, espelhos e cama de metal amarello. Contiguo, o quarto de toilette, gosto moderno, com todos os pertences necessarios.

            Um grande espelho dourado reveste inteiramente a parede do topo do quarto.

            Estas salas e o quarto e toilette de el-rei, abrem todas sobre os jardins e terraços, e disfructam a magnifica vista do Tejo.

            5.º       O quarto de el rei está separado do quarto da rainha, pelas antigas salas de baile onde se davam as recepções e soirées no tempo da rainha a sr.ª D. Maria II.

            Esta sala branca e dourada conserva toda a sua simplicidade; apenas está adornada com placas e vasos de flores.

            6.º       O quarto da rainha, que segue, como dissémos á sala do baile, e deitam as janellas para a calçada da Ajuda, está guarnecido de damasco amarello, com reposteiros de lhama de ouro. (NOTA: Tecido luxuoso) A cama é antiga, do principio d’este século, com, seu docel, muito rico, que pertenceu á sr.ª D. Carlota Joaquina, da mobilia mixta, antiga e moderna, consolos, mesa de centro. Chaise longue, armario de espelho, candelabros, e relogio, tudo dourado e muito rico. Contigua,e a seguir para a banda do jardim, está uma pequenina sala, de gosto moderno, em jacarandá, com estofo e guarnições amarellas, e ao lado d’esta, o quarto do toucador, bastante simples. Proximos os aposentospara as pessoas do serviço immediato da rainha.

            Por toda a parte vasos, flores, lindas camelias, muitos arbustos, muitos luestres, candelabros, serpentinas, a luz a jorros, n’aquellas grande salas.

            No vestibulo, nas escadarias guarnições luxuriantes de verdura, e de flores, cadeiras antigas de couro, bufetes de pau santo, quadros, bustose estatuas.

            Por delicada manifestação de affecto de sua magestade a rainha D. Maria Pia, vêem-se no quarto da rainha de Hespanha, e nas salas e gabinetes, sobre consolos e etagéres, (NOTA: étagères)diversas photographias com retratos de pessoas das familias dos augustos viajantes.

            Os ministros, e o pessoal da casa civil e militar do rei, ficam alojados nos aposentos chamados do picadeiro, communicando com os jardins e tendo a sua entrada principal pela escadaria que dá para a Praça de Belem.

            As senhoras são alojadas no segundo pavimento, nos quartos chamados da Arrabida.

            Pouco depois das 8 horas da noite, serviu-se no palacio da Ajuda o jantar.

            A meza foi de cento e tantos talheres, achando-se esplendidamente servida com a rica baixela da casa real. (NOTA: “Baixela” é um serviço de mesa em prata.)

            O aspecto da sala era magnificente.

            Além da comitiva dos reis de Hespanha, foram convidados os officiaes de serviço, camaristas, e veadores, ministros, corpo diplomatico, damas de sua magestade a rainha, officiaes-móres, etc.

            O menu era delicadissimo.

            É de presumir que possamos dar noticia minuciosa d’este jantar.

            Os reis de hespanha almoçam hoje na legação hespanhola, onde receberão os cumprimentos da colonia. Em seguida dirigir-se-hão para o hypodromo de Belem, para assistirem ás corridas que lhes são offerecidas pelo Jockey Club.

            Á noite ha recepção de gala e baile no palacio da Ajuda e illuminação na esquadra portugueza surta no Tejo.

            Ámanhã realisa-se a inauguração da exposição da arte ornamental.

            De tarde ha tourada (NOTA: Praça do Campo de Sant’Anna) offerecida pela empreza Custodio Vidal, e na qual tomam parte como cavalleiros, os eximios amadores Alfredo Marreca, Alfredo Tinoco (da Silva), e D. Luiz do Rego, e os cavalleiros de profissão José Maria Casimiro Monteiro, Antonio Maria Monteiro e José Bento de Araujo, e os principaes capinhas portuguezes.

            Á noite ha recita de gala no real theatro de S. Carlos.

            No domingo, dia em que realisa a tourada offerecida aos reis de Hespanha pelo sr. Alfredo Anjos, (NOTA: Alfredo Ferreira dos Anjos, era um abastado aristocrata, empresário e cavaleiro amador. O título de Conde de Fontalva ser-lhe-ia concedido mais tarde, em 1898, pelo rei D. Carlos I, consolidando o seu estatuto na nobreza portuguesa.) os reis de Portugal e os seus hospedes virão de Belem por mar nas galeotas, acompanhados pelos escaleres dos navios de guerra surtos no Tejo, até ao arsenal da marinha.

            A corrida offerecida pelo sr. Alfredo Anjos é revestida do maior luzimento.

            Os cavalleiros e lidadores terão padrinhos, á moda do que se fazia nas antigas touradas reaes e que hoje ainda é uso em Hespanha.

            Sua magestade el rei D. Luiz será padrinho do sr. Alfredo Anjos; o sr. conde das Galvêas, do sr. D. Antonio Galvêas; o sr. conde da Guarda do sr. Antonio de Portugal; o sr. conde de Mesquitella, do sr. Vellez Caldeira; o sr. Alfredo Anjos, do sr. Henrique Martins.

            Os cavalleiros farão as cortezias indo o sr. Anjos no seu cavallo Rialta; D. Antonio de Portugal no Emir, do sr. infante D. Augusto; D. Antonio Galvêas, n’um cavallo do sr. conde das Galvêas; Vellez Caldeira, n’um cavallo do sr. Carlos Éugenio de Almeida; e o sr. Henrique Martins no cavallo Pegáso, do sr. Anjos.

            A tourada começa ao meio dia. Serão corridos 12 touros, pertencentes ao sr. D. Caetano Bragança.

            O sr. Anjos mandou adornar a praça e fazer doze moñas para os forcados; (NOTA: As “moñas” eram laços ou rosetas de cores vivas em seda ou cetim, que se prendiam à indumentária dos forcados para as corridas de gala.) corôas para offerecer aos cavalleiros e bouquets para os bandarilheiros e moços do curro.

            Os cavallos que entram na lide comparecerão ás cortezias, levados á mão por criados da casa real.

            O batalhão collegial traz á parada quatro pelotões de 25 filas cada um e os respectivos officiaes.

            A força total é de approximadamente 200 collegiaes.

            Esta força marchará como a divisão em columna aberta de pelotões.

            E-rei o sr. D. Luiz convidou a sua reverencia o cardeal-bispo do Porto para assistir ás festas da côrte em honra dos monarchas hespanhoes. Sua eminencia acha-se já em Lisboa.

            É grande a affluencia de visitantes hespanhoes em Lisboa. Das nossas provincias tem chegado enorme quantidade de gente.

            Os hoteis e hospedarias não teem nem um quarto para alugar. Acham-se muitas familias accommodadas em quartos particulares.

            Illuminaram hontem alguns edificios, o palacio da legação hespanhola e algumas casas particulares.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 11 de Janeiro de 1882

17 DE OUTUBRO DE 1882 - LISBOA: "TOUREIROS", A NOVA MARCA PARA OS FUMISTAS...

 

Anúncio publicado na página 4 da edição do jornal lisboeta "DIARIO ILLUSTRADO", 17 de Outubro de 1882.
Biblioteca nacional de Portugal

12 DE JANEIRO DE 1882 - LISBOA: «LA TORADA...»

 
Biblioteca nacional de Portugal

VIAJE DE SS. MM. Á PORTUGAL.

(De nuestro corresponsal.)

LISBOA 13 Enero.

Con más tiempo, puedo dar á V. más detalles de la torada de ayer. La plaza, pequeña, construida de madera, estaba adornada con follaje, flores y banderas con mucho gusto. Al llegar SS. MM. Se izó la bandera española y las músicas tocaron la marcha real, levantándose los de la sombra y permaneciendo tranquilos los tendidos más populares; el ganado fué bastante regular, dada la época del año y la condicion de los pastos, y las suertes ejecutadas lo fueron con bastante más acierto por los aficionados que por los del oficio. Nuestro amigo (Alfredo) Tinoco tuvo ocasion de lucirse, así como el antiguo amador Morisca (NOTA: Manoel Mourisca), que á peticion del público y en traje de calle y sin espuelas, ejecutó varias suertes á caballo levantado á la portuguesa y con banderillas cortas, con sumo acierto y lucimiento.

"CORRIDA DE TOROS ORGANIZADA POR EL CABALLEIRO DOS ANJOS: CABALLEROS EN LA PLAZA SALUDANDO Á SS. MM."
Desenho de J. Comba. La Ilustración Española y Americana, 30 de Janeiro de 1882 - BNE, Madrid.

Como uno de los toros rehusaba, (NOTA: Es decir: el bicho se negaba a embestir o a acudir al engaño.) encantado con tan agradable concurrencia, de retirarse, á pesar de las instancias que le hacian los cabestros, uno de los boyeros ejecutó la suerte de la pega, arrojándose sobre él y sujetándole. Parece ser que en la corrida del domingo; que ha de ser á la antigua portuguesa, se verificará esta misma suerte, hasta hoy prohibida, y que, autorizada por el Rey, ha sido causa de que el gobernador de Lisboa, el Xiquena de aquí, (NOTA: El gobernador de Lisboa se comportó de forma tan autoritaria, permisiva o polémica como solía hacerlo el Conde de Xiquena en Madrid con los asuntos de orden público o espectáculos.) haya dado su dimision, que, segun parece, no le será aceptada, por lo menos hasta que salgan los Reyes de España de esta ciudad.


In LA EPOCA, Madrid – 15 de Janeiro de 1882

12 DE JANEIRO DE 1882 – LISBOA: EXTRAORDINÁRIA CORRIDA OFERECIDA A “SUA MAGESTADE EL-REI D. AFFONSO XII DE HESPANHA” COM OS CAVALEIROS CASIMIRO MONTEIRO, ANTONIO MONTEIRO E JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

Biblioteca nacional de Portugal

Grande festa tauromachica

            Apesar da corrida desempenhada por curiosos, el rei D. Affonso assistirá tambem á que lhe foi, em tempo, offerecida pelo sr. Custodio Vidal, emprezario da praça do Campo de Sant’Anna, e acceite pelo nosso soberano, como já dissemos. A praça está lindamente ornada. É um perfeito jardim, apresentando excellente effeito. Por convite especial da empreza, tomam parte no torneio, os laureados e distinctissimos amadores Alfredo Marreca, D. Luiz do Rego e (Alfredo) Tinoco (da Silva). Trabalham egualmente os habeis artistas José Casimiro Monteiro, Antonio Monteiro, José Bento de Araujo, irmãos Robertos, Peixinhos, Calabaça, Caixinhas, Sancho, Raphael e Costa.

            Os touros que pertencem aos sympathicos irmãos Robertos, chegam hoje ás Marnotas. Nada diremos com respeito á escolha dos mesmos, porque todos sabem que Robertos são lavradores acredeitados, e basta saber-se que ha dois mezes que o gado está sustentado a boleta e fava. Podemos garantir isto.

            Esta extraordinaria corrida deverá ser digna de se registar e deixará, de certo, grata recordação.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 9 de Janeiro de 1882

22 DE MAIO DE 1881 – LISBOA: MAIS UMA CORRIDA HISPANO-PORTUGUESA NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 

Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            Chegam hoje a Friellas os touros que hão de ser corridos no domingo na praça do Campo de Sant’Anna. A fama dos bichos, que são realmente bravissimos, correu já toda a extensa fileira dos amadores, muitos dos quaes se preparam para ir hoje ás pastagens admirar tão excellente curro, que promette exceder o de domingo passado.

            Como se sabe, teem os amadores, na tarde de domingo, uma funcção tauromachica de primeira ordem. Não póde deixar de ser assim, em vista da qualidade do gado, e de trabalharem artistas afamados como são os dois espadas hespanhoes Filippe Garcia (NOTA: Felipe García Sánchez) e Joseito, (NOTA: Joseíto) e os habeis Robertos, Peixinhos, etc.

Praça do Campo de Sant'Anna
FOTO: Arquivo CML

            Mais um attractivo, e dos melhores, para uma enchente: veem alguns touros para cavallo, que teem nome temivel pelas suas proesas. Casimiro Monteiro e José Bento (de Araujo) vão ver Braga por um canudo.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 20 de Maio de 1881

22 DE MAIO DE 1881 – LISBOA: 13 TOUROS PARA ARTISTAS DE ESPANHA E DE PORTUGAL

 

Praça do Campo de Sant’Anna

Domingo 22 de maio de 1881

            ESPLENDUROSA corrida de 13 touros, eguaes senão superiores aos que no domingo 15 foram corridos n’esta praça, e pertencentes tambem ás manadas do fallecido lavrador o sr. visconde dos Olivaes.

            Trabalham os applaudidos espadas hespanhoes

            Filippe Garcia (NOTA: Felipe García Sánchez) e José Rodrigues, El Juseito (NOTA: José Rodríguez, El Juseíto ou El Joseíto)

            E os bandarilheiros portuguezes Cadete, Robertos, José J. Peixinho, Calabaça e Sancho. Cavalleiros, Casimiro Monteiro e José Bento d’Araujo.


            Os bilhetes de camarotes, cadeiras e trincheiras, estão á venda na tabacaria Climaco, na rua da Bitesga, 71.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 19 de Maio de 1881

22 DE MAIO DE 1881 – LISBOA: MATADOR ESPANHOL NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA OU A AFIRMAÇÃO DAS CORRIDAS MISTAS...

 
Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            O sr. Custodio Vidal, empresario da praça do Campo de Sant’Anna chegou hontem da Azambuja, onde foi alugar os touros para a corrida de domingo. Podemos pois dar aos amadores a boa nova de que vem um curro pertencente, como o de domingo passado, ás manadas que foram do fallecido visconde dos Olivaes. São 13 touros muitos corpulentos e bravos, vindo entre alguns afamados para serem farpeados pelos cavalleiros.

            Temos pois no domingo mais uma funcção tauromachica de primeira ordem, porque além da circumstancia do gado ser bom, trabalham os habeis espadas hespanhoes Filippe Garcia e José Rodrigues El Juseito, (NOTA: José Rodríguez “El Juseíto” ou “El Joseíto”) e os melhores capinhas portuguezes.

            Serão cavalleiros Casimiro Monteiro e José Bento de Araujo.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 18 de Maio de 1881

8 DE MAIO DE 1881 – LISBOA: CORRIDA COM ALGUM GADO IRREGULAR E OUTRO BOM...

 

Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            A corrida de domingo não foi das melhores, porque o gado saiu irregular. Houve no entanto alguns touros em condições boas para o toureio, e que deixaram brilhar os artistas.

            O cavalleiro Casimiro Monteiro aproveitou muito bem o primeiro touro em sortes á meia volta e a sesgo. Poz com toda a arte dois pares de ferros curtos. Foi muito applaudido e teve uma chamda.

            Antonio Monteiro não foi antehontem feliz; no entanto metteu bem alguns ferros. Intentando enfeitar o touro que lhe pertenceu com um par de bandarilhas, não poude conseguil-o.

            José Bento (de Araujo) teve um touro de más condições, que não deixou contudo de enfeitar com algumas farpas bem postas.

            Robertos muito bem. Roberto da Fonseca trabalhou admiravelmente com a muleta no 2.º touro, alcançando por isso uma ovação. Peixinho, Calabaça e Sancho aproveitaram o melhor que puderam os touros que lhes coube. Os restantes diligenciaram agradar.

            O afamado Pardal, que tanta curiosidade despertára, é um touro facilimo de lidar; sempre prompto quando citado, parava-se no castigo. É emfim um verdadeiro paliterio, como vulgarmente são chamados os touros assim fieis.

            O publico, vendo que nenhuma difficuldade havia em lidal-o, não consentiu que os cavalleiros lhes mettessem ferros curtos.

            A casa estava regular.

            Para domingo é que se prepara uma excellente funcção tauromachia. O gado, que pertence ao lavrador sr. José Ferreira Roquete, está alugado por bom preço, e foi escolhido com esmero. O cavalleiro n’essa tarde, —e damos n’isto uma agradavel nova aos amadores da tauromachia, é o nosso amigo o sr. Alfredo Tinoco da Silva.

            O sr. Tinoco promptificou-se a farpear quatro touros, por especialissima fineza ao emprezario o sr. Vidal, que está esfregando as mãos de contentamento por poder assim proporcionar aos habitués d’aquelle circo uma funcção de primeira ordem.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 10 de Maio de 1881

8 DE MAIO DE 1881 – LISBOA: ARTISTAS PORTUGUESES FACE AO TOURO PARDAL, “QUE JÁ DESFEITEOU DOIS CAVALLEIROS HABEIS”...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            Pertencem ao lavrador de Villa Nova da Rainha, o sr. Francisco Ferreira da Costa, os touros que hão de ser corridos no domingo na praça do Campo de Sant’Anna. São escolhidos a capricho e vem entre elles o celebre Pardal que já desfeiteou dois cavalleiros habeis.

            Trabalham José e Antonio Monteiro e José Bento d’Araujo, e os capinhas das primeiras tardes.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 5 de Maio de 1881

1 DE MAIO DE 1881 – LISBOA: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO (29 ANOS DE IDADE) BRILHA NA SEGUNDA CORRIDA DA TEMPORADA NA PRAÇA DA CAPITAL...

 
Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            Realisou-se hontem a segunda corrida da época tauromachica na praça do Campo de Sant’Anna.

            Não se pode dizer que o curro saisse bravissimo: no entanto, em geral, o gado não era mau, porque, se houve alguns touros cobardes ou de outras condições más para o toureio, outros sairam muito bravos.

            Foram cavalleiros Antonio Monteiro e José Bento (de Araujo).

            O primeiro d’estes artistas, se nem sempre fez o que poderia faszer em tarde mais feliz, comtudo alcançou palmas algumas vezes justas.

            José Bento (de Araujo) está um cavalleiro muito apreciavel; o publico fez-lhe justiça, applaudindo-o.

            No primeiro touro que lhe coube, que foi o 5.º da primeira parte, realisou uma sorte de gaiola irrprehensivelmente executada.

            Valeu-lhe isso uma ovação.

            Metteu ainda mais alguns ferros as sesgo e á meia volta, todos bem.

            O touro que lhe pertenceu na 2.ª parte era ruim e não lhe permittiu que brilhasse.

            Repetimol-o, José Bento (de Araujo) está um cavalleiro muito digno de apreço, e tem feito visiveis progressos.

            Robertos sempre á altura da fama de bons toureiros. Ferros postos com arte e elegancia, e consciencia no trabalho.

            Roberto da Fonseca obteve uma ovação no trabalho da muleta executado no 7.º touro, que lhe pertenceu e a seu irmão.

            Peixinho trabalhou muito bem e foi applaudido.

            Calabaça, que é um bom artista, mas que na época passada parecia ter esfriado um pouco no interesse pela arte, está este anno um artista de primeira ordem, no trabalho das bandarilhas. Outro tanto, com franqueza, não lhe dizemos em relação ao trabalho do capote.

            Os restantes fizeram diligencia por agradar e conseguiram-o.

            E já que estamos dizendo o modo porque se houveram os capinhas, cumpre-nos pedir providencias com respeito ás caidas de capa. Na primeira parte da corrida correu bem n’esse sentido, mas na segunda chegou-nos a parecer a arena uma especie de feira da ladra.

            Evite-se esta irregularidade que entre outros inconvenientes tem o de estragar a cabeça aos touros pondo-os em pessimas condições para a lide.

            A empreza, esperamol-o, ha de fazer as suas recommendações para que tal se não repita.

            O publico, emfim, retirou-se satisfeito.

            A direcção foi acertada.

            A casa estava boa.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 2 de Maio de 1881

12 DE JANEIRO DE 1882 – LISBOA: CORRIDA DE TOUROS NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 
Biblioteca nacional de España

PORTUGAL.

Despacho oficial.

            «SS. M. El Rey D. Alfonso y la Reina doña María Cristina (Q.D.G.) continúan sin novedad en su importante salud.

            Ayer recibieron al cuerpo diplomático extranjero. El baile celebrado anoche en el palacio de Ajuda fué suntuoso y por extremo concurrido.

            Los Reyes de Portugal y los de España han inaugurado hoy la Exposicion del arte retrospectivo, que es sumamente notable.»

            No ofrecen interés, por haber anticipado el telégrafo las noticias mas importantes, las primeras cartas que se han recibido referentes al viaje régio y á los festejos que se celebran en Lisboa. Los corresponsales de todos los periódicos ocúpanse especialmente en el recibimiento dispensado por el pueblo portugués á los Reyes de España. «Con un silencio respetuoso, dice uno de aquellos corresponsales, fué recibido el rey Luis por la muchedumbre que se apiñaba en las calles y en los andenes del ferro-carril, y no habia razon, por lo tanto, para que el Soberano español, obtuviese distintas demostraciones que las dispensadas por su propio pueblo al monarca portugués.» Por lo demás, lo repetimos, no despiertan la curiosidad las correspondencias recibidas ayer, casi todas ellas consagradas á relatar impresiones de viaje que no ofrecen novedad alguna.

Baile en el palacio de Ajuda.

            Nuevas noticias.

            A las diez de la noche comenzó el baile, prolongándose hasta las cinco de la madrugada. Como baile de córte, dominaban en él los uniformes y los bordados. Apenas se veia un concurrente que no luciese una cruz ó una banda.

            Era difícil el paso por los salones. Entre las damas figuraban mas de doscientas, que vestian trajes de color blanco, azul y rosa, y la mayoría con matices claros. El vestido de la reina Pía era muy elegante, color manteca; los prendidos de flores naturales, el aderezo de brillantes, y la diadema real, de gran precio y mérito artístico, figuraba estrellas.

            La reina Pía lucía la banda de damas nobles de María Luisa. La reina Cristina lucía un vestido color crema, con delantal brochado color oro viejo, magnífico aderezo y diadema de brillantes, y la portuguesa banda de Santa Isabel.

            El rey D. Luis, el rey D. Fernando y el príncipe heredero, vestían uniforme de generales de la armada lusitana. El rey D. Alfonso de capitan general del ejército español, llevando las bandas de la Concepion y Cristo. S. M. El rey de Portugal ostentaba el Toison de Oro.

            Durante el baile los reyes conversaron con los personajes mas notables de ambos paises. Las reinas Pía y Cristina, despues de recorrer el salon, en el que se hacia muy difícil el paso por la gran concurrencia, estuvieron largo rato en el salon del trono.

            El Rey D. Alfonso ha bailado con las damas aristocráticas portuguesas y mantuvo animadas conversaciones con los representantes del comercio, de la industria, de las letras, de la milicia y de la administracion.

            El rey D. Luiz ha bailado dos rigodones, psando el resto de la noche en cariñosa conversacion con los Sres. Sagasta, marqueses de la Vega de Armijo y Santa Cruz, generales Echagüe y Terreros, conde de Morphy y Sr. Leon de Llerena.

            El infante D. Augusto ha conversado largo tiempo con el subsecretario de la presidencia.

            El efecto del salon donde se hallaba el buffet ofrecia una visualidad magnífica, sobre todo por los vistosos aparadores cargados del inmenso y riquísimo servicio de plata y oro repujados que Portugal logró salvar cuando la guerra francesa, y que fué enviado en depósito al Brasil.

            Lqa córte se retiró á las tres de la madrugada. Los convidados salieron muy satisfechos por las grandes muestras de respetuosa simpatía de que fueron objeto. Los Reyes de España tuvieron una entusiasta acogida en esta brillante fiesta, en la cual estaban representadas todas las clases sociales de Portugal.

La Exposicion

            La inauguracion oficial verificóse ayer con gran solemnidad, y ante numerosísimo público, compuesto en su mayor parte de distinguidas damas de la aristocracia portuguesa y de notabilidades políticas y altos dignatarios de la córte de aquel país. Al entrar SS. MM., D. Alfonso y doña Cristina, las bandas de música ejecutaron la marcha real española. D. Luis daba el brazo á doña Cristina y D. Alfonso á la reina de Portugal. Esta vestia un elegantes traje grís Pompadour y doña Cristina de terciopelo color pizarra, adornado con flores y bordados. Los Reyes llevaban uniforme de gala.

            En el testero del salon ocuparon los sillones que les estaban destinados, sentándose á la derecha de doña Cristina, los reyes D. Luis, D. Fernando y el infante D. Augusto, y á la izquierda de doña Pía, D. Alfonso, el príncipe heredero y su hermano menor.

             El rey D. Fernando leyó un extenso discurso alusivo á las circunstancias, explicando el objeto de la Exposicion, y felicitándose por su éxito y por haber reunido cuanto representa las tradicones del país y del arte desde el siglo XIV al XVII, dedicando un saludo á las naciones que contribuyeron á la Exposicion. Despues pronunció un discurso de gracias á cuantos habian coadyuvado á la realizacion del certámen.

            Levantóse seguidamente el rey D. Luis, y con gran entonación leyó un corto discurso en el mismo sentido, congratulándose además de la presencia de los Reyes de España, como prueba de la amistad que reina entre dos pueblos que deben vivir unidos, respetando, sin embargo, su autonomía é independencia.

            Un corresponsal dice que al discurso del rey D. Luis contestó en otro D. Alfonso, agradeciendo la hospitalidad y elogiando las tradiciones portuguesas. Creemos que este detalle no se confirmará.

            El ministro de Obras públicas declaró inaugurada la Exposicion en nombre del rey. SS. MM. Recorrieron las salas de la Exposicion acompañados de D. Fernando y del infante D. Augusto, el primero de los cuales conversó afablemente con los españoles comisionados en la Exposicion y los representantes de la prensa.

            Puede decirse que lo mas importante en el acto inaugural á que acabamos de hacer referencia, fué la parte del discurso del rey D. Fernando dedicada á nuestra pátria. Despues de consagrarla algunos elogios, que sinceramente ageradecemos, dijo que España y Portugal son y serán dos pueblos hermanos, pero independientes.

Praça do Campo de Sant'Anna
FOTO: Arquivo da CML

En los toros.

            Al salir SS. MM. De la Exposicion, dirigiéronse, excepcion hecha dl rey D. Luis, al campo de Santa Ana, donde se ha construido un circo para celebrar fiestas taurinas, de capacidad suficiente para ochocientos espectadores. La cresteria del edificio estaba adornada con banderas y escudos de España, Portugal, Austria é Italia. Los antepechos de los palcos y gradas, las columnas y los patios, todo se hallaba cubierto de ramaje salpicado de camelias y otras flores naturales, produciendo un efecto sorprendente. Amenizaron la funcion dos músicas. Hubo bastante animacion, pero menor que la de nuestras corridas.

            Las bandas militares tocaron la marcha real española á la llegada de SS. MM. Y AA.

            Empezó la corrida con caballeros en plaza, rejoneando y poniendo banderilas con mucha soltura, agilidad y destreza. Muchos aplausos, muchos cigarros y muchas flores obtuvieron los caballeros en plaza.

La Ilustración Española y Americana (1882), BNE

            Una cuadrilla de toreros portugueses, vestidos á usanza española, lidió toros embolados, pero sin llegar á la suerte de espadas.

            Grande animacion en la plaza y calles inmediatas.

            A S. M. el rey D. Alfonso fué dedicado un bríndis extensivo á la prensa española.

In EL DIARIO ESPAÑOL, Madrid – 13 de Janeiro de 1882