15 DE JULHO DE 1909 – LISBOA: PRIMEIRA CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM GRANDES TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL, INCLUINDO OS CAVALEIROS MORGADO DE COVAS E JOSÉ BENTO DE ARAÚJO

 
Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

            A corrida nocturna — O programma completo da grande corrida de ámanhã, quinta feira á noite é o seguinte: Lidam-se dez magnificos touros pertencentes á ganaderia cada vez mais acreditada dos srs. Roberto & Roberto, de Salvaterra de Magos, touros que de ha muito estão apartados para a inauguração das corridas nocturnas. Tomam parte na corrida: o notavel matador de touros Regaterin (NOTA: Antonio Boto Recatero, 1876-1938) e seu irmão, o não menos notavel bandarilheiro e matador de novilhos Regaterin-Chico; o estimado e applaudido José Moyano; os nossos distinctos bandarilheiros Jorge Cadete, Manuel dos Santos, Ribeiro Thomé, Alexandre Vieira e Alfredo Santos. O toureio a cavallo está a cargo dos festejados cavalleiros José Bento (de Araujo) e Morgado de Covas.

            Regaterin vem de Pamplona em cujas corridas alcançou grandes triumphos. Na terceira corrida tirou uns lances de capa no 2.º touro, verdadeiramente classicos, e no momento supremo deu quatro passes de muleta com os pés cravados no solo e rematou com um volapié monumental, que lhe valeu uma grande ovação e a orelha.


Antonio Boto Recatero, Regaterín (Madrid,1876 – Barcelona,1938)
FOTO: Villa de Arbeteta, Espanha (com IA)

            A illuminação da praça do Campo Pequeno vae ser um verdadeiro deslumbramento.

            Ás 8,27 sae da estação do Rocio um comboio para o Campo Pequeno, custando a passagem 50 réis em 2.ª classe e 40 na 3.ª


Jornal «VANGUARDA»
Biblioteca nacional de Portugal

In VANGUARDA, Lisboa – 14 de Julho de 1909

NOTA

Mais informação sobre Regaterín aqui:

https://historia-hispanica.rah.es/biografias/7922-antonio-boto-recatero

https://villadearbeteta.es/2025/03/07/el-torero-regaterin-y-arbeteta/

28 DE JULHO DE 1889 – PORTO: ANÚNCIO DA CORRIDA DE INAUGURAÇÃO DO COLYSEU PORTUENSE COM OS CAVALEIROS JOSÉ MARIA CASIMIRO MONTEIRO E JOSÉ BENTO DE ARAÚJO E MAIS ARTISTAS DE PORTUGAL E DE ESPANHA

 
 

          Biblioteca de Assuntos Portuenses

INAUGURAÇÃO

DO

COLYSEU PORTUENSE

DOMINGO, 28 DE JULHO DE 1889

ESPLENDIDA CORRIDA

DE

10 TOUROS 10

Escolhidos ha muito para este dia, e pertencentes ao abastado ganadero

o Ex.mo Snr. Commendador CARLOS AUGUSTO MARQUES

            Ás 4 horas e ¾ da tarde começará este espectaculo, entrando na arena um LUZIDO CORTEJO composto dos arrojados e aplaudidos cavalleiros J. M. Casimiro Monteiro e José Bento d’Araujo e dos aplaudidos bandarilheiros portugueres  e hespanhoes Roberto da Fonseca, João da Cruz Calabaça, João do Rio Sancho, João Roberto, Vicente Mendes (El Pescadero), Rafael Santos (Santilho), José dos Santos e José da Costa.

            Depois de effectuadas as cortezias do estylo dar-se-ha principio á lide, debaixo da direcção do conhecido intelligente que foi da extincta praça do Campo de Sant’Anna em Lisboa, Manoel Botas.

            Um valente grupo de homens de forcado da Gollegá e Riacho farão as pegas que o intelligente lhes ordenar.

            Este programma poderá ser alterado por qualquer motivo imprevisto.

            A banda dos Bombeiros Voluntarios do Porto executará antes e durante a corrida as melhores peças do seu vasto reportorio.

            Preços: Camarotes de sombra, 4$500; Sol, 3$000; Tribuna, 1$200; Fauteuils, 1$000; Balcão-sombra, 700; Balcão-sol, 350; Sombra, 600; Sol, 300 reis.


NOTA

            Eis a história do Colyseu Portuense. Foi inicialmente contada por António da Torre nas páginas de «O Tripeiro» (Série 3, Ano 1, nº 21 (1926), p. 329-331).

            O texto narra o passado desta sala de espectáculos que funcionou no Porto entre 1889 e 1895, focando-se nas licenças para actividades tauromáquicas, equestres e de ginástica.

            Das praças de touros que teve o Porto, quando nós nascemos já tudo tinha desapparecido. Sabiamos, por termos ouvido contar a pessoas de idade, que tinha havido primeiro n'esta cidade uma pequena praça de madeira na Rotunda da Boavista e outra no largo da Aguardente e que n'esta haviam lidado artistas com reputação feita nas praças do Sul, taes como os Robertos, os Peixinhos, etc. Estava-se n'isto. As praças desappareceram, o Porto havia-se desinteressado de touradas e já nem lhes sentia a falta.

Um dia porém quando menos o esperava, soube pelos jornaes que se estava construindo uma nova praça de touros na Serra do Pilar, logo adiante d’aquelle morro que se encontra á sahida da ponte.

 A novidade do espectaculo attrahiu grande concorrencia. Quem quer que fosse então o emprezario da praça devia sentir-se em maré de rosas, porque o publico gostou, as corridas repetiam-se todos os domingos e as enchentes eram de tremer, proporcionando-lhe receitas avultadas. E quem tambem lucrou com isso foi o arrematante da ponte que rfecebia dez reis de portagem (ida e volta) por cada pessoa que a atravessasse.

Como valia a pena ir para ella assistir ao desfile dos que passavam para os touros, a ponte apinhava-se de gente como nos dias da romaria da Senhora do Pilar ainda hoje succede. Pouco se importava o publico que a ponte oscillasse assustadoramente. Era mais um aperitivo á gargalhada ver a triste figura que faziam os caminhantes, desequilibrados, trocando o passo, pallidos, semi-enjoados, querendo parar para tomar animo, mas sendo obrigados a seguir empurrados brutalmente pelos que vinham atraz d’elles em identico estado. 

Parecia que o publico portuense já não podia passar sem touradas. Isso animou uns individuos que tinham estado no Brazil, a organisarem-se em sociedade para a construcção e exploração de uma grande praça, á qual deram o nome de Real Colyseu Portuense. Estes individuos, já fallecidos, chamavam-se Lopes Pereira, que era um dos proprietarios da Ourivesaria Viziense, da rua de Santo Antonio, e Joaquim Vieira de Magalhães (natural de um concelho limitrofe do Porto), seu amigo e associado.

Real Colyseu Portuense (Porto).
FOTO ORIGINAL DE ANTONIO MAYA: «O Tripeiro» (tratada pela IA)

            O que foi a praca exteriormente mostra-o a gravura que apparece hoje em O Tripeiro, reprodução de uma excellente photographia que nos foi amavelmente pelo snr. Antonio Maya de Figueiredo, apaixonado amador tauromachico, que com seu irmão snr. Manoel Maya (os irmãos Mayas) já fallecido tambem entraram em algumas touradas, nas quaes revelaram apreciaveis qualidades de lidadores.

A inauguração do Colyseu fez-se em 28 de Julho de 1889, como consta do programma que inserimos na pagina anterior e que tambem devemos ao obsequio do snr. Maya de Figueiredo, bem como outros programmas que se lhe seguem.

Em 1890 realisou o celebre bandarilheiro Peixinho a sua festa artistica (...)


Real Colyseu Portuense, Boavista (Porto).
FOTO ORIGINAL de Antonio Maya cedida ao jornal «O Tripeiro»

 O Colyseu acabou como acaba tudo. (...)

Annos depois de demolido o Colyseu construiu-se uma nova praça de touros, de madeira, no Campo de Manobras da Serra do Pilar, que teve a sorte commum.

 Ao cimo da rua da Alegria, proximo á rua do Lima, construiu-se tambem uma outra, cuja frontaria se póde ver pela gravura que acompanha estas linhas, gravura que nos foi amavelmente cedida pelo snr. anoel Dias, outro amigo de O Tripeiro. Esta praça desappareceu tambem.

            E, por ultimo, a mais moderna de todas, a grande praça da Areosa, acaba de ser reduzida a cinzas, mercê d’um incendio, cujas causas as auctoridades policiaes andam perscrutando, tão extraordinario lhes parece o facto de arder por completo em três quartos de hora.

In O TRIPEIRO, Porto - Série 3, Ano 1, nº 21 (1926), p. 329-331

15 DE JULHO DE 1900 – LISBOA: UMA CORRIDA COM TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL E COMPETIÇÃO DE GANADEIROS

 
Praça de Touros do Campo Pequeno, Lisboa
FOTO: Arquivo Fotográfico da CML

TAUROMACHIA

            Certamen de ganaderias.— Está despertando o maior interesse e enthusiasmo a corrida que ámanhã se realisa na Praça do Campo Pequeno, não só porque reune elementos artisticos de primeira ordem, como tambem por haver grande curioosidade de saber qual dos creadores ganhará o premio, por apresentar o touro mais bravo e mais fino. 

            Os espadas da tarde são Faico e Montes, e os cavalleiros José Bento (de Araújo), Fernando de Oliveira, Manuel Casimiro e Joaquim Alves. Os touros são lidados em todos os tercios.


O cavaleiro José Bento de Araújo numa corrida na praça de Nimes, França.
FOTOS: © Arquivo Fotográfico da BNF

            Hoje, ás 2 horas da tarde, reune na praça do Campo Pequeno o jury que classificará o touro de melhor estampa e que possua mais predicados de touro de lide.

            O curro entrou hontem na praça e é composto de animaes lindissimos.

            Basta dizer que os afamados creadores Emilio Infante, Faustino da Gama, marquez de Castello Melhor e Correia Branco mandaram para a corrida certamente o melhor que tinham nas suas manadas.

Bilheteira - Praça de Touros do Campo Pequeno, Lisboa
FOTO: Arquivo Fotográfico da CML

In O SÉCULO, Lisboa – 14 de Julho de 1900

NOTA

O ganadeiro Emilio Infante acabaria por ganhar no dia seguinte (15 de Julho de 1900) o 1.º prémio do certame com o touro «Caperuzo».

29 DE JUNHO DE 1902 – LISBOA: CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO FERIDO NA FESTA DO SEU AMIGO FERNANDO DE OLIVEIRA



Biblioteca Digital de Castilla y León (imagem restaurada com IA)

LISBOA

Corrida efectuada en Campo Pequeño el 29 de Junio.

(Beneficio de Fernando de Oliveira)

            Con un lleno en todas las localidades y asistencia de la flor y nata de la sociedad lisbonense, verificóse el día de San Pedro el beneficio del simpático y distinguido caballero Fernando de Oliveira.

            Muchos días antes de la corrida, ya no había siquiera un billete, y los pocos que los revendedores consiguieron alcanzar, eran disputados á precios elevadísimos.

            El entusiasmo que reinaba por esta fiestas era desusado, indescriptible, debido sin duda á las simpatías de que goza el brillante caballero y por la forma sin precedentes en que el notable artista ha toreado toda la temporada, que le valió, en justicia, el título de maestro en el toreo á caballo.

            Y prescindiendo de más largo preámbulo, porque nos hace falta el espacio, vamos á la corrida.

            EL GANADO.— Se lidiaron diez toros del Sr. Porfirio Neves da Silva, que, á decir verdad, no acreditaron mucho la ganadería.

            La mayor parte fueron mansos y estaban mal presentados y, sobre todo, eran bastante desiguales.

            Así se componía la corrida que nos dió el poco escrupuloso ganadero de Salvaterra, que ciertamiente tiene en más aprecio el dinero que cobra que su nombre como criador de reses bravas.

            LOS CABALLEROS.— José Bento (de Araujo) tuvo una tarde muy afortunada, y con su toreo valiente y alegre en esta corrida, nos hizo recordar sus antiguas y áureas épocas en la plaza vieja de Lisboa, donde realizó una larga campaña. (NOTA: O jornalista refere-se à antiga praça do Campo de Sant’Anna, que fucionou entre 1831 e 1888). lidió con arte y valentía al primero, colocando rejones muy buenos, y con Fernando (de Oliveira) en el noveno, estuvo igualmente bien. Al terminar la lidia de este toro, con una de las cortas, fué cogido de encuentro en tablas frente al 1, sufriendo una contusión articular en la pierna izquierda, por lo que tuvo que retirarse á la enfermería; por fortuna , la cogida no revista la gravedad que se creyó al principio, pues la curación no se prolongará más de ocho días. José Bento (de Araujo) fué muy aplaudido toda la tarde.

SOL Y SOMBRA, Madrid
Biblioteca Digital de Castilla y León (imagem restaurada com IA)

            Fernando de Oliveira, una vez más logró poner en evidencia su indiscutible mérito, por la manera inteligente y sin igual con que toreó al quinto, un animal casi mando y tardo, pero al que el insigne artista obligó á acudir cuantas veces quiso, á cota de un trabajo ímprobe y gran valor. En el noveno, con José Bento (de Araujo), ejecutó también una faena de mucho mérito. Fernando (de Oliveira) fué delirantemente ovacionado. Joaquín Alves sólo regular en el quinto, y esto únicamente por la poca voluntad que de torear viene demostrando. ¡Si este muchacho tuviese sangre como conocimientos taurinos!...

            Simôes Serra se las entendió con un solemnísimo buey, el más manso de la corrida, y de ahi el motivo de no poder hacer nada. Sin embargo, se vió su buena voluntad y el público así lo comprendió, tocándole palmas en algunas ocasiones.

            EL ESPADA.— Antonio Fuentes hizo un trabajo muy variado con la muleta, en el que remató algunos pases de mérito, ciñéndose y parando mucho, aunque los toros que le tocaron no siempre se prestaban á «dibujos».

            Con las banderillas fué el Fuentes de siempre, inimitable, arrebatando á la multitud en el cuarto, que cumplió merced á la inteligencia del notable artista, quien puso pares de extraordinario valor en su suerte favorita.

            ¡Qué manera de citar! ¡Qué elegancia en el remate de las suertes! ¡Qué forma de preparar!

            Que aprendan ahí nuestros artistas, los que tengan deseos de progresar. Mas para eso fuera necesario también que el público les permitiese preparar convenientemente las reses. como hace ahora y como hace siempre Fuentes, no importando el tiempo que emplea. ¡Pero si el público muchas veces obliga á un artista á ir á los toros sin estar éstos en las debidas condiciones, sólo porque tarde un poco más en preparar...!

            Auxiliando en la brega, tanto á los caballeros como á los peones, trabajó mucho y bien.

            Em suma, Antonio Fuentes, por segunda vez en esta temporada, causó un delirio, siendo aplaudido con frenesí.

            Acompañando á Fuentes vino el matador de novillos Vaquerito, que no estaba anunciado en el cartel, el cual trasteó de muleta al sexto sin lucimiento, aunque bien ayudado por el maestro.

            LOS BANDERILLEROS.— En este tercio, muy poco bueno hay que anotar.

            Un par al cuarteo de Cadete en el segundo, y otro de Torres Branco en el mismo toro; dos pares de Manuel dos Santos en el séptimo, que ejecutó bien el quiebro de rodillas en el octavo, y un par al sesgo de Tomás da Roche en el séptimo.

            ¡Y nada más!

            Si los toros no cumpleron bien, tampoco los banderilleros hicieron muchas proezas que digamos.

            De los de la cuadrilla de Fuentes, Cuco en la brega y en un par al octavo, y Valencia y Malagueño en un par cada uno al décimo.

            Fernando de Oliveira recibió muchos y valiosos regalos.

            Asistió á la corrida S. M. el Rey, que condecoró al notable rejoneador con el grado de Caballero de Cristo.

CARLOS ABREU.

(INST. DE FERNANDO VIEGAS)

In SOMBRA Y SOL, Madrid – 4 de Setembro de 1902

16 E 23 DE ABRIL DE 1905 — 21 E 28 DE MAIO DE 1905 – PORTO: QUATRO CORRIDAS COM CARTEL HISPANO-PORTUGUÊS DE LUXO


 

Biblioteca Digital de Castilla y León

ESTAFETA TAURINA

            — El empresario de la plaza de Sierra del Pilar, Alvaro d’Almeida, organiza las siguientes corridas: 16 y 23 de Abril y 21 y 28 de Mayo, con los espadas Machaquito, Quinito, Bombita chico, Cocherito de Bilbao y Gallito.

            Se lidiarán toros de Infante da Camara, Esteban d’Oliveira, Luis Gama y Carlos Marques.

            Como rejoneadores, cuenta la empresa con José Bento d’Araujo, Manuel Casimiro, Joaquín Alves, Simões Serra, Eduardo Macedo e José Casimiro.

            Están ajustados los banderilleros portugueses: Theodoro, Cadete, Saldanha, Roche y Manuel de los Santos. — FRANCISCO MONTERO, Monterito.

In SOL Y SOMBRA, Madrid – 30 de Março de 1905

3 DE JULHO DE 1898 – RIO DE JANEIRO: UMA TOURADA PERIGOSA...

 
Biblioteca nacional do Brasil

TAUROMACHIA

            Não ha mal que sempre dure, nem bem que não se acabe.

            Assim diz o dictado, e assim é. Esta nossa vida é um verdadeiro vae-vem continuo de illusões e desillusões, tristezas e alegrias.

            Em compensação a essas alegrias, que não duram, temos as nossas tristezas, que felizmente tambem acabam. E tanto assim é que tenho hoje duas boas noticias a dar aos amadores de touradas e assiduos frequentadores da bella praça das Laranjeiras.

            A primeira boa noticia é a seguinte. José Bento (de Araujo), o sympathico e arrojado cavalleiro, parte brevemente para a Europa.

            Mas, meu Deus! Decerto exclamarão os meus caros leitores. Vamos ficar muito peior do que já estavamos. Se o Club Tauromachico Federal já tanto se resentia da falta de bons toureiros, como poderemos regosijar-nos com a partida de José Bento (de Araujo), um dos poucos artistas de valor que possuimos!? Pois é verdade.

            José Bento (de Araujo) e os leitores d’estas chronicas tauromachicas devem alegrar-se , e muito, ao sabel qual é o motivo da sua partida. Eil-a:

            José Bento (de Araujo) parte, mas volta breve: vai tão sómente com o fim de contratar bons artistas e comprar touros, mas touros bons de casta e puros. Se por um lado vamos ficar privados do sympathico artistas por algumas semanas, teremos como recompensa a esta ausencia a certeza de que dentro em breve vamos gozar no redondel das Laranjeiras verdadeiras touradas com uma quadrilha de artistas, escolhida entre toureiros de primeira ordem, e com boas féras.

            Assim, pois, acabará aquella pasmaceira, a que tristes temos assistido todos os domingos, e, com enchentes á cunha, será ella substituida por delirante enthusiasmo.

            Entre os artistas que José Bento (de Araujo) espera contratar figura o celebre espada Faico. (NOTA: Francisco González «Faico» (Sevilha, 1872-1933) foi um célebre espada, especialmente famoso por ter chefiado a grande «cuadrilla» dos «Niños Sevillanos» ao lado de Enrique Vargas «Minuto».)

            É um bom artista. Vimol-o trabalhar por differentes vezes em Madrid e Sevilha, e podemos garantir que deve agradar muito aqui. Em Madrid é elle tido hoje como um dos primeiros espadas hespanhóes.


Francisco González «FAICO»
La Lidia, Madrid - Biblioteca Digital de Castilla y León

            Emquanto aos touros, dizem-nos que serão apartados por José Bento (de Araujo) em pessoa, e tirados das manadas dos melhores ganaderos de Portugal. Isto equivale a dizer que teremos boas féras.

            Levantemos, pois, todos um hurrah a José Bento (de Araujo), que não se poupa a sacrificios quando se trata de bem servir o publico. Boa viagem, e que volte breve a encontrar n’esse mesmo publico, por quem se sacrifica e que tanto o estima, justa recompensa a esses sacrificios.

            E a segunda boa noticia?

            Ahi vai ella: Temos em perspectiva uma magnifica tourada. Como adeus, antes de partir, faz José Bento (de Araujo), domingo proximo, a sua festa artistica, que, com a sua fidalga gentileza, offerece á illustrada imprensa fluminense.

            No intuito de bem servir o publico, não se tem poupado o incansavel artista a trabalhos e sacrificios. Serão lidados domingo 7 touros em vez de 6, como até aqui, entre os quases veremos os celebres bichos de cavallo Caraça e Torrado.

            Tambem trabalhará n’essa tarde o nosso elegante e sympathico artista Alfredo Tinoco e toda a quadrilha. (NOTA: Os cavaleiros Alfredo Tinoco da Silva e José Bento de Araujo fizeram algumas corridas juntos tanto em Portugal como no Brasil.)

            Ninguem deixe domingo de ir applaudir José Bento (de Araujo) na sua festa de despedida.

            Até domingo, pois, e até lá passemos uma vista de olhos sobre a — Distribuição da corrida.

1.ª PARTE

1.º touro para ser farpeado por Alfredo Tinoco.

            2.º touro, para ser bandarilhado por Calabaça, Felix e Rocha.

            3.º touro (celebre Caraça) farpeado por José Bento de Araujo.

2.ª PARTE

            4.º touro, bandarilhado por Ezequiel, Rodrigues e Morenito.

            5.º touro, farpeado por José Bento de Araujo.

            6.º touro, para a afamada troupe Pae Paulino.

            7.º touro (o celebre Torrado) farpeado por José Bento de Araujo.

Minuto.

In A NOTICIA, Rio de Janeiro – 1 – 2 de Julho de 1898

NOTA

O perfil de FAICO pode ser consultado aqui:

https://historiadeltorero.com/toreros/f/francisco-gonzalez-faico/

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE A ATRIBULADA CORRIDA DE 3 DE JULHO DE 1898:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2022/12/3-de-julho-de-1898-rio-de-janeiro.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2025/03/3-de-julho-de-1898-rio-de-janeiro.html

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2022/12/3-de-julho-de-1898-rio-de-janeiro-festa.html

15 DE JANEIRO DE 1910 – LISBOA: A «MULHER QUE RIA» ERA A ACTRIZ CECILIA NEVES, AMIGA DE PEITO DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO


 

CECILIA NEVES (Actriz do Theatro D. Amelia)
Documento: Biblioteca nacional de Portugal 
(Foto da publicação A RAJADA restaurada com a ajuda da IA)

A MULHER QUE RIA

Seu rosto tinha a doce transparencia

Das louças do Japão: era judia;

Em seus olhos azues quanta innocencia!

Mas dos sonhos de amor zombava e ria.

 

Mixto de sombra e luz: ás vezes pura

Como aerea visão me apparecia;

Outras vezes, extranha creatura!

Era a pagã que entre meus braços ria.

 

Se de amor doces phrases eu soltava,

E febril seus cabellos desprendia,

De meus joelhos, douda, resvalava,

E beijando-me, Esther, cantava e ria.

 

Minha alcôva era um ninho perfumado,

E entre flores a vida me corria:

O socego perdi, enamorado

D’essa mulher, que ora cantava, ou ria.

 

Uma vez, n’uma ceia deslumbrante,

Entre o ruidoso estrepito da orgia,

Nos braços desmaiou d’um estudante:

Depois, deixou-me só... cantava e ria.

 

Que saudades eu tive! em meu caminho

Vi-a hontem passar, triste e sombria,

Solta na espádua a trança em desalinho:

Era a sombra de Esther, pois já não ria.


Gonçalves Crespo


Documento: Biblioteca nacional de Portugal

In A RAJADA, Lisboa – 15 de Janeiro de 1910

NOTA 1 (FONTE IA):

A ACTRIZ CECILIA NEVES

        A actriz Cecilia Neves foi, de facto, uma figura de destaque no teatro de revista e na comédia entre o final do século XIX e o início do XX, tanto em Portugal como no Brasil.

        A sua presença nas corridas de José Bento de Araujo (1851–1924) era um reflexo do prestígio social de ambos: as touradas de gala eram os grandes eventos mundanos da época, onde a classe artística e a aristocracia se cruzavam.

        Aqui estão mais detalhes sobre a actriz e essa ligação:

   Carreira entre Dois Mundos: Cecilia Neves integrou várias companhias de prestígio, como a de Rafael de Oliveira e a de Eduardo Pereira. No Brasil, brilhou em palcos como o Teatro Carlos Gomes e o Teatro Recreio no Rio de Janeiro, interpretando papéis marcantes como Mariana em «Amor de Perdição» (1914).

   Vedeta da Época: Em Portugal, foi uma das estrelas da peça «Vénus» no Teatro D. Amélia (actual São Luiz, Teatro Municipal), chegando a ser imortalizada em bilhetes-postais da época, o que demonstra a sua enorme popularidade.

   Presença nas Touradas: Naquela época, o "estrelato" não se limitava ao palco.

        As actrizes de sucesso eram figuras obrigatórias nas barreiras das praças de touros, especialmente nas corridas de José Bento de Araújo, que era o cavaleiro preferido da elite e da família real. A presença de Cecilia Neves era tão regular que se tornou parte da "crónica social" não escrita das lides de José Bento de Araujo.

   Cinema Mudo: Cecilia também teve uma incursão precoce no cinema, participando no filme «A Viuvinha do Cinema« (1917).

Essa associação entre a "estrela do palco" e o "mestre da arena" simboliza o auge do romantismo tardio em Portugal, onde o teatro e a tauromaquia eram os pilares do entretenimento público.

A relação entre os dois simbolizava o cruzamento entre as elites do espectáculo e da Festa Brava da época:

   O Cavaleiro nas Plateias: José Bento de Araújo era uma das figuras mais prestigiadas do toureio a cavalo, admirado pela sua elegância e "educação esmeradíssima". A sua presença assídua nos teatros onde Cecilia Neves actuava, como o Teatro Carlos Gomes ou o Teatro Trianon, era um evento social comentado nas crónicas da época.

O cavaleiro José Bento de Arujo
Documento: Museu Tauromáquico de Nimes, França (imagem restaurada pela IA)  

   A Actriz nas Bancadas: Por outro lado, Cecilia Neves era presença habitual nas corridas de touros em que o cavaleiro participava, tanto em Portugal (como na Praça de Touros de Sintra ou Algés) como no estrangeiro, onde o cavaleiro gozava de fama internacional. (NOTA DE Rui Araújo: José Bento de Araujo actuou em Espanha (Madrid, Barcelona, Bilbao, Caudete, San Sebastián, Santander, etc.), França (Paris, Arles, Avignon, Marselha, Mont-de-Marsan, Nimes, etc.), Brasil (Rio de Janeiro, Florianópolis, Belém, etc.) e quiçá Peru.)

   Contexto Cultural: Cecilia Neves integrou companhias de renome, como a de Leopoldo Fróes, e destacou-se em papéis dramáticos como Mariana em «Amor de Perdição» (1914) e em comédias como «A Viuvinha do Cinema». O apoio mútuo entre as duas carreiras alimentava a mística de um par que dominava as duas maiores paixões populares de então: o teatro de revista/drama e a tauromaquia.

        Este "intercâmbio" de públicos era uma marca da sociabilidade da época, onde as vedetas do palco e os "heróis" da arena partilhavam o mesmo círculo de admiração e prestígio.

NOTA 2 (FONTE WIKIPEDIA):

O POETA GONÇALVES CRESPO

•   António Cândido Gonçalves Crespo (Rio de Janeiro, 11 de Março de 1846 — Lisboa, 11 de Junho de 1883) foi um jurista e poeta português de influência parnasiana, membro das tertúlias intelectuais portuguesas do último quartel do século XIX. Nascido nos arredores da cidade do Rio de Janeiro, filho de mãe escrava, fixou-se em Lisboa aos 14 anos de idade e estudou Direito na Universidade de Coimbra. Dedicou-se essencialmente à poesia e ao jornalismo.

FOTO: © Rui Araújo

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PORTUGAL

A consignação do IRS aos Missionários Combonianos ajuda a evangelizar, mudar vidas e tornar o mundo mais fraterno, justo e solidário. 

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1 - CONSIGNAÇÃO DO IRS – O QUE É?

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2 – TEM CUSTOS ASSOCIADOS?

Não! Esta acção não tem qualquer custo para si. Esta doação permite destinar 0,5% do imposto que entraria nos cofres do Estado a uma instituição escolhida pelo contribuinte, sem qualquer influência no valor a pagar ou a receber. Está apenas a indicar ao Estado onde pretende que sejam aplicados 0,5% do imposto que já pagou.

3 – COMO POSSO FAZER ESSA CONSIGNAÇÃO?

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PASSO 1

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PASSO 2

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PASSO 3

Coloque o NIF dos Missionários Combonianos: 500 139 989 e assinale a opção IRS. Guarde ou entregue o IRS e já está.

4 - E se estiver a usar a opção de preenchimento automático do IRS?

Quando estiver a submeter o IRS preenchido automaticamente, no fundo da página encontrará a área dedicada à consignação. Terá de indicar que pretende consignar “1% IRS” a “Instituições religiosas” e inserir o NIF dos Missionários Combonianos 500 139 989.

NOTA:

Esta informação está disponível no sítio dos Missionários Combonianos:

https://www.combonianos.pt/noticia/14/421/apoiar-a-missao-atraves-do-irs/

15 DE JULHO DE 1909 – LISBOA: PRIMEIRA CORRIDA NOCTURNA COM «DIESTROS» DE ESPANHA E O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO

 


Biblioteca nacuional de Portugal

Touros

            A corrida nocturna que se realisa hoje no Campo Pequeno, ás 9 ½, é assim distribuida:

          1.º para José Bento d’Araujo, 2.º para Jorge Cadete e José Moyano, 3.º para Manuel dos Santos e Ribeiro Thomé, 4.º para morgado de Covas (NOTA: Morgado de Covas), 5.º para espada «Regatería» (NOTA: «Regaterín», aliás Antonio Boto Madrid, 1876 – Barcelona, 1938), 6.º para José Bento d’Araujo, 7.º para Alexandre Vieira e Alfredo dos Santos, 8.º para espada «Regaterín», 9.º para morgado de Covas, 10.º para Manuel dos Santos e José Moyano.

Regaterín — O toureiro da «Villa de Arbeteta» (Guadalajara)
FOTO: Villa de Arbateta

          A´s 8,27 sae do Rocio um comboio, custando a passagem 40 réis em 3.ª e 50 réis em 2.ª

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 15 de Julho de 1909

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE «REGATERÍN»

https://villadearbeteta.es/2025/03/07/el-torero-regaterin-y-arbeteta/