21 DE ABRIL DE 1889 - PORTO: HONRAS DA CORRIDA NA PRAÇA DA SERRA DO PILAR PARA O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

            Porto, 21, 9 h., n. — Seculo — Lisboa. — A Ordem do terço melhorou hoje a sopa economica e distribuiu, na occasião da procissão da resurreição, esmolas de quinhentos réis a doze enfermos.

            O cavalleiro José Bento (de Araujo) teve as honras da corrida. (NOTA: A tourada de 21 de Abril de 1889 teve lugar na praça da Serra do Pilar.) Bom curro, á excepção de dois touros; praça replecta.

"José Bento (de Araujo), bravo."
CARTOON: CHARIVARI, LISBOA - 27 de Abril de 1889 (Tratada por IA)

            A policia prendeu hontem em Campanhã o trabalhador que praticou ultimamente, no concelho de Mação, um roubo no valor de 70$000 réis.

Arquivo nacional da Torre do Tombo, Lisboa

In O SÉCULO, Lisboa - 22 de Abril de 1889

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2018/11/touradas-principiaram-no-domingo.html

12 DE JULHO DE 1896 - RIO DE JANEIRO: CHEGADA DOS CAVALEIROS ALFREDO TINOCO DA SILVA E JOSÉ BENTO DE ARAUJO COM A SUA 'CUADRILLA' IBÉRICA...



SPORT

            São brevemente esperados n’esta cidade os cavalleiros portuguezes Alfredo Tinoco (da Silva) e José Bento de Araujo. Estes distinctos artistas tauromachicos são acompanhados de uma quadrilha de bandarilheiros portuguezes e hespanhoes.


O grande cavaleiro Alfredo Tinoco da Silva
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Trazem tambem alguns touros dos mais acreditados criadores portuguezes.

In GAZETA DE NOTICIAS, Rio de Janeiro - 12 de Julho de 1896

15 DE MAIO DE 1884 - LISBOA: O RELATO DA TOURADA DA CARIDADE...

 

Biblioteca nacional de Portugal

A tourada offerecida á commissão da Kermesse

            Não foi certamente a primeira funcção d’esta epoca, se attendermos a que de ordinario o amador só fica satisfeito quando lhe apresentam um curro bravo e egual; pode no entanto asseverar-se que foi a mais sympathica de todas essas diversões attento o fim que se tinha em mira, qual o de contribuir com a sua receita para a sustentação das creches.

            Póde pois dizer-se: o gado não prestou, mas o publico saiu satisfeitissimo.

            Á hora marcada compareceram no camarote da auctoridade o sr. commissario geral de policia e o sr. commissario da 1.ª divisão, dando-se começo ao torneio.

            Saiu o 1.º touro, animal corpulento, mas de sentido, investindo com pouca vontade. (Manoel) Mourisca, que era o cavalleiro, não poude realisar a sorte de gaiola, mas enfeitou o touro com uma farpa em um sesgo bem executado. Preparou-se  para uma meia volta, mas o seu cavallo, que era o Cascaes de (José) Bento de Araujo, quando galopava no terreno em que devia terminar-se a sorte, chapou-se, ficando (Manoel) Mourisca maltratado e impossibilitado de proseguir no torneio.

            Valeu-lhe ainda assim o soccorro prestado a tempo pelos bandarilheiros, porque o touro que ainda investiu com o cavallo já chapado acabaria por investir o cavalleiro então prostado e indefezo.

            Segundo nos disseram (Manoel) Mourisca tem uma entorce na perna direita.

            Seguiram-se o 3.º e 4.º touros para os bandarilheiros, e que nada fizeram.Eram animaes de sangue fraco e cobardes que só diligenciavam safar-se da arena saltando para as trincheiras.

            Quando se corria o 3.º touro deram entrada na tribuna El-Rei o sr. Luiz, Sua Magestade a Rainha, o Principe D. Carlos e o Infante D. Affonso.

            As bandas da guarda municipal e cegos da casa pia entoaram então o hymno real, que foi ouvido pela maioria dos espectadores de pé e descobertos.

            Proseguindo o torneio, veiu para a arena o cavalleiro Casimiro Monteiro, para lidar o 4.º touro. Pouco poude fazer. Apenas conseguiu metter no touro, animal brando e refractarioás sortes, uma farpa á meia volta, mas em sorte bem executada.

            O 1.º touro da 2.ª parte, um animal corpolento e bravo coube a Antonio Monteiro que o lidou com valentia, enchendo-o de farpas e terminando com um ferro curto que lhe proporcionou muitos applausos e uma chamada.

            José Bento de Araujo que na occasião do desastre succedido a (Manoel) Mourisca se magoara bastante no braço esquerdo, teimou, apezar d’isso, em lidar o touro que lhe pertencia.

            Coube-lhe um touro valentissimo, que aproveitou com muito arrojo em bem terminadas sortes. A pedido do publico enfeitou o bicho com dois ferros curtos que lhe valeram uma ovação. Teve as honras da tarde.

            Os restantes touros para pé, não foram superiores aos dois da primeira parte que mencionamos.

            No intervallo da 1.ª á 2.ª parte foram offerecidos por parte da commissão da Kermesse, bonitos bouquets a todos os artistas, que tanto se enobreceram promovendo aquella festa e desempenhando-se gratuitamente da sua perigosa profissão.

            A familia real applaudiu os artistas que se distinguiram na lide, dispensando-lhes o maior agrado.

            Suas magestades e altezas retiraram-se logo que foi corrido o 10.º touro, que foi o que pertenceu a José Bento (de Araujo).

            Nos camarotes via-se a fina flor da sociedade portugueza.

            A concorrencia nas trincheiras foi muito regular.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 16 de Maio de 1884

29 DE JUNHO DE 1884 - LISBOA: A FESTA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 


Arquivo nacional da Torre do Tombo, Lisboa

ESPECTACULOS DE HOJE

            Praça do Campo de Sant’Anna. — Domingo 29 — Grande corrida de 13 touros Beneficio do cavalleiro José Bento de Araujo.

In O SÉCULO, Lisboa - 29 de Junho de 1884

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2026/03/20-de-junho-de-1909-lisboa-cartel-de.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2026/08/29-de-junho-de-1884-lisboa-festa-ao.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2026/08/29-de-junho-de-1884-lisboa-festa.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2026/08/29-de-junho-de-1884-lisboa-tres.html

25 DE OUTUBRO DE 1896 - RIO DE JANEIRO: UMA CORRIDA...


O cavaleiro Alfredo Tinoco da Silva
DESENHO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

PRAÇA DE TOUROS DO RIO DE JANEIRO

Rua do Boulevard, em frente á estação dos bonds de Villa Real

Companhia tauromachica composta de insignes toureiros portuguezes, sob a direcção dos eminentes e primeiros cavalleiros tauromachicos nos principaes circos de França, Hespanha e Portugal,

Alfredo Tinoco da Silva e José Bento de Araujo

AMANHà DOMINGO 25 DE OUTUBRO DE 1896  AMANHÃ

ÁS 4 HORAS DA TARDE

Penultima corrida da presente época — Brilhante certamen tauromachico em que serão lidados

6  BRAVISSIMOS TOUROS PORTUGUEZES  6

em favor dos cofres da Caixa Beneficente do Club dos Reporters e do Lyceu Litterario Portuguez. — 13ª apresentação do melhor e mais completo grupo tauromachico que se tem exhibido nos Estados Unidos do Brasil

            Á hora marcada e com a presença das respectivas auctoridades, o distincto aficcionado Exm. Sr.  Manuel Corrêa assumirá o logar da intelligencia e ordenará o signal para entrar na arena o esplendente grupo de toureiros que executará as cortezias do estylo, para em seguida ter logar o certamen:

            1ª. touro — (negro e bem armado, pertencente ao Exm. Sr. commendador Estevão de Oliveira), farpeado pelo eminente cavalleiro Alfredo Tinoco da Silva; 2º. touro — (negro e gravito, pertencente ao Exm. Sr. Emilio Infante da Camara), bandarilhado por Carlos Gonçalves e Luiz Homero; 3º. touro — (negro e bem armado, pertencente ao Exm. Sr. Luiz Patricio), farpeado pelo eminente cavalleiro José Bento de Araujo.

            INTERVALLO DE 20 MINUTOS. — 4º. touro — (negro e bem armado, pertencente ao Exm. Sr. duque de Lafões), farpeado pelo eminente cavalleiro Alfredo Tinoco da Silva; 5º. touro — (negro e bragado, pertencente ao Exm. Sr. José Palha Blanco), bandarilhado por Carlos Gonçalves e Carlos Silva; 6º. touro — (negro, listão e bem armado, pertencente ao Exm. Sr. commendador Paulino da Cunha e Silva), farpeado pelo eminente cavalleiro José Bento de Araujo. 

           Depois do 6º. touro haverá UM PARA AMADORES. No pescoço d’este animal estará pendente, dentro de uma caixinha de folha, a quantia de 200$, que caberá áquelle que conseguir t iral-a.

            Para este deslumbrante certamen tauromachico, a praça achar-se-ha luxuosamente ornamentada.

            A banda marcial do 23º de linha amenisará o espectaculo tocando as musicas do seu vasto repertorio.

            Prevenção. — Só se garantem as entradas compradas na Maison Moderna, na rua do Mercado n. 74 e no Café de Java, esquina da rua do Ouvidor e largo de S. Francisco, e nas bilheteiras da praça, no dia da corrida. Aos Srs. espectadores só assiste o direito de pedir senha de sahida (para a rua) depois de corridos os tres primeiros touros (intervallo). Em caso de transferencia, por motivo de chuva, os bilhetes comprados para esta corrida darão entrada para a que em seguida se annunciar.

            As portas para a corrida abrir-se-hão á 1 ½ hora da tarde.


Biblioteca nacional de Portugal

In GAZETA DE NOTICIAS, Rio de Janeiro - 24 de Outubro de 1896

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2020/09/25-de-outubro-de-1896-rio-de-janeiro.html

5 DE SETEMBRO DE 1897 - RIO DE JANEIRO: DIGESTÃO MELANCÓLICA DA CANJA DO ALMOÇO OU TOURADA COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO?


 

Biblioteca nacional do Brasil

CHRONICA

            Hoje, — é preciso fechar a chronica com uma noticia alegre! — hoje, na Praça de Touros, festa artistica de José Bento de Araujo. Haverá quem tenha a coragem de ficar em casa, digerindo melancolicamente a canja do almoço, em vez de ir applaudir a pericia e a elegancia do arrojado cavalleiro?

In GAZETA DE NOTICIAS, Rio de Janeiro - 5 de Setembro de 1897

31 DE MARÇO DE 1902 - LISBOA: RETRATO DO BANDARILHEIRO ROBERTO DA FONSECA

 


O bandarilheiro Roberto Jacob da Fonseca
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)
Toureiros portuguezes

            Inaugurou-se hontem a época tauromachica. Não vem por isso fóra de proposito falar um pouco dos mais gloriosos dos nossos artistas.

Roberto da Fonseca

            É um dos mais laureados e notaveis toureiros portuguezes, infelizmente já retirado da arena. (NOTA: O nome exacto do bandarilheiro é Roberto Jacob da Fonseca. Abandonou a lide depois da sua participação em mais uma tourada na Praça de Touros do Campo Pequeno, em meados de 1893.)

            Nasceu em Salvaterra de Magos em 1841. (NOTA: A data correcta é 20 de Outubro de 1840. Faleceu em Salvaterra de Magos a 7 de Maio de 1923.)

            Pertence a uma familia de toureiros distinctos e foi nas lides tauromachicas inseparaval companheiro do seu irmão Vicente Roberto, já fallecido. (NOTA:  Vicente Roberto morreu no dia 1 de Junho de 1896.)

            Começou a exercitar-se no toureio nas praças de Salvaterra, Benavente, Samora e Coruche, e desde criança demonstrou logo a sua disposição e habilidade para a arte de tourear.

            Foi com seu irmão João Roberto, que pela primeira vez se apresentou fardado de artista, encarregado de correr os touros com o capote, n’uma tourada que houve em Abrantes, em 1856. N’essa tarde foi colhido e ficou bastante contuso.

            Nos tres annos seguintes continuou ainda a praticar, até que em setembro de 1859 se estreou como bandarilheiro na praça de Azaruja, conseguindo logo ter as honras da tarde.

            Ao terminar esta corrida foi Roberto da Fonseca abraçado por seu pae, que era o festejado toureiro Antonio Roberto, e essa prova de affecto foi como a approvação plena para seguir a carreira que tão brilhantemente encetou.

            Trabalhou depois o joven toureiro em diversas praças de Portugal, na companhia de seus irmãos João e Vicente.

            Um dia, essa união tão intima e sincera foi quebrada pela morte desastrosa de João Roberto n’uma caçada em Samora.

            Ficaram sós os dois irmãos, vindo Vicente Roberto contractado para o Campo de Sant’Anna.

            O emprezario d’esta praça, que era então Rodrigues Alegria (NOTA: Há textos em 'posts' anteriores sobre a família Alegria, que montou espectáculos tauromáquicos em Portugal e Espanha.), mandou convidar depois Roberto da Fonseca para ir tomar parte em duas corridas, ao que este a principio, se recusou, levado pela sua natural modestia. A final, a instancias dos amigos, accedeu a trabalhar em duas tardes, e foram tamanhos os triumphos alcançados, que immediatamente ficou contractado para o resto da época, competindo vantajosamente com os melhores bandarilheiros que n’aquelle tempo ali toureavam.

            Em 1865, foi com seu irmão a Badajoz bandarilhar touros desembolados, e ahi foi tambem applaudido, com verdadeiro enthusiasmo, pela sua invejavel coragem e sangue frio.

            Roberto da Fonseca era d’uma agilidade e de um vigor extraordinarios e teve temporadas felicissimas, entre as quaes se póde extremar a de 1875, em que toureou em 45 corridas, não soffrendo a mais leve colhida das quinhentas e tantas rezes que lidou.

            Roberto da Fonseca era eximio nas sortes a quarteio e a sesgo, aproveitando com rara habilidade, elegancia e dextreza os touros no primeiro estado.

            Com o capote foi um poderoso auxiliar dos cavalleiros e com a muleta muitas vezes provou ser um mestre, obtendo as mais delirantes ovações.

            Retirou-se do toureio em 1893, reapparecendo depois, pela ultima vez, no Campo Pequeno com seu irmão Vicente, no beneficio de seu sobrinho João Roberto (NOTA: João Roberto Filho.) em (20 de) agosto de 1893. Depois d’isso nunca mais toureou.

            Os irmãos Robertos dedicavam-se tambem á lavoura e creação de gado bravo, e possuem touros de regular bravura e bonitas estampas nas suas magnificas propriedades de Salvaterra de Magos.

            O museu dos brindes offerecidos aos irmãos Robertos, que existe em casa d’estes illustres artistas em Salvaterra, é realmente digno de ver-se pela variedade de ricos objectos d’arte e de milhares de recordações das suas tardes de gloria, que em elegantes vitrines ali se acham dispostas.

Roberto Jacob da Fonseca
DESENHO: Jornal O SÉCULO, Lisboa

In O SÉCULO, Lisboa - 31 de Março de 1902

13 DE JUNHO DE 1897 - RIO DE JANEIRO: UMA CORRIDA COM TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL

 
Biblioteca nacional do Brasil

In GAZETA DE NOTICIAS, Rio de Janeiro - 12 de Junho de 1897

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2019/02/13-de-junho-de-1897-rio-de-janeiro-o.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2024/05/13-de-junho-de-1897-rio-de-janeiro.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2022/11/13-de-junho-de-1897-rio-de-janeiro-um.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2025/04/13-de-junho-de-1897-rio-de-janeiro.html

29 DE JUNHO DE 1902 - LISBOA: CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO FERIDO NA FESTA DO SEU AMIGO FERNANDO D’OLIVEIRA

 


Tourada

            Na praça do Campo Pequeno realisa-se hoje, ás 4 e meia da tarde, uma grandiosa tourada, festa artistica do notavel cavalleiro Fernando d’Oliveira.

O cavaleiro Fernando d'Oliveira
FOTO: Biblioteca nacional de España (Tratada por IA)

            Tambem toma parte n’esta corrida o famoso espada Antonio Fuentes.

            Eis o programma:

            1.º touro, para José Bento (de Araujo); 2.º para Cadete e Torres Branco; 3.º para bandarilheiros hespanhoes; 4.º para Joaquim Alves; 5.º para Fernando de Oliveira; 6.º para Fernando de Oliveira; 7.º para M. dos Santos e T. Rocha; 8.º para bandarilheiros hespanhoes; 9.º para Simões Serra; 10.º para bandarilheiros hespanhoes.


Arquivo nacional da Torre do Tombo, Lisboa

In O SÉCULO, Lisboa - 29 de Junho de 1902

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2026/04/29-de-junho-de-1902-lisboa-cavaleiro.html

25 DE SETEMBRO DE 1884 - LISBOA: UMA BOA TOURADA NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            Correspondeu á espectativa a corrida de hontem em beneficio do infeliz cavalleiro Antonio Monteiro.

O cavaleiro Antonio Maria Monteiro
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            O gado saiu regular, distinguindo -se os dois toiros do sr. Emilio Infante, que couberam aos cavalleiros de profissão José Bento (de Araujo) e José Casimiro Monteiro.

            Os cavalleiros amadores trabalharam com coragem e pericia, distinguindo-se Alfredo Tinoco (da Silva), o promotor da festa.

            (José) Casimiro (Monteiro) e (José) Bento (de Araujo) muito bem, tornando-se o ultimo notavel em algumas sortes difficeis.

            Dos bandarilheiros sobresairam como sempre Robertos e Pexinho.

            Foi uma boa tourada.

            A casa estava cheia de espectadores, que não foram escassos em applausos.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 26 de Setembro de 1884

NOTA

O cavaleiro Antonio Maria Monteiro tentou suicidar-se com uma arma de fogo. Este blogue vai publicar mais informação sobre o caso nos próximos dias.

7 DE SETEMBRO DE 1879 - LISBOA: 4 CAVALEIROS E 13 TOUROS NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 

Biblioteca nacional de Portugal

            PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA. — Realisa-se no proximo domingo n’esta praça, uma magnifica corrida de 13 touros pertencentes ao acreditado lavrador (e cavaleiro) Alfredo Tinoco (da Silva).


O cavaleiro Alfredo Tinoco da Silva.
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Tomam parte na corrida 4 cavalleiros: (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro e José Bento d’Araujo, e alem dos melhores bandarilheiros, trabalham tambem n’esta tarde os insignes irmãos Robertos.

            O producto d’esta corrida reverte a favor dos srs. Pedro de Menezes, chefe de numerosa familia e antigo empregado n’aquella praça, e Augusto José dos Santos Oliveira.

            Não perderão o seu tempo os amadores; o gado é, segundo as informações que temos, muito bravo e de boa estampa, e o Varino repetirão trabalho do salto  sem vara, tão applauduido na ultima corrida.

            Não faltar, porque além de todos estes attractivos, irão os amadores auxiliar dois excellentes rapazes, deveras dignos de protecção.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 4 de Setembro de 1879

7 DE FEVEREIRO DE 1897 - LISBOA: “A GRATIDÃO É O PRIMEIRO PASSO PARA A INTEGRIDADE...”



PUBLICAÇÕES A PEDIDO

Agradecimento

            Os distinctos artistas tauromachicos Alfredo Tinoco (da Silva) e José Bento (de Araujo) pedem-nos a publicação do seguinte:

O cavaleiro Alfredo Tinoco da Silva
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Alfredo Tinoco da Silva e José Bento de Araujo, tendo regressado do Rio de Janeiro, onde trabalharam como artistas tauromachicos, vêm, embora um tanto tarde, manifestar o agradecimento de que se acham possuidos para com todos que na capital da Republica Brasileira lhes deram as mais assignaladas provas de amizade e de apreço.

O cavaleiro José Bento de Araujo no Rio de Janeiro
GRAVURA - Biblioteca nacional do Brasil (Tratada por IA)

            Não pódem deixar de referir em primeiro logar á imprensa fluminense, que tanto os distinguiu, exaltando-lhes os meritos artisticos e dando-lhes coragem e incitamento pela seriedade da sua critica.

            A imprensa do Rio de Janeiro deixou-nos penhorados pela fórma amavel com que sempre nos tratou, contribuindo assim para o luzimento e apparato dos varios torneios que alli demos.

            Não podemos tambem olvidar o bom e generoso publico d’essa capital, que nos distinguiu com os seus applausos e as suas saudações enthusiasticas, immerecidas, de certo para quem, como nós, não passa de dous modestos artistas.

            Agradecemos, por ultimo, a todas as collectividades que nos honraram com a sua sympathia, a todos os particulares que nos auxiliaram para o cabal desempenho da nossa missão, a todos finalmente que nos dispensaram favores de tal ordem que nem toda a gratidão que pudesse brotar dos nossos corações seria sufficiente para compensar.

            É possivel que dentro em breve voltemos ao Brasil. Se o fizermos, como esperamos, teremos então occasião de agradecer pessoalmente a muitos cavalheiros d’ahi a sua affectuosa amizade.

            Por agora limitamo-nos a este agradecimento, que é a justa expressão do que sentimos, o reflexo do que se nos passa na alma, o cumprimento de um dever sacratissimo que nós tinhamos forçosamente de fazer, seguindo os dictames da nossa consciencia.

            A todos, pois, um leal e franco aperto de mão.

            Lisboa, 7 de Fevereiro de 1897.

                        ALFREDO TINOCO DA SILVA.

                                   JOSÉ BENTO DE ARAUJO

(Do Atlantico).

In GAZETA DE NOTICIAS, Rio de Janeiro - 10 de Março de 1897

COMPLEMENTO DE INFORMAÇÃO

“Toureio a cavalo e as cortesias” 

        Portugal é o último reduto do toureio clássico a cavalo e muitos foram os cavaleiros portugueses que ao longo dos séculos, com extraordinário valor, enfrentaram toiros. Famílias, de dinastias toureiras, marcaram na nossa tauromaquia nomes que ficarão sempre ligados à tauromaquia portuguesa: Casimiros, Barahonas, Mascarenhas, Veigas, Núncios, Salgueiros, Telles, etc.

        Um dos primeiros cavaleiros a profissionalizar-se terá sido José Casimiro Monteiro – cerca do ano de 1875 – mas é no final do séc. XIX que o moderno toureio a cavalo começa a notabilizar-se com Alfredo Tinoco da Silva, Alfredo Marreca, José Bento d’Araújo, Victorino Froes, Fernando Oliveira, etc.

        A maior exigência desses tempos era que os cavaleiros se apresentassem aprumados nas selas, dominadores dos cavalos, mandando mais com as pernas do que com as rédeas. O perfeito conhecimento da equitação era condicionante para quem desejava tourear a cavalo e os aficionados apreciavam muito as cortesias para verificarem como os cavaleiros desempenhavam os “quartos”, ladeavam e recuavam.

        Em algumas corridas de 1948 e também em 1951 e 1952 na Praça de Santarém durante as cortesias os cavaleiros não realizaram os “quartos”, o que não agradou ao público e motivou enormes protestos na Praça e motivos dos críticos nas suas crónicas nos jornais.

        Porque em Portugal as cortesias devem ser à portuguesa!

Artigo de Manuel Peralta Godinho e Cunha do excelente blogue PARTEBILHAS - 15.11.17 : https://godinhoecunha.blogs.sapo.pt/toureio-a-cavalo-e-as-cortesias-28599

9 DE JUNHO DE 1878 - LISBOA: UMA TOURADA QUE NÃO AGRADOU, MAS O “CURIOSO” JOSÉ BENTO DE ARAUJO SALVOU A HONRA DO CONVENTO...


 

Biblioteca nacional de Portugal

Tourada

            Effectuou-se no domingo na praça do campo de Sant’Anna a 8.ª corrida de touros, e primeiro beneficio d’esta época.

            O publico, apesar das differentes diversões que lhe apresentava o dia, não deixou de concorrer á praça, tanto para obsequiar o beneficiado Ezequiel, como para ver o gado que os dois sympathicos lavradores Antonio Tinoco da Silva e D. Adtonio (Antonio!) Lobo de Mello e Castro (Gulveias) (Galveias!) apresentavam para ser corrido pela primeira vez.

            Á hora marcada apresentaram-se na praça os dois cavalleiros (Manoel) Mourisca e Antonio Monteiro, acompanhado dos bandarilheiros José Cadete, Vicente Roberto, Roberto da Fonseca, Caixinhas, Sancho e Loureiro.

            Depois das cortezias do estylo, deu-se começo á corrida, cabendo o 1.º e 8.º touros a (Manoel) Mourisca.

O cavaleiro Manoel Mourisca.
IMAGEM: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Chamava-se Guedelhas o 1.º touro, de sentido, salgado e bragado, bem armado, de muito pé e caregando (carregando!) sempre pela garupa do cavallo.

            (Manoel) Mourisca esperou o á saida da gaiola não podendo fazer a sorte porque o touro saiu muito rapido e recarregou sempre sobre o cavallo a ponto do cavalleiro não o poder defender porque o touro tinha mais pé e o cavallo menos saida; foi colhido. Em seguida (Manoel) Mourisca castigou o animal com tres farpas á meia volta e uma a sesgo, todas bem collocadas. Foi muito applaudido.

            O 8.º touro, Carvoeiro, negro, burricego, corpulento e cobarde. (Manoel) Mourisca não poude metter-lhe uma só farpa por mais que o procurasse por todos os lados. Retirou da arena ficando o touro para Roberto da Fonseca, Vicente Roberto e Caixinhas, que lhe metteram, o primeiro um par de bandarilhas, o segundo dois, e o terceiro outros dois pares, todos a quarteio.

            (Antonio Maria) Monteiro foi mais feliz nos 5.º e 11.º touros que lhe couberam.

O cavaleiro Antonio Maria Monteiro
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            No 5.º, Desertor, lombardo, gravito, de sentido, fez-lhe bem a sorte de gaiola, enfeitando-o com quatro farpas bem collocadas á meia volta.

            No 11.º, Trovador, negro, bragado, bem armado, corpolento e de sentido bravocando. (Antonio Maria) Monteiro enfeitou-o com sete farpas á meia volta, sendo na ultima sorte o cavallo colhido, e terminou por metter mais uma farpa em sorte de garupa revolta, bem posta, recarregando o touro para o cavallo que elles defendeu. Foi muito applaudido.

            O 12.º touro, Pescadinha, negro, bem armado, bravocando, de pouco corpo e bravo. Foi bem bandarilhado por Loureiro que lhe fez um bom cambio á saida da gaiola, mettendo lhe mais dois pares e meio de bandarilhas a quarteio e quatro pares seguidos a cambio bem mas sem graça. Foi applaudido.

            O 9.º touro, Pimpão, negro, bem armado, listado, de sentido, corpo lento, carregando sempre para o cavalleiro, foi farpeado pelo curioso José Bento de Araujo, que se apresentou na praça de jaqueta e chapéu desabado, montado em sela n’um cavallo russo, o qual foi colhido logo que o Pimpão saiu da gaiola. Depois o cavalleiro, com sangue frio e a todo os galope porque o animal arrancava com força e tinha muito pé, enfeuitou-o com sete farpas á meia volta, offerecendo a ultima sorte ao sr. visconde da Graça. Escusado é dizer que teve uma ovação e que salvou o resto da tourada que se ia tornando ruidosa. (José Bento de) Araujo foi chamado á arena: depois foi buscar o beneficiado, Victorino Marques, os dois cavalleiros e os bandarilheiros.

            Por essa occasião o beneficaido recebeu um pampilho com a competente caixa de madeira polida, muitos charutos, caixas de pastilhas, alguns presentes de ouro e muitos ramos.

            Os demais bandarilheiros fizeram o que poderam aos touros que lhes couberam.

            Em resumo a tourada não agradou.

            Os touros de cavallo eram todos corridos e carregavam bem para os cavalleiros á excepção do 8.º touro que coube a (Manoel) Mourisca. O que foi farpeado por (José Bento de) Araujo tem 13 annos. Dos 7 garraios que pertenciam aos lavradores Tinoco e D. Antonio Galvéas, 5 sairam bravos e 2 cobardes.

            Sancho, durante a corrida, fez diversas partidas commettendo n’uma d’ellas uma inconveniencia, suppomos que irreflectidamente, vendo que um dos touros era cobarde e não se lembrando de que estavam presentes os lavradores, deitou o par de bandarilhas para a arena e puxando das algibeiras da jaleca por dois lenços fez com elles a sorte ao animal. A nosso ver, o artista não teve outra idéa senão a de armar ao publico e não a de desfeitear, como muitos dos espectadores se persuadiram.

            A direcção da praça foi boa.

            Foram pegados de cara os touros 2.º, 6.º e 10.º e de costas o 12.º

            Saltaram á trincheira o 8.º touro uma vez, o 10.º duas vezes, e 13.º uma vez.

            Os bandarilheiros continuam a apresentar se na praça com o vestuario incopleto (incompleto!) e os homens de forcado apresentaram-se ante-hontem mal vestidos com jaquetas e calções pouco decentes para apparecerem na primeira praça de touros do paiz.

            O sr. Victorino Marques, se continuar a deixar abusar os artistas ha de ganhar muito com isso.

            Ouvimos dizer que o beneficiado dera ao curioso (José Bento de) Araujo que picou o 9.º touro 40$500 réis pelo bem que se portou, e por lhe ter salvado a situação. (NOTA: 40$500 réis era uma quantia muito respeitável em 1878. Correspondia a cerca de dois a três meses de salário de um trabalhador operário ou alfaiate em Lisboa, e era suficiente para comprar vestuário de luxo, mobília fina ou pagar vários meses de renda de uma casa modesta. - FONTE: IA)



In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 13 de Junho de 1878