27 DE ABRIL DE 1884 - LISBOA: SEGUNDA CORRIDA DA ÉPOCA SÓ COM ARTISTAS PORTUGUESES

 
Biblioteca nacional de Portugal

  ESPECTACULOS

                4 h. — PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA — Domingo, 27. — Segundo espectaculo da presente epoca tauromachica. Grande corrida de 13 touros pertencentes ao abastado lavrador o sr. Marcello Neuville — Cavalleiro: José Bento d’Araujo — Bandarilheiros: Irmãos Robertos, Peixinhos, Sancho, Calabaça e Costa.

            Bilhetes á venda na rua do Principe, 53, e na tabacaria Climaco, rua da Bitesga, 71.


Praça do Campo de Sant’Anna 

Resuscitaram as touradas

Domingo, 27 de abril de 1884

            
        NOVA empreza tauromachica de Calhamar Pinto e Silva. — Segunda corrida da presente epoca. surprehendente corrida de 13 touros comprados de propossito para esta corrida á viuva do falecido lavrador José Ferreira da Costa pelo abastado proprietario e lavrador ex.mo sr. Marcello Neuville. Tomam parte na mesma o cavalleiro José Bento d’Araujo, bandarilheiros, Roberto, Peixinhos, Calabaça, Sancho e José da Costa. Bilhetes desde já á venda rua da Bitesga, 71, e rua do Principe, loja de cabelleireiro, 53.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa- 23 de Abril de 1884

27 DE JANEIRO DE 1907 - RIO DE JANEIRO: CARNAVAL COM TOURADA NA PRAÇA DO CAMPO DE MARTE NA CAPITAL DO BRASIL

 


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CARNAVAL

            Vae por esta muito elegante city um contentamento geral pelas promessas feitas, de que as empolgantes festas em honra ao querido Momo serão deslumbrantes e estupefacientes, mirabolantes e archi-extraordinarissimas!

            Não há mortal, por mais pobre que seja, que se não prepare já para as pugnas da Folia.

            Os foliões, os celebres que em todos os carnavaes são a alma dos mesmos, gastam horas e horas em cavação de mil meios que possam, enchendo os dias de loucura, divertir os mais, sem offensa e com agrado geral.

            Os bailes á fantasia que os clubs realizam amanhã são como que a amostra do que será o Carnaval proximo, ainda que por muito enthusiasmados que elles sejam, não serão nem a pallida idéa do esplendor fantastico dos taes tres dias em que a Humanidade tem permissão de tudo, tudo fazer para divertir-se, isso sem offensa á moral, já se vé.

            Os cordões carnavalescos que tanto e tanto auxiliam as desejadas festas, e periodo das férias humanas, têm já quasi concluidos os seus bellos estandartes de maravilhoso effeito, pintados a capricho por artistas competentes.

            Estes são os incansaveis. Saem sabbado, á noite, e só se recolhem definitivamente pela madrugada alta de quarta-feira de cinzas, esbodegados, mais mortos do que vivos, mas inda sssim capazes de fazer outro carnaval seguidamente; são; uns heróes!!

            E dizer-se que essa boa gente, a dos cordões, leva o anno inteiro juntando nickel a nickel para de uma só vez, francamente, gastal-o com todo o gosto!

            É tambem a unica compensação que tem aos multiplos contratempos que o mundo lhe traz, nesta quadra de tanta miseria e injustiça tanta.

            Ai de nós, si nos faltasse o Carnaval, verdadeira amnistia ao muito que soffremos na grande luta pela vida!

            Ao menos durante o seu rapido periodo esquecemo-nos de tudo para só pensar em rir e folgar; emquanto reina Momo só nos lembramos do que é bom; maguas e desgostos pomos a um canto e nada mais nos importa sinão rir, rir muito, tanto quanto seja sufficiente para abafar as nossas dores, mesmo a dos dentes ou as dos callos.

            Portanto toca a zabumbar com ancia e vontade.

Isto é bom, isto é bom,

Isto é bom!

Isto é mesmo muito bom

Muito bom, bom bom. 

Tenentes

            É hoje o dia magno para o Grupo dos Atirados, pleiade fina de socios dos Tenentes.

            Os Atirados dão uma baile supimpa, cheio de attractivos mil, onde as deidades encontrarão um sem-numero de surpresas, cada qual mais entontecedora.

            Os salões da Caverna (NOTA: A Caverna é a sede da sociedade carnavalesca “Tenentes do Diabo”) estarão deslumbrantes, feericos, extraordinarios de luzes e de animação.

            A noite hoje na Caverna será de galas, noite sem jaca, (NOTA: “Noite sem jaca” significa que o baile requer uma postura irrepreensível, elegância e ordem. Hoje, ainda se usa no Brasil a expressão “enfiar o pé na jaca”, que corresponde a cometer excessos.) encantadora e limpida.

            Tambem o Grupo dos Dragões da Caverna, filho dos Tenentes, dá um ar de sua graça e uma prova de sua existencia, fazendo uma passeata de luxo amanhã, ás 2 horas da tarde, afim de acompanhar á Praça de Touros os cavalleiros portuguezes que se vão exhibir no beneficio do artista José Bento (de Araujo).

            A passeata sairá da séde dos Tenentes na seguinte ordem: banda de infanteria de marinha em caminhão-automovel; landau com a directoria, onde o Dragão empunhará o bello pavilhão rubro-negro, seguido de seis charamelleiros a cavallo, vestindo a caracter, landaus com socios levando estandartes; bello carro, artisticamente adornado com os cavalleiros portuguezes, trajando como manda a pragmatica do redondel; caminhão-automovel conduzindo os moços de forcado e muitos carros com socios e convidados. Eis o itinerario do prestito:

            Ruas Senador Dantas e Passeio, Avenida Central (em volta, ruas Assembléa e Carioca, praça Tiradentes, rua Visconde do Rio Branco, praça da Acclamação e rua Visconde de Itauna até a Praça de Touros.

            Depois da tourada voltará o prestito na mesma ordem e pelas mesmas ruas até a Caverna.

In O SECULO, Rio de Janeiro - 26 de Janeiro de 1907


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4 DE NOVEMBRO DE 1883 - LISBOA: BENEFICIO DE JOSÉ CADETE, DECANO DOS BANDARILHEIROS, NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT'ANNA


 

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Tauromachia

            O bem conhecido e acreditado lavrador do Valle de Figueira, Emilio Infante da Camara, estava ancioso para que na praça do Campo de Sant’Anna, fossem corridas algums das suas vaccas bravas, desejando, por este modo, patentear ao publico, que tão lisongeiramente o tem acolhido, qual a pureza das raças que tem conseguido apurar. Realisa-se, pois, esta corrida no proximo domingo. A conducção das vaccas tem sido difficultissima. Assim o garante o notavel lavrador e creador, em carta que vimos. Esta corrida excepcional, deverá cabalmente satisfazer aos amadores. Além d’esta novidade, apresentar-se-hão bastantes attractivos que egualmente deverão agradar. A corrida é desempenhada por habeis bandarilheiros. Alguns dos campinos, lidarão montados em cavallos em pello.

            O arrojado bandarilheiro africano, egualmente trabalhará, mettendo algumas bandarilhas com a bocca.

            Os preços são reduzidos. Há, nos amadores, grande influencia, porque confiadamente muito se espera na bravura das vaccas.

            Os irmãos Robertos, seu sobrinho João Roberto, Caixinha, Sancho, Calabaça, Peixinhos, Monrisca, (Mourisca!) José e Antonio Monteiro, e José Bento de Araujo, constituidos em commissão, promovem para o dia 4 do proximo mez, um beneficio na praça do Campo de Sant’Anna a favor do decano dos bandarilheiros José Cadete.

            O gado pertence aos irmãos Robertos, sendo 9 touros puros e 4 corridos.

            É muito louvavel a iniciativa d’esta festa e prova a boa camaradagem. O publico pela sua parte não deixará, de certo, de concorrer, n’aquella tarde, á festa do pobre velho Cadete, que em muitas tárdes fez as delicias dos afficionados.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 26 de Outubro de 1883

13 DE MAIO DE 1883 - MONTEMOR-O-NOVO: CORRIDA COM O "CAVALLEIRO DE PROFISSÃO JOSÉ BENTO D'ARAUJO", INICIALMENTE PREVISTA PARA DIA 3, TERÁ 13 TOUROS, 5 CAVALEIROS, 1 PALHAÇO E 1 GATO...

 

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 6 de Maio de 1883

23 DE SETEMBRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: A ESTREIA DA "CUADRILLA" DE JOSÉ BENTO DE ARAUJO - “2 CAVALLEIROS — 2 ESPADAS — 1 BANDARILHEIRO E 6 BRAVISSIMOS TOUROS”

 

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TAUROMACHIA

                        Não convidava á los toros a macambuza tormenta tarde de hontem, enfa?????? e promissora de chuva, no entanto não foi pequena, apezar disso, a concorrencia ao redondel do Campo de Marte, onde estreiava a cuadrilla do José Bento (de Araujo).

            Impaciente e temendo qualquer aguaceiro, o José (Bento de Araujo) apressou a corrida, e, mesmo, se notava a sua contrariedade fitando o céu por vezes, esfregando as mãos, nervoso, sequioso de um pedaço de sol.

            Mas, era tudo sombra.

            Dado o signal ordenado pelo intelligente, entrou na praça a garbosa cuadrilla, ao som de uma marcha pela banda de marinheiros nacionaes.

            Feitos os cumprimentos do estylo, vem á praça, para Simões Serra, o primeiro bicho.

            (Simões) Serra,  no seu bello Zafra, portou-se benito, cravando á meia volta tres magnificos ferros largos e um rematado, salientando-se, no curto, á tira, numa meia volta artistica, ao estr???? atteado.

            Rompeu então uma salva de palmas ao correcto cavalleiro.

            O segundo touro, para Vieira e Alfredo Santos, proporcionou a este um bom salto de vara larga, deixando perceber, pela maneira de capear, que é ????? nos quartos, dando ensejo a Vieira para metter na féra dois ferros, seguidos de um emborco, vingando-se com dois pares delles ainda melhores no cornupeto.

            Segurita lidou o terceiro touro, que ????? a sorte no salto a vara larga, mostrando-se artista, quando o bicho se apresentou bem e lhe deu ensejo dw fazer um bello passe de muleta em ?????.

            Esse touro foi pegado limpamente pelo Russo de cara.

            O quarto touro, depois de emborcar os capinhas, foi lidado admiravelmente por Machaquito, que se revelou um artista senhor do piso e teve  uma verdadeira ovação ao terminar a faena com a muleta, saindo-se brilhantemente nos passes.

            Pinheiro, Santos e ????? só conseguiram com o quinto touro uma reprovação geral do publico. Ou por infelecidade, ou por impericia, nenhum delles fez coisa que se possa notar.

            E o bicho foi como veiu.

O cavaleiro José Bento de Araujo no Rio de Janeiro.
GRAVURA: Biblioteca nacional do Brasil. (Tratada por IA)

            Esfriou a praça, e logo appareceu num bello animal, o José (Bento de Araujo.

            Atiram-lhe a sexta féra, um bicho fogoso e prompto.

            Com a firmeza que nunca o abandonou, José Bento (de Araujo) collocou alguns ferros largos á meia volta, brilhando, num curto, bem posto á tira, que lhe mereceu uma ovação.

            Duas pégas mais foram feitas, a do Augusto e a do Pouca Roupa, que se a tem assim, está em contraste com o sangue frio e a sorte, pois, pegando mal o touro, foi emborcado, fazendo em recurso uma péga de costas que o salvou de algumas contusões e de um fiasco.

            Apezar dos senões apontados, quando se lidava o quinto touro, a temporada promette ser das melhores.

            O gado é bom e o José Bento (de Araujo), além das 52 féras que trouxe, já providenciou para que venham outras em breve.

            Mais coragem em alguns da sua cuadrilla, um pouco de sol e moscas, e não faltará ao José Bento (de Araujo) quem o vá applaudir no redondel do Campo de Marte.

In O SECULO, Rio de Janeiro - 24 de Setembro de 1906

20 DE JUNHO DE 1889 - LISBOA: O ACIDENTE DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA "BAIXA" DE LISBOA...

 


Arquivo Nacional da Torre do Tombo

            Na occasião em que hontem seguia pela rua Augusta o cavalleiro José Bento d’Araujo, guiando um dog-cart, (NOTA: O dog-cart era uma carruagem ligeira de passeio e/ou de caça puxada por um cavalo ou por dois em linha. Tinha duas rodas altas. Era um símbolo de distinção social em Portugal. Era o veículo predilecto da aristocracia e da burguesia para circular nos passeios elegantes e/ou conduzir os seus proprietários às quintas nos arredores de Lisboa.) foi cuspido da  almofada, resultando da queda ficar gravemente ferido na cabeça.

Exemplo de dog-cart.
GRAVURA: World Internet Archive

            José Bento (de Araujo) foi pensado na pharmacia Avelar (NOTA: A referida farmácia já não existe.) e em seguida acompanhado á casa da sua residencia pelo policia 91 da 3.ª divisão. (NOTA: A 3.ª divisão ficava, então, na rua Formosa, denominada posteriormente rua do Século. A actual sede do Comando Metropolitano da PSP está em Benfica.)



In O SÉCULO, Lisboa - 21 de Junho de 1889

20 DE ABRIL DE 1884 - LISBOA: ESTADO DO CAMPINO FERIDO NA EMBOLAÇÃO AGRAVA-SE....

 
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            Está peior o campino que foi hontem furado por um boi, na embolação. (NOTA: O acidente ocorreu  dois dias antes da publicação desta notícia, 20 de Abril de 1884)

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 22 de Abril de 1884

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2026/08/20-de-abril-de-1884-lisboa-desgraca-na.html


20 DE ABRIL DE 1884 - LISBOA: DESGRAÇA NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA POUCO ANTES DA PRIMEIRA CORRIDA DA ÉPOCA

 

Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

            Inaugurou-se hontem a epoca tauromachica, com a primeira das corridas que deve dar a empreza Calhamar Pinto e Silva.

            A epoca inaugurou-se com felicidade, olha a expressão pelo lado da arte e da receita, e mal pelas consequencias. Assim foi.

            O curro pertencia ao afamado lavrador Emilio Infante e saiu bravissimo. Bastava isto para que a corrida fosse de molde a contentar os amadores; mas accresceu mais o trabalho ser bom, o que completou a festa. Este foi o lado feliz da empreza. E começou mal, porque a primeira diversão tauromachica d’esta epoca custa talvez, se não custou já, a vida de um chefe de familia.

            Foi o caso que de manhã, por occasião da embolação, conforme dizemos em uma local em separado, um dos moços foi colhido por um touro — o primeiro que de tarde saiu para o cavalleiro — e, sendo forçado a um recurso, intentou pegar no animal. Este porém, sacudindo o desgraçado campino, metteu-lhe uma das hastes um pouco acima do quadril esquerdo, fazendo-lhe um ferimento profundo. Com a outra haste fez-lhe um ferimento no sobr’olho direito. O pobre homem, chefe de familia numerosa, foi conduzido logo ao hospital de S. José, sendo o seu estado gravissimo. De tarde perdera a falla, e suppunha-se que não escapasse. Eis pois a rasão porque a epoca, comquanto começasse bem, em rasão da braveza do gado, do bom trabalho e da receita, começou mal pelas suas funestas consequencias.

            Foi José Bento (de Araujo) o cavalleiro que substituiu (Manoel) Mourisca, que não poude trabalhar por lhe ter adoecido o cavallo.

            José Bento (de Araujo) trabalhou muito bem, sobresaindo no seu trabalho a sorte de gaiola no primeiro touro, e o ferro curto á tira terminando de garupa, posto no ultimo touro que lhe pertenceu na segunda parte. Foi muito applaudido.

            Roberto da Fonseca e Peixinho muito bem, e os seus quatro collegas, regularmente. Peixinho distinguiu-se tambem, além do trabalho das bandarilhas, em alguns passes de capote, e Roberto da Fonseca no trabalho de muleta no 2.º touro da 2.ª parte. Muito applaudidos e com rasão.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 21 de Abril de 1884

O relato da desgraça foi narrado com honras de primeira página.

8 E 15 DE ABRIL DE 1883 - LISBOA: AS PRIMEIRAS TOURADAS DA TEMPORADA NA CAPITAL DO REINO...

 

 Tauromachia

            Resumiremos a noticia relativa á tourada de domingo passado, attendendo á falta de espaço com que estamos luctando.

            O gado, que pertencia ao novel lavrador o sr. Ignacio do Casal Ribeiro, mostrou valentia.

            Sairam alguns touros refractarios ás sorte, mas em geral tinham genio e muito pé.

            O gado do sr. Casal Ribeiro estava realmente bem tratado, como se viu no curro de domingo. Pena foi que o lavrador tivesse uma perda importante. Á embolação um toiro matou outro, que foi dado ao asylo.

            Do trabalho dos artistas nada temos a dizer em desabono, tanto mais se attendermos a que a primeira corrida de uma epoca é como que o ensaio quer para cavalleiros ou bandarilheiros. A concorrencia foi grande.

            No proximo domingo (15 de abril) realisa-se a segunda corrida, sendo o gado do sr. Vaz Monteiro, lavrador dos mais afamados.

            Trabalham os melhores capinhas, e são cavalleiros Casimiro Monteiro e José Bento (de Araujo).

IN DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 11 de Abril de 1883

24 DE JUNHO DE 1884 - ALMADA: TOURADA DO SÃO JOÃO NA PRAÇA DE SÃO PAULO FOI UM SUCESSO...

 

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Tourada em Almada

            A que se effectuou no dia de S. João em Almada, foi realmente de agradar. O gado era bravissimo e dos nove bois para pé, não houve um só a regeitar!

            José Bento (de Araujo) lidou o primeiro com arte, que era um animal admiravelmente bravo, e o ultimo  — com bastante arrojo — pois o bicho era para respeitar pelo saber e posses! Os artistas de pé — trabalharam muito bem, sobresahindo Peixinho.

            Tiveram todos muitas chamadas e applausos, bem como José Bento (de Araujo). O lavrador teve uma chamada especial e foi muito victoriado pelo bello curro de touros que apresentou. A direcção da corrida foi boa. Dirigiu Bottas.

            O publico sahiu muito satisfeito, pois nada houve que deslustrasse aquella bella funcção!

            Oxalá o emprezario consiga outro tanto para a tourada d’agosto no dia dos sete sirios.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 28 de Junho de 1884

28 DE JANEIRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: A “CUADRILLA” LUSO-ESPANHOLA AJUDA A VIÚVA DE UM JORNALISTA BRASILEIRO...

 

O cavaleiro Morgado de Covas.
FOTO: A TRIBUNA. Hemeroteca da CML (tratada por IA)

DIVERSAS NOTAS

            — Por occasião da tourada de hontem, na praça do Campo de Marte, os artistas da quadrilha tauromachica tendo á sua frente os cavalleiros José Bento de Araujo, o Morgado de Covas, (NOTA: Morgado de Covas chamava-se Francisco de Lima da Costa Barreira. Era natural de Vila Nova de Cerveira. Nasceu no dia 8 de Maio de 1873 e faleceu a 14 de Março de 1920. A sua alternativa ocorreu na tarde de 17 de Julho de 1904, em Lisboa. Abandonou a lide no dia 9 de Outubro de 1919 depois de uma corrida na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa) Simões Serra e a matadora Maria Salomé, la Reverte, deram uma volta ao redondel pedindo em favor da familia do reporter Francisco Valente. (NOTA: Francisco Valente (1876–1906), repórter do Jornal do Brasil, falecera na semana anterior (21 de Janeiro de 1906) no naufrágio do Couraçado Aquidabã. O navio estava fundeado na Baía de Jacuecanga, em Angra dos Reis, quando o paiol de munições explodiu por razões nunca esclarecidas. O couraçado afundou-se rapidamente.  Morreram  mais de 100 pessoas, incluindo oficiais. O falecimento do jornalista  suscitou homenagens e até composições musicais.)

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

 https://assets.marinha.mil.br/dphdm/sites/www.marinha.mil.br.dphdm/files/AquidabaEncouracado1885-1906.pdf )

 
O couraçado brasileiro Aquidabá.

            A collecta rendeu 797$760, que foi entregue aos collegas do fallecido para a encaminharem á viuva.

María Salomé Rodríguez Tripiana, «La Reverte» ou Agustín Rodríguez Tripiana (nome adoptado depois de 1908).

FOTO: La Fiesta Nacional, Madrid - Biblioteca nacional de España. (Tratada por IA)

            Os maiores totaes de esportulas foram recolhidas pela toureira Maria Salomé e pelo cavalleiro Simões Serra, que hontem não toureou e que se prestou do melhor grado a collaborar no generoso acto.

In JORNAL DO COMMERCIO, Rio de Janeiro - 29 de Janeiro de 1906

20 DE JULHO DE 1879 - CARTAXO: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA FESTA DO CABO DE FORCADOS PEDRO D’OLIVEIRA

 

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Cartaxo

            Alerta! grita-vos d’aqui Pedro d’Oliveira; é no dia 20 do corrente o meu beneficio na praça de touros d’esta mui linda e alegre villa, todos que comprardes bilhetes podeis vir. Escutae o programma: touros da Quinta d’Otta, cavalleiro o denodado José Bento d’Araujo, capinhas Sancho, Calabaça, Botas e José dos Santos, forcados, rapazes valentes e destemidos, musica a da minha terra, espectadores os que annuirem ao meu convite.

NOTA

Pedro d’Oliveira era um destemido Cabo de forcados. A sua especialidade era a pega de caras.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 8 de Julho de 1879

21 DE JUNHO DE 1885 - LISBOA: AMOR DE PERDIÇÃO.. OU A IDA ÀS TOURADAS DO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 
O cavaleiro José Bento de Araujo.
FOTO: DR - Rui Araujo (Tratada por IA)

ANNUNCIO AMOROSO

Bertha dos cabellos loiros.

A mais formosa e mais bella.

Terei o gosto de vel-a

Este domingo nos toiros?

RESPOSTA

Meu adorado Apparicio:

Conta commigo; não fujo!

— Nunca falto ao beneficio

Do Zé Bento d’Araujo...


PAN-TARANTULA.



In PONTOS NOS ii, LISBOA - 18 de Junho de 1886

4 DE JANEIRO DE 1907 - RIO DE JANEIRO: BOAS FESTAS A TODA A GENTE...

 

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BRINDES E SAUDAÇÕES

            Recebemos mais cartas e cartões de felicitações: (...)

;  do cavalleiro tauromachico José Bento de Araujo;


In O SECULO, Rio de Janeiro - 4 de Janeiro de 1907

21 DE AGOSTO DE 1879 - LISBOA: CORRIDA REGULAR COM BICHOS (FINOS E BRAVOS) BONS...

 

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Revista tauromachica

            Realisou-se hontem a corrida em beneficio de Francisco Carlos Batalha.

            O gado saiu bom; era fino e bravo; póde dizer-se que o curro de hontem é o melhor dos que teem apparecido n’esta epoca.

            Foram cavalleiros (Manoel) Mourisca, (José) Bento de Araujo, José e Antonio Monteiro.

            (Manoel) Mourisca foi o que mais sobresaiu; os ferros que empegou, foram todos postos com arte, e por isso não lhe faltaram applausos. (José) Bento de Araujo arrojado como sempre. José (Casimiro) Monteiro diligenciou agradar, e Antonio Monteiro, teve maus touros, mas andou bem.

            Todos os cavalleiros foram offerecer, quando lhes tocava a vez de entrar no torneio, a sorte de gaiola a (Francisco Carlos) Batalha.

O cavaleiro Francisco Carlos Batalha.
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            O trabalho dos bandarilheiros foi bom, especialmente o de Vicente Roberto, Roberto da Fonseca, Peixinho e Pontes.

            O trabalho das capas agradou.

            No intervallo foi chamado o beneficiado, e os srs. Carlos Marques e Guerra, sendo todos victoriados.

            (Francisco Carlos) Batalha foi brindado, por essa occasião com ramos de flores offerecidos pelos cavalleiros. O enthusiasmo era grande.

            Quasi no fim do torneio foi chamado o lavrador, que não appareceu porque não se achava na praça. Veiu em seu logar o abegão José Jaleco.

            A corrida foi regular, saindo o publico satisfeito.

            A direcção foi boa.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 22 de Agosto de 1879