Tauromachia
A corrida de domingo não foi das melhores, porque o gado saiu irregular. Houve no entanto alguns touros em condições boas para o toureio, e que deixaram brilhar os artistas.
O cavalleiro Casimiro Monteiro aproveitou muito bem o primeiro touro em sortes á meia volta e a sesgo. Poz com toda a arte dois pares de ferros curtos. Foi muito applaudido e teve uma chamda.
Antonio Monteiro não foi antehontem feliz; no entanto metteu bem alguns ferros. Intentando enfeitar o touro que lhe pertenceu com um par de bandarilhas, não poude conseguil-o.
José Bento (de Araujo) teve um touro de más condições, que não deixou contudo de enfeitar com algumas farpas bem postas.
Robertos muito bem. Roberto da Fonseca trabalhou admiravelmente com a muleta no 2.º touro, alcançando por isso uma ovação. Peixinho, Calabaça e Sancho aproveitaram o melhor que puderam os touros que lhes coube. Os restantes diligenciaram agradar.
O afamado Pardal, que tanta curiosidade despertára, é um touro facilimo de lidar; sempre prompto quando citado, parava-se no castigo. É emfim um verdadeiro paliterio, como vulgarmente são chamados os touros assim fieis.
O publico, vendo que nenhuma difficuldade havia em lidal-o, não consentiu que os cavalleiros lhes mettessem ferros curtos.
A casa estava regular.
Para domingo é que se prepara uma excellente funcção tauromachia. O gado, que pertence ao lavrador sr. José Ferreira Roquete, está alugado por bom preço, e foi escolhido com esmero. O cavalleiro n’essa tarde, —e damos n’isto uma agradavel nova aos amadores da tauromachia, é o nosso amigo o sr. Alfredo Tinoco da Silva.
O sr. Tinoco
promptificou-se a farpear quatro touros, por especialissima fineza ao
emprezario o sr. Vidal, que está esfregando as mãos de contentamento por poder
assim proporcionar aos habitués d’aquelle
circo uma funcção de primeira ordem.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 10 de Maio de 1881


