23 DE AGOSTO DE 1880 - MADRID: NÃO PARECE MAS OS JORNALISTAS TAMBÉM SÃO HUMANOS E ERRAM...



Biblioteca nacional de Portugal

COISAS E LOISAS

            Frascuelo (NOTA: Salvador Sánchez Povedano, 1842-1898) (foi colhido, no domingo, por um touro na praça de S. Sebastião, e não em Madrid como se disse. O touro feriu-o no braço direito, e tendo o celebre espada cahido, poz-lhe as patas no estomago, molestando-o bastante. Comtudo, o estado de Frascuelo não inspira cuidado.

Frascuelo - Salvador Sánchez Povedano
FOTO: Emilio Beauchy, Sevilla, España (Tratada por IA)

            O cavalleiro (José) Bento de Araujo devia ter realisado o seu beneficio segunda feira na praça de Madrid, picando dois touros embolados. No domingo não tomou parte na corrida, que foi tambem em beneficio.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 26 de Agosto de 1880

NOTA

        O cavaleiro José Bento de Araujo partiu o pé esquerdo na corrida efectuada na tarde de 15 de Agosto de 1880 na praça de touros da Fuente del Berro, em Madrid. A tourada inicialmente prevista para domingo 22 de Agosto acabou por ser realizada na segunda-feira, 23. O jornalista meteu, portanto, os pés pelas mãos...

21 DE AGOSTO DE 1884 - LISBOA: UMA CORRIDA COM UM TOURO LIDADO EM PONTAS...

 

Biblioteca nacional de Portugal

Manuel Mourisca

            É definitivamente depois de ámanhã quinta feira que se realisa a festa artistica de Manuel Mourisca.

            A esta festa, protegida pela primeira sociedade, assistem suas magestades al altezas, que assim dão testemunho do apreço em que teem o denodado e habilissimo cavalleiro tauromachico.

O cavaleiro Manoel Mourisca
FOTO: Serões. Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por Ia)

            Bastaria esse interesse para que houvesse o maior empenho pela famosa funcção. Dá-se, porém a circunstancia de que se reunem attractivos taes que não é facil depois d’esta qualquer outra tarde reunir melhor attractivo.

            Treze touros do mais afamado dos lavradores, o sr. Emilio Infante; Casimiro Monteiro, o cavalleiro feliz da epoca, e José Bento (de Araujo), o arrojado lidador sempre applaudido. Quanto a bandarilheiros, tudo o que ha de melhor.

            Vamos porém á alta novidade:

            Um touro lidado em pontas.

            Este piteu que os amadores desejaram sempre, mas que nunca apanharam, etá guardado para quinta feira.

            Disseram-nos que o touro desembolado será lidado pelos Robertos e Peixinhos.

            É um trabalho bem confiado.

            Emfim, a tourada é das taes que não consentem que qualquer amador fique em casa.

            Os srs. drs. Agostinho Lucio (da Silva) e Antonio Castello Branco foram hontem recebidos pelo ministro da justiça.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 19 de Agosto de 1884

NOTA

Agostinho Lucio da Silva era médico (cirurgião) e Antonio Castello Branco jurista. Eram deputados da nação.

Para a corrida do dia 21 de Agosto de 1884, a comissão promotora (que ambos integravam) queria apresentar touros desembolados (com as pontas limpas), algo que atraía muito mais público e, consequentemente, geraria receitas muito maiores para o Asylo de Maria Pia (que acolhia centenas de crianças pobres e/ou orfãs no Palácio de Xabregas).

A ida ao Ministério: Os dois homens foram pedir no dia 18 ao ministro da Justiça, Lopo Vaz de Sampaio e Melo, uma autorização especial ou tolerância excepcional da autoridade civil para que os touros pudessem  ser corridos desembolados na dita tourada de quinta-feira, dia 21.

            Após intensas negociações e a intervenção directa no dia 18 de agosto, o espectáculo da Praça de Touros do Campo de Sant’Anna foi autorizado.

Os relatos da época destacam:

Casa cheia, reis e alta sociedade: A moldura humana foi impressionante. A presença de figuras de relevo da política regeneradora e da aristocracia lisboeta garantiu que o evento fosse considerado o grande acontecimento social da semana na capital.

O comportamento dos touros: O público, entusiasta e exigente, aplaudiu a valentia dos bichos apresentados pela comissão. A autorização especial garantiu a emoção que a assistência tanto procurava nas arenas do século XIX.

Sucesso financeiro: O objectivo principal da audiência liderada por Agostinho Lucio e Antonio Castello Branco foi plenamente alcançado. A receita angariada foi considerada excelente para os cofres do Asylo de Maria Pia, preservando o plano de assistência social da comissão para os meses seguintes.

            Esta combinação de espectáculo taurino, política e caridade institucionalizada era uma marca profunda da Lisboa do final do século XIX, onde até os regulamentos de segurança pública podiam ser negociados em nome da grande benemerência do reino.

9 DE JUNHO DE 1880 - LISBOA: UMA EXCELENTE TOURADA EM PERSPECTIVA NA PRAÇA DE TOUROS DA CAPITAL

 

Biblioteca Nacional de Portugal

ESPECTACULOS

            Praça do Campo de Sant’Anna.— Quarta feira 9 de junho de 1880.

            Homenagem a Luiz de Camões.

            Praça ricamente armada e embandeirada.

            Corrida de 13 touros pertencentes ao sr. C. A. Marques. 4 cavalleiros Mourisca, Monteiros e (José Bento de) Araujo. Oito capinhas entrando os Irmãos Robertos.

            O resto dos camarotes e cadeiras, estão á venda na rua Nova do Almada 98 loja.

            Preços do costume.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 9 de Junho de 1880

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2020/05/9-de-junho-de-1880-lisboa-uma-corrida.html

27 DE JUNHO DE 1880 - LISBOA: FESTA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO DE SANT'ANNA COM CASA CHEIA E DESFECHO INESPERADO...

 

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 27 de Junho de 1880

29 DE JUNHO DE 1884 - LISBOA: TRÊS CAVALEIROS E PALHAÇADA COM UM “NOTAVEL” BANDARILHEIRO AFRICANO QUE METE FERROS COM A BOCA (SIC) NA FESTA ARTÍSTICA DE JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

Biblioteca nacional de Portugal

José Bento de Araujo

            Para o proximo domingo annuncia-se a festa artistica do estimado cavalleiro José Bento de Araujo. É deveras attrahente o annuncio que vae na secção respectiva.


PRAÇA

DO

CAMPO DE SANT’ANNA

DOMINGO 29 DE JUNHO DE 1884

Festa artistica do cavalleiro

JOSÉ BENTO D’ARAUJO

Magnifica corrida de gordos e corpolentos

13 TOUROS

Sendo 8

CARAÇAS

            Sendo 8 puros, de 3 annos, todos CARAÇAS e 5 touros notaveis para cavallos pertencentes ao acreditado lavrador de Val de Figueira o ex.mº sr. EMILIO INFANTE DA CAMARA.

Ferro da ganadaria de Emilio Infante da Camara

            O distincto amador o ex.mº sr.

            Victorino Froes

eem obsequio ao beneficiado tomará parte na lide toureando a cavallo, em selim raso, um dos touros da corrida.

            CAVALLEIROS: — José Maria Casimiro Monteiro, Antonio Maria Monteiro e o beneficiado.

            BANDARILHEIROS: — Robertos, Peixinhos, Calabaça, Sancho e J. M. da Costa.

Grande novidade

            O notavel bandarilheiro africano, que tão applaudido foi na época passada não podendo fazer todos os seus admiraveis trabalhos, apresenta-se novamente n’esta praça, para o publico poder admirar os arrojados trabalhos do notavel bandarilheiro METTENDO FERROS COM A BOCCA.


            Preços os do costume. — Bilhetes estão já á venda na tabacaria Climaco, rua da Bitesga, 71.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 24 de Junho de 1884

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE A GANADARIA DE EMILIO INFANTE DA CAMARA AQUI:

            Refrescada com um semental do Marquês de Saltillo, depois com outro do Marquês de Villamarta e, actualmente, com dois do sr. Guardiola, pertence o ferro ao sr. dr. Emilio Infante da Câmara, ficando parte dela para seu irmão sr. José Infante da Câmara com o ferro de Campos Varela, ganadaria que anos antes haviam ambos adquirido na Andaluzia.

In ABC DA TAUROMAQUIA, El Terrible Pérez, Edições VIC, Lisboa, 1944

25 DE ABRIL DE 1880 - LISBOA: UMA EXCELENTE CORRIDA COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO E OS DEMAIS ARTISTAS ESPANHÓIS E PORTUGUESES

 

Biblioteca Nacional de Portugal

Tourada

            A que se realisou no domingo na praça do campo de Sant’Anna esteve concorrida.

            Os artistas tanto hespanhoes como portuguezes trabalharam bem e se não poderam brilhar mais no seu trabalho foi porque os touros não se prestaram tanto como os das tardes anteriores.

            O cavalleiro (José Bento de) Araujo foi muito feliz nos touros que lhe coube na primeira parte da corrida; no 8.º touro que era mais matreiro; foi colhido o cavallo e o cavalleiro caindo ambos, mas com tanta felicidade que o cavalleiro não saindo fôra da sella, pôde conseguir levantar o cavallo sem que lhe resultasse qualquer desastre.

O cavaleiro José Bento de Araujo
FOTO: Musée des Cultures Taurines Henriette et Claude Viallat, Nimes - France

            Ao sr. empresario recommendamos que obrigue os homens de forcado a obedecerem á ordem do intelligente, e a que sejam mais assiduos na occasião de coadjuvarem os seus companheiros, aliás hade sempre acontecer o que tem acontecido nas touradas anteriores.

            Aos bandarilheiros portuguezes recommendamos que evitem as caidas de capa para não tornarem os touros ruins para o toureio.

            O publico saiu satisfeito e é de esperar que, nas seguintes tardes, em quanto forem as touradas da casa lhe aconteça o mesmo, porque os emprezarios fazem as maiores diligencias para que os curros sejam bons.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 27 de Abril de 1880

10 DE JULHO DE 1904 - VIZELA: “IMPORTANTE TOURADA COM O ARROJADO CAVALEIRO” JOSÉ BENTO DE ARAUJO E TODOS OS BANDARILHEIROS DE MAIOR NOMEADA


 

O cavaleiro tauromáquico lisboeta também se chamava "Bento José de Araujo"
DOCUMENTO: Biblioteca Nacional de Portugal (Tratado por IA)

10 DE JULHO AS DATAS DA HISTÓRIA

1904 — Realiza-se pelas 17 horas, em Vizela, uma importante tourada, onde são corridos seis touros vindos de Benavente, sendo cavaleiro “o arrojado”, escreve a imprensa da época, José Bento de Araújo e bandarilheiros Manuel Dos Santos, Luiz Homem, Ferreira Estudante, José Cecílio e Amadeu Sanches, todos de maior nomeada.

In DIGITAL DE VIZELA, Vizela - 10 de Julho de 2026

LINK

https://www.digitaldevizela.com/2020/07/10-de-julho-as-datas-da-historia.html

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: NOVA GERÊNCIA DA PRAÇA DE TOUROS APRESENTA A «MATADORA» ANDALUZA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA, LA REVERTE

 

María Salomé Rodríguez Tripiana, La Reverte
FOTO: Nuevo Mundo - Biblioteca Nacional de España, Madrid (Tratada por IA)
Praça de Algés

            Póde afoutamente dizer-se que n’esta praça nunca se realisou uma corrida tão brilhante como vae ser a primeira da nova empreza, no proximo domingo, 4. Garantem esta affirmativa a apresentação da mais celebre toureira que até hoje tem apparecido, a arrojada Reverte (NOTA: María Salomé Rodríguez Tripiana, LA REVERTE) e o facto do curro pertencer ao acreditado ganadero sr. Castello Melhor.

            Todos os mais elementos são de primeira ordem, cavalleiros, bandarilheiros, forcados e musica, que é a charanga da armada real.

In O SÉCULO, Lisboa - 2 de Maio de 1902

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://www.bne.es/es/blog/blog-bne/la-mujer-que-invoco-la-constitucion-para-poder-torear

15 DE JUNHO DE 1890 - PORTO: A AMAZONA CLOTILDE DE MAESTRICK NA PRAÇA DE TOUROS DO REAL COLYSEU PORTUENSE COM OS CAVALEIROS MARCO FERREIRA PINTO BASTO E JOSÉ BENTO D’ARAUJO

 

Cartaz original da corrida realizada no Real Colyseu Portuense na tarde de 15 de Junho de 1890
FOTO: Arquivo Histórico Municipal do Porto - Casa do Infante

REAL COLYSEU PORTUENSE

CORRIDA EXTRAORDINARIA

(SE O TEMPO A NÃO IMPEDIR)

DOMINGO 15 DE JUNHO DE 1890, ás 4 horas e 3 quartos da tarde

Presidida pela authoridade e pelo intelligente da praça o Snr. Manoel Bottas

MAGESTOSA CORRIDA

DE

10 BRAVISSIMOS TOUROS


ESPLENDIDA CORRIDA

DE

10 BRAVISSIMOS TOUROS

Apartados esmeradamente das manadas pertencentes ao abastado lavrador o Ex.mo Snr.

Dr. Maximo da Silva Falcão

Debuta n’esta praça a distincta e muito applaudida amazona

M.ME CLOTILDE DE MAESTRICK

que tantos applausos tem recebido nos principaes Circos da Europa, Real Colyseu de Lisboa, e Circo Principe Real do Porto, e que no dia 8 do corrente foi alvo dos mais calorosos applausos na Praça de Cintra.

A amazona Clotilde de Maestrick
FOTO: Biblioteca Nacional de Portugal (Tratada por IA)

CAVALLEIROS

JOSÉ BENTO D’ARAUJO e MARCO FERREIRA PINTO BASTO

Abrilhantam mais esta corrida os afamados toureiros

PORTUGUEZES

JOSÉ JOAQUIM PEIXINHO e RAPHAEL PEIXINHO

E OS HESPANHOES

JOSÉ RUIZ (EL JOSEITO), FILIPPE ARAGON (EL MINUTO) (NOTA: FELIPE ARAGÓ LOZANO, MINUTO), JOSÉ MARTINS (EL TARABILLA), JOAQUIM PEREZ (EL PECHUGA) (NOTA: JOAQUÍN PÉREZ, EL PECHUGA) e ANDRÉS FLORÉS (EL BARVERITO) (NOTA: ANDRÉS FLORES, EL BARBERILLO)

O sympathico toureiro portuguez José dos Santos, que o publico tanto tem apreciado e finalmente um valente grupo de MOÇOS DE FORCADO

Abrilhantará mais esta corrida a excellente Banda dos Bombeiros Voluntarios

DISTRIBUIÇÃO DA CORRIDA

1.º TOURO, Farpeado pelo Cavalleiro José Bento (d’Araujo).

2.º       “          Bandarilhado por José peixinho e Raphael Peixinho.

3.º       “          Farpeado por Joseito e Minuto.

4.º       “          Bandarilhado por José dos Santos e Tarabilla.

5.º       “          Farpeado por MADAME CLOTILDE DE MAESTRICK.

Intervallo

6.º TOURO,   Farpeado pelo Cavalleiro Pinto Basto.

7.º       “          Bandarilhado por Peixinho e Minuto.

8.º       “          Bandarilhado por Joseito e Tarabilla.

9.º       “          Bandarilhado por Raphael e J. dos Santos.

10.º     “          Bandarilhado por Joaquim Perez e Andrés Floorés.

Este programma poderá ser alterado por qualquer motivo imprevisto.

PREÇOS — Camarotes de Sombra, 4$500 — Ditos de Sol, 3$000 — Tribuna, 1$200 — Fauteuils, 1$000 — Touril, 700 — Balcão de sombra, 700 — Balcão de sol, 350 — Galeria de sombra, 600 — Galeria de sol, 300 rs — N.B. — Os camarotes de sol são preservados por toldos.

PREVENÇÕES

1.ª       A embolação principiará ás 11 horas da manhã, com entrada franca.

2.ª       As portas da praça abrem-se duas horas antes da corrida.

3.ª       Os bilhetes acham-se á venda até á 1 hora da tarde do dia da corrida na Tabacaria do Ill.mo Snr. Arnaldo José Soares, Praça de D. Pedro n.º 125 (n.º telephonico 474) — e depois d’aquella hora unicamente nas bilheteiras do Colyseu.

4.ª       A Empreza não se responsabiliza pelos bilhetes que não sejam vendidos nos locais acima designados.

5.ª       Não se lidarão mais touros além dos annunciados.

6.ª       Se algum dos Touros se impossibilitar na lide não será substituido.

7.ª       É expressamente prohibido lançar á arena qualquer objecto que possa prejudicar os lidadores ou interromper os trabalhos.

8.ª       Se depois de principiada a corrida, tiver esta de ser suspensa por qualquer motivo, a empreza não restituirá aos espectadores a importancia dos seus logares, nem será obrigada a indemnisal-os de maneira alguma.

9.ª       Estão em vigor todas as mais disposições policiaes e da arena que são de uso n’estes espectaculos em Portugal.

28 DE JULHO DE 1889 - PORTO: CORRIDA DE INAUGURAÇÃO DO REAL COLYSEU PORTUENSE COM ARTISTAS DE ESPANHA E DE PORTUGAL, INCLUINDO OS CAVALEIROS JOSÉ MARIA CASIMIRO MONTEIRO E JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 


COLYSEU PORTUENSE

INAUGURAÇÃO NO DIA 28 DE JULHO DE 1889

 ESPLENDIDA CORRIDA

10 TOUROS


Uma corrida inicial com grandes artistas de Espanha e de Portugal
FOTO: Arquivo Histórico Municipal do Porto - Casa do Infante

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2026/10/28-de-julho-de-1889-porto-corrida-de.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2026/04/28-de-julho-de-1889-porto-anuncio-da.html

18 DE DEZEMBRO DE 1919 - LISBOA: À MARGEM DAS CORRIDAS DE TOUROS... ANTONIO JOSÉ D’ALMEIDA, PRESIDENTE DA REPÚBLICA, É CLIENTE DA EMPRESA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO D'ARAUJO

 

Factura liquidada por Antonio José d'Almeida, presidente da República Portuguesa, à empresa do cavaleiro José Bento d'Araujo
DOCUMENTO: COPYRIGHT Museu da Presidência da República, Lisboa.

O recibo carimbado em 18 de Dezembro de 1919 é peremptório: a Nova Empreza de Carruagens Alliança, propriedade do cavaleiro tauromáquico José Bento de Araujo, comunica a liquidação da factura emitida em nome de Antonio José d’Almeida, relativa ao aluguer de um “coupé” durante 18 dias, em Lisboa.

O cliente, Antonio José d’Almeida é, então, Presidente da República.

Antonio José d'Almeida
IMAGEM: Museu da República, quadro de Henrique Medina.

Eis a biografia do médico, jornalista e político (disponível na página oficial da Presidência da República Portuguesa): 

"Foi eleito em 6 de agosto de 1919, com o apoio dos partidos Evolucionista e Unionista e de muitos apoiantes do Partido Democrático.

À data da sua eleição, era já uma das figuras mais prestigiadas do republicanismo, em grande parte pela eloquência e capacidade retórica que faziam dele «o tribuno da República».

Foi o único Presidente que, durante a I República (1910-1926) cumpriu na íntegra os quatro anos de mandato presidencial fixados pela Constituição de então.

António José de Almeida nasceu em Vale da Vinha, concelho de Penacova, em 17 de julho de 1866, filho de José António de Almeida e Maria Rita das Neves Almeida.

De origens modestas, o seu pai tornou-se um pequeno industrial e comerciante local, chegando a ocupar a presidência da Câmara de Penacova no final do século XIX.

Em 1880, matriculou-se no Liceu Central de Coimbra, terminando o Curso Geral dos Liceus em 1885. Nesse mesmo ano, inscreveu-se nos preparatórios de Medicina.

Em julho de 1889, ingressou no curso de Medicina da Universidade de Coimbra e, em 1894, concluiu o bacharelato, recebendo o Prémio Barão de Castelo de Paiva pelas suas qualidades como estudante.

No ano seguinte, finalizou o curso de Medicina, sendo novamente agraciado pelas suas qualidades como aluno («1.º distinto»). Foi aprovado por unanimidade com a classificação de «Bom» (15 valores) no exame de formatura em Prática Médica e Cirúrgica.

Apesar dos bons resultados, não foi admitido no corpo docente da Faculdade como era seu desejo. O episódio foi por si denunciado na obra Desaffronta (História d'uma perseguição), publicada ainda em 1895. Nela acusava três professores de terem preparado a sua exclusão, elogiando, pelo contrário, os que o haviam defendido.

Em 14 de dezembro de 1910, casou-se com Maria Joana Morais Queiroga, de quem teve uma filha (Maria Teresa).

Atividade Profissional: Médico de «doenças dos países quentes»

Depois de lhe ter sido recusado o ingresso no corpo docente da Faculdade de Medicina, partiu para São Tomé e Príncipe (1896), onde exerceu clínica e se especializou em doenças tropicais.

Permaneceu na colónia até 1903, amealhando uma pequena fortuna que gastou, mais tarde, no jornalismo e na política. Regressado a Lisboa em julho desse ano, partiu para uma viagem de estudo e descanso a França, Itália, Suíça e Holanda.

No início do ano seguinte, retornou à capital e abriu consultório na Rua do Ouro como médico das «doenças dos países quentes» (conforme o cartão de visita), mudando-se depois para a Praça de Camões. Tornou-se querido de uma vasta clientela popular.

Percurso Político: o «tribuno popular»

Republicano desde o início do seu percurso académico, viveu intensamente o período do Ultimato inglês (11 de janeiro de 1890), distinguindo-se por um contundente ataque ao rei D. Carlos no jornal académico de Coimbra O Ultimatum, onde publicou um artigo intitulado «Bragança, o último» (23 de março de 1890).

Na sequência deste episódio, foi-lhe instaurado um processo judicial e condenado a uma pena de três meses de prisão. Manuel de Arriaga patrocinou a sua defesa. Aquando da sua libertação, foi alvo de grandes aclamações populares.

Ainda estudante, assinou o Manifesto da Academia de Coimbra, no qual se afirmavam os princípios republicanos (1890), e apoiou a revolta republicana do Porto sem sofrer consequências (1891).

Começou, por essa altura, a colaborar nos jornais O Alarme e Azagaia.

Ainda em 1891, publicou o folheto As Manifestações Académicas do dia 18, no qual pugnou pelo direito dos estudantes se manifestarem contra a família real e a Monarquia. O panfleto teve origem nos acontecimentos de 18 de novembro em Coimbra, quando a família real, ao passar pela estação dessa cidade, foi alvo de manifestação de protesto por parte dos estudantes republicanos, episódio que causou grande perturbação.

Em 15 de janeiro de 1893, foi o principal orador no funeral de José Falcão, professor de Matemática e fervoroso republicano.

Durante a sua estadia em São Tomé, promoveu a Associação Pró Pátria, destinada a dar apoio ao colono, ao seu eventual repatriamento e/ou dos seus familiares.

Em 24 de janeiro de 1905, discursou no funeral do artista republicano Rafael Bordalo Pinheiro.

Estreou-se na atividade partidária nas fileiras do Partido Republicano Português (PRP). Nas eleições de 1905, apresentou-se como candidato pelo círculo de Lisboa, não sendo, no entanto, eleito.

No Congresso do PRP de julho de 1906, foi eleito para o directório com António Luís Gomes, Bernardino Machado, Afonso Costa e Celestino de Almeida. Cedo se tornou uma das figuras mais conhecidas e prestigiadas do republicanismo.

Nas eleições de 19 de agosto do mesmo ano, foi eleito deputado do PRP pelo círculo oriental de Lisboa, ao lado de Afonso Costa, Alexandre Braga e João de Meneses (estes dois últimos por Lisboa Ocidental).

Escreveu para vários jornais, sobretudo para A Lucta, mas foi no Parlamento e nos comícios dos últimos anos da Monarquia que a sua eloquência e arte retórica fizeram dele o caudilho indiscutível da causa republicana.

Durante o debate sobre a questão dos «adiantamentos à Casa Real» (1906), e na sequência da expulsão de Afonso Costa e Alexandre Braga da Câmara dos Deputados pelos seus «excessos verbais» contra o rei, Almeida improvisou um discurso convidando os soldados a aliar-se à revolução republicana.

Em 1907, entrou na Maçonaria (loja Montanha, n.º 214, de Lisboa) com o nome simbólico de Álvaro Vaz de Almada (um dos companheiros do infante D. Pedro). Mais tarde, veio ainda a pertencer à Carbonária.

Conspirador contra a ditadura de João Franco, participou ativamente na preparação do movimento revolucionário para derrubar a Monarquia.

A ação repressiva da ditadura provocou uma mudança na definição da estratégia do PRP. Gradualmente, a linha que defendia a ação revolucionária imediata foi ganhando terreno, o que conduziu à aliança com outras forças, nomeadamente a Carbonária e a Corporação dos Sargentos.

Uma denúncia levou à prisão dos principais chefes: Luz de Almeida, Afonso Costa, Egas Moniz, João Chagas e António José de Almeida, que estabeleceu os contactos entre o diretório do partido e a organização revolucionária. Privado dos seus principais líderes, o movimento veio para a rua, mas foi prontamente sufocado. António José de Almeida foi preso em 26 de janeiro de 1908 e logo libertado após o regicídio.

Em 5 de abril de 1908, foi novamente eleito como deputado.

No Congresso Republicano de 1909, foi nomeado um Comité Revolucionário. Da secção militar faziam parte Cândido dos Reis, João Chagas e Afonso Costa e a direcção da parte civil foi entregue a António José de Almeida.

Em 1910, fundou às suas expensas a revista Alma Nacional, que dirigiu, e onde colaborou assiduamente até à proclamação da República.

Nas eleições de 28 de agosto de 1910 (as últimas da Monarquia Constitucional), foram eleitos 14 deputados republicanos, entre os quais Almeida.

Proclamada a República em 5 de outubro de 1910, foi nomeado ministro do Interior do governo provisório presidido por Teófilo Braga. À frente do Ministério, que tutelou até setembro de 1911, desenvolveu uma intensa atividade, sobretudo no campo da instrução pública.

Todavia, o destaque vai para o decreto da sua autoria, lançado em 14 de março de 1911, que revogava a Lei Eleitoral de 1901 - a «Ignóbil Porcaria», como ficou conhecida. Entre outras medidas, este decreto alargava substancialmente o sufrágio: foi concedido direito de voto a todos os portugueses maiores de 21 anos (não especificando o sexo) que soubessem ler e escrever, ou que, não o sabendo, fossem chefes de família há mais de um ano. Ao contrário do que sempre fora defendido pelo republicanismo, este decreto não instituiu o sufrágio universal.

Ainda ministro, fundou e dirigiu o jornal República (1911), que se tornou o órgão de combate e de expressão dos republicanos que se oponham a Afonso Costa e às suas tendências radicais. Aí escreveu continuamente até 1919.

Em fevereiro de 1912, fundou o Partido Evolucionista (PE), por discordar da linha política seguida por Afonso Costa no PRP. Mau grado a sua aparente força e a projeção nacional que alcançou, as alianças e as atitudes levadas a cabo pelos seus representantes parlamentares deram-lhe uma imagem demasiado direitista.

Em janeiro de 1913, foi chamado a formar governo pelo Presidente da República, Manuel de Arriaga, o que não conseguiu, sendo o executivo entregue ao seu adversário Afonso Costa.

Em agosto, foi eleito presidente do Partido Evolucionista (PE).

Após a eclosão da I Guerra Mundial (1914-1918), defendeu a intervenção de Portugal no conflito sob a alçada da aliança inglesa.

Em 1915, apoiou o primeiro-ministro Pimenta de Castro, mesmo depois da instauração da ditadura e da proibição de o Congresso se reunir.

Em 1916, perante a gravidade da situação internacional, António José de Almeida reconciliou-se com Afonso Costa e aceitou a presidência do governo da «União Sagrada» (março de 1916 a abril de 1917), onde também geriu a pasta das Colónias.

Eleição

António José de Almeida foi eleito Presidente da República em 6 de agosto de 1919. Proposto pelos partidos Evolucionista e Unionista, dispôs do apoio de muitos Democráticos.

No primeiro escrutínio, teve uma vantagem de apenas 5 votos relativamente a Manuel Teixeira Gomes. No segundo, também nenhum candidato alcançou os dois terços necessários. Finalmente, no terceiro, António José de Almeida obteve 123 votos contra 31 de Teixeira Gomes e 13 listas brancas.

Tomou posse em 5 de outubro de 1919.

António José de Almeida foi o único Presidente da I República que cumpriu integralmente os quatro anos de mandato (até 5 de outubro de 1923).

Depois da presidência

Findo o seu mandato presidencial, António José de Almeida regressou ainda às lides políticas, sendo eleito deputado por Lisboa em 1925.

Contudo, a breve trecho, a doença afastou-o definitivamente da política. Obrigado a viver os últimos anos numa cadeira de rodas, refugiou-se no convívio familiar, rodeado pelos amigos. Viveu modestamente, gasta que estava a pequena fortuna que amealhara em São Tomé.

Até ao fim dos seus dias, continuou a ser considerado como uma espécie de «presidente honorário» da República, estatuto que lhe foi reconhecido mesmo pelos dirigentes da Ditadura Militar instaurada em 1926, que ganharam o hábito de o visitar no dia 5 de outubro.

Em inícios de 1929, foi eleito Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, mas não chegou a tomar posse devido ao seu estado de saúde.

Atacado de gota, morreu em Lisboa em 31 de outubro de 1929. Em sua memória, foi erigido um monumento da autoria do escultor Leopoldo de Almeida e do arquiteto Pardal Monteiro na atual Avenida António José de Almeida (1937). A oposição à ditadura fará da romagem ao local, nas comemorações do 5 de outubro, uma manifestação de protesto contra o regime.”


Antonio José d'Almeida
FOTO: COPYRIGHT Museu da Presidência da República, Lisboa

A Nova Empreza de Carruagens Alliança "acceita por preços relativamente modicos serviços aturados para LISBOA, CINTRA e ESTORIL, ou outro qualquer local” e “garante o mais cuidadoso serviço de carruagens modernas, magnificas parelhas e cocheiros irreprehensivelmente fardados. Carros para casamentos e carruagens com aros de borracha.” E “coupés” a que recorre o 6.º presidente da República Portuguesa...

A firma opera a partir da rua da Sociedade Farmacêutica, no Bairro Camões. Tem filiais na rua do Ouro (nos números 62 e 214) e no Largo de Camões (3). As suas sucursais estão dispersas por Lisboa e arredores: Largo da Escola do Exercito (“vulgo Paço da Rainha”), “Mont'Estoril” e “Cintra”. 

"Nova Empreza de Carruagens Alliança" sucede à "Empreza de Carruagens Alliança" ou "Companhia de Carruagens Alliança"
DOCUMENTO (Detalhe): Museu da Presidência da República Portuguesa

            A concorrência directa da “Nova Empreza de Carruagens Alliança” dá pelos nomes de “Companhia de Carruagens Lisbonenses”, “Empreza de Viação Eduardo Jorge” e sobretudo "Companhia Carris de Ferro de Lisboa" (CARRIS), que expande rapidamente as linhas eléctricas pela cidade.

            A sociedade cessa a actividade  a seguir ao falecimento do cavaleiro, que tem lugar a 2 de Setembro de 1924.

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://www.museu.presidencia.pt/pt/conhecer/presidentes-da-republica-biografias/presidentes-da-i-republica/antonio-jose-de-almeida/

https://www.museu.presidencia.pt/pt/visitar/museu-da-presidencia-da-republica/exposicao-permanente/galeria-dos-retratos/antonio-jose-de-almeida/