15 DE AGOSTO DE 1879 - LISBOA: CORRIDA COM CONCURSO...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA. — Está despertando extraordinario interesse a corrida certamen que ha de realisar-se sexta feira na praça do Campo de Sant’Anna.

            Consta nos que ha apostas, sobre a qual dos lavradores pertencerá o premio destinado aos toiros mais bravos e de melhor sangue para cavallo e para pé. É difficil fazer qualquer conjectura, porque os creadores segundo nos consta, teem caprichado em apresentarmagnificos toiros. Reunem-se n’essa corrida os mais afamados toiros para cavallo, como o Gaiollo que derrubou o cavalleiro Batalha por duas vezes; o caraça pertence ao sr. João da Motta que é superior em bravura ao Pimpão do mesmo lavrador; o toiro Silveio, que tanto enthusiasmo já causou esta época e outros de extraordinarias condicções para o torneio.

            A inauguração das toiradas de competencia em Portugal deve ser uma brilhante funcção tauromachica.

            Alem d’isso a corrida é cheia de attractivos. Os cavalleiros Manoel Mourisca e C. Monteiro bandarilham a cavallo dois toiros, trabalho que exige extraordinaria dextresa e arrojo.

            Toma parte na corrida Vicente Roberto o distinctissimo bandarilheiro, que o publico de Lisboa tão poucas vezes tem occasião de apreciar.

             Um dos toiros em hastes nuas, enfeitado e embolado á antiga portugueza. Lide a ferros de palmo por Loureiro e Peixinho.

            O cavalleiro José Bento de Araujo a quem pertence a lide dos celebres touros Gaiollo e Caraça, apresenta n’esse dia, no cavallo de cortezias os magnificos arreios que lhe foram offerecidos pelo sr. Carlos Relvas.

            (Manoel) Mourisca farpeia o 1.º toiro simulado a rojão.

            A corrida deve ser das mais brilhantes d’esta época, e consta-nos que já não abundam os bilhetes.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 12 de Agosto de 1879

8 DE NOVEMBRO DE 1896 - RIO DE JANEIRO: PARTIDA DA ‘CUADRILLA’ PARA A EUROPA ADIADA A PEDIDO DOS AFICIONADOS



PRAÇA DE TOUROS

Rua do Boulevard, em frente á estação dos bonds de Villa Isabel

Companhia tauromachica composta de insignes toureiros portuguezes e hespanhoes, sob a direcção dos eminentes cavalleiros tauromachicos nos principaes circos de França, Hespanha e Portugal, Alfredo Tinoco da Silva e José Bento de Araujo

HOJE   DOMINGO 8 DE NOVEMBRO DE 1896   HOJE

(ÁS 4 HORAS DA TARDE)

Por amavel pedido de um grupo de distinctissimos afficionados a companhia só partirá para a Europa no dia 15 e não no dia 10 como estava annunciado afim de promover mais esta corrida que será IRREVOGAVELMENTE A ULTIMA!

DESPEDIDA DAS DUAS MAIORES CELEBRIDADES DA TAUROMACHIA PORTUGUEZA

Alfredo Tinoco da Silva e José Bento de Araujo

(cavalleiros tauromachicos mais antigos, mais correctos e mais festejados nos circos de França, Hespanha e Portugal); do celebre matador de touros Alberto Rojas (Colón), muito applaudido nos principaes circos de hespanha e França; do bandarilheiro portuguez Carlos Gonçalves (um dos artistas que mais se têm evidenciado na praça de touros do Campo Pequeno, de Lisboa); dos valentes bandarilheiros Luiz Homem e Carlos Silva (artistas muito applaudidos nas differentes praças de Portugal), e do valente pegador Cara Linda (o moço de forcado mais conhecido e mais applaudido em Portugal).

SEGUNDA REPRESENTAÇÃO

dos conhecidos bandarilheiros hespanhoes, que tão applaudidos têm sido pelo publico fluminense, Manuel Antelo e Frederico Perez (Estiran) (NOTA: Federico Pérez de la Rosa, Estirán).

            Lide offerecida ao respeitavel publico espectador — O eminente e arrojadissimo cavalleiro José Bento de Araujo farpeará o touro que na ultima corrida o desfeiteou. O artista norte-americano H. Jos Grosa (SklahomaHank) provará ao publico nesta corrida o seu merito como montador de féras, montando o mesmo touro, dando lhe a frente para a cabeça e não as costas como tentou executar na ultima corrida ignorando a valentia dos touros de raça apurada para o torneio.

DETALHE: — 1.º touro, farpeado por Alfredo Tinoco (da Silva); 2.º, bandarilhado por Carlos Gonçalves e Antelo; 3.º, bandarilhado por L. Homem e Estirán; 4.º farpeado por A. Tinoco.

INTERVALLO: — 5.º touro, bandarilhado por Carlos Gonçalves, L. Homem e Carlos Silva; 6.º touro, farpeado por José Bento de Araujo; 7.º, para ser montado pelo artista norte-americano; 8.º (nacional), para amadores.

CORTEZIAS FINAES

            Este programma poderá ser alterado pelo Sr. intelligente.

            Um touro nacional para amadores! 150$000: Provadas bravura e valentia dos touros portuguezes pertencentes a esta Empreza, o touro destinado n’esta corrida para os Srs. amadores será da fazenda dos Meninos, pertencente ao Exm. Sr. Manuel Ponceanno, que sahirá da gaiola trazendo ao pescoço a quantia de 150$000 para quem a conseguir arrancar.

            A banda marcial do 22º de infantaria abrilhantará este grandioso espectaculo.

Prevenção — Só se garantem as entradas compradas no dia da corrida nas bilheteiras da praça e nos dias de semana na Maison Moderne, Café Java á rua do Ouvidor esquina do largo de S. Francisco e na rua do Mercado n. 74.

            Aos Srs. espectadores só assiste o direito de pedir senha de sahida (para a rua) depois de corridos os quatro primeiros touros (intervallo).

            As portas para a corrida abrir-se-hão á 1 ½ da tarde.

            NOTA: — O arrojado corcunda Marcelo Legorburu (El Corubado), de Bilbáu, que na ultima corrida tanta hilaridade dispertou aos Srs. afficionados, atirando-se valentemente para a cabeça do touro portuguez, offereceu-se á empreza para n’esta corrida tourear o touro nacional que sahirá para os amadores trazendo ao pescoço 150$000.

In GAZETA DE NOTICIAS, Rio de Janeiro - 8 de Novembro de 1896

3 DE SETEMBRO DE 1924 - LISBOA: O DERRADEIRO ADEUS AO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

O cavaleiro padecia de «anemia crónica» e faleceu na rua da Sociedade Farmacêutica, em Lisboa.
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

NECROLOGIA

FUNERAES

José Bento d’Araujo

            Pelas 16 horas de hontem efectuou-se o funeral do decano dos toureiros portugueses, o cavaleiro José Bento de Araujo.

            Os seus restos mortaes, encerrados em urna de mogno, seguiram da egreja do Coração de Jesus para o cemiterio do Alto de S. João.

FOTO da « Egreja do Coração de Jesus », que foi mais tarde edificada no lugar onde ainda se encontra hoje.
DOCUMENTO gentilmente cedido ao autor do blogue por aquela paróquia lisboeta.

            Sobre o feretro, conduzido n’uma sége (NOTA: Carruagem antiga de duas rodas puxada por cavalos), foram depostas cinco corôas e alguns ramos de flôres naturaes, sendo o funeral dirigido pelo conhecido artista tauromaquico sr. Manuel dos Santos. (NOTA: Manuel dos Santos era bandarilheiro e um dos amigos mais próximos do cavaleiro.)

            No prestito funebre tomaram parte cêrca de cincoenta carruagens.

«Um aspéto do funeral»
FOTO: O Século

            A urna ficou depositada em jazigo de familia, tendo-se organisado, no cemiterio, alguns turnos, constituidos por empregados da Empreza de Carruagens do extinto, cocheiros, pessoas amigas, pessoas de familia e por toureiros, sendo este composto pelos artistas de toureio Manuel dos Santos, Tomaz da Rocha, Jorge Cadete (NOTA: Jorge Cadete, «mestre do sesgo»,  foi um dos mais populares e respeitados bandarilheiros portugueses na transição do século XIX para o XX.), Puntaré (NOTA: Juan Cecilio Puntaret, famoso bandarilheiro espanhol e grande amigo do cavaleiro.), Antonio Carvalho, Francisco Estudante (NOTA: Francisco Estudante era um bandarilheiro e peão de brega.) e José Fernandes. O enterro foi religioso.

            N’uma mesa colocada á entrada da egreja, via-se grande numero de cartões.

            O cavaleiro José Casimiro fez-se representar no funeral no qual tomaram tambem parte, entre outros, os toureiros srs. Ricardo Teixeira, Joaquim de Oliveira, Antonio Felix, Joaquim Felix, Luciano Moreira, etc.

In O SÉCULO, Lisboa - 4 de Setembro de 1924

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4 DE OUTUBRO DE 1901 - LISBOA: EL-REI DOM CARLOS I OFERECE AO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO UM TOURO PARA SER LIDADO NA PRAÇA DE BELÉM, NO PARÁ (BRASIL)

 
Biblioteca nacional de Portugal

            Embarcou hontem ao meio dia, no vapor «Augustine» (NOTA: Booth Line Royal Mail Steamers. Em 1879 o navio dava pelo nome de «Grantully Castle». Só em 1896 passou a ser chamado «Augustine».), em direcção ao Pará, um touro offerecido por Sua Magestade El-Rei ao cavalleiro José Bento de Araujo.

O primeiro nome do vapor «AUGUSTINE» (1896) foi «Grantully Castle» (1879). 
O navio efectuou a partir de Janeiro de 1880 a carreira Southampton-Capetown. 
FOTO: Bluestarline.org

            No mesmo vapor vão tambem mais quatro touros comprados ao sr. Estevão de Oliveira (NOTA: Comendador Estevão ou Estevam Antonio de Oliveira) pelo sr. Guilherme Augusto de Almeida, por conta do estimado cavalleiro.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 5 de Outubro de 1901

6 DE ABRIL DE 1903 - LISBOA: UMA CORRIDA ESPECIAL EM PERSPECTIVA PARA O REI EDUARDO VII

 

O rei Eduardo VII assistiu à corrida em sua homenagem na Praça do Campo Pequeno
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

Vida mundana

LISBOA, 29 de março. 

            A corrida (do dia 6 de Abril de 1903 na praça do Campo Pequeno) será de 10 touros. Os cavalleiros são seis: José Bento de Araujo, Fernando de Oliveira, Manuel Casimiro, Joaquim Alves, Simões Serra e Eduardo de Macedo.

            Os cavalleiros entrarão na arena em dois coches de gala, com criados de taboa vestindo antigas librés. A praça será ornamentada.

            A corrida será annunciada por charamelleiros, figurando n’ella quatro pagens, neto e dezeseis forcados em dois grupos.

Biblioteca nacional do Brasil

In A NOTICIA, Rio de Janeiro - 16 e 17 de Abril de 1903

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8 DE SETEMBRO DE 1902 - LISBOA: FUNERAL DE GUILHERMINA ADELAIDE ARAUJO, MULHER DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

FUNERAES

            Foi hontem muito concorrido o funeral da ex.ma sr.ª D. Guilhermina Adelaide de Araujo, esposa do distincto cavalleiro tauromachico José Bento de Araujo.

            Além de outras pessoas, vimos ali as seguintes senhoras e cavalheiros:

            D. Maria Izabel de Vasconcellos, D. Julieta Alice de Vasconcellos, D. Dalila Heloise de Vasconcellos, D. Maria do Rosario Santos, D. Adelaide Barbara, D. Anna Oliveira de Carvalho e os srs. Eduardo Augusto de Oliveira, Guilherme de Almeida, Joaquim Gomes Filippe, Caetano José Macieira, (NOTA: O advogado Caetano José Macieira era um capitalista politicamente activo — foi eleito vereador do Partido Progressista em 1902. Era proprietário de armazéns e presidente da Associação Comercial dos Lojistas de Lisboa. Foi ainda um dos quatro fundadores do Coliseu dos Recreios, em Lisboa.), Antonio de Carvalho, Joaquim dos Santos Brito (NOTA: Joaquim dos Santos Brito era um abastado negociante e proprietário de Lisboa), Victor Carlos Martins, João Bastos Junior, D. José Manuel da Cunha Menezes (NOTA: A presença dos irmãos Dom José Manuel da Cunha Menezes e Ruy da Cunha e Menezes no cortejo ilustram o respeito da nobreza de sangue tradicional pelo cavaleiro e a sua família — “Dom” não significava, aliás, qualquer demonstração de cortesia por parte do diário O SÉCULO, mas o reconhecimento formal do estatuto de nobreza de sangue —  e das patentes militares.), Silvestre Calabaça, (NOTA: Silvestre Calabaça era  um dos mais reputados bandarilheiros portugueses do último quartel do século XIX e início do XX.), Humberto Frederico de Vasconcellos, Antonio Pereira, João da Silva Aranha, Pedro Paulo José de Mello (Taveiro) (NOTA: Os irmãos Pedro Paulo José de Mello (Taveiro) e Antonio Vasco José de Mello (Taveiro) eram filhos de Antonio José de Mello e Silva Cesar de Menezes, 1.º Visconde de Taveiro e 1.º Conde de Santar, um dos grandes proprietários e lavradores de Portugal. Eram amigos do cavaleiro José Bento de Araujo, criadores de gado e seleccionadores do cavalo lusitano para a lide tauromáquica.  Pedro Paulo José era o filho mais velho. Era uma das figuras cultas e elegantes da sociedade lisboeta e restaurador da famosa Quinta dos Azulejos, no Lumiar. O facto de os dois irmãos segurarem os cordões do pano mortuário representava  uma homenagem pública e “o mais alto selo de dignidade que a aristocracia de sangue de Lisboa podia conferir” à falecida e aos seus familiares.), Frederico Augusto de Carvalho, Antonio Vasco José de Mello (Taveiro), Ernesto Desforges (NOTA: Engenheiro e empresário — foi, aliás, um dos três fundadores do Teatro Avenida, gestor do Casino Lisbonense, no Chiado —, e autor de peças de teatro.), Augusto Pinto de Araujo (NOTA: Guitarrista de fado conhecido por “O Camões”. Tirou a guitarra portuguesa e o fado das tabernas dos bairros históricos de Lisboa e iniciou a sua profissionalização. Foi um dos fundadores do célebre Sexteto de Guitarrras de João Maria dos Anjos, criado na década de 1870 com quatro guitarras e duas violas.), Leopoldino José Caetano da Silva, A. de Pereira Bastos, Joaquim Henriques Pinto, José Baptista Ribeiro, J. Gomes Filippe, Ruy da Cunha e Menezes, Benedicto Roiza da Silva, Alfredo Ernesto da Silva, etc.

            Pegando às borlas organisaram-se differentes turnos.

            Dirigiu o funeral o sr. Guilherme Augusto de Almeida, amigo intimo de José Bento (de Araujo). (NOTA: Guilherme Augusto de Almeida era amigo e conselheiro do cavaleiro, apoderado e negociante.)


Cemitério Oriental (Alto de S. João) - Este jazigo por onde passou o cavaleiro José Bento de Araujo está neste estado e o munícipio nada faz há anos. 
No comments...
FOTO:  ©  Rui Araujo

            A fallecida ficou depositada n’um jazigo do cemiterio Oriental.

            Que descance em paz a desditosa senhora.

In O SÉCULO, Lisboa - 9 de Setembro de 1902

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7 DE SETEMBRO DE 1902 - LISBOA: A MULHER DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO FALECE DURANTE UMA OPERAÇÃO CIRÚRGICA


 

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

NECROLOGIA

            Em um quarto particular do Hospital Estephania, finou-se no sabbado (NOTA: Domingo, 7 de Setembro de 1902!), pelas 11 horas da manhã a sr.ª D. Guilhermina (Adelaide) Salreta Araujo, irmã dos nossos amigos srs. Antonio Affonso Salreta e Caetano Affonso Salreta (NOTA: A família Salreta, estebelecida na zona de Belém tinha raízes na região de Olhão e Ferragudo. O irmão mais velho, Antonio, nasceu em 1866 e Caetano em 1875.), a quem enviamos os nossos pezames.

            O funeral realisa-se hoje (8 de Setembro de 1902) pelas 12 horas do dia, sahindo o prestito da capella d’aquelle hospital para o cemiterio Oriental (NOTA: Alto de S. João, Lisboa).

Cemitério de Lisboa Oriental - Alto de São João. 
O cavaleiro e a esposa foram aí sepultados em jazigos.
FOTO: © Rui Araujo

(...)

José Bento de Araujo

            Este distincto cavalleiro tauromachico, que realisou hontem a sua festa artistica na praça de Algés, ao terminar a lide do 5.º touro da corrida, recebeu ali a desagradavel noticia de que acabava de fallecer sua esposa.

            O estimavel artista ficou inconsolavel, como é de calcular.

            O funeral da desditosa senhora realisa-se hoje, ao meio dia, saindo o prestito funebre do hospital Estephania, onde a esposa de José Bento (de Araujo) tinha recolhido para realisar uma operação bastante delicada e que lhe causou a morte.

            Ao sympathico artista os nossos sentidos pesames pelo desgosto que acaba de soffrer.


In O SÉCULO, Lisboa - 8 de Setembro de 1902

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7 DE SETEMBRO DE 1902 - ALGÉS: O DIA EM QUE O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO PERDE A MULHER...


 

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

Touradas

            Realisa se hoje ás 4 horas da tarde, na praça d’Algés, uma attrahente corrida de touros, em que tomam parte, entre outros artistas distinctos, o espada Emilio Torres, Bombita, e os cavalleiros José Bento (de Araujo), Simões Serra, (José) Luiz Bento e Adão.

            São corridos touros do sr. Estevam.

            O programma é o seguinte: 1.º touro para José Bento (de Araujo); 2.º para S. Calabaça e José Martins; 3.º para C. Gonçalves e T. da Rocha; 4.º para Rodas e Pulguita; 5.º para José Luiz Bento; 6.º para Simões Serra; 7.º para Pulguita e Rodas; 8.º apresentação do Capirote; 9.º para Fernando Adão; 10.º para F. Cruz e José Costa.

In O SÉCULO, Lisboa - 7 de Setembro de 1902

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7 DE SETEMBRO DE 1902 - ALGÉS: TRAGÉDIA NA PRAÇA DE TOUROS...


Arquivo nacional da Torre do Tombo, Lisboa

A grande festa d’ámanhã na praça de Algés

            Ámanhã em Algés a grande festa de José Bento (de Araujo). A corrida mais notavel dos ultimos tempos. Admiravel curro de Estevão d’Oliveira; o surprehendente phenomeno, o celebre touro Capirote; o grande Bombita 1.º; os insignes cavalleiros José Bento (de Araujo), Serra, Luiz Bento e Alão (NOTA: Adão); bons bandarilheiros portuguezes e hespanhoes; valente grupo de forcados; direcção do distincto aificionado Jayme Henriques.

            Applausos, ovações, enthusiasmo delirante. Os famosos touros estão hoje em exposição.

In O SÉCULO, Lisboa - 6 de Setembro de 1902

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27 DE JANEIRO DE 1907 - RIO DE JANEIRO: UMA BOA CORRIDA DE CARNAVAL...

 

Biblioteca nacional do Brasil

TAUROMACHIA

            A tourada de hontem reuniu muita gente no redondel do Campo de Marte.

            Ha muito que não viamos ali tanta gente. Estavam cheias todas as dependencias da praça. Occupados todos os camarotes, apinhada a sombra, repleto o sol, atochadas as cadeiras e abarrotadas as escadas, sendo difficultada a passagem.

            É que fazia beneficio o cavalleiro José Bento (de Araujo), que conta muitos amigos.

Antes da tourada José Bento (de Araujo) e mais membros da cuadrilla, tomaram parte em uma passeata do Club Tenentes do Diabo, seguindo o prestito para o redondel, depois de percorridas varias ruas.

            A tourada foi á antiga portugueza. Representaram-se todos os elementos para lembrar o toureio das das espocas passadas.

            Ao José Bento (de Araujo) couberam o 4º e 7º touros. Com aquelle, o seu serviço não agradou. Só applicou bem um ferro, tendo consentido que o seu animal fosse constantemente beijado pelo cornupeto.

            Com o 7º touro houve-se melhor, applicando bons ferros largos e excellentes curtos, e merecendo os applausos recebidos.

            Simões Serra e Nobre Infante fizeram binito trabalho com o 1º touro, mas foram infelizes com o 5º.

            Um cavalleiro amador, que figurou sob o nome de Arthur Lemos, em signal naturalmente de homenagem ao deputado paraense, deu constantes esbarros na arte, mas revelou coragem, podendo dar sorte com uma conveniente aprendizagem.

            Alexandre Vieira, Alfredo Santos, Segurita, Machaquito, Luiz Canario e Pinheiro, concorreram com os seus esforços para o brilho da tourada.

            Houve duas pegas regulares: uma pelo Lisboa, outra pela Pouca Roupa.

            O Russo, ao tentar uma pega da costas no 3º bicho, foi desfeiteado, sendo rijamente colhido. Retirado em braços, voltou mais tarde á trincheira.

            Duas bandas de musica abrilhantaram a festa. O ruido de sua(s) peças, o toque dos clarins e a algazarra dos Tenentes, davam nota especial ao divertimento.

            — Foi uma tourada regular, disse o Camarão, que lá estava firme, como afficcionado cathedratico.

            Foi uma boa tourada, dizemos nós, si attendermos ao trabalho da cuadrilla, á qualidade do curro, o melhor que se podia obter no fim da temporada, e á numerosa e selecta concorrencia, representada pelos afficcionados, anacletos e pelo bello sexo, resplendente em graça, belleza e elegancia de toilettes.

Frascuelo

In O SECULO, Rio de janeiro - 28 de Janeiro de 1907

1 DE SETEMBRO DE 1901 - RIO DE JANEIRO: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO A CAMINHO DE BELÉM (PARÁ), MONTEVIDEU (URUGUAI) E BUENOS AIRES (ARGENTINA) NO DIA 13 DE AGOSTO DE 1901


 

TAUROMACHIA

            Bello dia o de hontem para touradas. Como todos os domingos de Agosto, este que abriu o primaveril setembro teve tambem uma manhã brumosa e humida; mas para a tarde o sol brilhou francamente, e a hora do inicio da tourada foi clara a linda.

            Como a corrida era dedicada ao Sport Nautico Brasileiro, havia dous caamrotes, ornados de colchas e bandeiras, onde se achavam representantes dos varios clubs da regatas.

            Não occupados nem metade dos camarotes da vasta praça; mas, nos que estavam cheios, viam-se bellas e elegantes senhoras.

            Certo que a frequencia ás touradas tem diminuido, n’estas ultimas; mas o enthusiasmo dos aficionados indefectiveis não arrefeceu. E hontem foi mesmo uma das tardes mais barulhentas d’esta época.

            Houve um momento em que uma parte do publico se portou até inconvenientemente, chegando uns tres ou quatro individuos á brutalidade de atirar garrafas á arena. A policia não póde nem deve consentir semelhante desacato, que póde pôe em perigo os artistas que alli vão trabalhar para divertir a maioria do publico, que abomina taes actos de estupidez e selvageria.

            As touradas agora, quasi sem artistas e com o gado muito corrido, pois cada touro tem pelo menos quatro praças, não podem ser boas. O publico indignou-se porque os moços de forcado não conseguiram effectuar uma pèga de cernelha. São cousas que acontecem. Os cabrestos não são educados e o touro escoiceava como um cavallo: quem se lhe approximava ia á terra. A intelligencia, com uma energia que ainda não lhe tinhamos visto mandou recolher a fera, e o publico não gostou: d’ahi o barulho, que perturbou a lide de Rufino (de Oliveira) no terceiro touro, que era offerecida a todos os patricios do esperançoso bandarilheiro, que é paraense.

            Emfim, parece que tudo vai em breve melhorar, porque, segundo nos disse hontem pessoa bem informada, a empreza vai dar só mais uma corrida, dedicada ás escolas superiores d’esta capital, e em seguida suspenderá os seus trabalhos até que cheguem os novos touros e os novos artistas que mandou vir.

            Como attractivo, consta-nos que ainda n’esta época teremos de admirar... uma cavalleira.

            Já vimos d’isso n’uma praça de provincia e, francamente, não gostámos...

            Emfim, o que todos nós, aficionados e criticos, devemos implorar a Jupiter (foi transformado em touro que ele arrebatou a linda Europa) é que esta cavalleira toreie um pouco melhor do que aquellas celebres bandarilheiras que ha tres annos, as miseras! andaram beijando o pó d’esta mesma praça, como se nada mais houvera n’este mundo que beijar.

            Os progressos do feminismo ainda não deram, e quiçá não darão nunca, á mulher a agilidade e a robustez do homem. E dóe as almas delicadas, e é ante-esthico e consternador  ver-se uma mulher mettida em bombachas, citar uma vez em falsete e rolar em seguida na terra dura da praça, com um touro em cima ás cornadas, ignobilmente  machucada e suja. Não; touros com mulheres, só quando elles tiverem aprendido com o pae dos deuses a lamber o pé formoso da filha de Agenor, como no quadro do Veronezo. Tudo mais será brutalidade. É verdade que, no caso da picadora, entre ella e o touro estará o cavallo, que é animal nobre, capaz de defender a sua dama.

            Mas vamos á resenha da tourada de hontem, que já não é sem tempo:

            Antes de sahir o 1º touro, e logo depois das cortezias, Adelino Raposo, montado no seu ginete de toureio, dirigindo-se aos camarotes adornados, brindou «pelos briosos rapazes que ganharam o premio do campeonato de 1901» (tomámos em tachygraphia; é para que saibam!).


O cavaleiro tauromáquico Adelino de Senna Raposo no Brasil
FOTO: DR (Tratada por IA)

            O touro que lhe coube, como aliás todos os outros agora, não lhe permittio a sorte á sahida; mas dos sete ferros que elle cravou, tres foram muito bons, dous largos á meia volta e um curto á estribeira; teve um á garupa muito mal, que o obrigou a ir mudar de cavallo, trocando o castanho pelo russo, que é um artista, — e outro a tira, curto, pessimo.

            Devemos, todavia, dizer que no estado de sabedoria em que está o curro, mal se póde apreciar a arte dos toureiros, de pé ou de cavallo, e que é muito louvavel o esforço que se lhes nota para rematar limpamente as sortes. Porque o publico, já conhecedor, assim pensa como nós, é que applaude ás vezes o artista que apparentemente não mereceu applausos.

            O 2º touro foi enfeitado por José dos Santos, com dous bellos pares de bandarilhas a quarteio e á meia volta. É este o artista que tem, n’esta época, trabalhado com mais consciencia e limpeza.

            Faculdades tambem prendeu dous pares e meio n’este bicho, sendo um bom.

            Já dissemos acima que falhou a pèga de cernelha.

            Ao sahir o 3º touro, Cortez, que já fizera o mesmo com os outros dous, collocado á esquerda da sahida com o capote, cortou a sorte de gaiola a Rufino de Oliveira, o Paraense, que depois só conseguio prender bem um par a sesgo.

            Depois da passada de capa por Faculdades, muito mal, como sempre, os forcados tentaram em vão pegar esta rez. Houve muito trambulhão, e por fim a fera, enraivada, andou a passear por cima de um dos homens que cahira resupino (NOTA: "resupino" ou de costas), sem que houvesse meio de quitar o touro a capote; então Faculdades, talvez porque a consciencia lhe doeu, foi rabejal-o, conseguindo livrar o pobre diabo de tão critica situação. O publico fez-lhe uma ovação.

            O 4º touro sahio para o novel cavalleiro Evaristo Raposo. Rufino (de Oliveira), que se preparou para o salto de garrocha, não conseguio dal-o, porque a fera não arrancou. O cavalleiro cravou seis ferros. Mas não lhe deviam permittir mais de tres, com tal gado, pois do terceiro em diante o seu trabalho deixa de luzir. Os tres primeiros, todos à meia volta, foram limpos, e n’elles o joven cavalleiro ainda d’esta vez revellou boas, excellentes qualidades para o toureio.

            O 5º touro foi esperado por Cortez, que mal se ageitou com elle, não conseguindo pôr senão meios pares. Gordito poz um bom par, quarteando muito cingido. Depois nada mais fez.

            Passado mal por Faculdades, cuspio este touro nada menos de tres homens que successivamente lhe cahiram entre as hastes. O dia não foi para pégas. Os bois, mal passados de capote, ensarilham muito e ficam com pernas para furiosos derrotes em que é difficillimo acompanhal-os.

            Adelino Raposo offereceu a lide do 6º touro ao Sport Nautico, e foi esperal-o á sahida para fazer a sorte, do «toreio moderno», de garupa á gaiola. Mas o touro, que era dos antigos, não se prestou á modernice e enconchou. (NOTA: escondeu-se ou recuou ou se colou à barreira.) Foi preciso substituil-o por outro, que tambem se mostou inimigo de innovações. Mas depois o cavalleiro, esforçando-se visivelmente por cumprir o seu dever, collocou-lhe quatro ferros, dous dos quaes muito bem.

            E as festa tauromachica terminou entre applausos animadores. Deviam se ter seguido dous numeros de pantomina e acrobacia, a que não assistimos, por não ser cousa da nossa competencia. — Frascuelo.


O cavaleiro tauromáquico José Bento de Araujo em 1889
Biblioteca nacional de España
(Cartoon tratado por IA)

P.S. — Vimos uma carta escripta de Lisboa pelo José Bento de Araujo (tem feito progressos, o demonio!) a um amigo d’esta capital, participando-lhe que a 13 do mez proximo passado tinha sahido de Lisboa, com destino ao Pará, uma companhia tauromachica organisada por aquelle esforçado e reforçado cavalleiro, com dous artistas de cavallo, dous matadores, cinco bandarilheiros, um grupo de poderosos moços de forcado do Ribatejo e trinta touros portuguezes. Esta cuadrilla seguirá do Pará para Montevidéo e Buenos-Aires, tendo alguns dias de demora no Rio de Janeiro.Ora, que bom se o José Bento (de Araujo)... Não; o melhor, como isto não é para nós, será esperarmos mesmo pelos quatorze touros que nos estão promettidos. — F. (NOTA: "F." de Frascuelo, pseudónimo adoptado pelo jornalista)

Biblioteca nacional do Brasil

In A NOTICIA, Rio de Janeiro - 2 e 3 de Setembro de 1901

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