Biblioteca nacional de Portugal
Tourada
A corrida
que se effectuou no domingo na praça do Campo de Sant’Anna, não agradou aos
poucos espectadores que a ella concorreram.
Os touros,
que pertenciam ao lavrador Manoel da Silva Victorino, sairam mansos, cegos e mal
armados; era um curro em tudo inferior ao que se requer n’aquella praça.
O espada
Chicorro nada pouede fazer com similhante gado.
Como todos
sabem, Chicorro, que é um bom espada,
está hoje um pouco cansado, e para poder brilhar é preciso que os touros que
tem de lidar sejam claros e boiantes; de promptas saidas, de modo que o não fatiguem, obrigando-o
a andar a correr de para outro lado da praça.
O bandarilheiro
hespanhol José Cortez, (NOTA: José
Cortés) mostrou por vezes saber da arte, bandarilhando bem, com serenidade e
coragem, e tão cingido que recebeu um embroque
d’uma nas sortes.
O «diestro» bandarilheiro José Cortés
FOTO: Emilio Beauchy - Biblioteca nacional de España (tratada por IA)
Peixinho e
Calabaça, bem como sempre.
O cavalleiro
Casimiro Monteiro esteve feliz nos dois touros que lhe couberam, trabalhando
bem e com sorte, tanto com farpas como com ferros curtos.
O cavalleiro José Bento d’Araujo
só teve um touro no qual poude brilhar.
Ambos os cavalleiros foram muito
applaudidos.
Para tal
curro de touros era escusado terem vindo a Lisboa o espada Chicorro e o
bandarilheiro Cortez. (Cortés)
A direcção
da praça foi boa.
In
DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 27 de Setembro de 1881