21 DE JULHO DE 1909 – LISBOA: O MAIOR MUNICÍPIO DA «PIOLHEIRA» E AS TREVAS...

 
Biblioteca nacional de Portugal

ECHOS

            A empreza da Praça do Campo Pequeno, requereu á Camara Municipal (de Lisboa) que augmentasse a illuminação electrica em torno da praça durante as touradas nocturnas.

            O publico afflue em abundancia e o movimento dos trens de praça, dos automoveis e dos electricos torna-se perigoso para os traseuntes.

            A camara não attendeu o pedido. A empreza prontificou se a collocar as lampadas desde que a Camara lhe fornecesse a electricidade para a illuminação.

            A camara nem burra nem quatro vintens.

            Então a empreza montou a illuminação exterior da praça á sua custa, para o que obteve licença com alguma difficuldade!

            Fazemos sentir á Camara, que emquanto os operarios andam mudando o coreto de musica de Herodes para Pilatos, isto é, do Rocio para o Terreiro do Paço, uma empreza particular faz á custa do seu bolso a illuminação n’um logar publico para garantir a vida e as cabeças dos habitantes da cidade.

            Ora se os eleitores pensarem maduramente sobre o caso, para a nova camara municipal devem votar e portanto sahir eleitos vereadores, os srs. Lacerda e Albino José Baptista.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 21 de Julho de 1909