8 DE MAIO DE 1881 – LISBOA: CORRIDA COM ALGUM GADO IRREGULAR E OUTRO BOM...

 

Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            A corrida de domingo não foi das melhores, porque o gado saiu irregular. Houve no entanto alguns touros em condições boas para o toureio, e que deixaram brilhar os artistas.

            O cavalleiro Casimiro Monteiro aproveitou muito bem o primeiro touro em sortes á meia volta e a sesgo. Poz com toda a arte dois pares de ferros curtos. Foi muito applaudido e teve uma chamda.

            Antonio Monteiro não foi antehontem feliz; no entanto metteu bem alguns ferros. Intentando enfeitar o touro que lhe pertenceu com um par de bandarilhas, não poude conseguil-o.

            José Bento (de Araujo) teve um touro de más condições, que não deixou contudo de enfeitar com algumas farpas bem postas.

            Robertos muito bem. Roberto da Fonseca trabalhou admiravelmente com a muleta no 2.º touro, alcançando por isso uma ovação. Peixinho, Calabaça e Sancho aproveitaram o melhor que puderam os touros que lhes coube. Os restantes diligenciaram agradar.

            O afamado Pardal, que tanta curiosidade despertára, é um touro facilimo de lidar; sempre prompto quando citado, parava-se no castigo. É emfim um verdadeiro paliterio, como vulgarmente são chamados os touros assim fieis.

            O publico, vendo que nenhuma difficuldade havia em lidal-o, não consentiu que os cavalleiros lhes mettessem ferros curtos.

            A casa estava regular.

            Para domingo é que se prepara uma excellente funcção tauromachia. O gado, que pertence ao lavrador sr. José Ferreira Roquete, está alugado por bom preço, e foi escolhido com esmero. O cavalleiro n’essa tarde, —e damos n’isto uma agradavel nova aos amadores da tauromachia, é o nosso amigo o sr. Alfredo Tinoco da Silva.

            O sr. Tinoco promptificou-se a farpear quatro touros, por especialissima fineza ao emprezario o sr. Vidal, que está esfregando as mãos de contentamento por poder assim proporcionar aos habitués d’aquelle circo uma funcção de primeira ordem.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 10 de Maio de 1881