PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA
Domingo 12 de agosto de 1883
FESTA ARTISTICA DO CAVALLEIRO
José Maria Casimiro Monteiro
Grande corrida
13 TOUROS
Pertencentes ao afamado lavrador
EMILIO INFANTE
Que os garante como especialidade, sendo os destinados aos cavalleiros já conhecidos pela sua extraordinaria bravura e valentes, como deram provas na tarde de 29 de junho, em que derribaram o beneficiado impossibilitando-o de trabalhar até hoje.
Trabalham 5 cavalleiros: Manuel Mourisca Junior, Antonio Monteiro, José Bento (de Araujo) e o beneficiado, e um distincto amador, por obsequio. Continuando as melhoras, deverão reapparecer n’esta tarde os insignes e laureados bandarilheiros irmãos Robertos. Trabalham os principaes bandarilheiros portuguezes. Grande novidade! Brilhante lide! Cavalleiros e bandarilheiros meninos! que apresentarão corajosos trabalhos. Um dos touros da corrida será bandarilhado pelo beneficiado! Os touros pertencentes ao cavalleiros, serão recolhidos pelos campinos a cavallo. O beneficiado contractou para trabalhar n’esta tarde os applaudidos pinauds-tauromachicos, que tanto agradaram na tarde de 29 de julho, e no dia 5 d’este mez na Alhandra; estes diabolicos artistas executarão o salto de vara, sorte de cadeira, e todas as mais sortes que a arte indica.
Camarotes,
cadeiras e bilhetes de trincheira á venda na tabacaria Climaco, 71, e R.
Augusta, 210.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 7 de Agosto de 1883
NOTA
Os Irmãos Pinaud eram acrobatas famosos, à semelhança
dos Hanlon-Lees.
Faziam
faziam saltos acrobáticos por cima dos touros, habilidades de equilíbrio e
rábulas cómicas na arena, misturando a "ciência do movimento" com o
humor estrambótico.
Em
Portugal, a década de 1880 foi o auge da vinda dos grupos circenses e
companhias de ginastas estrangeiras, que frequentemente se apresentavam
no Real Coliseu de Lisboa (na Rua da Palma) ou no Teatro
Circo Price. (NOTA: Há informação sobre a família
Price nos meus livros sobre espionagem em Portugal durante a Segunda Guerra: “O
diário Secreto que Salazar não leu” e “O império dos espiões”)
O
termo "Pinauds" tornou-se tão popular que era usado (incluindo nos títulos das peças de teatro) como metáfora satírica para descrever as manobras,
"cambalhotas" e a falta de lógica dos políticos.
Mais detalhes aqui:



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