COMPLETAMENTE À MARGEM DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO E DA TAUROMAQUIA... 2

 



“UM TESOURO NO DESERTO — O Algarve entre montes e memórias”

          Agradeço a Isabel Daires, Mário Beja Santos e ao meu amigo Alfonso Armada, as palavras que teceram sobre o meu livro. Ignoro se há mais resenhas...

ISABEL DAIRES - "MIL FOLHAS"

"Um Tesouro no Deserto" - Rui Araújo

                Tremelgo de Cima, Balurco de Baixo, Silgado, Deserto, Tesouro... são os nomes de alguns dos lugares percorridos por Rui Araújo, numa "excursão de moto, sem acompanhantes, sem destino e sem pressas", com a intenção de escutar memórias, testemunhos e silêncios das gentes esquecidas dos montes do Nordeste do Algarve. "Um Tesouro no Deserto": O Algarve entre Montes e Memórias" (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2025) é o registo dessa viagem, cumprindo plenamente o objectivo de dar voz a uma população envelhecioda, que se foi vendo cada vez mais só, entre a morte dos velhos conhecidos e a partida das massas para o litoral e para as urbes.

                A impressão transmitida é a de um mundo no qual "tudo parece estar a desagregar-se". Apesar da rica descrição da vegetação, a canícula impera e faltam mãos para trabalhar nos campos que antes eram lavrados. As escolas encerraram, o acesso ao comércio e a outros serviços ficou cada vez mais distante, as poucas opções de vida reduziram-se ainda mais, e o futuro afigura-se sombrio. A maioria dos entrevisdtados cresceu pobre, tornou-se - quando muito - rtemediada, e vive numa solidaão reforçada pelo medo da bandidagem que se aproveita do isolamento. "Ignoramos quase tudo do viver e morrer destes homens e destas mulheres, dos seus sentimentos mais intensos, dos seus costumes e dos seus sonhos", escreve o autor. Não surpreende que as suas histórias de desalento mencionem com frequência a morte: por exemplo, o monte apropriadamente chamado Deserto - um "lugarejo perdido" onde o autor procura o casal de idosos "sós e tristonhos" que aí conhecera há una anos - ficou abandonado desde que os dois se finaram. Também num salto a Pescueza, "uma terriola da Estremadura espanhola", onde investiga um projecto que visa combater o despovoamento proporcionando "Uma vida mais digna e mais autónoma aos seus idosos", descobre que um velho poeta faleceu poucas semanas após o entrevistar. Porém, no meio da desolação, há quem se declare feliz e demonstre alegria de viver. E o presidente da Câmara de Alcoutim, o concelho "mais despovoado do Algarve e um dos mais pobres do país", tem ideias para reverter a situação.

                Pelo caminho, Rui Araújo também descobre algo acerca de si próprio: "afinal, não é do campo nem do mar que eu gosto - é das pessoas". Trata-se de um facto que se nota na sua escrita, profundamente humanista, re4speitadora das diferencças de opinião e atenta a tudo quanto fica por dizer, na qual a reprodução dos diálogos é sabiamente cruzada com as descrições e as referências oportunas a escritores como Raul Brandão. Este livro é a sua sentida "homenagem aos camponeses da raia, que teimam em sobreviver onde a terra caba e nenhum mar começa...".

FONTE: https://deusmelivro.com/mil-folhas/um-tesouro-no-deserto-rui-araujo/

MÁRIO BEJA SANTOS - "MALOMIL" E "MAIS RIBATEJO"

14 de Maio de 2026

Os demónios da interioridade, as assimetrias que matam os sonhos dos homens.

                Não há discurso político-partidário que não proclame a predisposição para pôr termo ás nossas interioridades, que não são poucas, estão prantadas na raia, até mesmo nas regiões ultraperiféricas, explicitam-se por fuga das gentes, falta de serviços, ausência de industrialização, esquecimento dos planificadores ou mesmo dos investidores, há ainterioridades nas beiras, na zona transmontana, em vastidões com aquela que vamos falar, pontos da serra algarvia, por ali se passa com um certo desfastio, às vezes com curioswidade, são itinerários obrigatórios para alcançar as paragens turísticas. No caso vertente do Barrocal Algarvio multiplicam-se os estudos, adivinham-se as potencialidades, sonha-se com desenvolvimento, espera-se pelo Encoberto. A Fundação Francisco Manuel dos Santos encomendou a um jornalista de alto coturno, Rui Araújo, que andasse por esses montes escalvados, o produto final que ele nos deus é uma reportagem assombrosa, chama-se Um Tesouro no Deserto, Retratos da Fundação, 2025. O autor começa por nos dizer ao que vem:

                "A intenção é emprestar voz a esta gente esquecida dos montes do Nordeste do Algarve. Escutar as suas memórias. Os testemunhos. Os silêncios. Pintar nestas páginas a terra e as gentes." Rui Araújo é um andarilho com muitas provas dadas, sabe perguntar, sabe contextualizar, ora vejam:

                "DESERTO. Foi ontem! As placas indicam Alcoutim, IC27 e Deserto. Opto por Deserto, o nome atrai-me. Deve ser um lugar diferente. Dou com idosos sentados diante de uma casa sem janelas, o que dá para imaginar o que a vista custa. Primeiro encontro. E, irremediavelmente, as primeias descrenças.

                - Ah, tenho saudades, que a gente saía e via gente por aí todos, o mesmo que a gente. E, agora, uma pessoa sai e não vê ninguém... - diz-me dona Adelina.

                A solidão imposta é sentida como um calvário. Diz-se, diz-se. E é capaz de ser memo assim. Ela veste blusa e avental azuis. Ele está de chapéi negro sobre os olhos e de camisa cor de burro quando foge. Daqueles pares de olhos, apesar dos óculos graduados, irradia tristeza, apenas tristeza."

                A conversa mete muito desalento, quase que se ouvem os espetros, há memórias dos tempos com trabalho, a apanha da amêndoa e do figo. O jornalista volta ao local, veio de moto, contempla um furjal, nome que alguns algarvios dão aos terrenos vedados por árvores de sequeiro. Ainda na década de 1990 as terras eram todas cultivadas, havia trigo, aveia, centeio, azinheiras e muito mais. Agora as ruelas estão desertas. O jorbalista segue para Balurco de Baixo, mete conversa com Francisco José Cavaco Gonçalves, foi lavrador e trabalhou na Câmara de Alcoutim, a população é de velhos, mesmo os estrangeiros que por ali habitam. É tudo uma questão dos censos, em cerca de sessenta anos há quase dez vezes menos pessoas a trabalhar no campo e nem a pesca escapou à desgraça. Em Alcoutim já só resta um pescador. Nova localidade, o nome é Soudes, conversa com Agostinho Mestre Pereira, conta a sua vida, até a vida sentimental lhe foi madrasta. Mas não se esquece de dizer que antigamente se vivia pior. Pobre é uma palavra recorrente, não foram esquecidas as lembranças da vida frugal, "os brinquedos que et tive eram uma roda de cortiça redonda metida numa câmara-de-ar e correndo atrás daquilo."

                    Estamos no Torneiro. "Ao cabdo de uma ternidade, aparece diante da moradia branca uma idosa que me mede de alto a baixo. Digo-lhe, só para me dar ares de erudito, que estou a escrever um livro sobre a memória dos montes do Algarve. Dona Maria Dias Gomes Afonso manda-me entrar com um sorriso largo e bonacheirão." Vai recordar a sua infância, lembra as festas, a vida difícil, comia-se o que a gente colhia, agora nada se semeia e não há pessoas, diz que é uma mulher feliz.

                Rui Araújo preparou-se a sério para esta digressão. Estamos agora na Bemposta, invoca-se a documentação atinente, temos mais conversa, desta vez com o senhor Domingos, nova expressão de desalento. "Se este monte tinha trinta e tal pessoas e hoje só há um. E vocês vão a esses montes que há por aí, passa igual. Em todo o concelho. As pessoas que viviam nesta serra todas viviam do campo. Estes campos que a gente vê aí cheios de mato não se via um pé de mato nem erva daninha. (...) E quando eu abalar daqui isto é capaz de acabar. As pessoas todas abalaram daqui. Toda a minha família. Nós éramos dez, só temos já cinco. Já morreram outros cinco. Éramos só dois machos. Um morreu na Guiné, em 1967."

                É reportagem radioscópica, vai-se por Ourique, depois Pereiro, Tremelgo de Cima, na Serra do Caldeirão, mais adiante pinhal, à frente Marim, passa-se para Silgado, que é o primeiro nome do planalto do Pereirão, inflete-se para Pescueza, Convém aqui uma detença. Estamos na província de Cáceres, é uma vila rústica do século XV que tem uma particularidade de os velhos não estarem em lares, vivem nas casas onde ergueram telhados, mas não se façam juizos muito coloridos, pode correr o risco de desaparecer se não for invertida a dinâmica populacional. O jornalista foi ver o projeto onde se pretende quebrar a solidão e dar a gente na idade maior um astro de dignidade.

                E temos agora o regresso a Alcoutim, lembra-se o contrabando e os contrabandistas, de lá para cá levava-se o café. A conversa de Rui Araújo com Paulo Paulino, o Presidente da Autarquia é de ler  om maior atenção: "Somos o concelho do país com menor densidade populacional. O tamanho médio da propriedade é muito pequeno. Não existe dimensão para que as explorações sejam autossuficientes. "Solução que propõe: o emparcelamento. Refere ao entrevistador que há potencial na região, logo o rio Guadiana, faltam marinas pnde pudessem chegar veleiros, ao potencial turístico, as florestas e a área pastoril.

                Se se começou no Deserto estamos agora no Tesouro, em fim de viagem, serra do Caldeirão, uma conversa luminosa com a professora Babi, octogen´ria, a não perder. De modo que tem todo o sentido a despedida que Rui Araújo nos faz: "Parti à procura do Deserto e descobri um inestimável Tesouro nos confins de Portugal. É das pessoas de carne e osso que gosto. O resto é paisagem. Só paisagem."

                Uma belíssima incursão por um desses dolorosos recantos das nossas interioridades.

Mário Beja Santos 

FONTE:

https://maisribatejo.pt/interioridade-portugal-assimetrias-alcoutim-rui-araujo/


ALFONSO ARMADA — “REVISTA CULTURAL TURIA” (Teruel)

Número 159

Acabo com as bonitas palavras que o meu amigo (repórter, poeta e docente), Alfonso Armada, escreveu sobre o meu livro... Moitas grazas!

Por qué Lídia Jorge tiene la oreja cosida a la tierra del Algarve
(...)

Como complemento vitamínico a O dia dos prodígios (minuciosamente traducido por Antonio Sáez Delgado), que invito encarecidamente a leer, como todo lo de Lídia Jorge, me gustaría recomendar Um tesouro no deserto. O Algarve entre montes e memórias, de Rui Araújo, publicado por la Fundación Francisco Manuel dos Santos. Extraordinario periodista con quien trabé amistad eterna durante el genocidio de Ruanda, Araújo mira el mundo con la curiosidad, el respeto y la humanidad de John Berger, llama a las puertas de las casas y entabla conversaciones que se entrelazan con la novela de Lídia Jorge como las raíces de los pinos que sostienen los taludes de arena que socavan los ríos y las de los magnolios que se burlan de la geopolítica cruzando fronteras por debajo del radar de los aduaneros. Portugal es un vivero que no podemos dejar de atender, como meritoriamente se esmera en hacer la editorial La Umbría y la Solana.

—ALFONSO ARMADA.

En «Por qué Lídia Jorge tiene la oreja cosida a la tierra del Algarve», de Alfonso Armada, Revista Cultural Turia, Instituto de Estudios Turolenses, Teruel, 2026.

— Lídia Jorge, El día de los prodigios, traducción de Antonio Sáez Delgado, Madrid, La Umbría y la Solana, 2025.

Rui Araújo, Um Tesouro no Deserto — O Algarve entre montes e memórias, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) - Colecção Retratos, 2025 - ISBN 978-989-9243-34-7

FONTE:

 https://www.ieturolenses.org/revista_turia/index.php/revista-cultural-turia-numero-159.html

1 DE NOVEMBRO DE 1879 - CARTAXO: CORRIDA COM 12 TOUROS E 1 GAIOLA PARA O “CABRITO”...

 


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Praça de touros na villa do Cartaxo

SABBADO 1 de novembro de 1879 grande e apparatosa corrida de famosos 12 touros pertencentes ao ex.mo D. José da Camara Belmonte da quinta da Otta, vindo entre elles o celebre touro CABRITO, que tantas vezes se tem tentado conduzir para esta praça, e que nuncase poude conseguir pela sua ferocidade ferindo por varias vezes diversos cavallos; podendo-se agora realisar a sua vinda para a referida praça por meio de uma gaiolla que de proposito se mandou fazer para a sua conducção.

            Cavalleiro o sempre bem recebido José Bento d’Araujo capinhas João Calabaça,  João do Rio Sancho, Manoel Antonio Botase José dos Santos.

            Toma parte n’esta corrida o celebre José Campos Sant’yago de Saavedra picando um touro á vara larga. A destemida Maria José Varina picará um touro a cavallo. Haverá no fim da corrida um touro para curiosos.

            Vejam-se os respectivos cartazes.



In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 27 de Outubro de 1879

13 DE JUNHO DE 1880 - LISBOA: UMA CORRIDA QUE “SATISFEZ COMPLETAMENTE OS AMADORES NA PRIMEIRA PARTE, NA SEGUNDA NÃO ACONTECEU OUTROTANTO, PORQUE NEM TODOS OS TOUROS SAIRAM BONS”...

 

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Tourada

            A corrida de domingo satisfez competamente os amadores na primeira parte, na segunda não aconteceu outrotanto, porque nem todos os touros sairam bons.

            O 1.º touro foi bem farpeado por (Manoel) Mourisca; o 8.º coube ao mesmo cavalleiro, que pouco poude fazer.

            José Bento (de Araujo), farpeou o 5.º e o 10.º touros. Este ultimo era um animal sabido e difficil de trabalhar. O cavalleiro houve se com arrojo e pericia.

            O espada Arjona manteve os seus creditos de bom toureiro. Bandarilhou com arte o 7.º e o 9.º touros. No trabalho de capa e no de muleta foi irreprehensivel.

            O bandarilheiro Manuel Arjona trabalhou regularmente. Os cordovezes Mojinas e Guerrita agradaram bastante. O primeiro especialmente revelou-se um bom toureiro, tanto nas bandarilhas, como no capote e muleta.

            Os bandarilheiros portuguezes trabalharam a contento do publico, merecendo menção Peixinho, que se tem tornado um artista notavel.

            Saltou um touro á segunda trincheira do lado do sol, ficando um espectador ligeiramente magoado.

            Houve algumas pegas mal feitas.

            A direcção da praça foi boa; a concorrencia foi regular.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 15 de Junho de 1880

14 DE ABRIL DE 1878 - LISBOA: CORRIDA NA PRAÇA DA JUNQUEIRA COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

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            Ha ámanhã corrida de touros na praça do Principe Real D. Carlos, á Junqueira.

            O curro pertence ao sr. José Ferreira  Roquete.

            É cavalleiro o sr. José Bento de Araujo; e bandarilheiros a quadrilha de Calabaça.

            Tomam parte na corrida o Ovarino e oito pretos, que farão de moços de forcado.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 13 de Abril de 1878

13 DE JUNHO DE 1879 - BARQUINHA: UMA EXCELENTE TOURADA E UMA PERNA PARTIDA...

 

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            Barquinha, 14.

            Foi explendida a corrida de touros effectuada hontem 13 n’esta praça. O gado pertencia aos srs. Theodoro & Comp.ª, lavradores da Gollegã, e saiu bravissimo, e fino.

            O cavalleiro Manuel Mourisca brilhou no primeiro touro da corrida, que era corpulento, e bravo e do qual aproveitando as magnificas condições, mostrou mais uma vez quanto sabe na arte thauromachica (Tauromachica!): enfeitou o animal com 10 ferros magistralmente postos. (Manoel) Mourisca montava pela primeira vez um bonito cavallo, e com todas as condições para toureiro; tem 10 anos, edade egual a que tinha o seu famoso Russo quando principiou a trabalhar. Debutou na praça da Barquinha: tambem aqui debutou aquelle a quem chamam o primeiro cavallo toureiro. O primeiro touro da segunda parte foi magnificamente farpeado pelo cavalleiro José Bento d’Araujo, em um cavallo do sr. Carlos Relvas. (NOTA: Carlos Relvas, nascido na Golegã em 1838, era um aristocrata e proprietário de vastas terras no Ribatejo. Era ainda uma das figuras principais da fotografia em Portugal. Mantinha uma relação de grande amizade e camaradagem com o cavaleiro José Bento de Araujo, com quem partilhava praça. A 13 de junho de 1879, Carlos Relvas não só cedeu uma montada a José Bento de Araujo, como o convidou formalmente para tourear na emblemática praça da Golegã, onde José Bento de Araujo viria a rejonear um toiro com enorme sucesso.)

Mais informação aqui:

https://www.cm-golega.pt/concelho/historia/item/157-carlos-relvas )

Carlos Relvas
FOTO: Município da Golegã - Terra do Cavalo
(Foto tratada por IA)

            Robertos trabalharam bem, e mereceu-lhes isso muitos applaudos.

            A festa porém terminou por um incidente bastante desagradavel. Quando o bandarilheiro José Corrêa saltava á trincheira, e quasi colhido pelo touro, deu tão forte pancada, que lhe resultou a fractura da perna direita. Lembramos aos senhores administradores do concelho a conveniencia de obrigar os emprezarios d’estes espectaculos para estarem prevenidos contra qualquer fatalidade, e para que os desgraçados não sejam privados dos primeiros curativos por 19 horas como hontem succedeu. José Corrêa foi conduzido para o hospital da Gollegã ficando sob a protecção do sr. Carlos Relvas.

(Do nosso correspondente.)

Painel de azulejos na frontaria da casa que o cavaleiro José Bento de Araujo mandou construir na rua da Sociedade Farmacêutica, em Lisboa.
FOTO: © LC com Rui Araujo - 2025

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 19 de Junho de 1879

15 DE SETEMBRO DE 1878 - SETÚBAL: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NUMA CORRIDA COM OS IRMÃOS ROBERTO


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            No domingo 15 de setembro haverá corrida de touros na praça de Setubal.

            O gado pertence ao lavrador de Canha o sr. Antonio Feleiciano Correia Branco.

            Trabalham os irmãos Robertos, e é cavalleiro (José) Bento de Araujo.

            Como de costume, ha comboyos a preços reduzidos.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 10 de Setembro de 1878

11 E 12 DE SETEMBRO DE 1880 - AZARUJA: A PRAÇA DE TOUROS DE "VILLA NOVA DO PRINCIPE" CONTINUA A MARCAR PONTOS NA "FESTA BRAVA" COM BONS PROGRAMAS...

 


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          Devem ser deslumbrantes as festas da Azaruja este anno. O novo emprezario da praça de touros, o sr. Manuel da Silva Castro, tem sido incansavel nos arranjos d’aquelle circo, para que as corridas que deve haver nos dias 11 e 12 de setembro deixem de as boa memoria.

O gado  pertence aos irmãos Robertos, que tambem trabalham nas duas tardes.

O cavalleiro é José Bento de Araujo.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 11 de Agosto de 1880

NOTA

A Azaruja era denominada "Villa Nova do Principe".

23 DE JUNHO DE 1883 - LISBOA: UMA CORRIDA NOCTURNA COM 2 CAVALEIROS E 13 TOUROS MAIS A PRESENÇA DE 1 CAVALEIRO MISTERIOSO, A ASCENSÃO DE UM BALÃO E OFERTA DE FLORES ÀS SENHORAS DOS CAMAROTES...


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Ultima corrida nocturna


            Sabbado, vespera de S. João, tem logar na praça do Campo de Sant’Anna, a ultima corrida nocturna da presente epoca. Como nas duas passadas, que tanto agradaram, a illuminação é a luz electrica, o que produz excellente effeito pela boa disposição dos globos luminosos. Esta lide é cheia de grandes attractivos. Pertencem ao bem acreditado lavrador de Villa Nova da Rainha, o sr. Ferreira do Carmo, os 13 touros que hão de ser corridos. Espera confiadamente a empresa e lavrador que sahirão superiores, em bravura, aos que foram lidados na noite de 24 de maio ultimo e que tanto agradaram. Manuel Mourisca e José Bento d’Araujo são os arrojados cavalleiros que tomam parte no torneio, e bem assim os nossos mais apreciados bandarilheiros, entre elles Robertos e Peixinho.  Um cavalleiro mysterioso, apresentar-se-ha mascarado, a toureará, em competencia, qualquer touro que lhe  destinarem. Entrará na 2.ª parte da corrida, porque só pode chegar n’este dia a Lisboa, ás 9 e meia horas da noite. Haverá a ascensão de um bonito balão. Ás damas que assistirem á corrida, em camarotes, ser-lhes-ha offerecida pela empreza, um lindo bouquet, allusivo a tão festiva noite. Lançar-se-hão maravilhosos morteiros, vindos expressamente de Londres para este fim.

            Se as duas passadas corridas nocturnas agradaram, esta, pelo seu magnifico programma, immensamente satisfará aos amadores. A enchente deve ser espantosa, porque a animação é grande.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 21de Junho de 1883

7 E 8 DE SETEMBRO DE 1878 - AZARUJA: DUAS CORRIDAS DE 10 TOUROS COM O PROMISSOR CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

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Praça de touros em Villa Nova do Principe (Azaruja)

     Nos dias 7 e 8 de setembro haverá duas corridas de dez touros em cada tarde, pertencentes aos lavradores de Salvaterra de Magos os illm.os srs. Roberto & Irmão. Cavalleiro José Bento de Araujo, que tanto tem agradado ultimamente na praça do Campo de Sant’Anna, onde já ganhou um premio. Capinhas: Vicente Roberto, Roberto da Fonseca, João dos Rios Sancho e José Correia. — Forcados um grupo escolhido dos melhores pegadores. Haverá comboyos especiaes d’Evora e Extremoz.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 31de Agosto de 1878

18 DE AGOSTO DE 1878 - LISBOA: QUATRO CAVALEIROS NA FESTA DO BANDARILHEIRO JOÃO CALABAÇA

 

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            A corrida que se annuncia para domingo, 18, na praça do campo de Sant’Anna, deverá ser magnifica e satisfazer completamente os amadores.

            Todos se recordam do bravissimo curro que os lavradores, irmãos Robertos, apresentaram na tarde do seu beneficio, 14 de julho. Pois o gado pertence aos mesmos creadores, e consta-nos que foi apartado a capricho para esta corrida.

            Espera-se com legitimo fundamento que seja uma das melhores corridas d’esta epoca.

            Toureiam quatro cavalleiros, (Manoel) Mourisca, irmãos Monteiros e José Bento d’Araujo, alternando dois a dois em cada touro, o que está despertando extraordinario interesse, pois esta especie de duelos artisticos provocam sempre grande curiosidade, e dão grande animação ás corridas.

O cavaleiro Manoel Mourisca.
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

O cavaleiro José Maria Casimiro Monteiro.
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

Antonio Maria Monteiro.
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

José Bento de Araujo.
FOTO: DR- Rui Araujo  (Tratada por IA)

            Trabalham os melhores capinhas, e entre elles o habil bandarilheiro João Calabaça, que pela primeira vez se apresenta este anno na praça do campo de Sant’Anna.

            Alguns amadores offereceram-se generosamente ao beneficiado para constituirem o grupo de moços de forcados, que tomarão parte na corrida.

            Alem de todos estes elementos bastante convidativos, accresce que a corrida é em beneficio do bandarilheiro Manuel Botas, digno da protecção do publico, pois que é um homem honesto e laborioso, e excellente chefe de numerosa familia a que serve de unico amparo.

            Não faltem pois a corrida do dia 18, na qual abundam os attractivos.



In DIARIO ILLUSTRADO, LISBOA - 17 de Agosto de 1878

7 DE ABRIL DE 1878 - LISBOA: JOSÉ BENTO DE ARAUJO, ÚNICO CAVALEIRO NA PRAÇA DO PRÍNCIPE DOM CARLOS, À JUNQUEIRA

 

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            Realisa-se no proximo domingo na praça do Principe D. Carlos, á Junqueira, uma brilhante corrida de 13 touros, pertencentes ás manadas da viuva Seabra, e que são hoje propriedade do sr. Roquete. Tomam parte na corrida, como cavalleiro, o sr. José Bento de Araujo e como bandarilheiros os dextros capinhas Calabaça, Bottas, José Luiz, Antonio Augusto, Fitinhas, Aju e o Varino. Se o tempo o permittir, não faltará a concorrencia áquella popular diversão.


O cavaleiro José Bento de Araujo.
GRAVURA: Museu Tauromáquico de Nimes, France (Tratada por IA)

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 5 de Abril de 1878

28 DE SETEMBRO DE 1884 - LISBOA: A ÚLTIMA CORRIDA DA ÉPOCA NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA...

 

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A ultima tourada

A grande festa do high life e do sport

             Está apenas por horas esta grande festa que traz enthusiasmada meia Lisboa.

            Muitos aficionados foram hontem ás pastagens ver o magnifico curro. Entre os touros vem o famigerado touro Sarilho, que em Thomar, quando foi lidado pelo cavalleiro José Bento (de Araujo), tão notavel se tornou pela sua bravura.

            Da ornamentação para a divisão da praça está encarregado o habil scenographo Barros. Hontem esteve-se preparando a canalização do gaz na praça, para a ascenção dos aerostatos.

            O estimavel cavalleiro Antonio Maria Monteiro, que reapparece n’esta tarde, picará apenas um touro. Prepara-se-lhe grande ovação.

O cavaleiro Antonio Maria Monteiro
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Tem despertado grande interesse os esplendidos trabalhos artisticos que se annunciam, taes como: brilhante e variado parcheo e lide com bandarilhas de palmo.

            Na corrida, além dos festejados irmãos Robertos e outros, tomam parte todos os cavalleiros de profissão que hoje temos.

            Por certo não haveria mais extraordinario espectaculo para fechar com chave de ouro a epoca tauromachica.

            Attendendo a que só de longe a longe apparecem festas d’esta ordem, justificado é o enthusiasmo publico.

            Os cartazes do magnifico espectaculo eram hontem lidos com a maior avidez.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 27 de Setembro de 1884

Praça do Campo de Sant'Anna, Lisboa
FOTO: Arquivo CML (Tratada por IA)

            4 ¼ h. — PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA  — Domingo 28.  — Ultima corrida da epoca.  — A grande festa do high life e do sport.  — Offerecida e dedicada aos aficionados portuguezes e hespahoes.  — Brilhante, extraordinaria e excepcional corrida de 13 touros, que de ha muito estavam apartados para qualquer corrida extraordinaria, sendo 9 touros puros, para pé e 4 para cavallo, já notaveis pela sua extraordinaria bravura, todos pertencentes á acreditada firma Roberto & Irmão.  — reapparição do cavalleiro Antonio Maria Monteiro, o quel se offereceu espontaneamente a lidar um touro, em signal de reconhecimento por se lhe ter cedido a quinta feira anterior para o seu beneficio.  — Os celebres aerostatos grotescos de James Pain de Londres.  (NOTA: James Pain (1836-1923) era o proprietário e o director da firma James Pain & Sons. Em 1884, o seu nome e marca ganharam enorme projecção internacional com espectáculos na Europa e nas Américas, combinando fogos de artifício com exibições visuais grandiosas, incluindo a ascensão de balões e aeróstatos iluminados. Mais informação aqui: https://www.painsfireworks.com/what-we-do ou https://flashbak.com/pains-fireworks-factory-24462/)

Cartaz da firma James Pain & Sons
IMAGEM: Flashback.com

— Previne-se o publico de que a apresentação e ascensão dos aerostatos, só póde disfructar se dentro da praça. — Esplendidos trabalhosartisticos. — Brilhante e variado parcheo. — Bandarilhas de palmo. — Divisão da praça em 13 secções. — Preços do costume.

            Os bilhetes estão á venda na tabacaria Climaco, rua da Bitesga, 71, e no Centro do High-life, Praça de Luiz de Camões, 32.