Verdadeiras corridas de touros
A arte de tourear em Portugal nunca poderá ter o brilhantismo que possue a arte hespanhola, pelo motivo de as corridas serem aqui parodiadas.
O touro deve ser corrido puro e em hastes limpas.
O touro deve ser picado, bandarilhado e morto.
O toureiro deve entrar na arena cheio de valor e valentia.
O vivente nasceu para morrer, portanto, tanto faz ser hoje como ámanhã.
O homem que exerce a arte de tourear, sabe de antemão o perigo da sua profissão.
Os touros nasceram para depois de nutridos, serem abatidos n’um matadouro para proveito do publico. Por conseguinte, tanto faz serem mortos no matadouro como na arena.
Será o meu grito, e tenho esperança que ha-de ser ouvido por aquelles que podem fazer uma grande revolução na tauromachia nacional.
Não desanimemos porque mais dia menos dia será satisfeito o nosso desejo.
Proclame-se a morte do touro para depois assistirmos ás verdadeiras corridas de touros.
Vivam os touros de morte!
In A CORRIDA, Lisboa – 10 de Outubro de 1897

