Tauromaquia
Não saiu egual o curro que serviu no domingo em beneficio do cavalleiro (José Maria) Casimiro Monteiro; no entanto appareceram touros muito bravos, que se prestaram á lide.
Foram cavalleiros Manuel Mourisca e o beneficiado. (NOTA: José Maria Casimiro Monteiro) José Bento d’Araujo não compareceu por ter adoecido.
Manuel Mourisca montava o excellente cavallo baio que ultimamente comprou, lidando n’elle o 1.º e o 11.º touros. Executou, tanto no primeiro como no segundo, bonitas e arriscadas sortes, com aquelle sangue frio e arte que todos lhe reconhecem.
Foi muito applaudido.
Casimiro Monteiro lidou o 4.º e o 8.º touros. No 4.º alcançou logo applausos porque se houve a contento do publico. No 8.º, o tal touro Leão, um animal valentissimo de grande corpo, mas muito difficil para a lide, alcançou uma ovação e uma chamada especial. Houve razão para isso, porque Casimiro Monteiro, em harmonia com o programma, lidou o bravo animal a ferros curtos, enfeitando-o muito bem em sortes arriscadas.
Robertos, Cortez, Peixinho e Caixinha mostraram-se mestres. Caixinha, tambem em cumprimento do programma, executou um quiebro na cadeira, saindo-lhe a sorte bem. Peixinho é que não conseguiu executar o salto da garrocha, no 12.º tourso, sendo a causa principal d’isso ter cedido a sorte de gaiola a Raphael Peixinho.
No intervallo foi chamado Casimiro Monteiro e presenteado com alguns objectos de valor, ramos, etc. Fez-se um peditorio para a viuva e orphãos do cavalleiro Batalha. (NOTA: Francisco Carlos Batalha nasceu em Lisboa no dia 18 de Fevereiro de 1841. Faleceu de doença cerebral na casa que habitava nas Escadinhas de São Lourenço em Abril de 1882.)
A concorrencia foi regular, e a direcção acertada.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 1 de Agosto de 1882




