Está peior o
campino que foi hontem furado por um boi, na embolação.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 22 de Abril de 1884
—Historia de la Fiesta Brava en España, Portugal, Francia y Brasil -el rejoneador José Bento de Araujo y el arte del toreo a caballo. — L'histoire de la tauromachie en France, Espagne, Portugal et Brésil- le "caballero en plaza" José Bento de Araujo et l'art raffiné de l'équitation. — The History of bullfighting in Portugal. Spain, France and Brazil- José Bento de Araujo, and the refined art of horsemanship. — O cavaleiro José Bento de Araujo e a tauromaquia nos séculos XIX e XX.
Está peior o
campino que foi hontem furado por um boi, na embolação.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 22 de Abril de 1884
Tauromachia
Inaugurou-se hontem a epoca tauromachica, com a primeira das corridas que deve dar a empreza Calhamar Pinto e Silva.
A epoca inaugurou-se com felicidade, olha a expressão pelo lado da arte e da receita, e mal pelas consequencias. Assim foi.
O curro pertencia ao afamado lavrador Emilio Infante e saiu bravissimo. Bastava isto para que a corrida fosse de molde a contentar os amadores; mas accresceu mais o trabalho ser bom, o que completou a festa. Este foi o lado feliz da empreza. E começou mal, porque a primeira diversão tauromachica d’esta epoca custa talvez, se não custou já, a vida de um chefe de familia.
Foi o caso que de manhã, por occasião da embolação, conforme dizemos em uma local em separado, um dos moços foi colhido por um touro — o primeiro que de tarde saiu para o cavalleiro — e, sendo forçado a um recurso, intentou pegar no animal. Este porém, sacudindo o desgraçado campino, metteu-lhe uma das hastes um pouco acima do quadril esquerdo, fazendo-lhe um ferimento profundo. Com a outra haste fez-lhe um ferimento no sobr’olho direito. O pobre homem, chefe de familia numerosa, foi conduzido logo ao hospital de S. José, sendo o seu estado gravissimo. De tarde perdera a falla, e suppunha-se que não escapasse. Eis pois a rasão porque a epoca, comquanto começasse bem, em rasão da braveza do gado, do bom trabalho e da receita, começou mal pelas suas funestas consequencias.
Foi José Bento (de Araujo) o cavalleiro que substituiu (Manoel) Mourisca, que não poude trabalhar por lhe ter adoecido o cavallo.
José Bento (de Araujo) trabalhou muito bem, sobresaindo no seu trabalho a sorte de gaiola no primeiro touro, e o ferro curto á tira terminando de garupa, posto no ultimo touro que lhe pertenceu na segunda parte. Foi muito applaudido.
Roberto da Fonseca e Peixinho muito bem, e os seus quatro collegas, regularmente. Peixinho distinguiu-se tambem, além do trabalho das bandarilhas, em alguns passes de capote, e Roberto da Fonseca no trabalho de muleta no 2.º touro da 2.ª parte. Muito applaudidos e com rasão.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 21 de Abril de 1884
O relato da desgraça foi narrado com honras de primeira página.
Tauromachia
Resumiremos a noticia relativa á tourada de domingo passado, attendendo á falta de espaço com que estamos luctando.
O gado, que pertencia ao novel lavrador o sr. Ignacio do Casal Ribeiro, mostrou valentia.
Sairam alguns touros refractarios ás sorte, mas em geral tinham genio e muito pé.
O gado do sr. Casal Ribeiro estava realmente bem tratado, como se viu no curro de domingo. Pena foi que o lavrador tivesse uma perda importante. Á embolação um toiro matou outro, que foi dado ao asylo.
Do trabalho dos artistas nada temos a dizer em desabono, tanto mais se attendermos a que a primeira corrida de uma epoca é como que o ensaio quer para cavalleiros ou bandarilheiros. A concorrencia foi grande.
No proximo domingo (15 de abril) realisa-se a segunda corrida, sendo o gado do sr. Vaz Monteiro, lavrador dos mais afamados.
Trabalham os melhores capinhas, e são
cavalleiros Casimiro Monteiro e José Bento (de Araujo).
IN DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 11 de Abril de 1883
Tourada em Almada
A que se effectuou no dia de S. João em Almada, foi realmente de agradar. O gado era bravissimo e dos nove bois para pé, não houve um só a regeitar!
José Bento (de Araujo) lidou o primeiro com arte, que era um animal admiravelmente bravo, e o ultimo — com bastante arrojo — pois o bicho era para respeitar pelo saber e posses! Os artistas de pé — trabalharam muito bem, sobresahindo Peixinho.
Tiveram todos muitas chamadas e applausos, bem como José Bento (de Araujo). O lavrador teve uma chamada especial e foi muito victoriado pelo bello curro de touros que apresentou. A direcção da corrida foi boa. Dirigiu Bottas.
O publico sahiu muito satisfeito, pois nada houve que deslustrasse aquella bella funcção!
Oxalá o emprezario consiga outro tanto para a tourada d’agosto no dia dos sete sirios.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 28 de Junho de 1884
DIVERSAS NOTAS
— Por occasião da tourada de hontem, na praça do Campo de Marte, os artistas da quadrilha tauromachica tendo á sua frente os cavalleiros José Bento de Araujo, o Morgado de Covas, (NOTA: Morgado de Covas chamava-se Francisco de Lima da Costa Barreira. Era natural de Vila Nova de Cerveira. Nasceu no dia 8 de Maio de 1873 e faleceu a 14 de Março de 1920. A sua alternativa ocorreu na tarde de 17 de Julho de 1904, em Lisboa. Abandonou a lide no dia 9 de Outubro de 1919 depois de uma corrida na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa) Simões Serra e a matadora Maria Salomé, la Reverte, deram uma volta ao redondel pedindo em favor da familia do reporter Francisco Valente. (NOTA: Francisco Valente (1876–1906), repórter do Jornal do Brasil, falecera na semana anterior (21 de Janeiro de 1906) no naufrágio do Couraçado Aquidabã. O navio estava fundeado na Baía de Jacuecanga, em Angra dos Reis, quando o paiol de munições explodiu por razões nunca esclarecidas. O couraçado afundou-se rapidamente. Morreram mais de 100 pessoas, incluindo oficiais. O falecimento do jornalista suscitou homenagens e até composições musicais.)
MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

O couraçado brasileiro Aquidabá.
A collecta rendeu 797$760, que foi entregue aos collegas do fallecido para a encaminharem á viuva.
María Salomé Rodríguez
Tripiana, «La Reverte» ou Agustín Rodríguez Tripiana (nome adoptado depois de 1908).
Os maiores totaes de esportulas foram recolhidas pela toureira Maria Salomé e pelo cavalleiro Simões Serra, que hontem não toureou e que se prestou do melhor grado a collaborar no generoso acto.
In JORNAL DO COMMERCIO, Rio de Janeiro - 29 de Janeiro de 1906
Cartaxo
Alerta! grita-vos d’aqui Pedro d’Oliveira; é no dia 20 do corrente o meu beneficio na praça de touros d’esta mui linda e alegre villa, todos que comprardes bilhetes podeis vir. Escutae o programma: touros da Quinta d’Otta, cavalleiro o denodado José Bento d’Araujo, capinhas Sancho, Calabaça, Botas e José dos Santos, forcados, rapazes valentes e destemidos, musica a da minha terra, espectadores os que annuirem ao meu convite.
NOTA
Pedro d’Oliveira era um destemido Cabo de forcados. A sua especialidade era a pega de caras.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 8 de Julho de 1879
BRINDES E SAUDAÇÕES
Recebemos mais cartas e cartões de felicitações: (...)
; do cavalleiro tauromachico José Bento de Araujo;
In O SECULO, Rio de Janeiro - 4 de Janeiro de 1907
Revista tauromachica
Realisou-se hontem a corrida em beneficio de Francisco Carlos Batalha.
O gado saiu bom; era fino e bravo; póde dizer-se que o curro de hontem é o melhor dos que teem apparecido n’esta epoca.
Foram cavalleiros (Manoel) Mourisca, (José) Bento de Araujo, José e Antonio Monteiro.
(Manoel) Mourisca foi o que mais sobresaiu; os ferros que empegou, foram todos postos com arte, e por isso não lhe faltaram applausos. (José) Bento de Araujo arrojado como sempre. José (Casimiro) Monteiro diligenciou agradar, e Antonio Monteiro, teve maus touros, mas andou bem.
Todos os cavalleiros foram offerecer, quando lhes tocava a vez de entrar no torneio, a sorte de gaiola a (Francisco Carlos) Batalha.
O trabalho dos bandarilheiros foi bom, especialmente o de Vicente Roberto, Roberto da Fonseca, Peixinho e Pontes.
O trabalho das capas agradou.
No intervallo foi chamado o beneficiado, e os srs. Carlos Marques e Guerra, sendo todos victoriados.
(Francisco Carlos) Batalha foi brindado, por essa occasião com ramos de flores offerecidos pelos cavalleiros. O enthusiasmo era grande.
Quasi no fim do torneio foi chamado o lavrador, que não appareceu porque não se achava na praça. Veiu em seu logar o abegão José Jaleco.
A corrida foi regular, saindo o publico satisfeito.
A direcção foi boa.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 22 de Agosto de 1879
TAUROMACHIA
Realisa-se amanhã, no Campo de Marte, mais uma tourada da empreza dirigida pelo José Bento (de Araujo).
Si as primeiras funcções não estiveram boas, e mereceram justas censuras a ultima tourada, effectuada a 21, correo de modo a merecer applausos.
O José Bento (de Araujo), o Simão Serra, este nos ferros curtos, o Machaquito, Segurita, Santos e outros deram um trabalho apreciavel.
Mantenha a
empreza as suas touradas na altura da de domingo e não regatearemos elogios,
com a mesma franqueza com que censuramos o que não presta.
In O SECULO. Rio de Janeiro - 27 de Outubro de 1906
PRAÇA DE TOUROS
EM
VILLA FRANCA DE XIRA
Domingo e segunda feira 6 de outubro de 1884
Por occasião da grande festa annual
Duas esplendidas e apparatosas corridas de touros em beneficio do cofre da Associação dos Bombeiros Voluntarios da mesma Villa
Os 8 touros são generosamente offerecidos pelos opulentos lavradores os srs.: Commendador Paulino da Cunha e Silva, dr. Ignacio do Casal Ribeiro, José Pereira Palha Blanco, Emygdio Infante da Cama, Carlos Augusto marques, Antonio José da Silva, Antonio da Costa Coelho, Antonio José Tavares e Roberto & Irmão.
CAVALLEIROS — O distincto amador Alfredo Tinoco da Silva, o applaudido amador Victorino Froes e o eximio artista José Bento d’Araujo.
BANDARILHEIROS — Sancho, Calabaça, Salau, A. Monteiro, Laureano, José Maria da Costa e J. dos Santos.
Ha comboios que partem de Lisboa ás 8 e 11 horas da manhã, regressando ás 7 ½ da noite, com bilhetes de ida e volta a preços reduzidos.
Dias de grande divertimento : : Touros! Grande feira : Bazar : : etc. etc.
A Villa Franca amadores!¡
Companhia Real Promotora da Agricultura Portugueza
Escriptorio PROVISORIO — 4 A 7 — Largo do Conde Barão — 1.º andar.
Os directores
J. V. Mendes Guerreiro,
Julio Augusto Ferraz.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 4 de Outubro de 1884
A
corrida de touros, hoje, na praça do campo de Sant’Anna, é desempenhada por
curiosos.
Cavalleiros os srs. José Antonio Rodrigues
e José Bento de Araujo.
Capinhas
os srs. Francisco Antonio Dias Loureiro, Rodrigo Maria Monteiro, Augusto Diocleciano
Pinto Araujo, Antonio Lauriano, Augusto Maria Monteir, Carlos Alberto de Lima
Niza, Francisco C. Ajú.
Forcados
os srs. Ernesto Jorge de Carvalho, Antonio Martinho Ribeir, Julio Augusto Pinto
de Barros, Francisco Augusto Lêras, José Joaquim Fernandes Souto, José Antonio Rendeiro,
João Lopes Pereira e Silva, Antonio Arnau da Costa Pereira, Manuel Martins.
Abegão
o sr. Antonio Augusto Côrte Real.
Campinos
os srs. Eduardo Anastacio Geraldo Lopes, Antonio Joaquim de Oliveira, Guilherme
Gomes, José Antonio Pinheiro.
Andarilhos
os srs. Manuel de Sousa e Augusto Antonio Silva.
Os
touros pertencem ao sr. José Ferreira Roquette.
Não
faltam pois estimulos para que o espectculo seja concorridissimo.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 12 de Setembro de 1875
Tourada em Estremoz
José Bento d'Araujo, o estimado cavalleiro tauromachico e actual emprezario da praça de Estremoz, não se tem poupado a sacrificios para que a corrida que ali se deve realisar amanhã, seja uma das melhores, senão a melhor, que se tem dado n’aquella praça.
Para levar a effeito o seu intento contratou os nossos primeiros bandarilheiros os eximios irmãos Robertos, seu sobrinho João Roberto, José da Costa, etc.
O distincto curioso, o sr. Fiuza Guião, em obsequio a José Bento (de Araujo), presta-se a tourear a cavallo, um dos touros da corrida.
Contamos que haverá um intervallo que muito deve agradar, além do intervallo ha tambem premios, etc., etc.
O sr. Matta, dono do curro exforçou-se o melhor que poude para que os seus touros esforçou-se satisfaçam os amadores.
Além de tudo isto accresse a circumstancia de ser dia da feira annual
Com todos
estes attractivos quem deixará de ir a Estremoz gozar (gosar) a feira, umas das
melhores do Alemtejo, e gosar tambem uma explendida corrida de touros.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 24 de Julho de 1884
A tourada de hontem, a setima da presente temporada, realizou-se com grande concorrencia, em contraste com a vasante da ultima funcção.
Para justificar a deserção dos aficionados não é preciso mais do que citar o fiasco das quatro primeiras diversões, tendo como consequencia o abandono do redondel do campo de Marte, justamente nas duas ultimas touradas, quando o trabalho correu um pouco melhor.
Para explicar a enchente de hontem, basta lembrar que era a estréa de Clotilde Mejstrik, (NOTA: A “amazona” Clotilde de Mejstrik, grafada nos cartazes e na imprensa da época como “Madame Clotilde de Maestrick”, “Mayestrick” ou “Majestrick”, participou, designadamente, em corridas nas praças portuguesas (Lisboa, Porto, etc.) e nos circos taurinos do Brasil (Rio de Janeiro, Porto Alegre, etc.). A cavaleira pertencia a uma família de artistas de circo e equitação, que criou, por exemplo, o Circo Mejstrik que marcou no início do século XX presença na Feira de Alcântara, em Lisboa.) cavalleira precedida de fama, com grande tirocinio nas praças de Portugal.
A sombra poucos claros apresentava. O sol quasi cheio. As cadeiras regularmente occupadas. Alguns camarotes tomados, principalmente os da sombra.
Em uma resenha rapida como esta não se deve entrar em detalhes. Vão, pois, rapidas notas sobre o occorrido.
A estréante agradou. Não é elegante, já vae adeantada em annos, não é bonita figura sobre o animal, mas trabalha bem, com calma, embora estivesse com a natural emoção da estréa. O touro que lhe deram, o 3º, não era dos melhores. Peor que elle só o 2º. Clotilde entretanto fez a lide de modo a merecer applausos, collocando todos os quatro ferros á meia volta, o ultimo curto, o que provocou estrondosa e merecida ovação. É uma excellente acquisição esta que a empreza acaba de fazer. Assim o entendeu o publico, que a chamou ao redondel, applaudindo-a calorosamente, bem como a toda a cuadrilla.
As honras do dia couberam ao (Francisco) Simões Serra, o modesto e correcto cavalleiro. Excepção de um cochilo ao lidar o 1º touro, representado por um ferro mal cravado na espadua, todo o seu trabalho foi optimo, cravando bons ferros largos, e excellentes curtos, estes principalmente. Depois dos saudosos (Alfredo) Tinoco, Fernando de Oliveira e Albano Custodio, é o Serra, em nossa humilde opinião, o melhor cavalleiro que tem trabalhado em nossas praças. Sem reclamos, sem espalhafato, vae correctamente dando conta de seu recado.
Zé Bento (José Bento de Araujo) esteve infeliz. Montado em um bello cavallo negro, novo na praça, não conseguiu despertar o enthusiasmo que de outras vezes tem provocado. Falharam-lhe varios ferros.
Alexandre Vieira, Alfredo Santos e Canario comportaram-se magnificamente e mereceram os applausos recebidos. O segundo, depois de enxovalhado pelo touro, applicou cinco bons pares de ferros de castigo.
Segurita sempre na linha, applaudido e festejado.
Machaquito esteve sem sorte. Foi logo emborcado e volteado. Depois de desfeiteado tentou metter novos ferros, mas foi de novo colhido.
O intelligente, que póde entender de tudo menos daquilo, deu o signal para a péga, não reparando que o bicho estava sem o castigo sufficiente. O resultado foi que os forcados nada conseguiram, sendo o Russo e o Pouca Roupa violentamente volteados.
Pela corrida de hontem, se conclue que não faltam elementos para o successo da empreza: os touros são bons, a cuadrilla é magnifica. O que falta é direcção.
O Zé Bento (José Bento de Araujo) que tenha calma e applique os seus conhecimentos, que não são poucos.
Em resumo: a tourada de hontem foi boa, apesar de alguns senões.
Teve uma feliz estréa, excellentes lides, colhidas sem desastres a lamentar, enchente, enthusiasmo, sol, moscas e o Camarão, nos eternos protestos e nas calorosas reclamações.
Frascuelo
In O SECULO, Rio de Janeiro - 5 de Novembro de 1906