É
attrahente a corrida annunciada para segunda feira proxima na praça de Almada
por occasião do regresso dos cyrios.
(NOTA: Os “cyrios” são “os romeiros que integravam o Círio de Nossa Senhora da Atalaia (ou o histórico Círio de Cacilhas/Almada).
Esta referência específica liga-se a uma das maiores e mais concorridas tradições festivas da região do estuário do Tejo no século XIX:
— A Romaria da Atalaia: Realizava-se anualmente no último domingo de Agosto no Santuário de Nossa Senhora da Atalaia (no actual concelho do Montijo). Várias localidades da Grande Lisboa e da Margem Sul organizavam os seus próprios grupos de peregrinos (os "círios") para irem cumprir promessas colectivas.
— O Círio de Almada / Cacilhas: Era um dos mais importantes. Os devotos atravessavam ou percorriam o rio Tejo em embarcações típicas engalanadas (como faluas ou fragatas), regressando dias depois a Almada num ambiente de enorme euforia popular.
— A Ligação à Corrida de Touros: Como era costume nestas grandes festas populares do século XIX, a vertente religiosa era indissociável do divertimento profano. Para celebrar o regresso a salvo dos romeiros e encerrar as festividades do círio, as comunidades organizavam arraiais e corridas de touros (muitas vezes em praças improvisadas ou touradas a corda/rua) para gáudio da população.” - Fonte: Google)
O gado foi escolhido a capricho, e trabalharão como cavalleiros, por especial finezaa José Bento de Araujo, os arrojados amadores os srs. Alfredo Tinoco (da Silva), D. Antonio Galveias e D. Luiz do Rego.
O cavalleiro José Bento (de Araujo) farpeará o touro que o desfeiteou n’aquella praça na tarde de 24 de junho.
É uma
enchente certa.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 27 DE AGOSTO DE 1881

