CAMPO
PEQUENO
A
festa de Thomaz da Rocha
Se satisfez o beneficiado pelo bom
resultado pecuniario, não sartisfez o publico que ficou devéras mal impressionado
com o curro de garraios (infezados alguns) que o lavrador de Almeirim Sr. A.
Rodrigues Santo, se dignou mandar para a primeira praça do paiz, com a mesma semceremonia
como mandaria para a extincta Cruz Quebrada.
Lamentamos que se preze tão pouco o
bom nome de um ganadero e que não haja remorso de consciencia, em se explorar
tão ignobilmente o publico.
A auctoridade para quem poderiamos
appelar visto que visa os cartazes que annunciam touros e depois vê correr bezerros,
essa cruza os braços e serve para tudo menos para exigir a responsabilidade a
quem competir pela falta de seriedade nos contractos.
Ha rigor e demasiado nos pequeninos
casos; aos, porém, de mais importancia não se lhe liga interesse algum.
Se o que succedeu no domingo se
desse em Hespanha a empreza era auctoada e esta por seu turno iria pedir a
responsabilidade a quem pertencesse; aqui repetimos, os abusos succedem-se, o
publico vê-se ludibriado, aborrece-se e acaba por deixar de frequentar o
divertimento.
Isto é consequencia, da brandura de
uns e dos poucos escrupulos de outros.
Como resultado da má qualidade da
materia prima, pouco temos a dizer do trabalho artistico; no entanto
mencionaremos José Casimiro no 1.º touro que obrigou a marrar dando-lhe uma
lide de mestre. O seu cavallo Rolito por duas vezes se virou para a esquerda e
o distincto amador mudando de montada collocou dois ferros curtos bem
apontados.
Foi applaudido com enthusiasmo,
assim como seu pae Manoel Casimiro, que achando-se ainda doente, se encontrava
no sector 1.
José
Bento (de Araújo) e Simões Serra, deligenciaram bastante, mas ao primeiro coube
um manso e ao segundo um tunante que metteu respeito ao cavalleiro.
Da
gente de montera houve de todos muito boa vontade.
Theodoro Gonçalves, como sempre
incansavel e saliente.
Bandarilhando collocou bons pares
sahindo para os dois lados, caso que merece menção por ser extraordinario nos
nossos artistas; aproveitando um resalto teve um par bastante trazeiro, não
sendo caso, no entanto, para as manifestações de desagrado da parte do publico,
que outras vezes tão indulgente é.
Thomaz da Rocha variou a lide em bandarilhas
que não sahiu luzidas como seria seu desejo, mas que mostou ser feita com conhecimento
e consciencia.
Calabaças pae e filho, Saldanha,
Torres Branco e Martins repetimos, todos com muito boa vontade.
Apreciado este trabalho resta-nos
dizer que na muleta pegou Theodoro uma unica vez no que fez muito bem e o capote
vimos abril-o ao mesmo Theodoro, Martins, Torres e Rocha.
Mas para não melindrar ninguem abstemo-nos
de dizer o que vimos e se nos dão licança limitar-nos-hemos a dizer que
sentimos a falta de um toureiro hespanhol.
Os forcados portaram-se bem, tendo
Fressura executado uma pega de costas de muito effeito.
O velho Botas a contento de todos, menos
do emprezario Batalha, que no fim da corrida o estava reprehendendo não sabemos
porque, mas calculamos que estaria desorientado com a manifestação ao Manoel
Casimiro.
Coitado, apezar d’aquelle enorme e
balofo corpanzil é um mesquinho em tudo, o nosso amigo Batalhinha-
Zé do Sol.
In REVISTA TAURINA, Lisboa – 24 de Agosto de 1902





























