22 DE JULHO DE 1909 – LISBOA: CORRIDA NOCTURNA COM ARTISTAS DE ESPANHA E DE PORTUGAL

 

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TOUROS

            Eis o programma da corrida nocturna que se realisa hoje no Campo Pequeno.

1.º Touro para José Bento d’Araujo; 2.º Jorge Cadete e Manuel dos Santos; 3.º R. Thomé e Alexandre Vieira; 4.º Eduardo Macedo; 5.º banderilheiros do espada «Bombita»; 6.º José Bento de Araujo; 7.º Jorge Cadete e «Patatero»; 8.º banderilheiros do espada «Bombita»; 9.º Eduardo Macedo; 10.º M. Dos Santos, R. Thomé e A. Vieira.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 22 de Julho de 1909

24 DE JUNHO DE 1909 - CACILHAS : CORRIDA DO SÃO JOÃO COM OS CAVALEIROS EDUARDO DE MACEDO E JOSÉ BENTO DE ARAÚJO NA PRAÇA NOVA DE TOUROS (DEPOIS DE A DE ALMADA ARDER)

 


O cavaleiro José Bento de Araújo.
Painel de azulejos na fachada do prédio que mandou construir.em Lisboa.
FOTO: © LC & RUI ARAÚJO

CACILHAS

            A tradicional corrida do S. João, realisada n’esta praça, foi uma das melhores que se tem realisado n’esta praça. Poucas vezes mesmo no Campo Pequeno se tem visto corridas em que os espectadores saiam tão satisfeitos como sairam d’esta corrida.

            Os touros do acreditado lavrador Roberto & Roberto, estavam bem apresentados, apesar de alguns sairem refractarios ao castigo, a maioria cumpriu e todos, devido aos artistas que os lidaram, proporcionaram excellente lide.

            José Bento (de Araújo) lidou o 1.º com muita valentia e arte empregando boas farpas, mas no 6.º o seu trabalho enthusiasmou de tal maneira os espectadores que se levantou a praça em peso a applaudir o magnifico trabalho do calente cavalleiro, que ao terminar a lide offereceu um ferro curto ao sympathico diestro Bienvenida que assistia á corrida, valendo-lhe um delirio de palmas. Poucas vezes temos visto José Bento (de Araújo) tourear com tanta valentia como n’esta corrida; é sem duvida o unico cavalleiro que ainda enche uma praça com a sua valentia e arte com que toureia.

            Macedo no 4.º que era rapido, teve una lide intelligente, cravando excellentes ferros, terminando a lide com dois ferros curtos de grande valor, que lhe valeram extraordinarios applausos. No seu 2.º tambem esteve bem.

            Da gente de pé salientou-se Cadetee Theodoro, aquelle entre outros bons pares, teve no 7.º uma gaiola que hade ficar memoravel, raras vezes Cadete porá outro par como aquelle que lhe valeu uma grande ovação, até Bienvenida se levantou exclamando: olá, por los valientes!

            Theodoro, teve bons pares, assim como Manuel dos Santos, Thomé e Malagueño.

            Alfredo dos Santos deu um bom salto de vara e um quiebro de joelhos.

            Josepha Mala Pepita que se apresentava pela primeira vez n’esta praça depois do seu regresso das Terras de Santa Cruz.

            É uma muchacha com bastante habilidade, no pouco trabalho que lhe vimos exibir. Trasteou o garraio alargando bem os braços e collo com dois pares de bandarilhas rasoaveis e não fez mais nada por o garraio se ter desembolado.

            O seu bandarilheiro Minuto-Chico é um bom auxiliar.

            Os amadores esperam vel-a n’outra corrida para a verem trastear de muleta, trabalho que nos dizem ella executa na perfeição.

            Na brega distinguiu-se Ribeiro Thomé, Theodoro e Malagueño que estiveram incansaveis toda a tarde.

            No penultimo touro, a pedido dos espectadores, veio a arena o sympathico diestro Bienvenida, que assistia á corrida e deu alguns pares de muleta no touro, tendo por auxiliar o seu bandarilheiro Maera recebendo ambos uma grande ovação.

            Houve uma rija pega por José Russo e uma chamada ao lavrador.

            A corrida foi bem dirigida por Jayme Henriques.

In REVISTA TAURINA, Lisboa – 27 de Junho de 1909

7 DE SETEMBRO DE 1902 – LISBOA: O FUNERAL DE GUILHERMINA D’ARAUJO, ESPOSA DE JOSÉ BENTO DE ARAÚJO, OCORRE UM DIA DEPOIS DA FESTA DO CAVALEIRO TAUROMÁQUICO NA PRAÇA DE TOUROS DE ALGÉS

 

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LUTUOSA

            Falleceu hontem (Guilhermina d'Araujo) a esposa do distincto cavalleiro José Bento de Araujo. O prestito funebre sahe, pelo meio dia, do hospital Estephania, para onde a desditosa senhora tinha recolhido, afim de soffrer uma delicada operação em resultado da qual succumbiu. Ao estimado artista e a toda a sua familia os nossos sentidos pesames.

In VANGUARDA, Lisboa – 8 de Setembro de 1902

7 DE SETEMBRO DE 1902 – LISBOA: A ATRIBULADA FESTA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO ...

 
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Praça de Algés

Beneficio de José Bento (de Araújo)

            O mais popular dos cavalleiros tauromachicos, José Bento d’Araujo, organisou para domingo 7 do corrente na praça de Algés uma corrida com elementos de valor, mas a que não faltou tambem a nota predominante de todas as corridas organisadas por este artista: d’esta vez foi a segunda apresentação do touro Capirote.

            Que mal, antes isto que a Reverte!...

            Os elementos de valor eram formados pelos touros de Estevão d’Oliveira, o espada Bombita e os seus bandarilheiros Rodas e Pulguita, alguns dos nossos, bandarilheiros, o cavalleiro Simões Serra e o facto de ser dada a alternativa ao cavalleiro amador José Luiz Bento.

            Esta alternativa, que foi a primeira dada fóra da praça do Campo Pequeno, tem levantado dezenas de discussões.

            No numero antecedente d’este semario já o nosso collega Fiastol tratou o assumpto, e, pelo que deprehendemos, parecenos que pende para a opinião de que é o artista e não a praça que deve dar a alternativa.

            Este assumpto que entre nós nunca foi discutido, tem daedo azo em hespanha ás mais acirradas polemicas, sendo uma das mais importantes aquella em que tomaram parte o mestre Sanchez de Neira, Sentimentos, etc.

            Nós não queremos estabelecer discissão mas julgamo-nos incursos no dever de fazer-mos publica e nossa opinião, e, portanto eil-a: Deve ser a para que dá a alternativa.

            Os argumentos a favor são muitos; mas, aquelle que nos parece de mais alta importancia, para o nosso meio, aquelle que deve calar no animo do publico e artistas é o seguinte:

            Supponhamos que um artista qualquer, por conveniencia particular, dá a alternativa a um qualquer D. Melchiades na praça da Ribeira de Carinhos ou Maçãs de D. Maria...

            Os outros artistas são obrigados a respeitar essa alternativa?

            Não me parece rasoavel.

            Porque é preciso que nos convençamos que, acceite o principio, se dariam casos escandalosos.

            Em Hespanha depois que acabaram as praças da maestrança ficou entendido ainda que tacitamente, que, para a praça de Madrid, só as alternativas ali recebidas tinham valor.

            Ainda deve estar na memoria de todos os aficionados o que aconteceu com Conejito depois de receber a alternativa de Guerrita na praça de Badajoz.

            Portanto, o que nos parece rasoavel é que os amigos de José Luiz Bento procurem levar a empreza da praça do Campo Pequeno a permittir a confirmação da alternativa cedida na praça d’Algés pelo mais antigo dos cavalleiros, que, com esta cedencia, julgou José Luiz Bento apto para alternar com todos os seus collegas.

A praça de touros de Algés é hoje um parque de estacionamento com via rápida ao lado...
FOTO: DR

            E vamos á corrida.

            O curro fornecido pelo Sr. Estevão d’Oliveira era composto de tudo. Appareceram touros grandes, outros que parweciam ser filhos d’elles; alguns muito anafados, outros que pareciam estar a cargo da Assistencia; houve bichos de bom trapio, alguns deixavam muito a desejar; emfim, o lavrador, como homem pratico quizs mandar para todos paladares.

            Com excepção de trez, todos mostraram que lhes corre nas veias sangue para marrar; e, se houvesse melhor lide por certo que teriamos visto uma corrida rasoavel.

            Ainda que alguns sabiam latim!

            Não queremos dizer com isto que elles fossem todos ou quasi todos corridos; não, o que nos parece, é que, naturalmente o lavrador juntou nas lezirias a estes puros, alguns dos que haviam sido já corridos e elles, nas vigilias d’essas noites de luar de Agosto, ensinaram a estes a maneira de se deffenderem, caso algum dia passassem pelos mesmos trabalhos que elles haviam soffrido.

            Depois d’esta evidente prova de amisade taurina, não seria mau que os creadores impozessem nas ganaderias o mais absoluto silencio ou mandassem cortar... a lingua aos touros já corridos. O cavalleiro José Bento (de Araújo) a quem coube um dos que mais lições tinha, não conseguiu brilhar.

            Collocou dois ferros compridos, nem peixe nem carne, e rematou com um curto depois de sahir em falso umas poucas de vezes.

            E note-se, que Pulguita o coadjuvou magistralmente.

            Simões Serra a quem largaram um matutão, foi colhido junto á trincheira logo na primeira entrada, e, apesar de estar contundido em uma perna, continuou a tourear valentemente, dando ao touro a lide que elle pedia, e pena foi que cedesse a pegar no ferro curto que elle devia ter visto que não poderia collocar senão por mero accaso e com grande exposição.

            Foi muito applaudido.

            José Luiz Bento toureou correctamente o touro que lhe coube, que era um animal bonito e não offerecia difficuldades.

            O cavalleiro amador Fernando Alão a quem por primeira vez vimos tourear, cae bem e não nos pareceu destituido de valor e de conhecimentos, mas reservaremos a nossa opinião para quando o vejamos com outro touro.

            O espada era, como dissémos, Emilio Torres Bombita.

            El ninõ de la sonrisa está muito gordo e ha já algumas epochas que não nos consegue enthusiasmar.

            N’esta corrida collocou tres pares de bandarilhas em sortes parecidas com o «quiebro» e deu uns passes de muleta no 2.º e 3.º que nada valeram. No 4.º apenas teve um de peito de muita vista e um ajudado de «rodillas».

            Dos seus bandarilheiros teve Rodas um bom par á gaiolla no 4.º, e Pulguita no 7.º meio par muito bom e meio horrivelmente baixo, em virtude de um extranho do touro.

            Dos nossos apenas poderemos citar meio par bom de Silvestre e dois regulares, um de José Martins e outro de Thomaz da Rocha.

            Os dois praticantes José Costa e Francisco Cruz lidaram o ultimo touro mas não conseguiram brilhar.

            Na brega distinguiu-se Pulguita e cumpriram José Martins e Rocha.

            O tratador Manuel Gentil desembolou como costuma o Capirote depois d’este ser regalado com alguns pares de bandarilhas. O publico premiou-lhe o arrojo com palmas e muitas moedas de prata e cobre.

            A direcção, a cargo do sr. Jayme Henriques, muito acertada.

O cavaleiro José Bento de Araújo (painel de azulejos na frontaria do prédio que foi seu, em Lisboa).
FOTO: © LC com RUI ARAUJO

M. T. David

In REVISTA TAURINA, Lisboa – 7 de Setembro de 1902

7 DE SETEMBRO DE 1902 – ALGÉS: TRAGÉDIA NA FESTA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO

 
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TAUROMACHIA

            A festa de José Bento (Araújo)É hoje que o nosso publico, aficionados e não aficionados, vão á praça d’Algés assistir á grande festa do insigne cavalleiro José Bento d’Araujo e gosar uma das mais attrahentes corridas. Bombita, o celebre espada, o grande toureiro da actualidade, chegou hontem a Lisboa com a sua «cuadrilla» de bandarilheiros. Ha enorme empenho em admirar o surprehendente phenomeno, o incomparavel touro «Capirote», que tanto agradou no Campo Pequeno e no Porto.

            Eis o detalhe de tão deslumbrante corrida:

            1.º, touro, para o beneficiado; 2.º, para Silvestre Calabaça e José Martins; 3.º, para Carlos Gonçalves e Thomaz da Rocha; 4.º, Manuel Rodas e Pulguita; 5.º, para José Luiz Bento; 6.º, para Simões Serra; 7.º, para Pulguita e Manuel Rodas; 8.º, para o celebre touro Capirote; 9.º, para Fernando Alão; 10.º, para Francisco Cruz e José Costa. 

In VANGUARDA, Lisboa – 7 de Setembro de 1902

7 DE SETEMBRO DE 1902 – ALGÉS: “ESTRONDOSA FESTA” DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO QUE VAI TERMINAR EM TRAGÉDIA...

 
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TAUROMACHIA

            Algés É amanhã que, n’esta praça, se realisa a estrondosa festa do denodado cavalleiro José Bento (de Araújo), com uma brilhantissima corrida. Este facto diz tudo e nada mais é preciso accrescentar, para se saber que ninguem faltará ao seu posto.

In VANGUARDA, Lisboa – 6 de Setembro de 1902

7 DE SETEMBRO DE 1902 – ALGÉS: TOURADA EM BENEFÍCIO DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO TERÁ POUCA GENTE...

 
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TOUROS

            Enthusiasmo enorme pela festa do denodado cavalheiro José Bento d’Araujo, que com uma corrida completamente extraordinaria e sensacional se realisa hoje na magnifica praça d’Algés.

            Pessoas que viram os touros do sr. Estevão d’Oliveira, garantem que ha muito não nas ha nossas praças, curro tão admiravel.

            Bombita, o grande toureiro da actualidade, chegou hontem a Lisboa com a sua cuadrilla de bandarilheiros.

            Eis o programma:

1.º touro para o beneficiado. (José Bento de Araújo)

            2.º —Silvestre Calabaça e José Martins.

            3.º —Carlos Gonçalves e Thomaz da Rocha.

            4.º —Manoel Rodas e Pulguita.

            5.º —José Luis Bento.

            6.º —Simões Serra.

            7.º —Pulguita e Manoel Rodas.

            8.º —O celebre touro Capirote.

            9.º —Fernando Alão.

          10.º —Francisco Cruz e José Costa.

            O espada Bombita bandarilhará um dos touros destinados aos seus bandarilheiros.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 7 de Setembro de 1902

7 DE SETEMBRO DE 1902 – ALGÉS: FESTA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO ACABA EM DRAMA...

 

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Necrologia

            José Bento d’Araujo recebeu hontem um golpe dolorissimo.

            Quando acabava de tourear no Campo Pequeno onde effectuava a sua festa artistica deram-lhe a triste noticia que falleceu sua esposa a sr.ª D. Guilhermina d’Araujo. (NOTA: A corrida em causa realizou-se na praça de touros de Algés e não na do Campo Pequeno.)

            A pobre senhora recolheu ao hospital Estephania para soffrer uma operação melindrosissima, devendo o seu funeral effectuar-se hoje, pelo meio dia, d’aquelle estabelecimento.

            A José Bento (de Araújo) os nossos pesames.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 8 de Setembro de 1902

7 DE SETEMBRO DE 1902 – ALGÉS: CORRIDA DE BENEFÍCIO DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO COM POUCA GENTE...


 

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TOUROS

            Apesar de estamparem nos cartazes o nome de Bombita, um dos maestros mais distinctos da arte de «Montes», não foi grande a concorrencia á festa artistica do sympathico e valente cavalleiro José Bento d’Araujo, realisada ante-hontem em Algés. O aspecto triste do dia, e a feira da Luz, concorreram com certeza para que o circo se não enchesse.

            Quem ali foi não perdeu o seu dinheiro nem o tempo, porque o distincto espada trabalhou muito e bem.

            Escusado será referirmos-nos minuciosamente ás faculdades de que dispõe o diestro, por de mais conhecidas do publico, que, por varias vezes o tem visto bregar no Campo Pequeno.

            Portanto, diremos sómente, que continua a sua carreira sem se divorciar da arte e da valentia.

            Bandarilhou, cambiando y cuarteando, como sempre; isto é. com alma, citando com aprumo e alegria, entrando e sahindo dos pitones, com limpeza e elegancia, e rematando com lusimento.

            Nos quites mostrou-se apportuno.

            Não só com o percal como com o trapo desenhou passes de muito valor, lançando por alto e baixo, de peito e em redondo, de piton á cola, etc. etc., sempre cingido parado e gelado.

            A despachar mostrou bem o quanto o seu braço vale.

            O publico dispensou-lhe muitos e justos applausos.

            Os seus acolytos e os nossos infantes tambem cravaram alguns pares de merecimento, pelo que receberam palmas.

            A cavallaria era composta pelo beneficiado (José Bento de Araújo) , Simões Serra, Fernando Allão, e José Luiz Bento que tomou a alternativa das mãos de José Bento (de Araújo).

            Todos estes cavalleiros andaram correctamente; havendo, porém, um ferro de Serra, e outro de Allão que resultaram superiores.

            José Bento (de Araújo) brindou os seus collegas com lindos ramos, quando no intervallo do combate foi chamado ao redondel, onde foi obsequiado tambem com presentes de valor.

            O celebre touro «Capirote», depois de receber tres pares mettidos à la diable, foi desembolado pelo domesticador, e pela mão do qual comeu algumas talhadas de melancia.

            O publico gostou immenso d’este numero, e o homemsinho ainda mais, porque apanhou boa massa dos espectadores.

            Houve cinco pégas rijas.

            O gado, do afamado lavrador Estevão d’Oliveira, tinha magnifica apresentação. Agradou muito, porque alguns sahiram bravos, e os que o não eram cumpriram bem o seu dever.

            Foi um dos melhores curros que este anno vimos.

Marialva.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 9 de Setembro de 1902

27 DE ABRIL DE 1902 – LISBOA: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO NÃO VAI EM CANTIGAS...

 
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RECORTES

            A troupe dos Astrologos queria barreiras para hoje, em Algés...

            Seria para lançarem os seus sabios oculos de longa vista para o Fernando de Oeiras ou para o José Luiz Bento?

            Hum!... não me parece!...

            Qualquer d’elles não tem nariz para oculos e o Fernando já deu provas d’isso... não é verdade?

            Muito me tinha eu farto de rir se no domingo passado a troupe olhasse para o José Bento de Araujo! Mas... isso sim!...

            Nada, que elle com um socco já partiu uma mesa de pedra e depois com um dos pés da mesma mesa, correu pela porta fóra meia duzia de valentes!...

            O pobre Torres Branco é que os atura...

            Já ao Manuel dos Santos elles tambem não apoquentam... (Frequentadores do Montanha sabem porquê).

            E o caso é que a troupe julga-se muito entendida mesmo depois do fiasco de domingo, em obrigar o Botas a mandar bandarilhar um touro manso, como logo á primeira vista se conhecia.

In REVISTA TAURINA, Lisboa- 4 de Maio de 1902

12 DE AGOSTO DE 1909 – LISBOA: MAIS UMA CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO

 
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Touros

            Eis o programma da grande corrida de amanhã.

            Dez formosissimos touros de Emilio Infante, sendo 6 puros destinados aos peões e aos picadores.

            Cavalleiros, José Bento (de Araújo) e Morgado de Covas.


O matador mexicano Rodolfo Gaona.
FOTO: La Ilustración Semanal, México - 18 de Novembro de 1913.

            Espada, o celebre Rodolfo Gaona (NOTA: Rodolfo Gaona nasceu no dia 22 de Janeiro de 1888 em León de los Aldama, México, de pai navarro e mãe indígena. Faleceu em 1975 na Cidade do México. Este matador é considerado um dos toureiros mais elegantes e universais. Tinha duas alcunhas: «Califa de León» e «El Indio Grande». Chegou a Espanha em 1908.), cuja «cuadrilla» é assim composta: Picadores, Manuel Martinez («Aguletas») e Manuel Fernandez («Chanito»); bandarilheiros, Miguel Gonzalez («Recalcao»), Carlos del Aguila («Aguilita») e Geronimo Orejon («Geromo»).

            Bandarilheiros portugueses, Theodoro e Carlos Gonçalves, Manuel e Alfredo Santos.

A bilheteira do Campo Pequeno na praça dos Restauradores.
FOTO: Arquivo CML

            Hontem, abriu a bilheteira da praça dos Restauradores, ficando tomados grande numero de logares de bancada de sombra e sol, fauteuils, camarotes, etc.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 11 de Agosto de 1909

20 DE AGOSTO DE 1902 – ALGÉS: UMA BURLA CHAMADA CORRIDA...

 
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UMA BURLA

            É o unico titulo que pode dar-se ao que no ultimo domingo se passou na praça d’Algés!

            No tempo em que aquella praça era explorada por um emprezario que ali queria fazer reviver a da Cruz Quebrada, (NOTA: A praça de madeira na Cruz Quebrada  funcionava sobretudo durante a época balnear. Teve um período de actividade efémero. Com a construção da praça de Algés, a arena da Cruz Quebrada desapareceu.) não era o publico tão torpemente enganado.

            Annunciaram os cartazes uma corrida de dez bravissimos touros, e o que ali se viu foi apenas dez reverendissimos bois, alguns d’elles, senão todos, mais dignos de choupa que de garrochas!

A antiga praça de touros de Algés, nos arredores de Lisboa é hoje um parque de estacionamento...
FOTO: Arquivo da CML

            A auctoridade, que tão escrupulosa é sempre que se annuncia um espectaculo em qualquer theatro, não pôz duvida em pôr o seu visto n’um cartaz em que se annunciavam — dez bravissimos touros — quando a empreza tinha só dez mansissimos garraios para offerecer ao publico!

            Para a Reverte — que a empreza annunciava como sendo a unica artista que impunha como condição essencial nos seus contractos não terem menos de quatro annos os touros a ella destinados — largou-se um vitellinho que pela côr e tamanho mais parecia o cão do Freire Gravador, (NOTA: «A. L. Freire Gravador» era em 1902 uma das primeira casas de carimbos, prensas, balances, sinetes, etc. em Portugal com «officinas de typographia, lithographia, encadernador, papelaria, etc.» Terá sido fundada em 1882 pelo «gravador» Aires Lourenço Costa Freire e teve, designadamente, lojas na Travessa da Victoria e na Rua do Ouro. O cartaz do estabelecimento representava um cão a segurar um carimbo na boca. Esta imagem do animal com o carimbo integrou o imaginário da capital no princípio do século XX, aparecendo, por exemplo, em anúncios de jornais e brindes.) e que assim que se viu na praça começou — coitadito!  — a balir, a balir, para que o deixassem ir mammar nos uberes maternos!...

            O emprezario, ou quem o seu nome empresta á empreza, não teve mais remedio que fazer a vontade ao publico, que não consentiu que o innocente fosse picado...

            Mas ha mais e melhor...

            Um dos maiores reclames de corrida, se não o maior, era a tal brilhantissima illuminação de dez mil bicos de incandescencia, de fórma que na praça parecesse estarmos em pleno dia, como é de primeira necessidade para a lide de rezes bravas.

            Pois essa brilhantissima illuminação de 10.000 bicos era composta unicamente por 16 lanternões comportando cada um onze bicos, e um outro ao centro da praça, que teria, quando muito, trinta e tantos lumes, de fórma que, com uns quarenta, se tanto, dispostos pelos camarotes, prefaziam a conta de duzentos e cincoenta bicos.

            Ora, em boas contas, para dez mil não parece que faltassem muitos...

            No fim d’isto, apenas perguntamos se a estes factos não se póde dar o nome de burla!...


            N’outro logar nos referimos á ultima corrida em Algés.

            Vamos agora dizer o que ella foi e quaes as impressões que nos deixou.

            É claro que o publico, apesar do reclame enorme feito á illuminação, já sabia de antemão que a claridade não poderia comparar-se á de uma tarde de sol, que é a condição mais essencial para uma boa tourada.

            O que, porém, nuinguem esperava é que escuridão fosse tão completa que das bancadas se não distinguissem as armas dos touros.

            Touros?!

            Garraios, se fazem favor.

            E a respeito de bravura, temos conversado...

            A não ser o 8.º, que pertenceu a José Luiz Bento, e em que este manifestou a sua pericia e manifesta vontade de progredir, todos os outros eram uns miseros animaes, com todos os defeitos que poderiam ter, incluindo a mais completa desegualdade.

            Para a Reverte sahiu um vitellinho tão novo e tão mansinho, que o publico não consentiu que fosse lidado, sendo substituido por um mano, que pouco mais velho seria, mas que denotava ser um pouco mais bravo.

            Os cavalleiros José Bento de Araujo e José Luiz Bento portaram-se á altura dos creditos de que gosam.

            José Luiz, como acima dizemos, salientou-se no seu segundo, pela maneira de citar e rematar, tanto mais que não tinha quem o auxiliasse, pondo-lhe os touros em sorte.

            Dos bandarilheiros apenas ha a mencionar um par de Torres Branco e outro de José Martins.

            Luciano Moreira, que appareceu no redondel só ás cortezias e no 7.º touro, pouco fez, já porque o bicho se não prestou, já porque o artista o não procurou bem.

            Calabaça e Varino receberam grossa somma de palmas por collocarem dois excellentes... brincos, no segundo.

            Na brega salientaram-se tambem José Martins e Torres Branco, estando aquelle incasavel (incansavel ?) em toda a corrida.

            Os mais... andaram muito tempo na praça, com os capotes de correr.

            Um dos forcados deu duas voltas ao redodel (redondel!), agarrado á cauda do touro e... foi muito applaudido...

            O intellegente, está velho, tem a vista cançada (cansada) e... não se deve já metter em taes assados.

C.

In REVISTA TAURINA, Lisboa – 24 de Agosto de 1902