4 DE OUTUBRO DE 1901 - LISBOA: EL-REI DOM CARLOS I OFERECE AO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO UM TOURO PARA SER LIDADO NA PRAÇA DE BELÉM, NO PARÁ (BRASIL)

 
Biblioteca nacional de Portugal

            Embarcou hontem ao meio dia, no vapor «Augustine» (NOTA: Booth Line Royal Mail Steamers. Em 1879 o navio dava pelo nome de «Grantully Castle». Só em 1896 passou a ser chamado «Augustine».), em direcção ao Pará, um touro offerecido por Sua Magestade El-Rei ao cavalleiro José Bento de Araujo.

O primeiro nome do vapor «AUGUSTINE» (1896) foi «Grantully Castle» (1879). 
O navio efectuou a partir de Janeiro de 1880 a carreira Southampton-Capetown. 
FOTO: Bluestarline.org

            No mesmo vapor vão tambem mais quatro touros comprados ao sr. Estevão de Oliveira (NOTA: Comendador Estevão ou Estevam Antonio de Oliveira) pelo sr. Guilherme Augusto de Almeida, por conta do estimado cavalleiro.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 5 de Outubro de 1901

6 DE ABRIL DE 1903 - LISBOA: UMA CORRIDA ESPECIAL EM PERSPECTIVA PARA O REI EDUARDO VII

 

O rei Eduardo VII assistiu à corrida em sua homenagem na Praça do Campo Pequeno
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

Vida mundana

LISBOA, 29 de março. 

            A corrida (do dia 6 de Abril de 1903 na praça do Campo Pequeno) será de 10 touros. Os cavalleiros são seis: José Bento de Araujo, Fernando de Oliveira, Manuel Casimiro, Joaquim Alves, Simões Serra e Eduardo de Macedo.

            Os cavalleiros entrarão na arena em dois coches de gala, com criados de taboa vestindo antigas librés. A praça será ornamentada.

            A corrida será annunciada por charamelleiros, figurando n’ella quatro pagens, neto e dezeseis forcados em dois grupos.

Biblioteca nacional do Brasil

In A NOTICIA, Rio de Janeiro - 16 e 17 de Abril de 1903

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8 DE SETEMBRO DE 1902 - LISBOA: FUNERAL DE GUILHERMINA ADELAIDE ARAUJO, MULHER DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

FUNERAES

            Foi hontem muito concorrido o funeral da ex.ma sr.ª D. Guilhermina Adelaide de Araujo, esposa do distincto cavalleiro tauromachico José Bento de Araujo.

            Além de outras pessoas, vimos ali as seguintes senhoras e cavalheiros:

            D. Maria Izabel de Vasconcellos, D. Julieta Alice de Vasconcellos, D. Dalila Heloise de Vasconcellos, D. Maria do Rosario Santos, D. Adelaide Barbara, D. Anna Oliveira de Carvalho e os srs. Eduardo Augusto de Oliveira, Guilherme de Almeida, Joaquim Gomes Filippe, Caetano José Macieira, (NOTA: O advogado Caetano José Macieira era um capitalista politicamente activo — foi eleito vereador do Partido Progressista em 1902. Era proprietário de armazéns e presidente da Associação Comercial dos Lojistas de Lisboa. Foi ainda um dos quatro fundadores do Coliseu dos Recreios, em Lisboa.), Antonio de Carvalho, Joaquim dos Santos Brito (NOTA: Joaquim dos Santos Brito era um abastado negociante e proprietário de Lisboa), Victor Carlos Martins, João Bastos Junior, D. José Manuel da Cunha Menezes (NOTA: A presença dos irmãos Dom José Manuel da Cunha Menezes e Ruy da Cunha e Menezes no cortejo ilustram o respeito da nobreza de sangue tradicional pelo cavaleiro e a sua família — “Dom” não significava, aliás, qualquer demonstração de cortesia por parte do diário O SÉCULO, mas o reconhecimento formal do estatuto de nobreza de sangue —  e das patentes militares.), Silvestre Calabaça, (NOTA: Silvestre Calabaça era  um dos mais reputados bandarilheiros portugueses do último quartel do século XIX e início do XX.), Humberto Frederico de Vasconcellos, Antonio Pereira, João da Silva Aranha, Pedro Paulo José de Mello (Taveiro) (NOTA: Os irmãos Pedro Paulo José de Mello (Taveiro) e Antonio Vasco José de Mello (Taveiro) eram filhos de Antonio José de Mello e Silva Cesar de Menezes, 1.º Viconde de Taveiro e 1.º Conde de Santar, um dos grandes proprietários e lavradores de Portugal. Eram amigos do cavaleiro José Bento de Araujo, criadores de gado e seleccionadores do cavalo lusitano para a lide tauromáquica.  Pedro Paulo José era o filho mais velho. Era uma das figuras cultas e elegantes da sociedade lisboeta e restaurador da famosa Quinta dos Azulejos, no Lumiar. O facto de os dois irmãos segurarem os cordões do pano mortuário representava  uma homenagem pública e “o mais alto selo de dignidade que a aristocracia de sangue de Lisboa podia conferir” à falecida e aos seus familiares.), Frederico Augusto de Carvalho, Antonio Vasco José de Mello (Taveiro), Ernesto Desforges (NOTA: Engenheiro e empresário — foi, aliás, um dos três fundadores do Teatro Avenida, gestor do Casino Lisbonense, no Chiado —, e autor de peças de teatro.), Augusto Pinto de Araujo (NOTA: Guitarrista de fado conhecido por “O Camões”. Tirou a guitarra portuguesa e o fado das tabernas dos bairros históricos de Lisboa e iniciou a sua profissionalização. Foi um dos fundadores do célebre Sexteto de Guitarrras de João Maria dos Anjos, criado na década de 1870 com quatro guitarras e duas violas.), Leopoldino José Caetano da Silva, A. de Pereira Bastos, Joaquim Henriques Pinto, José Baptista Ribeiro, J. Gomes Filippe, Ruy da Cunha e Menezes, Benedicto Roiza da Silva, Alfredo Ernesto da Silva, etc.

            Pegando às borlas organisaram-se differentes turnos.

            Dirigiu o funeral o sr. Guilherme Augusto de Almeida, amigo intimo de José Bento (de Araujo). (NOTA: Guilherme Augusto de Almeida era amigo e conselheiro do cavaleiro, apoderado e negociante.)


Cemitério Oriental (Alto de S. João) - Este jazigo por onde passou o cavaleiro José Bento de Araujo está neste estado e o munícipio nada faz há anos. 
No comments...
FOTO:  ©  Rui Araujo

            A fallecida ficou depositada n’um jazigo do cemiterio Oriental.

            Que descance em paz a desditosa senhora.

In O SÉCULO, Lisboa - 9 de Setembro de 1902

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7 DE SETEMBRO DE 1902 - LISBOA: A MULHER DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO FALECE DURANTE UMA OPERAÇÃO CIRÚRGICA


 

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

NECROLOGIA

            Em um quarto particular do Hospital Estephania, finou-se no sabbado (NOTA: Domingo, 7 de Setembro de 1902!), pelas 11 horas da manhã a sr.ª D. Guilhermina (Adelaide) Salreta Araujo, irmã dos nossos amigos srs. Antonio Affonso Salreta e Caetano Affonso Salreta (NOTA: A família Salreta, estebelecida na zona de Belém tinha raízes na região de Olhão e Ferragudo. O irmão mais velho, Antonio, nasceu em 1866 e Caetano em 1875.), a quem enviamos os nossos pezames.

            O funeral realisa-se hoje (8 de Setembro de 1902) pelas 12 horas do dia, sahindo o prestito da capella d’aquelle hospital para o cemiterio Oriental (NOTA: Alto de S. João, Lisboa).

Cemitério de Lisboa Oriental - Alto de São João. 
O cavaleiro e a esposa foram aí sepultados em jazigos.
FOTO: © Rui Araujo

(...)

José Bento de Araujo

            Este distincto cavalleiro tauromachico, que realisou hontem a sua festa artistica na praça de Algés, ao terminar a lide do 5.º touro da corrida, recebeu ali a desagradavel noticia de que acabava de fallecer sua esposa.

            O estimavel artista ficou inconsolavel, como é de calcular.

            O funeral da desditosa senhora realisa-se hoje, ao meio dia, saindo o prestito funebre do hospital Estephania, onde a esposa de José Bento (de Araujo) tinha recolhido para realisar uma operação bastante delicada e que lhe causou a morte.

            Ao sympathico artista os nossos sentidos pesames pelo desgosto que acaba de soffrer.


In O SÉCULO, Lisboa - 8 de Setembro de 1902

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7 DE SETEMBRO DE 1902 - ALGÉS: O DIA EM QUE O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO PERDE A MULHER...


 

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

Touradas

            Realisa se hoje ás 4 horas da tarde, na praça d’Algés, uma attrahente corrida de touros, em que tomam parte, entre outros artistas distinctos, o espada Emilio Torres, Bombita, e os cavalleiros José Bento (de Araujo), Simões Serra, (José) Luiz Bento e Adão.

            São corridos touros do sr. Estevam.

            O programma é o seguinte: 1.º touro para José Bento (de Araujo); 2.º para S. Calabaça e José Martins; 3.º para C. Gonçalves e T. da Rocha; 4.º para Rodas e Pulguita; 5.º para José Luiz Bento; 6.º para Simões Serra; 7.º para Pulguita e Rodas; 8.º apresentação do Capirote; 9.º para Fernando Adão; 10.º para F. Cruz e José Costa.

In O SÉCULO, Lisboa - 7 de Setembro de 1902

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7 DE SETEMBRO DE 1902 - ALGÉS: TRAGÉDIA NA PRAÇA DE TOUROS...


Arquivo nacional da Torre do Tombo, Lisboa

A grande festa d’ámanhã na praça de Algés

            Ámanhã em Algés a grande festa de José Bento (de Araujo). A corrida mais notavel dos ultimos tempos. Admiravel curro de Estevão d’Oliveira; o surprehendente phenomeno, o celebre touro Capirote; o grande Bombita 1.º; os insignes cavalleiros José Bento (de Araujo), Serra, Luiz Bento e Alão (NOTA: Adão); bons bandarilheiros portuguezes e hespanhoes; valente grupo de forcados; direcção do distincto aificionado Jayme Henriques.

            Applausos, ovações, enthusiasmo delirante. Os famosos touros estão hoje em exposição.

In O SÉCULO, Lisboa - 6 de Setembro de 1902

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27 DE JANEIRO DE 1907 - RIO DE JANEIRO: UMA BOA CORRIDA DE CARNAVAL...

 

Biblioteca nacional do Brasil

TAUROMACHIA

            A tourada de hontem reuniu muita gente no redondel do Campo de Marte.

            Ha muito que não viamos ali tanta gente. Estavam cheias todas as dependencias da praça. Occupados todos os camarotes, apinhada a sombra, repleto o sol, atochadas as cadeiras e abarrotadas as escadas, sendo difficultada a passagem.

            É que fazia beneficio o cavalleiro José Bento (de Araujo), que conta muitos amigos.

Antes da tourada José Bento (de Araujo) e mais membros da cuadrilla, tomaram parte em uma passeata do Club Tenentes do Diabo, seguindo o prestito para o redondel, depois de percorridas varias ruas.

            A tourada foi á antiga portugueza. Representaram-se todos os elementos para lembrar o toureio das das espocas passadas.

            Ao José Bento (de Araujo) couberam o 4º e 7º touros. Com aquelle, o seu serviço não agradou. Só applicou bem um ferro, tendo consentido que o seu animal fosse constantemente beijado pelo cornupeto.

            Com o 7º touro houve-se melhor, applicando bons ferros largos e excellentes curtos, e merecendo os applausos recebidos.

            Simões Serra e Nobre Infante fizeram binito trabalho com o 1º touro, mas foram infelizes com o 5º.

            Um cavalleiro amador, que figurou sob o nome de Arthur Lemos, em signal naturalmente de homenagem ao deputado paraense, deu constantes esbarros na arte, mas revelou coragem, podendo dar sorte com uma conveniente aprendizagem.

            Alexandre Vieira, Alfredo Santos, Segurita, Machaquito, Luiz Canario e Pinheiro, concorreram com os seus esforços para o brilho da tourada.

            Houve duas pegas regulares: uma pelo Lisboa, outra pela Pouca Roupa.

            O Russo, ao tentar uma pega da costas no 3º bicho, foi desfeiteado, sendo rijamente colhido. Retirado em braços, voltou mais tarde á trincheira.

            Duas bandas de musica abrilhantaram a festa. O ruido de sua(s) peças, o toque dos clarins e a algazarra dos Tenentes, davam nota especial ao divertimento.

            — Foi uma tourada regular, disse o Camarão, que lá estava firme, como afficcionado cathedratico.

            Foi uma boa tourada, dizemos nós, si attendermos ao trabalho da cuadrilla, á qualidade do curro, o melhor que se podia obter no fim da temporada, e á numerosa e selecta concorrencia, representada pelos afficcionados, anacletos e pelo bello sexo, resplendente em graça, belleza e elegancia de toilettes.

Frascuelo

In O SECULO, Rio de janeiro - 28 de Janeiro de 1907

1 DE SETEMBRO DE 1901 - RIO DE JANEIRO: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO A CAMINHO DE BELÉM (PARÁ), MONTEVIDEU (URUGUAI) E BUENOS AIRES (ARGENTINA) NO DIA 13 DE AGOSTO DE 1901


 

TAUROMACHIA

            Bello dia o de hontem para touradas. Como todos os domingos de Agosto, este que abriu o primaveril setembro teve tambem uma manhã brumosa e humida; mas para a tarde o sol brilhou francamente, e a hora do inicio da tourada foi clara a linda.

            Como a corrida era dedicada ao Sport Nautico Brasileiro, havia dous caamrotes, ornados de colchas e bandeiras, onde se achavam representantes dos varios clubs da regatas.

            Não occupados nem metade dos camarotes da vasta praça; mas, nos que estavam cheios, viam-se bellas e elegantes senhoras.

            Certo que a frequencia ás touradas tem diminuido, n’estas ultimas; mas o enthusiasmo dos aficionados indefectiveis não arrefeceu. E hontem foi mesmo uma das tardes mais barulhentas d’esta época.

            Houve um momento em que uma parte do publico se portou até inconvenientemente, chegando uns tres ou quatro individuos á brutalidade de atirar garrafas á arena. A policia não póde nem deve consentir semelhante desacato, que póde pôe em perigo os artistas que alli vão trabalhar para divertir a maioria do publico, que abomina taes actos de estupidez e selvageria.

            As touradas agora, quasi sem artistas e com o gado muito corrido, pois cada touro tem pelo menos quatro praças, não podem ser boas. O publico indignou-se porque os moços de forcado não conseguiram effectuar uma pèga de cernelha. São cousas que acontecem. Os cabrestos não são educados e o touro escoiceava como um cavallo: quem se lhe approximava ia á terra. A intelligencia, com uma energia que ainda não lhe tinhamos visto mandou recolher a fera, e o publico não gostou: d’ahi o barulho, que perturbou a lide de Rufino (de Oliveira) no terceiro touro, que era offerecida a todos os patricios do esperançoso bandarilheiro, que é paraense.

            Emfim, parece que tudo vai em breve melhorar, porque, segundo nos disse hontem pessoa bem informada, a empreza vai dar só mais uma corrida, dedicada ás escolas superiores d’esta capital, e em seguida suspenderá os seus trabalhos até que cheguem os novos touros e os novos artistas que mandou vir.

            Como attractivo, consta-nos que ainda n’esta época teremos de admirar... uma cavalleira.

            Já vimos d’isso n’uma praça de provincia e, francamente, não gostámos...

            Emfim, o que todos nós, aficionados e criticos, devemos implorar a Jupiter (foi transformado em touro que ele arrebatou a linda Europa) é que esta cavalleira toreie um pouco melhor do que aquellas celebres bandarilheiras que ha tres annos, as miseras! andaram beijando o pó d’esta mesma praça, como se nada mais houvera n’este mundo que beijar.

            Os progressos do feminismo ainda não deram, e quiçá não darão nunca, á mulher a agilidade e a robustez do homem. E dóe as almas delicadas, e é ante-esthico e consternador  ver-se uma mulher mettida em bombachas, citar uma vez em falsete e rolar em seguida na terra dura da praça, com um touro em cima ás cornadas, ignobilmente  machucada e suja. Não; touros com mulheres, só quando elles tiverem aprendido com o pae dos deuses a lamber o pé formoso da filha de Agenor, como no quadro do Veronezo. Tudo mais será brutalidade. É verdade que, no caso da picadora, entre ella e o touro estará o cavallo, que é animal nobre, capaz de defender a sua dama.

            Mas vamos á resenha da tourada de hontem, que já não é sem tempo:

            Antes de sahir o 1º touro, e logo depois das cortezias, Adelino Raposo, montado no seu ginete de toureio, dirigindo-se aos camarotes adornados, brindou «pelos briosos rapazes que ganharam o premio do campeonato de 1901» (tomámos em tachygraphia; é para que saibam!).


O cavaleiro tauromáquico Adelino de Senna Raposo no Brasil
FOTO: DR (Tratada por IA)

            O touro que lhe coube, como aliás todos os outros agora, não lhe permittio a sorte á sahida; mas dos sete ferros que elle cravou, tres foram muito bons, dous largos á meia volta e um curto á estribeira; teve um á garupa muito mal, que o obrigou a ir mudar de cavallo, trocando o castanho pelo russo, que é um artista, — e outro a tira, curto, pessimo.

            Devemos, todavia, dizer que no estado de sabedoria em que está o curro, mal se póde apreciar a arte dos toureiros, de pé ou de cavallo, e que é muito louvavel o esforço que se lhes nota para rematar limpamente as sortes. Porque o publico, já conhecedor, assim pensa como nós, é que applaude ás vezes o artista que apparentemente não mereceu applausos.

            O 2º touro foi enfeitado por José dos Santos, com dous bellos pares de bandarilhas a quarteio e á meia volta. É este o artista que tem, n’esta época, trabalhado com mais consciencia e limpeza.

            Faculdades tambem prendeu dous pares e meio n’este bicho, sendo um bom.

            Já dissemos acima que falhou a pèga de cernelha.

            Ao sahir o 3º touro, Cortez, que já fizera o mesmo com os outros dous, collocado á esquerda da sahida com o capote, cortou a sorte de gaiola a Rufino de Oliveira, o Paraense, que depois só conseguio prender bem um par a sesgo.

            Depois da passada de capa por Faculdades, muito mal, como sempre, os forcados tentaram em vão pegar esta rez. Houve muito trambulhão, e por fim a fera, enraivada, andou a passear por cima de um dos homens que cahira resupino (NOTA: "resupino" ou de costas), sem que houvesse meio de quitar o touro a capote; então Faculdades, talvez porque a consciencia lhe doeu, foi rabejal-o, conseguindo livrar o pobre diabo de tão critica situação. O publico fez-lhe uma ovação.

            O 4º touro sahio para o novel cavalleiro Evaristo Raposo. Rufino (de Oliveira), que se preparou para o salto de garrocha, não conseguio dal-o, porque a fera não arrancou. O cavalleiro cravou seis ferros. Mas não lhe deviam permittir mais de tres, com tal gado, pois do terceiro em diante o seu trabalho deixa de luzir. Os tres primeiros, todos à meia volta, foram limpos, e n’elles o joven cavalleiro ainda d’esta vez revellou boas, excellentes qualidades para o toureio.

            O 5º touro foi esperado por Cortez, que mal se ageitou com elle, não conseguindo pôr senão meios pares. Gordito poz um bom par, quarteando muito cingido. Depois nada mais fez.

            Passado mal por Faculdades, cuspio este touro nada menos de tres homens que successivamente lhe cahiram entre as hastes. O dia não foi para pégas. Os bois, mal passados de capote, ensarilham muito e ficam com pernas para furiosos derrotes em que é difficillimo acompanhal-os.

            Adelino Raposo offereceu a lide do 6º touro ao Sport Nautico, e foi esperal-o á sahida para fazer a sorte, do «toreio moderno», de garupa á gaiola. Mas o touro, que era dos antigos, não se prestou á modernice e enconchou. (NOTA: escondeu-se ou recuou ou se colou à barreira.) Foi preciso substituil-o por outro, que tambem se mostou inimigo de innovações. Mas depois o cavalleiro, esforçando-se visivelmente por cumprir o seu dever, collocou-lhe quatro ferros, dous dos quaes muito bem.

            E as festa tauromachica terminou entre applausos animadores. Deviam se ter seguido dous numeros de pantomina e acrobacia, a que não assistimos, por não ser cousa da nossa competencia. — Frascuelo.


O cavaleiro tauromáquico José Bento de Araujo em 1889
Biblioteca nacional de España
(Cartoon tratado por IA)

P.S. — Vimos uma carta escripta de Lisboa pelo José Bento de Araujo (tem feito progressos, o demonio!) a um amigo d’esta capital, participando-lhe que a 13 do mez proximo passado tinha sahido de Lisboa, com destino ao Pará, uma companhia tauromachica organisada por aquelle esforçado e reforçado cavalleiro, com dous artistas de cavallo, dous matadores, cinco bandarilheiros, um grupo de poderosos moços de forcado do Ribatejo e trinta touros portuguezes. Esta cuadrilla seguirá do Pará para Montevidéo e Buenos-Aires, tendo alguns dias de demora no Rio de Janeiro.Ora, que bom se o José Bento (de Araujo)... Não; o melhor, como isto não é para nós, será esperarmos mesmo pelos quatorze touros que nos estão promettidos. — F. (NOTA: "F." de Frascuelo, pseudónimo adoptado pelo jornalista)

Biblioteca nacional do Brasil

In A NOTICIA, Rio de Janeiro - 2 e 3 de Setembro de 1901

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2025/06/1896-toreo-espanol-y-toreo-portugues-el.html

29 DE AGOSTO DE 1878 - LISBOA: CINCO CAVALEIROS NO BENEFÍCIO DE FRANCISCO CARLOS BATALHA

 

Biblioteca nacional de Portugal

Os amadores do nosso popular divertimento tem na quinta feita proxima (29 de Agosto de 1878) occasião de provar que não se esquecem dos artistas seus predilectos, ainda mesmo quando, por qualquer revez de sorte, se conservam affastados dos trabalhos e perigos da arena.

            Realisa-se n’essa tarde o beneficio do intrepido cavalleiro Batalha, (Francisco Carlos Batalha) que tantas sympathias grangeou no nosso publico, pela sua indomavel coragem e magnificos dotes de equitação. O beneficio é promovido por Victorino Marques, que tem empregado, para que o exito seja favoravel, todos os esforços do seu genio valoroso e philantropico.

O cavaleiro Francisco Carlos Batalha.
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada pot IA)

            Trabalham cinco cavalleiros, o beneficiado, que lidará o primeiro touro, Manuel Mourisca, Casimiro Monteiro, A. Monteiro, e José Bento d’Araujo. Toureiam doze bandarilheiros, isto é, todos os nossos melhores artistas, o que torna a corrida muitissimo attrahente.

            Todos os artistas se prestam generosamente a auxiliar o seu collega.

            Deve ser concorridissimo o beneficio de (Francisco Carlos) Batalha.

            Dizem-nos que o publico do sol, lhe tem preparada uma enthusiastica manifestação de estima.

            Será concorrida e animada a festa em beneficio de (Francisco Carlos) Batalha.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 27 de Agosto de 1878

28 DE JANEIRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: ARTISTAS IBÉRICOS NA PRAÇA DE TOUROS DA CAPITAL DO BRASIL

 


PRAÇA DE TOUROS

Campo de Marte

Nova cuadrilla organisada pelo 1º cavalleiro portuguez


JOSÉ BENTO DE ARAUJO


Amanhã        Domingo 28 de Janeiro     Amanhã

Ás 4 ½ horas da tarde

GRANDIOSA CORRIDA

6          BRAVISSIMOS TOUROS        6

das ganadarias do Marquês de Castello Melhor e Roberto da Fonseca

EXTRAORDINARIO SUCCESSO

2ª representação da celebre e afamada matadoura de touros

MARIA SALOMÉ

LA REVERTE

que conquistou os ruidosos applausos na corrida ultima.


2ª apresentação do distincto e arrojado cavalleiro


MORGADO DE COVAS


Toma parte toda a quadrilha

preços do costume

Biblioteca nacional do Brasil

In JORNAL DO COMMERCIO, Rio de Janeiro - 27 de Janeiro de 1906

21 DE DEZEMBRO DE 1895 - RIO DE JANEIRO: A TEMPORADA TAURINA DE 1896 NA CAPITAL FEDERAL DO BRASIL


 

Biblioteca nacional do Brasil

SPORT

Tauromachia

            No anno proximo virão a esta capital os cavalleiros Alfredo Tinoco (da Silva) e José Bento de Araujo, acompanhados pelos melhores toureiros portuguezes.

            A empreza que os contratou, a cuja frente está o Sr. Luiz Pereira, não tem poupado esforços para proporcionar aos afficionados magnificas touradas.

In O PAIZ, Rio de Janeiro - 21 de Dezembro de 1895