4 DE NOVEMBRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: O "JORNALISTA" MENTECAPTO E A ESTREIA DA “AMAZONA” CLOTILDE DE MAESTRICK NA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO DE MARTE




Niblioteca nacional do Brasil
 Tauromachia

            A tourada de hontem, a setima da presente temporada, realizou-se com grande concorrencia, em contraste com a vasante da ultima funcção.

            Para justificar a deserção dos aficionados não é preciso mais do que citar o fiasco das quatro primeiras diversões, tendo como consequencia o abandono do redondel do campo de Marte, justamente nas duas ultimas touradas, quando o trabalho correu um pouco melhor.

            Para explicar a enchente de hontem, basta lembrar que era a estréa de Clotilde Mejstrik, (NOTA: A “amazona” Clotilde de Mejstrik, grafada nos cartazes e na imprensa da época como “Madame Clotilde de Maestrick”, “Mayestrick” ou “Majestrick”, participou, designadamente, em corridas nas praças portuguesas (Lisboa, Porto, etc.) e nas arenas do Brasil (Rio de Janeiro, Porto Alegre, etc.). A cavaleira pertencia a uma família de artistas de circo e equitação, que criou, por exemplo, o Circo Mejstrik que marcou no início dos anos 1900 presença na Feira de Alcântara, em Lisboa.) cavalleira precedida de fama, com grande tirocinio nas praças de Portugal.

A cavaleira Clotilde de Maestrick ou Mejstrik.
FOTO: Revista Taurina - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            A sombra poucos claros apresentava. O sol quasi cheio. As cadeiras regularmente occupadas. Alguns camarotes tomados, principalmente  os da sombra.

            Em uma resenha rapida como esta não se deve entrar em detalhes. Vão, pois, rapidas notas sobre o occorrido.

            A estréante agradou. Não é elegante, já vae adeantada em annos, não é bonita figura sobre o animal, mas trabalha bem, com calma, embora estivesse com a natural emoção da estréa. O touro que lhe deram, o 3º, não era dos melhores. Peor que elle só o 2º. Clotilde entretanto fez a lide de modo a merecer applausos, collocando todos os quatro ferros á meia volta, o ultimo curto, o que provocou estrondosa e merecida ovação. É uma excellente acquisição esta que a empreza acaba de fazer. Assim o entendeu o publico, que a chamou ao redondel, applaudindo-a calorosamente, bem como a toda a cuadrilla.

Frascuelo considera que Madame Clotilde de Maestrick ou Mejstrik "não é elegante, já vae adeantada em annos, não é bonita figura sobre o animal". É uma opinião relevante para a qualidade do toureio... Esta foto da cavaleira, considerada feia e gasta, foi tirada em 1902, quatro antes desta crónica. Frascuelo além de ser parvo precisa de óculos ou...
FOTO: Revista Taurina - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            As honras do dia couberam ao (Francisco) Simões Serra, o modesto e correcto cavalleiro. Excepção de um cochilo ao lidar o 1º touro, representado por um ferro mal cravado na espadua, todo o seu trabalho foi optimo, cravando bons ferros largos, e excellentes curtos, estes principalmente. Depois dos saudosos (Alfredo) Tinoco, Fernando de Oliveira e Albano Custodio, é o Serra, em nossa humilde opinião, o melhor cavalleiro que tem trabalhado em nossas praças. Sem reclamos, sem espalhafato, vae correctamente dando conta de seu recado.

            Zé Bento (José Bento de Araujo) esteve infeliz. Montado em um bello cavallo negro, novo na praça, não conseguiu despertar o enthusiasmo que de outras vezes tem provocado. Falharam-lhe varios ferros.

            Alexandre Vieira, Alfredo Santos e Canario comportaram-se magnificamente e mereceram os applausos recebidos. O segundo, depois de enxovalhado pelo touro, applicou cinco bons pares de ferros de castigo.

            Segurita sempre na linha, applaudido e festejado.

            Machaquito esteve sem sorte. Foi logo emborcado e volteado. Depois de desfeiteado tentou metter novos ferros, mas foi de novo colhido.

            O intelligente, que póde entender de tudo menos daquilo, deu o signal para a péga, não reparando que o bicho estava sem o castigo sufficiente. O resultado foi que os forcados nada conseguiram, sendo o Russo e o Pouca Roupa violentamente volteados.

            Pela corrida de hontem, se conclue que não faltam elementos para o successo da empreza: os touros são bons, a cuadrilla é magnifica. O que falta é direcção.

            O Zé Bento (José Bento de Araujo) que tenha calma e applique os seus conhecimentos, que não são poucos.

            Em resumo: a tourada de hontem foi boa, apesar de alguns senões.

            Teve uma feliz estréa, excellentes lides, colhidas sem desastres a lamentar, enchente, enthusiasmo, sol, moscas e o Camarão, nos eternos protestos e nas calorosas reclamações.

Frascuelo

In O SECULO, Rio de Janeiro - 5 de Novembro de 1906

12 DE OUTUBRO DE 1884 - LISBOA: FESTA DO BANDARILHEIRO ESPANHOL JOSÉ CORTÉS


Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            A corrida de ante-hontem foi esplendida.

            O gado, que pertencia ao sr. Carlos Marques, saiu magnifico.

            Os touros para cavallo sairam bravissimos. Eram todos de recarga.

            O sr. Luiz do Rego e José Bento (de Araujo) fizeram brilhante figura.

O cavaleiro Luiz do Rego
FOTO: Serões- Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Infelizmente, a concorrencia foi diminuta, podendo mesmo asseverar-se que o beneficiado, apesar de ter artistas e praça de graça não lucra um vintem. Os mais pobres são os mais infelizes.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 14 de Outubro de 1884

1 DE JUNHO DE 1879 - LISBOA: BENEFICIO DE EZEQUIEL COM DOIS TOUROS DESEMBOLADOS

 

Biblioteca nacional de Portugal

Revista tauromachica

            Realisou-se no domingo na praça do Campo de Sant’Anna o beneficio de Ezequiel, o conductor do gado.

            Os touros  pertenciam 3 ao sr. Palha Blanco, 2 ao sr. Neuville, 8 ao sr. Francisco do Carmo & C.ª, e 8 ao beneficiado.

            A corrida não foi das peores, porque a maior parte dos touros sairam bravos, e os cavalleiros, que foram José Monteiro, Antonio Monteiro e José Bento d’Araujo, bem como os capinhas, trabalharam regularmente.

O cavaleiro José Bento de Araujo.
FOTO: DR (Tratada por IA)

            Fizeram-se algumas pegas bem feitas, o que é para admirar, porque de ordinario os forcados fazem do corpo trincheira, importando-se pouco com o que as regras mandam em tal trabalho.

            Desembolaram-se dois toiros. Peixinho atreveu se a metter n’um d’elles um par de ferros e Sancho passou-o de capote. Foram applaudidos, porque mostraram a sua valentia e sangue frio; mas é muito censuravel que se consinta tal cousa; quando se desembola  um touro, deve  logo ser recolhido, sem que ninguem se atreva a executar com elle o mais insignificante trabalho. Não merece a pena arriscar a vida de um homem para alcançar algumas palmas.

            Caixinha deixou de usar collete e moña. (NOTA: “Coleta y moña”. Coleta significa “trança” e moña quer dizer “laço de fita preta no cabelo do toureiro”. Conclusão da expressão: o toureiro retirou-se definitivamente das arenas.) Faz muito bem, porque lh’o consentem. Raphael Peixinho tem uma montera (NOTA: Chapéu tradicional preto.) que lhe deu o anno passado o tio no dia do beneficio, mas tambem não a usa. A culpa não é d’elles, é do empresario que os não faz entrar na ordem apesar dos protestos dos amadores, a tal respeito.

            A direcção da praça, feita por Ezequiel foi muito regular.

            A concorrencia foi boa, e o publico não saiu descontente.

            Tocaram a banda dos cegos e a philarmonica do Lumiar.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 4 de Junho de 1879

10 DE AGOSTO DE 1879 - LISBOA: FESTA DO BANDARILHEIRO “CAIXINHA” COM POUCOS AFICIONADOS E...

 

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Revista tauromachica

            Realisou se no domingo, com pequena concorrencia, a tourada em beneficio de Caixinha.

            O gado pertencia ao sr. Motta Gaspar, e era em geral pouco fino.

            Trabalharam os cavalleiros (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro, e (José) Bento de Araujo.

O cavaleiro Manoel Mourisca
FOTO: SERÕES - BNP (Tratada por IA)

            É quasi escusado dizer que foi (Manoel) Mourisca o cavalleiro que mais de distinguiu, o que não admira, porque é elle de todos os que estão trabalhando na praça do Campo de Sant’Anna, o que mais sabe. Pena foi que se apresentasse com um cavallo de cortezias que tinha umas grandes joelheiras, o que é indesculpavel, porque (Manoel) Mourisca é o primeiro entre os seus collegas, trabalha sempre, e não lhe faltam recursos para adquirir um cavallo capaz para apresentar nas cortezias. Depois de (Manoel) Mourisca teve a palma (José) Bento de Araujo, a quem não falta arrojo e boa vontade. Ha de ser um dos primeiros cavalleiros se se corregir de alguns defeitos, e se não teimar em fazer tantas sortes a sesgo, ás vezes intempestivamente. José Monteiro foi pouco feliz e muito precipitado, o que foi causa sem duvida de ter posto uma farpa na capa de uma das bolas do Pimpão. Antonio Monteiro andou regularmente, comquanto tambem se lhe notasse alguma precipitação.

            Roberto manteve os seus creditos de bom toureiro; trabalhou bem nas bandarilhas, e admiravelmente com a capa e com a muleta. José Peixinho obteve palmas, porque demonstrou em algumas sortes ter sabido aproveitar as lições de seu fallecido pae.

            Os moços de forcado, umas vezes bem e n’outras mal. O que sobretudo se notou n’elles é a falta d’ordem.

            Caixinha teve algumas palmas e recebeu ramos de flores.

            Se não fosse o famigerado Pimpão, que continua sempre prompto em arrancar para os cavallos e Rasado Claro, que sustentou tambem ser muito bravo, todo o publico se retiraria descontente.



In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 13 de Agosto de 1879

12 DE SETEMBRO DE 1875 - LISBOA: UMA CORRIDA NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA OU O CAVALEIRO TAUROMÁQUICO COM DOIS NOMES...

 

Biblioteca nacional de Portugal

ESPECTACULOS

HOJE

            PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA. — Domingo, 12 de setembro de 1875.

            Famosa corrida, por distinctos curiosos, de bravissimos 13 touros, pertencentes ao ill.mo sr. José Ferreira Roquete, apartados pelo mesmo senhor.

            Tomam parte os cavalleiros sr. José Antonio Rodrigues e Bento José Araujo. (NOTA: O cavaleiro era conhecido como "José Bento d'Araujo, "José Bento de Araujo" ou "  Bento" e raramente era identificado  como "Bento José Araujo" como escreve, aqui, o jornal lisboeta Diario Illustrado. É verdade que o registo de óbito de 1924 refere dois nomes, incluindo aquele que consta no artigo: "Bento José de Araujo" e "José Bento de Araujo"! Em que ficamos? Com os dois nomes, claro. O assento de baptismo da igreja da Ajuda, datado de 1851, menciona apenas “Bento”. “Bento” era, aliás, o nome do seu padrinho, Bento Manuel Ferreira. "José" pode ter tido por origem o nome do pai, que segundo o mesmo documento se chamava “Domingos José d’Araujo”. )

"Bento José de Araujo, ou José Bento de Araujo".
REGISTO DE ÓBITO DO CAVALEIRO - 1924

A igreja paroquial da Ajuda só refere "Bento", que é também o nome do padrinho. 
É possível que "José" tenha tido por origem o nome do pai.
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO

            O resto dos camarotes e cadeiras está á venda na rua Nova do Almada, 98 e rua da Palma, 145, loja de chá.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 10 de Setembro de 1875

23 DE SETEMBRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: INAUGURAÇÃO DA TEMPORADA COM “2 CAVALLEIROS — 2 ESPADAS — 1 BANDARILHEIRO E 6 BRAVISSIMOS TOUROS”

 

Biblioteca nacional do Brasil

TAUROMACHIA

            É amanhã, finalmente, que estréará no circo do Campo de Marte, se o tempo permittir, a companhia tauromachica de que é emprezario o festejado cavalleiro José Bento de Araujo.

            A corrida começará ás 4 horas da tarde, sendo lidados seis touros portuguezes, das acreditadas ganaderias de D. Caetano de Bragança (casa de Lafões) e de Estevão de Oliveira (de Pancas).

            A cuadrilla, formada pelo cavalleiro emprezario, está constituida por elementos de primeira ordem, garantidores de uma temporada magnifica e soberba, no sabor dos aficionados.

            Eis a troupe que amanhã debuta:

            Cavalleiros, José Bento (de Araujo) e Simões Serra; espadas, Antonio Segura (Segurita) e Trini Perez (Machaquito) (Trinidad Pérez y Pérez, Machaquito de Sevilla); bandarilheiros, Alexandre Vieira, Alfredo dos Santos, Manoel Pinheiro e Manoel Lolo; um valente grupo de forcados, tendo por cabo o destemido Augusto de Mariana.

Trinidad Pérez y Pérez, Machaquito de Sevilla

FOTO: Beauchy Photos (Tratada por IA)

            Serão apresentados os melhores touros trazidos por José Bento (de Araujo).

            Uma tarde cheia, pois, para os apreciadores de touradas, que são muitos entre nós.


In O SECULO, Rio de Janeiro - 22 de Setembro de 1906

16 DE SETEMBRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: “CUADRILLA” DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA PRAÇA DO CAMPO DE MARTE

 

Biblioteca nacional do Brasil

TAUROMACHIA

            O redondel do Campo de Marte estará amanhã completamente cheio com a estréa da grande cuadrilla do cavalleiro José Bento de Araujo.

In O SECULO, Rio de Janeiro - 15 de Setembro de 1906

1 DE AGOSTO DE 1880 - LISBOA: CARTEL DE LUXO PARA O BENEFÍCIO DO BANDARILHEIRO MANUEL BOTAS COM “GADO IRREGULAR”

 

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Tourada

            A de domingo não foi das melhores da epoca.

            O gado era irregular; poucos foram os touros que sairam bravos.

            José Bento (de Araujo) farpeou bem os touros que lhe couberam. Botas mostrou ser bom cavalleiro e ter arrojo; aos touros 5.º, a sós, e 10.º, com José Bento (de Araujo), metteu muitas farpas á meia volta e algumas á tira. Teve applausos e uma chamada.

            As honras da tarde pertenceram sem duvida alguma ao sr. Froes, o dono do gado, que é um amador muito distincto, e um cavalleiro de 1.ª ordem.

            O sr. Froes apresentou-se montado em um excellente cavallo, em selim raso, e provou possuir, a par da maior dextresa, uma serenidade e um sangue frio inexcediveis.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 3 de Agosto de 1880

15 DE AGOSTO DE 1879 - LISBOA: UMA TOURADA COM TUDO PARA AGRADAR...

 

Biblioteca nacional de Portugal

PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA. — Parece nos que a corrida certamen no dia 15 de agosto deve ser a melhor da epoca. Espera-se grande concorrencia e consta que suas magestades assistem á corrida.

            É uma completa novidade entre nós, a corrida certamen, na qual hão de apparecer os melhores touros dos nossos principaes lavradores.

            Um jury composto de amadores distinctos foi encarregado de conferir um premio ao lavrador que apresentar o touro mais bravo para cavallo e ao que apresentar o melhor para a lide a pé.

            Na corrida tomam perta os melhores artistas portuguezes, (Manoel) Mourisca, José Casimiro Monteiro, que se promptificaram a bandarilhar um touro a cavallo, José Bento de Araujo que farpeará os celebres touros Gaiollo de José Ignacio da Costa, o qual mattou dois cavallos ao cavalleiro Batalha, (Francisco Carlos Batalha) e o caraça (Caraçaque os intendidos consideram melhor que o afamado Pimpão.

O touro Gaiollo matou dois cavalos de Francisco Carlos Batalha...
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Um dos touros apparecerá de haste limpa com as bolas que serviram nas antigas corridas da Quinta Velha. (Quinta Velha da Bemposta, sita na zona do actual Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.)


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 14 de Agosto de 1879

27 DE MAIO DE 1878 - LISBOA: BENEFÍCIO DO JOVEM CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA PRAÇA DE TOUROS DO PRÍNCIPE REAL D. CARLOS, À JUNQUEIRA

 

Biblioteca nacional de Portugal

            É ámanhã, na praça de touros do Principe Real, á Junqueira, o beneficio do novel cavalleiro José Bento de Araujo.

O cavaleiro José Bento de Araujo.
Painel de azulejos no prédio que mandou construir na rua da Sociedade Farmacêutica, em Lisboa.
FOTO:  © LC com Rui Araujo

            Os touros  são do sr. Roquete. Entre elles vem o Ligeiro, e o Voador.

            O primeiro é magnifico para cavallo, e o segundo é o que saltou ao quarto banco, na segunda corrida da mesma praça.

            O mudo de Alcantara picará a cavallo o 8.º touro.

            Não faltará concorrencia.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 26 de Maio de 1878

NOTA:

            O cavaleiro José Bento de Araujo tem, então, 26 anos de idade.

O MUDO DE ALCÂNTARA

            “O mudo de Alcântara, outra figura que levou sumiço, era um latagão de torso poderoso, arcaboiço bovino, pernilongo, carão talhado como  uma carranca decorativa, dentes grandes e amarellos como um jogo de dominó de botequim, mandibulas de gorilha, pulso d’uma canna, manapulas avantajadas. Possuia a força athletica d’um gigante do biceps. Apontava uma boa verba de valentias no seu activo de luctador.

            Musculoso, apparatoso, bestial, fazia lembrar um heroe da Illiada, um grandalhão dos tempos barbaros.

            Acceitou varios desafios com gymnastas luctadores que estiveram aqui, no circo do Price e no antigo Colyseu dos Recreios. Quando entrava n’estes prelios em publico punha-se a gosto — pantalonas anchissimas e blouse de zuarte. Alojava os enormes pés de machacaz n’uns sapatões, que fariam o desespero do Dr. Garré — o inventor da scarpologia.

            Agora, inutilisado, arrasta os ultimos dias de vida no asylo dos Invalidos do Trabalho.” 

in “LISBOA D’OUTROS TEMPOS”, de João Pinto  Ribeiro de  Carvalho  (Tinop), Livraria  de  Antonio  Maria  Pereira , Lisboa, 1898.

12 DE OUTUBRO DE 1884 - LISBOA: FESTA DO BANDARILHEIRO ESPANHOL JOSÉ CORTÉS

 

O bandarilheiro José Cortez

            Prepara-se uma grande festa, para domingo, na praça do Campo de Sant’Anna.

            Trata-se do beneficio de José Cortez, um bello rapaz e um bom artista que a adversidade que a adversidade tem perseguido. (NOTA: O “diestro banderillero” e peão de brega José Cortés começou a tourear em Portugal alguns anos antes.)

José Cortés
FOTO: Beauchy Photos (Tratada por IA)

            José Cortez desde junho que se acha impossibilitado de trabalhar em consequencia de ter sido colhido por um touro que o deixou muito maltratado.

            Todos se reforçam para que a corrida de domingo não deixe nada a desejar. Trabalham todos os bandarilheiros, os distinctos cavalleiros amadores Alfredo Tinoco (da Silva) e D. Luiz do Rego e o eximio José Bento de Araujo.

            Os touros destinados ao terabalho de pé são todos puros. Os de cavallo são touros já conhecidos como muito bons tendo figurado em varios torneios tauromachicos.

            Com estes elementos deve realisar-se uma tourada de primeira ordem que deixará completamente satisfeitos todos os amadores.

            Na secção respectiva vae o annuncio para esta promettedora corrida.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 10 de Outubro de 1884

14 DE SETEMBRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO CHEGA À CAPITAL DO BRASIL NOVE DIAS ANTES DA PRIMEIRA CORRIDA

 

Biblioteca nacional do Brasil

TAUROMACHIA

            O conhecido cavalleiro José Bento de Araujo, bem conhecido do publico carioca, chega hoje a esta capital e inaugurará domingo proximo, no redondel do campo de Marte, com o concurso do cavalleiro Simões Serra, que para tal fim acaba de ser contratado, a proxima temporada tauromachica.

O cavaleiro José Bento de Araujo na capital do Brasil.
IMAGEM: Imprensa brasileira (Tratada por IA)

In O SECULO, Rio de Janeiro - 14 de Setembro de 1906

NOTA

A estreia da "cuadrilla" só ocorrerá na tarde de 23 de Setembro de 1906.