22 DE JUNHO DE 1890 - PORTO: 10 TOUROS E ARTISTAS DA SUÍÇA, ESPANHA E PORTUGAL

 


Cartaz original da corrida realizada no Real Colyseu Portuense a 22 de Junho de 1890.
FOTO: Arquivo Histórico Municipal do Porto - Casa do Infante

REAL COLYSEU PORTUENSE

CORRIDA EXTRAORDINARIA

(SE O TEMPO NÃO A IMPEDIR)

ÁS 5 HORAS DA TARDE

BRILHANTE TORNEIO TAUROMACHICO

M.ME. CLOTILDE DE MAESTRICK

que na tourada de 15 de corrente foi alvo dos mais calorosos applausos.

A distinctissima e arrojada amazona executará as CORTEZIAS e tomará parte na LIDE!

Detalhe do cartaz original da corrida realizada no Real Colyseu Portuense na tarde de  22 de Junho de 1890.
FOTO: Arquivo Histórico Municipal do Porto - Casa do Infante (Tratada por IA)


CAVALLEIROS

José Bento d’Araujo e Marco Ferreira Pinto Basto

 Debuta n’esta deslumbrante corrida o sympathico e notavel diestro

Hypolito Sanchez Arjona (NOTA: Hipólito Sánchez, ARJONA)


Hipólito Sánchez, ARJONA - 1850-1920
FOTO: DR (Tratada por IA)

BANDARILHEIROS PORTUGUEZES

João do Rio Sancho

João da Cruz Calabaça

E

José dos Santos

HESPANHOES

José Ruiz (El Joseito)

Filippe Aragon (El Minuto) (NOTA: Felipe Aragó Lozano)


OS NOVEIS TOUREIROS

J. Perez (El Pechuga) (NOTA: Joaquín Pérez)

A. Florés (El Barverito) (NOTA: Antonio Flores, EL BARBERITO ou EL BARBERILLO)

UM VALENTE GRUPO

DE

MOÇOS DE FORCADO


MAGNIFICO CURRO DE 10 BRAVISSIMOS TOUROS

Apartados a capricho e pertencentes ao abastado lavrador o Ex.mo Snr.

CONDE DE SOBRAL

Ás 5 horas da tarde começará a excepcional corrida sob a direcção de MANOEL ANTONIO BOTTAS

DISTRIBUIÇÃO DA CORRIDA

1.º TOURO, Farpeado pelo Cavalleiro José Bento (de Araujo).

2.º       “          Bandarilhado por Sancho e Calabaça.

3.º       “          Bandarilhado por José dos Santos e Joseito.

4.º       “          Bandarilhado por Arjona e Minuto.

5.º       “          Farpeado por MADAME CLOTILDE DE MAESTRICK.

A cavaleira Clotilde de Maestrick pertencia a uma família de artistas de um circo de Lisboa.
GRAVURA: DR (Tratada por IA)

6.º TOURO,   Farpeado pelo Cavalleiro Pinto Basto.

7.º       “          Bandarilhado (a sós) por Hypolito Sanchez Arjona (Hipólito Sánchez, Arjona)

8.º       “          Bandarilhado por Calabaça e José dos Santos.

9.º       “          Bandarilhado por Joseito e Minuto.

10º      “          Bandarilhado por Joaquim Perez e Andrés Florés.

Este programma poderá ser alterado por qualquer motivo imprevisto.

Abrilhantará este espectaculo a excellente Banda dos Bombeiros Voluntarios

PREÇOS

Camarotes de Sombra, 4$500 — Ditos de Sol, 3$000 — Tribuna, 1$200 — Fauteuils, 1$000 — Touril, 700 — Balcão de sombra, 700— Balcão de sol, 400 — Galeria de sombra, 600 — Galeria de sol, 300 rs. — N.B. — Os camarotes de sol são preservados por toldos.

PREVENÇÕES

1.ª       A embolação principiará ás 10 horas da manhã, com entrada franca.

2.ª       As portas da praça abrem-se duas horas antes da corrida.

3.ª       Os bilhetes acham-se á venda até á 1 hora da tarde do dia da corrida na Tabacaria do Ill.mo Snr. Arnaldo José Soares, Praça de D. Pedro nº 125 (n.º telephonico 474) — e depois d’aquella hora unicamente nas bilheteiras do Colyseu.

4.ª       A Empreza não se responsabilisa pelos bilhetes que não sejam vendidos nos locaes acima designados.

5.ª       Não se liderão mais touros além dos annunciados.

6.º       Se algum dos 10 Touros se impossibilitar na lide não será substituido.

7.ª       É expressamente prohibido lançar á arena qualquer objecto que possa prejudicar os lidadores ou interromper os trabalhos.

8.ª       Se depois de principada a corrida, tiver esta de ser suspensa por qualquer motivo, a empreza não rest ituirá aos espectadores a importancia dos seus logares, nem será obrigada a indemnisal-os de maneira alguma.

9.ª       Estão em vigor todas as mais disposições policiaes e da arena que são de uso n’estes espectaculos em Portugal.

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2023/04/22-de-junho-de-1890-porto-grande.html

7 E 8 DE SETEMBRO DE 1884 - MONTEMOR-O-NOVO: GRANDE FEIRA ANUAL E CORRIDAS DE TOUROS COM TOUREIROS ESPANHÓIS E PORTUGUESES

 
Biblioteca nacional de Portugal

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 4 de Setembro de 1884

7 E 8 DE SETEMBRO DE 1884 - MONTEMOR-O-NOVO: GRANDES ARTISTAS DE ESPANHA E DE PORTUGAL NA PRAÇA ALENTEJANA

 

Biblioteca nacional de Portugal

PRAÇA DE TOUROS

EM

Montemór-o-Novo

Grande feira annual

Domingo 7 e 2.ª feira 8 de setembro

            DUAS esplendorosas corridas de 20 touros, sendo 10 em cada tarde, dos opulentos lavradores  de Coruche os exmos srs. Manuel Duarte Laranja e Antonio Feliciano Corrêa Branco.

            Por especial fineza toma parte o ex.mo amador Alfredo Tinoco (da Silva), toureando a cavallo assim como outros amadores.

            Cavalleiro: O applaudido e arrojado José Bento d’Araujo. Bandarilheiros: Um grupo dos nossos mais applaudidos artistas portuguezes.

Grande successo:

            A empreza para se tornar agradavel ao publico conseguiu contratar com grande sacrificio o habil bandarilheiro hespanhol, Vicente Mendes (El Pescadero) (NOTA: Vicente Méndez, Pescadero) e sua quadrilha para tomar parte em tão deslumbrantes corridas.

O espada Vicente Méndez, Pescadero "con capote de paseo" .
FOTO: Emilio Beauchy Cano, Sevilla. (Tratada por IA)

            Haverá egualmente para completo luzimento de tão deslumbrante espectaculo um intrevallo (intervallo!) de pretos pelo celo (zelo?)  Pae Paulino e sua quadrilha.

Grande reducção de preços!

            Camarotes d’entradas 3$600, sombra 400, sol 200!!!

            Para mais commodidade do publico havera comboios d’ida e volta a preços reduzidos entre Evora e Montemór-o-Novo.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 3 de Setembro de 1884

1944 - HISTÓRIA DO TOUREIO EQUESTRE...

 

HISTÓRIA

            À tradição lusitana do toureio equëstre (NOTA: Este livro foi publicado em 1944. Segundo o Acordo Ortográfico de 1943,  escrevia-se "equêstre".  A grafia "equëstre" é, portanto, uma mera gralha tipográfica.) se referem já crónicas de Strabão (NOTA: Estrabão ou Strabo), apontando-nos como amigos dos jogos típicos, com touros, e outras que dão notícia de D. Sancho II, alanceando ao gôsto da época, a as de Fernão Lopes, em relação a D. Fernando, e as de Garcia de Resende, que descrevem el-rei D. João II no gôsto pelas touradas e fazendo frente e matando à espada um touro que em Alcochete lhe saíu ao caminho quando ia com a rainha.

            Outras crónicas descrevem façanhas do rei D. Sebastião como toureiro a cavalo. E contam que o neto de Carlos V rejoneou em Cádiz de abalada para o sonho de Alcácer. E muitos monarcas foram toureiros a cavalo. Até D. Miguel, que farpeou em Salvaterra e na praça de Xabregas desta cidade de Lisboa, que viu tourear no Rossio, no Terreiro do Paço, na Junqueira, no Largo da Anunciada, no local onde está o Jardim da Estrêla, no Salitre, no Campo de Santana e, agora, no Campo Pequeno.

            Além de D. Carlos, que criou touros, D. Luiz Filipe e D. Manuel em crianças entraram em tourinhas. E quantos fidalgos lancearam e rojonearam nas festas dos nascimentos de príncipes e das suas bodas, e nos torneios peninsulares com os continuadores do Cid e de Villamediana, nas Praças Maiores das cidades espanholas, em nobre competência, por sua dama, em alardes de valentia e de pompa pela gente de cada bando, a cavalo e a pé, e com as armas e as côres de cada um.

            Em Portugal, manteve-se e aperfeiçoou-se a arte de Marialva, tornando famoso o nome do grande senhor e cavaleiro a quem mestre Andrade (NOTA: Manoel Carlos de Andrade) dedicou o seu notável tratado de equitação. Desde então até os nossos dias têm sido sucessivas as gerações de cavaleiros tauromáquicos. Estes e os forcados são os representantes do toureio português, uma vez que os bandarilheiros, e os antigos «capinhas», quási se limitam a imittar, até nos trajos, os seus iguais de Espanha.

«LUZ DA LIBERAL, E NOBRE ARTE DA CAVALLARIA, OFFERECIDA AO SENHOR D. JOÃO PRINCIPE DO BRAZIL», por Manoel Carlos de Andrade. - Lisboa, Regia Officina Typografica, 1790.
NOTA: Esta obra pode ser consultada na Biblioteca Nacional de Portugal aqui:

            Os cavaleiros tauromáquicos têm indumentária própria — a casaca bordada e o tricórnio de plumas e botas altas, à Relvas, que antes foram do Morgado de Cuba e doutros cavaleiros do século XIX, em que brilharam Mourisca, Tinoco, Castelo Melhor e outros. Os forcados, que, como os campinos, são do Ribatejo, terra dos touros, também vestem de forma característica, com seu barrete verde, jaqueta de ramagens e calção, usando os campinos meia de agulha e o seu colete encarnado.

            Após a já referida entrada dos forcados com a azêmola das farpas, os do barrete retiram-se para voltar para as cortesias e só saltar à praça quando o «inteligente», que nem sempre o é de facto, entende que o touro mete bem a cabeça e as hastes permitem a sorte. Os de chapéu de plumas, com a presença dos da «montera» em duas linhas, surgem então para as cortesias (outrora feitas ao som do hino real), caminhando passo a passo até sob o camarote da presidência, que saúdam em vénia de cabeça descoberta, depois recuando «cerimoniosamente», voltando a avançar para se separar nos cumprimentos aos quatro sectores da assistência, ladeando e cruzando-se no meio do redondel.

            Necessita o cavaleiro de saber de equitação e de toureio, de estar bem a cavalo, conhecer o touro, saber distinguir-lhe as características e calcular-lhe os movimentos para a medição dos terrenos de cada sorte. Carece, também, de firmeza de joelhos para as reacções do cavalo — que o deve temer mais a êle que ao touro — boa mão esquerda para mandar com rapidez a boa direita para cravar certeiramente e pulso forte para aguentar a resistência. O cavalo deve estar ensinado para entrar e sair com ligeireza e obedecer sem hesitações.

O cavaleiro José Bento de Araujo numa corrida em Portugal
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal

In «ABC DA TAUROMAQUIA» de El Terrible Pérez (NOTA: Pseudónimo do jornalista, escritor, tradutor e crítico tauromáquico luso-espanhol Rogério Garcia Pérez, que trabalhou para o Diário de Lisboa, Heraldo de Madrid, La Voz, Sol - 1890-1979), Edições VIC, Lisboa - 1944.

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://imprensanacional.pt/history/da-nobre-arte-da-cavalaria/

https://purl.pt/29638/4/res-784-a_PDF/res-784-a_PDF_24-C-R0150/res-784-a_0000_1-698_t24-C-R0150.pdf

28 DE JULHO DE 1889 - PORTO: CORRIDA DE INAUGURAÇÃO DO REAL COLYSEU PORTUENSE COM ARTISTAS DE ESPANHA E DE PORTUGAL

 

REAL COLYSEU PORTUENSE
FOTO: O TRIPEIRO

INAUGURAÇÃO

DO

COLYSEU PORTUENSE

 

DOMINGO 28 DE JULHO DE 1889

ESPLENDIDA CORRIDA

DE

10       TOUROS       10

Escolhidos ha muito para este dia, e pertencentes ao abastado ganadero, o

EX.mº SNR. COMMENDADOR

CARLOS AUGUSTO MARQUES

Ás 4 horas e ¾ da tarde começará este espectaculo entrando na arena um LUZIDO CORTEJO composto dos arrojados e aplaudidos

CAVALLEIROS

J. M. Casimiro Monteiro e José Bento d’Araujo

E DOS APPLAUDIDOS BANDARILHEIROS PORTUGUEZES E HESPANHOES:

ROBERTO DA FONSECA

João da Cruz Calabaça, João do Rio Sancho, JOÃO ROBERTO, Vicente Mendes “El Pescadero”, Rafael Santos “Santillo”, José dos Santos e José da Costa.

Cartaz original da corrida de inauguração do Real Colyseu Portuense (datado de Julho de 1889).
FOTO: Arquivo Histórico Municipal do Porto - Casa do Infante

            Depois d’effectuadas as cortesias do estylo dar-se-ha principio á lide, debaixo da direcção do conhecido intelligente que foi da extincta Praça do Campo de Sant’Anna em Lisboa.

MANOEL BOTTAS

            Um valente grupo de homens de forcado da Gollegã e Riacho, farão as pegas que o intelligente lhes ordenar.

            Este programma poderá ser alterado por qualquer motivo imprevisto.

            A Banda dos Bombeiros Voluntarios do Porto executará antes e durante a corrida as melhores peças do seu vasto reportório.

            Estão em vigor todas as disposições policiaes da arena que são de uso n’estes espectaculos.

PREÇOS

Camarotes de Sombra 4$500, Sol 3$000, Tribuna 1$200, Fauteuils 1$000, Balcão Sombra 700, Balcão Sol 350, Sombra 600, Sol 300 reis.

Os bilhetes acham-se á venda nas seguintes casas, dos Snrs. :

Domingos Barbosa — Rua de Santo Antonio, 246 a 248.

Tabacaria de Arnaldo Soares — Praça de D. Pedro.

Tabacaria Santos — Praça de D. Pedro.

Nicolau Fernandes d’Abreu Guimarães — Cedofeita, 304.

Tabacaria — Borges & Irmão — Rua do Sá da Bandeira.

A embolação ás 9 horas é franca a quem apresentar bilhete do espectaculo.

Tocará a banda de musica dos Voluntarios do Porto.

Pede-se para não subir ás cadeiras.

DETALHE DA CORRIDA

1.º TOURO

lidado por

J. M. Casimiro Monteiro


2.º TOURO

bandarilhado por

Roberto da Fonseca

e

João Roberto


3.º TOURO

bandarilhado por

João Calabaça

e

El Pescadero


4.º TOURO

lidado por

José Bento d’Araujo


5.º TOURO

bandarilhado por

Santillo e José da Costa


6.º TOURO

lidado por

J. M. Casimiro Monteiro

e

José Bento d’Araujo


7.º TOURO

bandarilhado por

El Pescadero e Sancho


8.º TOURO

bandarilhado por

João Calabaça

e

José dos Santos


9.º TOURO

bandarilhado por

Roberto da Fonseca

e

João Roberto


10.º TOURO

bandarilhado por

Santillo e José da Costa

7 E 8 DE SETEMBRO DE 1884 - MONTEMOR-O-NOVO: GRANDES CORRIDAS EM PERSPECTIVA NAS PRAÇAS DE MONTEMOR E DA AZARUJA COM TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL..

 

Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            Preparam-se para os dias 7 e 8 do corrente duas magnificas corridas de touros em Montemór-o-Novo, por occasião da grande feira annual.

            Os 20 touros que devem ser corridos nas duas tardes, pertencem aos acreditados lavradores de Coruche os srs. Manuel Duarte Laranjo e Antonio Feliciano Corrêa Branco.

            Tomam parte na corrida por especial fineza, o eximio e muito applaudido cavalleiro amador o sr. Alfredo Tinoco (da Silva) e outros amadores, e o insigne e arrojado cavalleiro de profissão José Bento d’Araujo, que na ultima corrida que se realisou em Almada tantos e tão justos applausos recebeu.

            Toma tambem parte na corrida o notavel bandarilheiro hespanhol Vicente Mendez (El-Pescadero), (NOTA: Vicente Méndez, Pescadero) os bandarilheiros e um grupo de artistas portuguezes.

            Ha intervallo de pretos e grande reducção de preços.

            Depois de tudo isto quem resistirá a ir a Montemór-o-Novo nos dias 7 e 8 do corrente!...

            Não menos pomposas devem ser as corridas dadas por conta do cavalleiro José Bento d’Araujo, nos dias 13 e 14 do corrente na vila de Azaruja. Trabalham os melhores artistas e é cavalleiro o distincto amador o sr. Alfredo Tinoco (da Silva).

            O novo emprezario (José Bento de Araujo) mandou fazer grandes melhoramentos na praça, os quaes offerecem muita commodidade aos espectadores.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa- 4 de Setembro de 1884

9 E 10 DE SETEMBRO DE 1884 - ALMENDRALEJO: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO A CONTAS COM TOUROS DESEMBOLADOS ("DE PUNTAS")

 
Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            O estimado cavalleiro José Bento de Araujo, que toma parte nas corridas de Montemór-o-Novo nos dias 7 e 8 do corrente, entra tambem nas touradas que se devem realisar em Almendralejo, nos dias 9 e 10, toureando ali touros desembolados, pertencentes ao acreditado lavrador de Valle de Figueira o sr. Emilio Infante. Logo em seguida o laureado artista toureará na Azaruja, nas touradas dadas por sua conta, nos dias 13 e 14, conforme o annuncio que vae na secção respectiva, no dia 21 em Setubal, e nos dias 25 e 28 no Campo de Sant’Anna.

            José Bento (de Araujo) tem sido convidado para lidar n’estas corridas pela maneira porque se tem havido esta epoca.

O cavaleiro José Bento de Araujo na praça de Nimes, França
FOTO: Bibliothèque nationale de France

            José Bento (de Araujo) tem inquestionavelmente toureado com muita arte e muito arrojo e os seus progressos successivos levam-nos a crer que muito em breve occupará o seu logar ao lado dos mestres.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 5 de Setembro de 1884

17 DE AGOSTO DE 1884 - LISBOA: CAVALEIRO ANTONIO MARIA MONTEIRO TENTA MATAR-SE ANTES DA CORRIDA...

 
Biblioteca nacional de Portugal

Tentativa de suicidio

            Tres quartos de hora antes de principiar a corrida de domingo, na praça do Campo de Sant’Anna, foi accommetido d’uma syncope o beneficiado Antonio Maria Monteiro, ficando impossibilitado de trabalhar n’aquella tarde.

 Ja ha quatro mezes approximadamente, soffreu Antonio Monteiro egual ataque no café Marrare, facto que noticiámos na nossa folha. Crê se que em ambos os casos actuara com grande força a preoccupação mental.

 Antonio Monteiro ficara desgostoso com a falta de cumprimento do programma da sua festa artistica. O distincto amador D. Luiz do Rego não tinha podido comparecer por causa do seu estado de saude, e o touro mocho, parte principal do espectaculo, morrera, quando de manhã chegou á praça; parece que em resultado de suffocação. O animal fugira de noite na estrada da Luz e só de manhã conseguiram agarral-o perto de Alcantara, atando-o com cordas a um carro; uma laçada mais forte no pescoço, foi o que, dizem, lhe causou a morte.

O cavaleiro Antonio Maria Monteiro
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

 Antonio (Maria) Monteiro sahiu hontem de casa em companhia de um seu amigo chamado Barbosa, mas, no meio do caminho separou-se d’elle, e foi comprar um revolver de seis tiros, fogo central.

Eram pouco mais de 5 horas, quando entrou na typographia Central, estabelecida na rua do Arco do Bandeira e pertencente á sr.ª D. Carolina Franco Amorim; pedindo licença á dona da casa, foi deitar-se em cima de uma cama, porque, dizia, se achava algum tanto incommodado.

 Antonio (Maria) Monteiro já tinhas ali ido, de manhã, pedir que lhe fizessem algum abatimento no custo da impressão dos bilhetes, o que promptamente lhe fôra concedido.

           Momentos depois de ter tirado o casaco e o collete e de se ter deitado em cima de uma cama, foi ter com elle o sr. Henrique Franco Amorim, filho da dona da typographia, convidando o com instancia a que fosse fazer-lhe companhia a jantar. Antonio (Maria) Monteiro recusou abertamente, pretextando achar se incommodado e necessitar de algum repouso.

            Estavam a jantar havia 10 minutos, quando se sentiu um grande estrondo; Julgou-se, ao principio, que tinha sido alguma forma que caira sobre a machina, mas o aprendiz Joaquim disse que não e que na casa contingua ao quarto onde estava Antonio (Maria) Monteiro havia fumo.

            Correram todos ali e viram Antonio (Maria) Monteiro caido de costas no chão, junto de uma janella, com a camisa desabotoada e cheia de sangue, esfregando com a mão direita o lado esquerdo do peito. Ao lado estava um revolver sem uma das cargas.

            A sr.ª D. Carolina Amorim chegou logo á janella e pediu soccorro. Acudiram muitas pessoas, entre ellas o sr. Picão e o cocheiro João Gonçalves, compadre do cavalleiro José Bento de Araujo, que levou o ferido no seu trem ao hospital de S. José.

            Estava ali de serviço o sr. dr. Simões Raposo, que tratou do ferido com toda a sollicitude, conseguindo, pouco depois, extrair lhe a bala que, sendo disparada contra o coração, resvalara pelas costellas para baixo e um pouco sobre a esquerda.

            Disse-nos o sr. dr. Raposo que o estado do enfermo não era grave e que, a não haver alguma contrariedade imprevista, brevemente estaria restabelecido.

            O doente ficou n’um quarto particular do hospital.

            Estavam ali todos os irmãos e alguns amigos de Antonio (Maria) Monteiro.

            Diz-se que a causa que o levou a tentar pôr termo á vida fôra o ter faltado ao programma da sua festa artistica.

            Alfredo Tinoco (da Silva), padrinho de casamento de Antonio (Maria) Monteiro vae promover uma tourada  em que entrarão por obsequio todos os amadores e artistas, e em que o curro será fornecido gratuitamente por alguns lavradores.

            É digno de todo o elogio o nosso amigo Alfredo Tinoco (da Silva) pela excellente iniciativa que tomou.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 19 de Agosto de 1884

25 DE SETEMBRO DE 1884 - LISBOA: BENEFÍCIO DO CAVALEIRO ANTONIO MARIA MONTEIRO NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 

Biblioteca nacional de Portugal

Antonio Monteiro

            É na quinta feira 25 do corrente que se realisa na praça do Campo de Sant’Anna a festa promovida pelo distincto amador o sr. Alfredo Tinoco (da Silva) em favor do infeliz cavalleiro Antonio Monteiro, ainda em curativo em um quarto particular do hospital de S. José.

Antonio Maria Monteiro
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Será sem duvida uma esplendida tourada, não inferior á melhor d’esta epoca.

            E que mais se quer, visto que o gado escolhido é do melhor, em que além dos cavalleiros de profissão José Casimiro Monteiro e José Bento (de Araujo), figuram oito arrojados cavalleiros amadores, os mais distinctos, e os mais applaudidos?

            Todos estes cavalleiros tomam generosamente parte na corrida em obsequio ao beneficiado e ao promotor da festa.

            O sr. (Alfredo) Tinoco (da Silva) tem sido incansavel em dar o maior realce a essa tourada, que promette ser magnifica.

            Está muito adiantada a passagem dos camarotes.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 10 de Setembro de 1884

LIVROS...

 

PRAÇAS DE TOIROS DE SANTARÉM

ACTUAÇÕES DOS GRUPOS DE FORCADOS NO SÉC. XX

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Edição da Santa Casa da Misericórdia de Santarém

6 DE ABRIL DE 1884 - LISBOA: ESPECTÁCULO COM O BALÃO «CIDADE DE LISBOA» DO FRANCÊS HENRI BEUDET NA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO DE SANT’ANNA

 
Três balões do aeronauta e trapezista francês Henri Beudet. Em Lisboa, deu ao novo balão o nome "Cidade de Lisboa"...
IMAGEM: DR (Tratada por IA)

            Henri Bendet. — (NOTA: O nome correcto é Henri Beudet) O notavel aeronauta que em Lisboa tem já feito varias ascenções e que ficou maguado bastante, quando na sua ultima viagem caiu no jardim da casa do sr. Burnay, na Junqueira, realisa no proximo domingo o seu beneficio, na praça do Campo de Sant’Anna, fazendo uma ascenção scientifica no novo balão Cidade de Lisboa, sendo n’essa viagem acompanhado por um jornalista e um socio do Real Gymnasio Club Portuguez. (NOTA: O aeronauta francês Henri Beudet efectuou 10 ascenções em três cidades de Portugal durante o ano de 1884: Lisboa, Porto e Braga. O seu parceiro, que realisou uma ascenção inédita de noite, dava pelo nome de Émile Allier. Algumas ascenções começavam nas praças de touros, como a do Campo de Sant’Anna, em Lisboa.)

In O SÉCULO, Lisboa - 3 de Abril de 1884