29 DE JUNHO DE 1879 - LISBOA: UMA CORRIDA COM DOIS BENEFICIADOS NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 


Biblioteca nacional de Portugal

Revista tauromachica

            Realisou se no domingo o beneficio do cavalleiro José Bento de Araujo e do capinha Sancho.

            Suas magestades el-rei o sr. D. Luiz e a rainha a sr.ª D. Maria Pia honraram o espectaculo com a sua presença, e foram recebidos pelos espectadores com prolongadas salvas de palmas e as maiores demonstrações de espontaneo regosijo.

            Foram cavalleiros (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro e (José) Bento de Araujo, e capinhas Cadete, Botas, Caixinha, Peixinho, Calabaça, Loureiro, Raphael e Sancho.

            O 1.º touro, branco, coube a (Manoel) Mourisca, que o enfeirou com 3 ferros á meia volta, muito bem postos.

            O 3.º touro pertenceu a Casimiro Monteiro, que executou uma excellente sorte de gaiola, e mais tres á meia volta e uma a sesgo. Em seguida enfeitou o animal com dois ferros curtos, um por cada vez.

            O 5.º touro, baixel da haste direita, carregando sempre, coube a Antonio Monteiro, que fez bem a sorte de gaiola, enfeitando-o com mais tres farpas á meia volta.

            O 7.º touro, bravo e de recarga, foi picado por José Bento d’Araujo, montado em selim raso. O cavalleiro enfeitou habilmente o touro com tres farpas á meia volta, uma de recurso, quatro a sesgo, e um ferro curto. José Bento (de Araujo) foi muito applaudido.

            O 8.º touro, de sentido, foi picado por (Manoel) Mourisca e José Bento (de Araujo). (Manoel) Mourisca cedeu a sorte da gaiola ao beneficiado, que a excecutou com muita arte, pondo mais uma farpa á meia volta, e duas a sego. (Manoel) Mourisca enfeitou a fera com um ferro a sesgo e outro á meia volta.

            Coube a José Monteiro e a Antonio Monteiro o 11.º touro, cobarde, desejoso de voltar á pastagem. Os cavalleiros não poderam fazer nada.

            O 13.º touro, em hastes limpias, foi  enfeitado por (José) Bento d’Araujo com tres farpas á meia volta, duas á estribeira, e uma a sesgo, rematada em guarupa revolta. O beneficiado foi justamente applaudido.

            Dos bandarilheiros sobresairam Peixinho e Sancho, trabalhando os restantes a contento dos amadores.

            Peixinho executou no 10.º touro o salto da garrocha, ou da vara, como se diz vulgarmente.

            Foi uma sorte admiravel, porque comquanto não fosse revestido do brilho e luzimento que lhe temos notado em outras occasiões, o remate foi inexcedivel, caindo o bandarilheiro com garbosidade, conservando a vara na mão, como indica a arte, em prevenção para um recurso.

            Sancho esperou o 8.º touro  á gaiola, com o capote, executando algumas navarras e veronicas com mestria. Depois quarteou o, pondo-lhe quatro pares de bandarilhas; deu-lhe com a muleta alguns passes naturaes e de peito, simulando muito bem a estocada a volapiés.

            Em conclusão: os touros, que eram dos srs. Francisco do Carmo & C.ª, comquanto fossem deseguaes eram na maior parte bastantes finos.

            O trabalho dos cavalleiros foi bom. (Manoel) Mourisca distinguiu-se pelo perfeito conhecimento que tem da arte, e certeza na collocação dos ferros.

             (José) Bento de Araujo convenceu os espectadores de que, com mais alguma pratica, ha de vir a ser um dos melhores cavalleiros. Já o é mesmo, se se pozerem de parte pequenos defeitos de que deve corregir-se, sendo certo que se alguns d’elles não influem no toureio propriamente dito, prejudicam muito o luzimento d’um cavalleiro, a quem os criticos de ordinario nada perdoam. O que porém ninguem ha de negar-lhe é a grande coragem, e boa vontade. Não perde as sortes, aproveita-as sempre, e com consciencia.

            Os cavalleiros, á proporção que saiam para o toureio, iam cumprimentar suas magestades que não tinha assistido ás cortezias. Depois recuavam o cavallo até defronte do touril, e executavam então a primeira sorte.

            Os artistas apresentaram-se todos com distinctivos de luto pelo fallecimento de Victorino Marques. (NOTA: Victorino Marques foi um importante e respeitado empresário tauromáquico no século XIX. Geriu, por exemplo, a praça de touros do Campo de Sant’Anna, em Lisboa.) Não estranhamos nem censuramos essa demonstração; deviam-lhe muito, e é bem que assim se apresentassem. Mas para que serviriam as farpas pretas? Para censura e nada mais. Emendem-se d’essas pieguices, que já é tempo.

            A praça continua sendo mal regada, ficado em poças. É mau para os capinhas e muito peior para os cavalleiros, que vêem de vez em quando chapar-se-lhe o cavallo, com o grave risco de que quebrarem as pernas.

            Fizeram-se algumas pegas muito bem feitas, sendo todos os moços que as executaram gratificados por suas magestades.

            Os beneficiados, chamados no intervallo, foram muito applaudidos e brindados com charutos, ramos e outros presentes.

            A concorrencia foi muito regular, e a direcção da praça, que pertenceu a Loureiro, correu bem.

            No domingo é o beneficio do Peixinho, que tem já todos os camarotes passados, e que apenas dispõe d’alguns bilhetes de trincheira para os pedidos de ultima hora.



In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 2 de Julho de 1879

29 DE JUNHO DE 1879 - LISBOA: FESTA DO BANDARILHEIRO SANCHO E DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA


 

Biblioteca nacional de Portugal

            PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA. — Brilhante corrida esta tarde em beneficio do cavalleiro José Bento de Araujo e do bandarilheiro Sancho, tomando parte n’ella os cavallleiros (Manoel) Mourisca,  Antonio e José Monteiro.

O cavaleiro Manoel Mourisca.
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            O beneficiado montará em cavallo de cortesias cujos arreios lhe foram offerecidos pelo sr. Carlos Relvas e farpeará um touro embolado á hespanhola, em selim razo.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 29 de Junho de 1879

16 DE JULHO DE 1879 - LISBOA: BALANÇO DA FESTA DE CARIDADE EM BENEFICIO DO ASILO DE D. LUIZ I (MARVILA) E DO HOSPITAL DA RIBEIRA BRAVA (ILHA DA MADEIRA)...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            A commissão promotora da corrida de touros por amadores que teve logar no dia 16 de julho vem por este meio agradecer a todas as pessoas que concorreram para levar a effeito com tão brilhante exito aquella festa de caridade.

            A commissão tributa os seus mais sinceros agradecimentos, ás ex.mas srs.as que se dignaram offerecer as moñas com que foram victoriados os cavalheiros que tomaram parte na corrida, ao sr. visconde dos Olivaes que tão generosamente offereceu os touros, aos srs. Antonio da Costa Guerra e Custodio Vidál que em tudo ao seu alcance coadjuvaram a commissão, ao sr. coronel de caçadores 5, que cavalheirosamente emprestou o seu cavalo para as cortezias, aos srs. Vicente Roberto e Roberto da Fonseca a generosidade com que se promptificaram a coadjuvar os lidadores, aos cavalleiros Manuel Mourisca Junio e (José) Bento d’Araujo que desinteressadamente promtificaram os cavallos e aos srs. donos dos estabelecimentos aonde se venderam os bilhetes para este beneficio.

            Lisboa, 31 de Julho de 1879.

            A commissão, visconde de Mossamedes; presidente, Francisco Isidoro Vianna, visconde do Reguengo, visconde da Ribeira Brava, conde da Caparica, José da Silveira Vianna, Antonio de Pina Manique, D. Manuel de menezes, José d’Avillez.

Commissão promotora da corrida de touros por amadores, realisada no dia 16 de julho de 1879.




In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 1 de Agosto de 1879

1 DE JUNHO DE 1902 - LISBOA: MAU TEMPO NA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO PEQUENO PARA A FESTA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO...

 


Praça de Touros do Campo Pequeno, Lisboa
DESENHO: Diario Universal, Madrid - BNE (Tratado por IA)

Tourada

            O programma da corrida de touros, que hoje se realisa na praça do Campo Pequeno ás 4 e 45 minutos da tarde, é o seguinte:

            1.º touro, para José Bento (de Araujo); 2.º, para J. Cadete e J. Martins; 3.º, para Fernando de Oliveira; 4.º, para T. Branco e M. Santos; 5.º, para Joaquim Alves; 6.º, para hespanhoes; 7.º, para J. Bento (José Bento de Araujo) e F. de Oliveira; 8.º, T. Rocha e J. Costa; 9.º, para J. Bento (José Bento de Araujo) e  J. Alves; 10.º, apresentação do touro Capirote; 11.º, para bandarilheiros hespanhoes.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

In O SÉCULO, Lisboa - 1 de Junho de 1902

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2019/05/1-de-junho-de-1902-lisboa-festa-do.html

1 DE JUNHO DE 1902 - LISBOA: UMA BOA TOURADA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM O TOURO ESPECIAL DE CORRIDA CAPIROTE...

 

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

Touradas

            Deixou satisfeitos os espectadores a tourada que hontem se realisou na praça do Campo Pequeno e melhor teria sido ainda, se a tarde, em vez de fria e desagradavel, estivesse quente e propria para taes diversões.

            Comtudo o sol tinha uma enchente, e a sombra estava quasi toda occupada, porque as pessoas mais nutridas tomavam dois logares.

            Assistiram á tourada sua magestade a rainha D. Amelia e o senhor infante D. Affonso.

            Foram corridos touros do sr. Estevão de Oliveira, que já hoje são bom reclame, e tomaram parte na lide artistas na maioria conhecidos do publico e deveras apreciados.

            As nossas noticias não podem ser tão minuciosas como desejariamos, porque nos escasseia o espaço e o tempo, e por isso nos limitamos em geral a indicar os factos que mais nos impressionaram e que melhor retivemos de memoria.

            Os touros, materia prima da festa, cumpriram, distinguindo-se pela bravura o 7.º, sendo tambem boiantes o 2.º e 8.º

            Os 5 touros para cavallo eram corpulentos e de boa estampa; os 5 de pé não passavam de garraios, bem tratados e com aspecto de raça taurina.

            Vimos, portanto, mais um curro desegual, o que sinceramente não nos agrada, porque desejamos, como todos os bons aficionados, que na praça de Lisboa sejam corridos unicamente touros com edade propria para a lide, logo que nos cartazes sejam annunciadas corridas de touros.

            Tudo o mais que se faça é simplesmente ludibriar o publico, e nós n’este jornal é só do publico que vivemos e por isso pugnamos sempre pelos seus justos direitos.

            A lide a cavallo do 7.º touro foi brilhantissima, executada a duo por José Bento (de Araujo) e Fernando de Oliveira.

            Ambos se houveram com arrojo e mestria salientando-se comtudo Fernando (de Oliveira) na maneira por que preparou e rematou as sortes, e seriamos injustos de não repetissemos que este artista não póde ser excedido em pericia e arte.

            Innegavelmente José Bento (de Araujo) é um toureiro de alma, arrojado, de incomparavel sangue frio, mas tambem é certo que, em competencia com Fernando (de Oliveira) não mostra tanta certeza na medição dos terrenos, nem prepara as sortes com o mesmo luzimento e apparato do seu collega.

            O touro que picaram era nobre e bravo e valeu uma justa chamada ao lavrador sr. Estevão de Oliveira, tendo tambem os cavalleiros uma ovação merecida.

            (NOTA: O cavaleiro Fernando d’Oliveira faleceu menos de 2 anos depois. Foi colhido na tarde de 12 de Maio de 1904 pelo touro ‘Ferrador’ na praça do Campo Pequeno numa corrida em que participava também o seu amigo José Bento de Araujo.)

            Joaquim Alves apresentou-se, como sempre, bem montado, trazendo o seu ginete na mão e obediente, mas precisa mostrar mais sangue toureiro, mais valor, mais energia e mais vida na lide.

            Necessita ir para os touros, cital-os e alegral-os com calor.

            Não gostamos de o ver com um toureio timido, sem graça, e sempre á espera dos acontecimentos de sensação que o touro possa proporcionar-lhe.

            No primeiro animal que lhe largaram perdeu duas sortes, por não entrar a tempo, e nós perdemos o tempo a vel-o.

            Os touros querem quem os procure, e quando Alves esperar na arena que lhe ponham o muro em sorte faça ao menos mexer o cavallo, porque de contrario parece o homem de ferro da procissão de S. Jorge.

            O espada era Juan Sal, vulgo Saleri, que demonstrou apenas serenidade e diligencia.

            O sr. Sal não tem sal nem pimenta, antes, pelo contrario, é um grande insonso na lide, a ponto de nos enfastiar bastante, algumas vezes, com o seu trabalho.

            Os passes barrendo os lombos do touro, quando o animal ia fugindo, estão abaixo de toda a critica e póde ir mostral-os para uma aldeia, porque para cá não servem.

            O seu muleteio não teve graça nem elegancia, apezar do vento tambem concorrer para isso.

            Apenas no 8.º touro tirou dois passes bons, parando-se e dando-lhes o devido luzimento e remate.

            Deu um salto de vara com habilidade, sorte esta que foi offerecida de joelhos a sua magestade a rainha.

            Os nosos artistas tiveram bons pares, e sobresairam na lide a pé.

            O melhor trabalho foi executado por Cadete, que collocou tres bons pares.

            Manuel dos Santos fez dois quiebros de joelhos, e poz um bello par, preparando tambem com muito acerto, a passes de capote, a cabeça do touro, que foi valentemente pegado de cara por Alcorriol.

            Torres Branco e Thomaz da Rocha tiveram dois excellentes pares cada um.

            A lide tornou-se n’algumas occasiões em verdadeira desordem; comtudo, houve quites opportunos de Cadete e Santos.

            O touro Capirote correspondeu á espectativa do publico.

            Começou por dar uma prova de bravura, estampando contra a trincheira o bandarilheiro José da Costa, que se atreveu a fazer-lhe a sorte de gaiola.

            O Capirote nasceu lá para os lados de Coruche, era propriedade dos lavradores Guizados e foi depois adquirido pelo creador sr. Luiz Patricio, que, por sua vez, o vendeu, segundo dizem, a José Bento (de Araujo).

            O Capirote é capirote de pinta, pois que tem o pescoço e a cabeça de côr differente do restante pello, e conta a bonita edade de oito annos.

            Foi corrido umas poucas de vezes, e continuará a sel-o, porque parece ter comprehendido bem o seu papel de touro.

            O tratador afagou o animal depois de lidado, e tirou-lhe a embolação, sendo muito applaudido.

            O tratador apresentou-se com quatro grandes medalhas ao peito, que nos disseram ser offerecidas pela união fabril, toureiros voluntarios da Porcalhota, sociedade tauromachica do Pará e companhia dos tabacos de Portugal.

            Esquecia-nos dizer que o forcado Fressura fez com natural valentia uma rija péga de costas,  e teimou em fazer esta péga porque não desejava que o touro o visse agora de bigode. — Zé Jaleco.

O cavaleiro Fernando d'Oliveira, que foi o verdadeiro herói da tarde, morreu menos de 2 anos depois ao lado do seu amigo José Bento de Araujo naquela mesma praça de touros...
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

In O SÉCULO, Lisboa - 2 de Junho de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: A «MATADORA» ANDALUZA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA — LA REVERTE — NUMA CORRIDA EM PORTUGAL

 

   Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Praça d’Algés

Domingo 4 de maio

10 touros 10

do ex.mo sr. marquez de Castello Melhor.

Toma parte a valente matadora de touros

La Reverte

(NOTA: María Salomé Rodríguez Tripiana, La Reverte)

A empreza roga o obsequio ás pessoas que marcaram bilhetes, de os retirarem até hoje á noite.

            Bilhetes á venda na rua d’Assumpção, 70; rua do Ouro, 48 e L. d’Alcantara, 3.

Cavalleiros

Fernando d’Oliveira 

e José L. Bento (José Luiz Bento)

Bandarilheiros

E. Santos

Arthur Felix

Thadeu Mourisca 

e o amador Luciano Moreira


In O SÉCULO, Lisboa - 1 de Maio de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: CHEGADA DA TOUREIRA ESPANHOLA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA - LA REVERTE 2 DIAS ANTES DA CORRIDA

 

Arquivo nacional da Torre do Tombo, Lisboa

La Reverte

            A famosa e incomparavel toureira María Salomé, La Reverte, (NOTA: María Salomé Rodríguez Tripiana, LA REVERTE) contratada pela nova empreza da praça de Algés, (NOTA: O empresário era Segurado.) para a sua corrida de inauguração, no proximo domingo, 4, chega a Lisboa na sexta feira, 2, ás 3 e meia da tarde. Este facto constitue o caso sensacional da semana.

In O SÉCULO, Lisboa - 29 de Abril de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: TOUREIRA ESPANHOLA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA - LA REVERTE, NA SEGUNDA PRAÇA DA CAPITAL

 

María Salomé Rodríguez Tripiana, LA REVERTE 
FOTO: LA FIESTA NACIONAL - Biblioteca Nacional de España (Tratada por IA)

Praça d’Algés

            Tudo se prepara para que a grande corrida de domingo 4, n’esta praça, seja em todo o ponto de um grande acontecimento tauromachico; por isso está contratada para aquelle pomposo espectaculo a celebre e incomparavel toureira Maria Salomé, La Reverte, o ruidoso successo de toda a Hespanha e o curro é do acreditado ganadero sr. Marquez de Castello Melhor.


In O SÉCULO, Lisboa - 27 de Abril de 1902

13 E 14 DE SETEMBRO DE 1884 - AZARUJA: OS PRIMEIROS ARTISTAS COMEÇAM A CHEGAR...

 

O cavaleiro amador Alfredo Tinoco da Silva
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

Touradas na Azaruja

            Partiu hontem para a Azaruja o nosso amigo o sr. Alfredo Tinoco (da Silva) quer vae ali tomar parte nas esplendidas corridas que o arrojado e applaudido cavalleiro José Bento de Araujo realisa na praça d’aquella villa hoje e ámanhã.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 13 de Setembro de 1884

26 DE OUTUBRO DE 1879 - LISBOA: A DERRADEIRA CORRIDA DA TEMPORADA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            Na tourada que deve effectuar-se no domingo 26 do corrente, tomam para (parte?)  como cavalleiros curiosos em obsequio ao beneficiado, os seguintes cavalheiros:

            Alfredo Tinoco (da Silva), D. Antonio de Mello e Castro (Galveias), Antonio Caldeira, Carlos Kruz, D. José de Mascarenhas, e Antonio Martins.

            Toma parte como neto, durante a corrida dos 6 cavalleiros, o sr. Manuel Mourisca que farpeará depois um touro, continuando a figurar na corrida com os cavalleiros José, Antonio Monteiro, e (José) Bento de Araujo.

O cavaleiro Manoel Mourisca.
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Consta nos que seis dos mais valentes curiosos que tem servido nas touradas particulares, pegarão nos seis touros destinados para os primeiros cavalleiros.

            Serão bandarilheiros os irmãos Robertos, Peixinho e Sancho.

            Os touros são escolhidos a capricho das manadas do sr. Carlos Marques.

            Previnem se os amadores comtempo, pois deve ser esta a ultima tourada d’esta epoca.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 15 de Outubro de 1879

26 DE OUTUBRO DE 1879 - LISBOA: 10 CAVALEIROS NA ÚLTIMA CORRIDA DA ÉPOCA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            É effectivamente ámanhã que se realisa na praça do Campo de Sant’Anna a ultima corrida d’esta epoca, que promette ser magnifica. Como já dissemos, trabalham dez cavalleiros, dos quaes seis são distinctos amadores, que o publico mais de uma vez tem admirado; os quatro restantes são: (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro e José Bento de Araujo.

            O gado dizem-nos ser escolhido a capricho.

            Com tantos attractivos podemos augurar uma enchente real.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 25 de Outubro de 1879

27 DE JULHO DE 1894 - LISBOA: FESTA DE 2 EMPREGADOS ANÓNIMOS DA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM 13 TOUROS E 2 CAVALEIROS

 

Arquico Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

Praça do Campo de Sant’Anna — Domingo 27. — Beneficio de dois empregados da praça — — Grande corrida de 13 touros pertencentes  ao casal do fallecido marquez de Vagos (D. Francisco). — Cavalleiros, A. Monteiro e José Bento de Araujo. — Bandarilheiros, os nossos mais principaes artistas. — Preços os do costume.

            Bilhetes á venda na tabacaria Climaco,  rua da Bitesga, 71.

In O SÉCULO, Lisboa - 26 de Julho de 1894

26 DE OUTUBRO DE 1879 - LISBOA: A DERRADEIRA TOURADA DA TEMPORADA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            Projecta-se ainda uma tourada com a qual se fecharão as portas da praça do Campo de Sant’Anna este anno.

            Na tourada projectada tomam parte seis cavalleiros amadores, sendo dois d’elles debutantes, e quatro cavalleiros de profissão, (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro e (José) Bento de Araujo.

O cavaleiro José Bento de Araujo.
FOTO: Direitos Reservados (Tratada por IA)

            Consta-nos que os seis cavalleiros curiosos se apresentarão vestidos á Marialva.

            O promotor d’esta tourada trata de arranjar seis rapazes da nossa primeira sociedade para fazerem as pegas dos touros que forem picados pelos seis cavalleiros.

            Tomam parte como bandarilheiros os irmãos Robertos, Peixinho e Sancho.

            A direcção das corridas será confiada a alguns dos nossos primeiros amadores e conhecedores da arte tauromachica.

            É de crer que a enchente seja real, e quem poder alcançar bilhete para essa tarde não perderá nada, porque os touros são alugados a capricho, e de um dos nossos melhores lavradores.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 10 de Outubro de 1879

14 DE OUTUBRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: QUARTA CORRIDA MÁ EM TUDO...

 


TAUROMACHIA

            Uma ponta de sol alegrava domingo ultimo o redondel do Campo de Marte, e, apesar disso, da promessa de uma boa corrida, o publico talvez aborrecido dos tres desaires anteriores, deixou-se ficar em casa, não conseguindo mesmo a empreza uma boa meia casa.

            O proprio sol estava muito claro.

            O dr. Pereira Passos assistiu á corrida, que começou, depois das continencias, pela alternativa, passando o Zé Bento (José Bento de Araujo) o seu turno ao cavalleiro (Antonio) Nobre Infante, que neste e no seu, não conseguiu brilhar, apesar dos esforços que patenteava.

            Ainda precisa de certas qualidades que a pratica e uma escola cuidada podem dar.

            De toda a tourada, que, sem contestação, foi a melhor das quatro realizadas, ha a notar a muleta e seus passes, limpos e seguros, de Machaquito no 5º touro com um bom ferro ao alto, posto bem na cornea do 2º touro, por Alexandre Vieira, e outro de Santos, merecedores de applausos, bem como um quiebro á gaiola, do Canario.

Trinidad Pérez y Pérez, Machaquito de Sevilla
FOTO: Beauchy Photos (Tratada por IA)

            O mais foi máo, reinando a mesma indisciplina e azar em toda a praça durante a corrida.

            Assim a péga do 3º touro, que o Lisboa queria á força fazer, sendo óbstado pelo Zé Cabeça, que se atirou muito ao bicho, sendo emborcado.

            Verissimo foi o 2º, menos affoito, e conseguiu pela segunda vez fazer uma péga ruim.

            O 5º bicho não se enfeitou com o Russo, que pegou bem e limpo.

            Nota-se que a indisciplina que reina na praça durante as corridas é devida ao intelligente, que desiste da sua autoridade e submisso deixa que o Zé Bento (José Bento de Araujo) o substitua sempre que quer ou entende dever fazel-o.

            No tempo do Mattos e do dr. Daniel de Almeida não se dava isso, porque, ??? e conscientes da sua autoridade, faziam valer o seu modo de dirigir as corridas.

            O Zé Cabeça, carregado em braços para fóra da praça, por ter sido amassado pelo 3º touro, deu ensejo a que o Zé Bento (José Bento de Araujo) lhe appplicasse um curativo simples e engraçado.

            Encheu o Zé Bento (José Bento de Araujo) a bocca de agua e borrifou a figura do Cabeça, sendo salutar essa nova medicação e comica a presteza com que o Zé (Bento de Araujo) arranjou o irrigador.

            O publico manifestou o seu desagrado e, forçoso é dizer, que teve razão, porquanto, ainda não assistimos, nesta temporada, a uma só corrida corrida que nos fizesse esquecer as outras, apesar de ter a empreza declarado que é esta a melhor cuadrilla que ao Brazil tem trazido.

            Não causou tambem boa impressão o facto do Zé (José Bento de Araujo) acompanhar a collecta feita pelos forcados, que, francamente, nada fizeram.

Fracuelo


Biblioteca nacional do Brasil

In O SECULO, Rio de Janeiro - 16 de Outubro de 1906