29 DE JUNHO DE 1879 - LISBOA: BENEFÍCIO DO BANDARILHEIRO SANCHO E DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

Biblioteca nacional de Portugal

            Deve ser extraordinaria a concorrencia ámanhã na praça do Campo de Sant’Anna em beneficio do cavalleiro José Bento de Araujo e do bandarilheiro Sancho. Os touros são eguaes se não melhores que os do dia 15, pertencentes ao mesmo lavrador e que tanto enthusiasmo produziram. O beneficiado (José Bento de) Araujo farpea em selim raso. Sancho passa um touro de capote logo á saida da gaiola, feito nunca visto nas nossas praças.

            Deve ser uma tourada animadissima.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 28 de Junho de 1879

29 DE JUNHO DE 1879 - LISBOA: BENEFÍCIO DE UM BANDARILHEIRO E DO CAVALEIRO JOSE BENTO DE ARAUJO (A CONTAS COM UM TOURO DE HASTES LIMPAS) NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA...

 
Biblioteca nacional de Portugal

Theatros e diversões

             CAMPO DE SANT’ANNA. —   Dizem-nos que é bravissimo o gado escolhido para a toirada de domingo; pertence ao acreditado lavrador Francisco do Carmo.

            A corrida é em beneficio do cavalleiro José Bento de Araujo e do bandarilheiro Sancho, dois artistas muito apreciaveis.

1893-1894: O cavaleiro José Bento de Araujo na praça de touros de Nimes, França.
FOTO: Bibliothèque nationale de France (Tratada por IA)

            O cavalleiro (José Bento de Araujo) farpeará um toiro com as hastes limpas e outro em selim razo. (raso, "rasus" em latim) Os arreios do cavallo de cortesias são offerecidos peolo sr. Carlos Relvas. Tomam parte na corrida mais tres cavalleiros e os melhores capinhas portuguezes. A julgar pelas sympathias de que gosam os beneficiados, a concorrencia deve ser grande.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 27 de Junho de 1879

15 DE SETEMBRO DE 1889 - PORTO: «GRANDIOSA E EXCEPCIONAL TOURADA» NO REAL COLYSEU PORTUENSE (1889 — 1894)

 
Colyseu Portuense
FOTO: O Tripeiro (Tratada por IA)

COLYSEU PORTUENSE

Domingo 15 de Setembro 1889

ÁS 4 E MEIA DA TARDE

A MAIS EXTRAORDINARIA

Novidade

GRANDIOSA E EXCEPCIONAL TOURADA

UM MAGNIFICO CURRO DE 10 BRAVISSIMOS TOUROS

pertencentes ás grandes manadas da Companhia das Lezirias do Tejo e Sado.

Apresentação pela segunda e ultima vez, do celebre e valente toureiro Mexicano

PONCIANO DIAZ

(NOTA: Ponciano Díaz Salinas, “El torero con bigotes” ou “El Torero Charro” (1856-1899). Foi um dos grandes representantes da tauromaquia mexicana no século XIX. Foi ainda o primeiro matador do México a receber a alternativa em Espanha das mãos de Salvador Sánchez, Frascuelo.)

acompanhado dos afamados charros mexicanos

AGUSTIN OROPEZA e CELSO GONZALEZ

os quaes, pela segunda vez, em Portugal, executarão n’esta ultima corrida em que tomam parte, as difficilimas e surprehendentes sortes mexicanas, que tanto enthusiasmo e sensação acabam de produzir na grande praça de Madrid.

Desenho retirado do cartaz original da corrida
DOCUMENTO: Biblioteca Casa do Infante - Arquivo Municipal do Porto

Assombrosas novidades tauromachicas

BANDARILHAS A CAVALLO

pelo notavel e arrojadissimo diextro (diestro!) Ponciano Diaz (Ponciano Díaz Salinas). Esta sorte constitue a suprema difficuldade do toureio e tem valido ao valente toureiro as maiores ovações dos publicos mexicanos e ultimamente na praça de Madrid.


Ponciano Díaz Salinas
FOTO: DR (Tratada por IA)

UM TOURO LAÇADO A CAVALLO

por Ponciano Diaz e Agustin Oropeza.

Outra grande novidade de extraordinario effeito!

UM TOURO MONTADO (GINETEADO)

por Celso Gonzalez. Trabalho difficilimo e arriscadissimo, que em Hespanha produziu grande enthusiasmo.

E finalmente será picado por um ou dois dos charros

UM TOURO A PÉ, Á VARA LARGA

sorte esta executada por fórma ainda não vista nem em Hespanha nem em Portugal.

CAVALLEIROS

JOSÉ BENTO D’ARAUJO

E

D. FRANCISCO DE NORONHA JUNIOR (Prelada)

que por obsequio á Empreza, toma parte n’esta corrida.

BANDARILHEIROS

JOSÉ ROIZ (EL JOSEITO)

Roberto da Fonseca — João Calabaça — João Roberto — José dos Santos

Antonio Augusto — Filippe Aragão (El Minuto)

e o distincto bandarilheiro, notavel em cambios e quiebros, que tanto tem agradado n’esta praça

JOSÉ HERNANDEZ (EL AMERICANO)

Um valente grupo de homens de forcado fará as pégas que o intelligente determinar.

A Banda dos Bombeiros Voluntarios do Porto executará antes e durante a corrida as melhores peças do seu reportório.

N. B.— O Grande artista Ponciano Diaz, toureará os touros que durante a corrida mais apropriados encontrar para a sua lide.

            A embolação é franca e começará ás 9 e meia da manhã, e as portas para a corrida abrem-se às 2 e meia da tarde.

            Estão em vigor todas as disposições policiaes e da arena que são do uso n’estes espectaculos.

            Os bilhetes acham-se á venda nas seguintes casas dos Snrs., Domingos Barbosa, rua de Santo Antonio, 246 a 248 — Tabacaria de Arnaldo Soares, Praça de D. Pedro — Tabacaria Santos, Praça de D. Pedro — Nicolau Fernandes d’Abreu Guimarães, Cedofeita, 304 — Tabacaria Borges & Irmão, rua do Sá da Bandeira — Dionisio Ferreira dos Santos Silva, rua de Santo Antonio — Gaspar Seromenho, Tabacaria Regalia, Passos Manoel, 2 a 8 — José Lopes, Café da Estação, Campanhã, rua da Estação, 77 — Em Matosinhos, no café Rio Leça.

PREÇOS — Camarotes de Sombra 4$500, Sol 3$000, Tribuna 1$200, Fauteuils 1$000, Sombra Touril 700, Balcão de Sombra 700, Balcão Sol 350, Bancadas de Sombra 600, Bancadas de Sol 300 reis.

Distribuição da corrida

1.º touro — para    José Bento d’Araujo

2.º       »   —   »          Roberto da Fonseca e João Roberto.

3.º       »   —   »          Ponciano Diaz e seus charros.

4.º       »   —   »          D. Francisco de Noronha Junior (Prelada).

5.º       »   —   »          Minuto e Calabaça.

INTERVALLO

6.º touro — para    José Bento d’Araujo

7.º       »   —   »          Roberto da Fonseca e João Roberto.

8.º       »   —   »         Ponciano Diaz e charros, (laço).

9.º       »   —   »          Americano e Joseito.

10.º     »   —   »          José dos Santos e Antonio Augusto.

Este programma poderá ser alterado.

O cartaz original da corrida.
FOTO: © Biblioteca Casa do Infante - Arquivo Municipal do Porto

NOTA

«O REAL COLYSEU PORTUENSE — Inaugura-se em 28 de Julho de 1889 o Real Colyseu Portuense, no lugar da Praça de Touros da Boa Vista (que existia já em 1870), cujas corridas competiam com outras que tinham lugar em duas outras praças menos importantes, a da Rua da Alegria e a da Serra do Pilar (que existiu no lugar onde hoje está o jardim-miradouro).

O Colyseu Portuense, por seu turno, teve vida efémera, desaparecendo em 1894 sem deixar marcas, senão na memória, quer pela sua bela arquitectura, quer sobretudo pelo testemunho escrito das muitas e boas touradas e toureiros. No seu lugar, entre diversos edifícios, surgiram o Tabernáculo Baptista e a Litografia Lusitana que fazem esquecer completamente as emoções taurinas que estiveram ligadas ao local que estes ocupam.»

In «A ROTUNDA DA BOAVISTA». Texto de José A. Rio Fernandes - O TRIPEIRO, Associação Comercial do Porto - Agosto/Setembro 1994.

NOTA

Este blogue agradece a colaboração da Direcção e de todos os funcionários (sem excepção!) da Biblioteca Casa do Infante (Arquivo Municipal do Porto). A eficácia e a amabilidade demonstradas são meritórias e dignas de registo.

29 DE JUNHO DE 1879 - LISBOA: UMA CORRIDA COM DOIS BENEFICIADOS NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA

 


Biblioteca nacional de Portugal

Revista tauromachica

            Realisou se no domingo o beneficio do cavalleiro José Bento de Araujo e do capinha Sancho.

            Suas magestades el-rei o sr. D. Luiz e a rainha a sr.ª D. Maria Pia honraram o espectaculo com a sua presença, e foram recebidos pelos espectadores com prolongadas salvas de palmas e as maiores demonstrações de espontaneo regosijo.

            Foram cavalleiros (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro e (José) Bento de Araujo, e capinhas Cadete, Botas, Caixinha, Peixinho, Calabaça, Loureiro, Raphael e Sancho.

            O 1.º touro, branco, coube a (Manoel) Mourisca, que o enfeirou com 3 ferros á meia volta, muito bem postos.

            O 3.º touro pertenceu a Casimiro Monteiro, que executou uma excellente sorte de gaiola, e mais tres á meia volta e uma a sesgo. Em seguida enfeitou o animal com dois ferros curtos, um por cada vez.

            O 5.º touro, baixel da haste direita, carregando sempre, coube a Antonio Monteiro, que fez bem a sorte de gaiola, enfeitando-o com mais tres farpas á meia volta.

            O 7.º touro, bravo e de recarga, foi picado por José Bento d’Araujo, montado em selim raso. O cavalleiro enfeitou habilmente o touro com tres farpas á meia volta, uma de recurso, quatro a sesgo, e um ferro curto. José Bento (de Araujo) foi muito applaudido.

            O 8.º touro, de sentido, foi picado por (Manoel) Mourisca e José Bento (de Araujo). (Manoel) Mourisca cedeu a sorte da gaiola ao beneficiado, que a excecutou com muita arte, pondo mais uma farpa á meia volta, e duas a sego. (Manoel) Mourisca enfeitou a fera com um ferro a sesgo e outro á meia volta.

            Coube a José Monteiro e a Antonio Monteiro o 11.º touro, cobarde, desejoso de voltar á pastagem. Os cavalleiros não poderam fazer nada.

            O 13.º touro, em hastes limpias, foi  enfeitado por (José) Bento d’Araujo com tres farpas á meia volta, duas á estribeira, e uma a sesgo, rematada em guarupa revolta. O beneficiado foi justamente applaudido.

            Dos bandarilheiros sobresairam Peixinho e Sancho, trabalhando os restantes a contento dos amadores.

            Peixinho executou no 10.º touro o salto da garrocha, ou da vara, como se diz vulgarmente.

            Foi uma sorte admiravel, porque comquanto não fosse revestido do brilho e luzimento que lhe temos notado em outras occasiões, o remate foi inexcedivel, caindo o bandarilheiro com garbosidade, conservando a vara na mão, como indica a arte, em prevenção para um recurso.

            Sancho esperou o 8.º touro  á gaiola, com o capote, executando algumas navarras e veronicas com mestria. Depois quarteou o, pondo-lhe quatro pares de bandarilhas; deu-lhe com a muleta alguns passes naturaes e de peito, simulando muito bem a estocada a volapiés.

            Em conclusão: os touros, que eram dos srs. Francisco do Carmo & C.ª, comquanto fossem deseguaes eram na maior parte bastantes finos.

            O trabalho dos cavalleiros foi bom. (Manoel) Mourisca distinguiu-se pelo perfeito conhecimento que tem da arte, e certeza na collocação dos ferros.

             (José) Bento de Araujo convenceu os espectadores de que, com mais alguma pratica, ha de vir a ser um dos melhores cavalleiros. Já o é mesmo, se se pozerem de parte pequenos defeitos de que deve corregir-se, sendo certo que se alguns d’elles não influem no toureio propriamente dito, prejudicam muito o luzimento d’um cavalleiro, a quem os criticos de ordinario nada perdoam. O que porém ninguem ha de negar-lhe é a grande coragem, e boa vontade. Não perde as sortes, aproveita-as sempre, e com consciencia.

            Os cavalleiros, á proporção que saiam para o toureio, iam cumprimentar suas magestades que não tinha assistido ás cortezias. Depois recuavam o cavallo até defronte do touril, e executavam então a primeira sorte.

            Os artistas apresentaram-se todos com distinctivos de luto pelo fallecimento de Victorino Marques. (NOTA: Victorino Marques foi um importante e respeitado empresário tauromáquico no século XIX. Geriu, por exemplo, a praça de touros do Campo de Sant’Anna, em Lisboa.) Não estranhamos nem censuramos essa demonstração; deviam-lhe muito, e é bem que assim se apresentassem. Mas para que serviriam as farpas pretas? Para censura e nada mais. Emendem-se d’essas pieguices, que já é tempo.

            A praça continua sendo mal regada, ficado em poças. É mau para os capinhas e muito peior para os cavalleiros, que vêem de vez em quando chapar-se-lhe o cavallo, com o grave risco de que quebrarem as pernas.

            Fizeram-se algumas pegas muito bem feitas, sendo todos os moços que as executaram gratificados por suas magestades.

            Os beneficiados, chamados no intervallo, foram muito applaudidos e brindados com charutos, ramos e outros presentes.

            A concorrencia foi muito regular, e a direcção da praça, que pertenceu a Loureiro, correu bem.

            No domingo é o beneficio do Peixinho, que tem já todos os camarotes passados, e que apenas dispõe d’alguns bilhetes de trincheira para os pedidos de ultima hora.



In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 2 de Julho de 1879

29 DE JUNHO DE 1879 - LISBOA: FESTA DO BANDARILHEIRO SANCHO E DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA


 

Biblioteca nacional de Portugal

            PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA. — Brilhante corrida esta tarde em beneficio do cavalleiro José Bento de Araujo e do bandarilheiro Sancho, tomando parte n’ella os cavallleiros (Manoel) Mourisca,  Antonio e José Monteiro.

O cavaleiro Manoel Mourisca.
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            O beneficiado montará em cavallo de cortesias cujos arreios lhe foram offerecidos pelo sr. Carlos Relvas e farpeará um touro embolado á hespanhola, em selim razo.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 29 de Junho de 1879

16 DE JULHO DE 1879 - LISBOA: BALANÇO DA FESTA DE CARIDADE EM BENEFICIO DO ASILO DE D. LUIZ I (MARVILA) E DO HOSPITAL DA RIBEIRA BRAVA (ILHA DA MADEIRA)...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            A commissão promotora da corrida de touros por amadores que teve logar no dia 16 de julho vem por este meio agradecer a todas as pessoas que concorreram para levar a effeito com tão brilhante exito aquella festa de caridade.

            A commissão tributa os seus mais sinceros agradecimentos, ás ex.mas srs.as que se dignaram offerecer as moñas com que foram victoriados os cavalheiros que tomaram parte na corrida, ao sr. visconde dos Olivaes que tão generosamente offereceu os touros, aos srs. Antonio da Costa Guerra e Custodio Vidál que em tudo ao seu alcance coadjuvaram a commissão, ao sr. coronel de caçadores 5, que cavalheirosamente emprestou o seu cavalo para as cortezias, aos srs. Vicente Roberto e Roberto da Fonseca a generosidade com que se promptificaram a coadjuvar os lidadores, aos cavalleiros Manuel Mourisca Junio e (José) Bento d’Araujo que desinteressadamente promtificaram os cavallos e aos srs. donos dos estabelecimentos aonde se venderam os bilhetes para este beneficio.

            Lisboa, 31 de Julho de 1879.

            A commissão, visconde de Mossamedes; presidente, Francisco Isidoro Vianna, visconde do Reguengo, visconde da Ribeira Brava, conde da Caparica, José da Silveira Vianna, Antonio de Pina Manique, D. Manuel de menezes, José d’Avillez.

Commissão promotora da corrida de touros por amadores, realisada no dia 16 de julho de 1879.




In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 1 de Agosto de 1879

1 DE JUNHO DE 1902 - LISBOA: MAU TEMPO NA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO PEQUENO PARA A FESTA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO...

 


Praça de Touros do Campo Pequeno, Lisboa
DESENHO: Diario Universal, Madrid - BNE (Tratado por IA)

Tourada

            O programma da corrida de touros, que hoje se realisa na praça do Campo Pequeno ás 4 e 45 minutos da tarde, é o seguinte:

            1.º touro, para José Bento (de Araujo); 2.º, para J. Cadete e J. Martins; 3.º, para Fernando de Oliveira; 4.º, para T. Branco e M. Santos; 5.º, para Joaquim Alves; 6.º, para hespanhoes; 7.º, para J. Bento (José Bento de Araujo) e F. de Oliveira; 8.º, T. Rocha e J. Costa; 9.º, para J. Bento (José Bento de Araujo) e  J. Alves; 10.º, apresentação do touro Capirote; 11.º, para bandarilheiros hespanhoes.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

In O SÉCULO, Lisboa - 1 de Junho de 1902

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2019/05/1-de-junho-de-1902-lisboa-festa-do.html

1 DE JUNHO DE 1902 - LISBOA: UMA BOA TOURADA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM O TOURO ESPECIAL DE CORRIDA CAPIROTE...

 

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

Touradas

            Deixou satisfeitos os espectadores a tourada que hontem se realisou na praça do Campo Pequeno e melhor teria sido ainda, se a tarde, em vez de fria e desagradavel, estivesse quente e propria para taes diversões.

            Comtudo o sol tinha uma enchente, e a sombra estava quasi toda occupada, porque as pessoas mais nutridas tomavam dois logares.

            Assistiram á tourada sua magestade a rainha D. Amelia e o senhor infante D. Affonso.

            Foram corridos touros do sr. Estevão de Oliveira, que já hoje são bom reclame, e tomaram parte na lide artistas na maioria conhecidos do publico e deveras apreciados.

            As nossas noticias não podem ser tão minuciosas como desejariamos, porque nos escasseia o espaço e o tempo, e por isso nos limitamos em geral a indicar os factos que mais nos impressionaram e que melhor retivemos de memoria.

            Os touros, materia prima da festa, cumpriram, distinguindo-se pela bravura o 7.º, sendo tambem boiantes o 2.º e 8.º

            Os 5 touros para cavallo eram corpulentos e de boa estampa; os 5 de pé não passavam de garraios, bem tratados e com aspecto de raça taurina.

            Vimos, portanto, mais um curro desegual, o que sinceramente não nos agrada, porque desejamos, como todos os bons aficionados, que na praça de Lisboa sejam corridos unicamente touros com edade propria para a lide, logo que nos cartazes sejam annunciadas corridas de touros.

            Tudo o mais que se faça é simplesmente ludibriar o publico, e nós n’este jornal é só do publico que vivemos e por isso pugnamos sempre pelos seus justos direitos.

            A lide a cavallo do 7.º touro foi brilhantissima, executada a duo por José Bento (de Araujo) e Fernando de Oliveira.

            Ambos se houveram com arrojo e mestria salientando-se comtudo Fernando (de Oliveira) na maneira por que preparou e rematou as sortes, e seriamos injustos de não repetissemos que este artista não póde ser excedido em pericia e arte.

            Innegavelmente José Bento (de Araujo) é um toureiro de alma, arrojado, de incomparavel sangue frio, mas tambem é certo que, em competencia com Fernando (de Oliveira) não mostra tanta certeza na medição dos terrenos, nem prepara as sortes com o mesmo luzimento e apparato do seu collega.

            O touro que picaram era nobre e bravo e valeu uma justa chamada ao lavrador sr. Estevão de Oliveira, tendo tambem os cavalleiros uma ovação merecida.

            (NOTA: O cavaleiro Fernando d’Oliveira faleceu menos de 2 anos depois. Foi colhido na tarde de 12 de Maio de 1904 pelo touro ‘Ferrador’ na praça do Campo Pequeno numa corrida em que participava também o seu amigo José Bento de Araujo.)

            Joaquim Alves apresentou-se, como sempre, bem montado, trazendo o seu ginete na mão e obediente, mas precisa mostrar mais sangue toureiro, mais valor, mais energia e mais vida na lide.

            Necessita ir para os touros, cital-os e alegral-os com calor.

            Não gostamos de o ver com um toureio timido, sem graça, e sempre á espera dos acontecimentos de sensação que o touro possa proporcionar-lhe.

            No primeiro animal que lhe largaram perdeu duas sortes, por não entrar a tempo, e nós perdemos o tempo a vel-o.

            Os touros querem quem os procure, e quando Alves esperar na arena que lhe ponham o muro em sorte faça ao menos mexer o cavallo, porque de contrario parece o homem de ferro da procissão de S. Jorge.

            O espada era Juan Sal, vulgo Saleri, que demonstrou apenas serenidade e diligencia.

            O sr. Sal não tem sal nem pimenta, antes, pelo contrario, é um grande insonso na lide, a ponto de nos enfastiar bastante, algumas vezes, com o seu trabalho.

            Os passes barrendo os lombos do touro, quando o animal ia fugindo, estão abaixo de toda a critica e póde ir mostral-os para uma aldeia, porque para cá não servem.

            O seu muleteio não teve graça nem elegancia, apezar do vento tambem concorrer para isso.

            Apenas no 8.º touro tirou dois passes bons, parando-se e dando-lhes o devido luzimento e remate.

            Deu um salto de vara com habilidade, sorte esta que foi offerecida de joelhos a sua magestade a rainha.

            Os nosos artistas tiveram bons pares, e sobresairam na lide a pé.

            O melhor trabalho foi executado por Cadete, que collocou tres bons pares.

            Manuel dos Santos fez dois quiebros de joelhos, e poz um bello par, preparando tambem com muito acerto, a passes de capote, a cabeça do touro, que foi valentemente pegado de cara por Alcorriol.

            Torres Branco e Thomaz da Rocha tiveram dois excellentes pares cada um.

            A lide tornou-se n’algumas occasiões em verdadeira desordem; comtudo, houve quites opportunos de Cadete e Santos.

            O touro Capirote correspondeu á espectativa do publico.

            Começou por dar uma prova de bravura, estampando contra a trincheira o bandarilheiro José da Costa, que se atreveu a fazer-lhe a sorte de gaiola.

            O Capirote nasceu lá para os lados de Coruche, era propriedade dos lavradores Guizados e foi depois adquirido pelo creador sr. Luiz Patricio, que, por sua vez, o vendeu, segundo dizem, a José Bento (de Araujo).

            O Capirote é capirote de pinta, pois que tem o pescoço e a cabeça de côr differente do restante pello, e conta a bonita edade de oito annos.

            Foi corrido umas poucas de vezes, e continuará a sel-o, porque parece ter comprehendido bem o seu papel de touro.

            O tratador afagou o animal depois de lidado, e tirou-lhe a embolação, sendo muito applaudido.

            O tratador apresentou-se com quatro grandes medalhas ao peito, que nos disseram ser offerecidas pela união fabril, toureiros voluntarios da Porcalhota, sociedade tauromachica do Pará e companhia dos tabacos de Portugal.

            Esquecia-nos dizer que o forcado Fressura fez com natural valentia uma rija péga de costas,  e teimou em fazer esta péga porque não desejava que o touro o visse agora de bigode. — Zé Jaleco.

O cavaleiro Fernando d'Oliveira, que foi o verdadeiro herói da tarde, morreu menos de 2 anos depois ao lado do seu amigo José Bento de Araujo naquela mesma praça de touros...
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

In O SÉCULO, Lisboa - 2 de Junho de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: A «MATADORA» ANDALUZA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA — LA REVERTE — NUMA CORRIDA EM PORTUGAL

 

   Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Praça d’Algés

Domingo 4 de maio

10 touros 10

do ex.mo sr. marquez de Castello Melhor.

Toma parte a valente matadora de touros

La Reverte

(NOTA: María Salomé Rodríguez Tripiana, La Reverte)

A empreza roga o obsequio ás pessoas que marcaram bilhetes, de os retirarem até hoje á noite.

            Bilhetes á venda na rua d’Assumpção, 70; rua do Ouro, 48 e L. d’Alcantara, 3.

Cavalleiros

Fernando d’Oliveira 

e José L. Bento (José Luiz Bento)

Bandarilheiros

E. Santos

Arthur Felix

Thadeu Mourisca 

e o amador Luciano Moreira


In O SÉCULO, Lisboa - 1 de Maio de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: CHEGADA DA TOUREIRA ESPANHOLA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA - LA REVERTE 2 DIAS ANTES DA CORRIDA

 

Arquivo nacional da Torre do Tombo, Lisboa

La Reverte

            A famosa e incomparavel toureira María Salomé, La Reverte, (NOTA: María Salomé Rodríguez Tripiana, LA REVERTE) contratada pela nova empreza da praça de Algés, (NOTA: O empresário era Segurado.) para a sua corrida de inauguração, no proximo domingo, 4, chega a Lisboa na sexta feira, 2, ás 3 e meia da tarde. Este facto constitue o caso sensacional da semana.

In O SÉCULO, Lisboa - 29 de Abril de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: TOUREIRA ESPANHOLA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA - LA REVERTE, NA SEGUNDA PRAÇA DA CAPITAL

 

María Salomé Rodríguez Tripiana, LA REVERTE 
FOTO: LA FIESTA NACIONAL - Biblioteca Nacional de España (Tratada por IA)

Praça d’Algés

            Tudo se prepara para que a grande corrida de domingo 4, n’esta praça, seja em todo o ponto de um grande acontecimento tauromachico; por isso está contratada para aquelle pomposo espectaculo a celebre e incomparavel toureira Maria Salomé, La Reverte, o ruidoso successo de toda a Hespanha e o curro é do acreditado ganadero sr. Marquez de Castello Melhor.


In O SÉCULO, Lisboa - 27 de Abril de 1902