1 DE JUNHO DE 1902 - LISBOA: MAU TEMPO NA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO PEQUENO PARA A FESTA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO...

 


Praça de Touros do Campo Pequeno, Lisboa
DESENHO: Diario Universal, Madrid - BNE (Tratado por IA)

Tourada

            O programma da corrida de touros, que hoje se realisa na praça do Campo Pequeno ás 4 e 45 minutos da tarde, é o seguinte:

            1.º touro, para José Bento (de Araujo); 2.º, para J. Cadete e J. Martins; 3.º, para Fernando de Oliveira; 4.º, para T. Branco e M. Santos; 5.º, para Joaquim Alves; 6.º, para hespanhoes; 7.º, para J. Bento (José Bento de Araujo) e F. de Oliveira; 8.º, T. Rocha e J. Costa; 9.º, para J. Bento (José Bento de Araujo) e  J. Alves; 10.º, apresentação do touro Capirote; 11.º, para bandarilheiros hespanhoes.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

In O SÉCULO, Lisboa - 1 de Junho de 1902

MAIS INFORMAÇÃO AQUI:

https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2019/05/1-de-junho-de-1902-lisboa-festa-do.html

1 DE JUNHO DE 1902 - LISBOA: UMA BOA TOURADA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM O TOURO ESPECIAL DE CORRIDA CAPIROTE...

 

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

Touradas

            Deixou satisfeitos os espectadores a tourada que hontem se realisou na praça do Campo Pequeno e melhor teria sido ainda, se a tarde, em vez de fria e desagradavel, estivesse quente e propria para taes diversões.

            Comtudo o sol tinha uma enchente, e a sombra estava quasi toda occupada, porque as pessoas mais nutridas tomavam dois logares.

            Assistiram á tourada sua magestade a rainha D. Amelia e o senhor infante D. Affonso.

            Foram corridos touros do sr. Estevão de Oliveira, que já hoje são bom reclame, e tomaram parte na lide artistas na maioria conhecidos do publico e deveras apreciados.

            As nossas noticias não podem ser tão minuciosas como desejariamos, porque nos escasseia o espaço e o tempo, e por isso nos limitamos em geral a indicar os factos que mais nos impressionaram e que melhor retivemos de memoria.

            Os touros, materia prima da festa, cumpriram, distinguindo-se pela bravura o 7.º, sendo tambem boiantes o 2.º e 8.º

            Os 5 touros para cavallo eram corpulentos e de boa estampa; os 5 de pé não passavam de garraios, bem tratados e com aspecto de raça taurina.

            Vimos, portanto, mais um curro desegual, o que sinceramente não nos agrada, porque desejamos, como todos os bons aficionados, que na praça de Lisboa sejam corridos unicamente touros com edade propria para a lide, logo que nos cartazes sejam annunciadas corridas de touros.

            Tudo o mais que se faça é simplesmente ludibriar o publico, e nós n’este jornal é só do publico que vivemos e por isso pugnamos sempre pelos seus justos direitos.

            A lide a cavallo do 7.º touro foi brilhantissima, executada a duo por José Bento (de Araujo) e Fernando de Oliveira.

            Ambos se houveram com arrojo e mestria salientando-se comtudo Fernando (de Oliveira) na maneira por que preparou e rematou as sortes, e seriamos injustos de não repetissemos que este artista não póde ser excedido em pericia e arte.

            Innegavelmente José Bento (de Araujo) é um toureiro de alma, arrojado, de incomparavel sangue frio, mas tambem é certo que, em competencia com Fernando (de Oliveira) não mostra tanta certeza na medição dos terrenos, nem prepara as sortes com o mesmo luzimento e apparato do seu collega.

            O touro que picaram era nobre e bravo e valeu uma justa chamada ao lavrador sr. Estevão de Oliveira, tendo tambem os cavalleiros uma ovação merecida.

            (NOTA: O cavaleiro Fernando d’Oliveira faleceu menos de 2 anos depois. Foi colhido na tarde de 12 de Maio de 1904 pelo touro ‘Ferrador’ na praça do Campo Pequeno numa corrida em que participava também o seu amigo José Bento de Araujo.)

            Joaquim Alves apresentou-se, como sempre, bem montado, trazendo o seu ginete na mão e obediente, mas precisa mostrar mais sangue toureiro, mais valor, mais energia e mais vida na lide.

            Necessita ir para os touros, cital-os e alegral-os com calor.

            Não gostamos de o ver com um toureio timido, sem graça, e sempre á espera dos acontecimentos de sensação que o touro possa proporcionar-lhe.

            No primeiro animal que lhe largaram perdeu duas sortes, por não entrar a tempo, e nós perdemos o tempo a vel-o.

            Os touros querem quem os procure, e quando Alves esperar na arena que lhe ponham o muro em sorte faça ao menos mexer o cavallo, porque de contrario parece o homem de ferro da procissão de S. Jorge.

            O espada era Juan Sal, vulgo Saleri, que demonstrou apenas serenidade e diligencia.

            O sr. Sal não tem sal nem pimenta, antes, pelo contrario, é um grande insonso na lide, a ponto de nos enfastiar bastante, algumas vezes, com o seu trabalho.

            Os passes barrendo os lombos do touro, quando o animal ia fugindo, estão abaixo de toda a critica e póde ir mostral-os para uma aldeia, porque para cá não servem.

            O seu muleteio não teve graça nem elegancia, apezar do vento tambem concorrer para isso.

            Apenas no 8.º touro tirou dois passes bons, parando-se e dando-lhes o devido luzimento e remate.

            Deu um salto de vara com habilidade, sorte esta que foi offerecida de joelhos a sua magestade a rainha.

            Os nosos artistas tiveram bons pares, e sobresairam na lide a pé.

            O melhor trabalho foi executado por Cadete, que collocou tres bons pares.

            Manuel dos Santos fez dois quiebros de joelhos, e poz um bello par, preparando tambem com muito acerto, a passes de capote, a cabeça do touro, que foi valentemente pegado de cara por Alcorriol.

            Torres Branco e Thomaz da Rocha tiveram dois excellentes pares cada um.

            A lide tornou-se n’algumas occasiões em verdadeira desordem; comtudo, houve quites opportunos de Cadete e Santos.

            O touro Capirote correspondeu á espectativa do publico.

            Começou por dar uma prova de bravura, estampando contra a trincheira o bandarilheiro José da Costa, que se atreveu a fazer-lhe a sorte de gaiola.

            O Capirote nasceu lá para os lados de Coruche, era propriedade dos lavradores Guizados e foi depois adquirido pelo creador sr. Luiz Patricio, que, por sua vez, o vendeu, segundo dizem, a José Bento (de Araujo).

            O Capirote é capirote de pinta, pois que tem o pescoço e a cabeça de côr differente do restante pello, e conta a bonita edade de oito annos.

            Foi corrido umas poucas de vezes, e continuará a sel-o, porque parece ter comprehendido bem o seu papel de touro.

            O tratador afagou o animal depois de lidado, e tirou-lhe a embolação, sendo muito applaudido.

            O tratador apresentou-se com quatro grandes medalhas ao peito, que nos disseram ser offerecidas pela união fabril, toureiros voluntarios da Porcalhota, sociedade tauromachica do Pará e companhia dos tabacos de Portugal.

            Esquecia-nos dizer que o forcado Fressura fez com natural valentia uma rija péga de costas,  e teimou em fazer esta péga porque não desejava que o touro o visse agora de bigode. — Zé Jaleco.

O cavaleiro Fernando d'Oliveira, que foi o verdadeiro herói da tarde, morreu menos de 2 anos depois ao lado do seu amigo José Bento de Araujo naquela mesma praça de touros...
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

In O SÉCULO, Lisboa - 2 de Junho de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: A «MATADORA» ANDALUZA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA — LA REVERTE — NUMA CORRIDA EM PORTUGAL

 

   Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Praça d’Algés

Domingo 4 de maio

10 touros 10

do ex.mo sr. marquez de Castello Melhor.

Toma parte a valente matadora de touros

La Reverte

(NOTA: María Salomé Rodríguez Tripiana, La Reverte)

A empreza roga o obsequio ás pessoas que marcaram bilhetes, de os retirarem até hoje á noite.

            Bilhetes á venda na rua d’Assumpção, 70; rua do Ouro, 48 e L. d’Alcantara, 3.

Cavalleiros

Fernando d’Oliveira 

e José L. Bento (José Luiz Bento)

Bandarilheiros

E. Santos

Arthur Felix

Thadeu Mourisca 

e o amador Luciano Moreira


In O SÉCULO, Lisboa - 1 de Maio de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: CHEGADA DA TOUREIRA ESPANHOLA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA - LA REVERTE 2 DIAS ANTES DA CORRIDA

 

Arquivo nacional da Torre do Tombo, Lisboa

La Reverte

            A famosa e incomparavel toureira María Salomé, La Reverte, (NOTA: María Salomé Rodríguez Tripiana, LA REVERTE) contratada pela nova empreza da praça de Algés, (NOTA: O empresário era Segurado.) para a sua corrida de inauguração, no proximo domingo, 4, chega a Lisboa na sexta feira, 2, ás 3 e meia da tarde. Este facto constitue o caso sensacional da semana.

In O SÉCULO, Lisboa - 29 de Abril de 1902

4 DE MAIO DE 1902 - ALGÉS: TOUREIRA ESPANHOLA MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA - LA REVERTE, NA SEGUNDA PRAÇA DA CAPITAL

 

María Salomé Rodríguez Tripiana, LA REVERTE 
FOTO: LA FIESTA NACIONAL - Biblioteca Nacional de España (Tratada por IA)

Praça d’Algés

            Tudo se prepara para que a grande corrida de domingo 4, n’esta praça, seja em todo o ponto de um grande acontecimento tauromachico; por isso está contratada para aquelle pomposo espectaculo a celebre e incomparavel toureira Maria Salomé, La Reverte, o ruidoso successo de toda a Hespanha e o curro é do acreditado ganadero sr. Marquez de Castello Melhor.


In O SÉCULO, Lisboa - 27 de Abril de 1902

13 E 14 DE SETEMBRO DE 1884 - AZARUJA: OS PRIMEIROS ARTISTAS COMEÇAM A CHEGAR...

 

O cavaleiro amador Alfredo Tinoco da Silva
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

Touradas na Azaruja

            Partiu hontem para a Azaruja o nosso amigo o sr. Alfredo Tinoco (da Silva) quer vae ali tomar parte nas esplendidas corridas que o arrojado e applaudido cavalleiro José Bento de Araujo realisa na praça d’aquella villa hoje e ámanhã.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 13 de Setembro de 1884

26 DE OUTUBRO DE 1879 - LISBOA: A DERRADEIRA CORRIDA DA TEMPORADA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            Na tourada que deve effectuar-se no domingo 26 do corrente, tomam para (parte?)  como cavalleiros curiosos em obsequio ao beneficiado, os seguintes cavalheiros:

            Alfredo Tinoco (da Silva), D. Antonio de Mello e Castro (Galveias), Antonio Caldeira, Carlos Kruz, D. José de Mascarenhas, e Antonio Martins.

            Toma parte como neto, durante a corrida dos 6 cavalleiros, o sr. Manuel Mourisca que farpeará depois um touro, continuando a figurar na corrida com os cavalleiros José, Antonio Monteiro, e (José) Bento de Araujo.

O cavaleiro Manoel Mourisca.
FOTO: Serões - Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Consta nos que seis dos mais valentes curiosos que tem servido nas touradas particulares, pegarão nos seis touros destinados para os primeiros cavalleiros.

            Serão bandarilheiros os irmãos Robertos, Peixinho e Sancho.

            Os touros são escolhidos a capricho das manadas do sr. Carlos Marques.

            Previnem se os amadores comtempo, pois deve ser esta a ultima tourada d’esta epoca.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 15 de Outubro de 1879

26 DE OUTUBRO DE 1879 - LISBOA: 10 CAVALEIROS NA ÚLTIMA CORRIDA DA ÉPOCA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            É effectivamente ámanhã que se realisa na praça do Campo de Sant’Anna a ultima corrida d’esta epoca, que promette ser magnifica. Como já dissemos, trabalham dez cavalleiros, dos quaes seis são distinctos amadores, que o publico mais de uma vez tem admirado; os quatro restantes são: (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro e José Bento de Araujo.

            O gado dizem-nos ser escolhido a capricho.

            Com tantos attractivos podemos augurar uma enchente real.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 25 de Outubro de 1879

27 DE JULHO DE 1894 - LISBOA: FESTA DE 2 EMPREGADOS ANÓNIMOS DA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM 13 TOUROS E 2 CAVALEIROS

 

Arquico Nacional da Torre do Tombo, Lisboa

Praça do Campo de Sant’Anna — Domingo 27. — Beneficio de dois empregados da praça — — Grande corrida de 13 touros pertencentes  ao casal do fallecido marquez de Vagos (D. Francisco). — Cavalleiros, A. Monteiro e José Bento de Araujo. — Bandarilheiros, os nossos mais principaes artistas. — Preços os do costume.

            Bilhetes á venda na tabacaria Climaco,  rua da Bitesga, 71.

In O SÉCULO, Lisboa - 26 de Julho de 1894

26 DE OUTUBRO DE 1879 - LISBOA: A DERRADEIRA TOURADA DA TEMPORADA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            Projecta-se ainda uma tourada com a qual se fecharão as portas da praça do Campo de Sant’Anna este anno.

            Na tourada projectada tomam parte seis cavalleiros amadores, sendo dois d’elles debutantes, e quatro cavalleiros de profissão, (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro e (José) Bento de Araujo.

O cavaleiro José Bento de Araujo.
FOTO: Direitos Reservados (Tratada por IA)

            Consta-nos que os seis cavalleiros curiosos se apresentarão vestidos á Marialva.

            O promotor d’esta tourada trata de arranjar seis rapazes da nossa primeira sociedade para fazerem as pegas dos touros que forem picados pelos seis cavalleiros.

            Tomam parte como bandarilheiros os irmãos Robertos, Peixinho e Sancho.

            A direcção das corridas será confiada a alguns dos nossos primeiros amadores e conhecedores da arte tauromachica.

            É de crer que a enchente seja real, e quem poder alcançar bilhete para essa tarde não perderá nada, porque os touros são alugados a capricho, e de um dos nossos melhores lavradores.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 10 de Outubro de 1879

14 DE OUTUBRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: QUARTA CORRIDA MÁ EM TUDO...

 


TAUROMACHIA

            Uma ponta de sol alegrava domingo ultimo o redondel do Campo de Marte, e, apesar disso, da promessa de uma boa corrida, o publico talvez aborrecido dos tres desaires anteriores, deixou-se ficar em casa, não conseguindo mesmo a empreza uma boa meia casa.

            O proprio sol estava muito claro.

            O dr. Pereira Passos assistiu á corrida, que começou, depois das continencias, pela alternativa, passando o Zé Bento (José Bento de Araujo) o seu turno ao cavalleiro (Antonio) Nobre Infante, que neste e no seu, não conseguiu brilhar, apesar dos esforços que patenteava.

            Ainda precisa de certas qualidades que a pratica e uma escola cuidada podem dar.

            De toda a tourada, que, sem contestação, foi a melhor das quatro realizadas, ha a notar a muleta e seus passes, limpos e seguros, de Machaquito no 5º touro com um bom ferro ao alto, posto bem na cornea do 2º touro, por Alexandre Vieira, e outro de Santos, merecedores de applausos, bem como um quiebro á gaiola, do Canario.

Trinidad Pérez y Pérez, Machaquito de Sevilla
FOTO: Beauchy Photos (Tratada por IA)

            O mais foi máo, reinando a mesma indisciplina e azar em toda a praça durante a corrida.

            Assim a péga do 3º touro, que o Lisboa queria á força fazer, sendo óbstado pelo Zé Cabeça, que se atirou muito ao bicho, sendo emborcado.

            Verissimo foi o 2º, menos affoito, e conseguiu pela segunda vez fazer uma péga ruim.

            O 5º bicho não se enfeitou com o Russo, que pegou bem e limpo.

            Nota-se que a indisciplina que reina na praça durante as corridas é devida ao intelligente, que desiste da sua autoridade e submisso deixa que o Zé Bento (José Bento de Araujo) o substitua sempre que quer ou entende dever fazel-o.

            No tempo do Mattos e do dr. Daniel de Almeida não se dava isso, porque, ??? e conscientes da sua autoridade, faziam valer o seu modo de dirigir as corridas.

            O Zé Cabeça, carregado em braços para fóra da praça, por ter sido amassado pelo 3º touro, deu ensejo a que o Zé Bento (José Bento de Araujo) lhe appplicasse um curativo simples e engraçado.

            Encheu o Zé Bento (José Bento de Araujo) a bocca de agua e borrifou a figura do Cabeça, sendo salutar essa nova medicação e comica a presteza com que o Zé (Bento de Araujo) arranjou o irrigador.

            O publico manifestou o seu desagrado e, forçoso é dizer, que teve razão, porquanto, ainda não assistimos, nesta temporada, a uma só corrida corrida que nos fizesse esquecer as outras, apesar de ter a empreza declarado que é esta a melhor cuadrilla que ao Brazil tem trazido.

            Não causou tambem boa impressão o facto do Zé (José Bento de Araujo) acompanhar a collecta feita pelos forcados, que, francamente, nada fizeram.

Fracuelo


Biblioteca nacional do Brasil

In O SECULO, Rio de Janeiro - 16 de Outubro de 1906

24 E 25 DE JULHO DE 1879 - ESTREMOZ: DOIS DIAS DE FESTA RIJA NA FORMOSA E ALEGRE VILA ALENTEJANA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

            Os dias 24 e 25 d’este mez são de verdadeira festa para Estremoz. Vae grande enthusiasmo entre os habitantes d’aquella formosa villa, pelos festejos que annualmente celebram n’aquelles dias. Ha tourada tanto no primeiro como no segundo dia, com excellente gado e os principaes artistas tauromachicos.

            O cavalleiro José Bento de Araujo trabalha nas duas touradas, e o distincto amador o sr. Alfredo Tinoco (da Silva) presta-se a farpear dois touros.

            Robertos, Sancho, Pontes, e outros bandarilheiros que costumam trabalhar na praça de Lisboa, hão de figurar nas duas corridas.

            A linha de sueste, estabelece comboios com bilhetes de ida e volta a preços reduzidos, tanto de Lisboa para Estremoz, como de Evora e outros pontos.

            É uma digressão muito bonita, porque Estremoz é uma das terras do Alentejo que mais merece ser vista.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 12 de Julho de 1879

20 DE JULHO DE 1879 - CARTAXO: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO ACTUA NA FESTA DO CABO DE FORCADOS PEDRO D’OLIVEIRA

 

Biblioteca nacional de Portugal

Cartaxo

            Magnifica promette ser a tourada no dia 20; cavalleiro o distincto José Bento d’Araujo, sempre laureado na arena; capinhas os conhecidos Sancho, Calabaça, Botase José dos Santos; forcados uns valentes rapazes de Santarem; gado das puras e bravas manadas da quinta d’Otta. A corrida começará ás 4 ½ da tarde.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 19 de Julho de 1879

28 DE SETEMBRO DE 1884 - LISBOA: A ÚLTIMA CORRIDA DA ÉPOCA NA PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA...

 

Biblioteca nacional de Portugal

A ultima tourada

A grande festa do high life e do sport

            Está por pouco esta grande festa que tem effectivamente, attractivos para todos os gostos.

            O curro é de 13 toiros pertencente á firma Roberto & Irmão sendo nove puros e 4 para cavallo. Este curro prefeitamente (perfeitamente!) excepcional, acha-se desde ha muito apartado, e, segundo se garante, é notabilissimo.

            Reapparece n’esta tarde o festejado cavalleiro Antonio Maria Monteiro, que lidará um toiro e por certo será muito festejado, pois que são em grande numero os seus amigos, e ainda hontem, no seu beneficio se provou isso.

O cavaleiro tauromáquico Antonio Maria Monteiro
FOTO: Biblioteca nacional de Portugal (Tratada por IA)

            Trabalham tambem os arrojados cavalleiros Casimiro Monteiro e José Bento d’Araujo.

            Bandarilheiros entre outros teremos os notaveis irmãos Robertos, Calabaça e Sancho.

            Far-se-ha a ascenção dos celebres aerostatos grotescos, dos elephantes e um peixe, que em madrid tanto furor causaram por occasião da ida de El-Rei de Portugal áquella cidade.

            N’esta tarde todos os espectadores terão a lide de um toiro que lhe é dedicada, para o que a praça, será dividida em 13 secções.

            E como se isto tudo ainda fosse pouco para encher a praça á cunha, haverá mais; bois parcheados e lidados com ferros de palmo. (NOTA: “Bois parcheados” - Em alguns novilhos e/ou bois de lide eram colocados naquele tempo adornos, como círculos de papelão ou de couro pintado colados (“parche”s) na pele do animal.)

            Á vista d’um programma d’esta ordem, pode-se perfeitamente garantir que espectaculos d’estes raras vezes se dão entre nós.

            Se isto não é uma grande festa,  um grande acontecimento, então não sabemos a que chamar um espectaculo notavel.

            A calcular por o enthusiasmo que se nota no publico, a enchente será das maiores que se tem visto na praça do Campo de Sant’Anna, de mais que é a ultima corrida da epocha e tão cedo não temos touradas.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 26 de Setembro de 1884

10 DE AGOSTO DE 1879 - LISBOA: 13 TOUROS E MUITOS ARTISTAS PORTUGUESES PARA O BENEFÍCIO DO BANDARILHEIRO “CAIXINHA”

 

Biblioteca nacional de Portugal

            PRAÇA DO CAMPO DE SANT’ANNA — Domingo 10 de agosto. — Beneficio do bandarilheiro Francisco Vaz, o Caixinha.

            Brilhante corrida de 13 touros pertencentes ao acreditado lavrador o ill.mo sr. José da Motta Gaspar.

            Cavalleiros: Manuel Mourisca Junior, José Maria Casimiro Monteiro, Antonio Monteiro e José Bento de Araujo.

            Trabalham os melhores capinhas portuguezes.

            O resto dos bilhetes está á venda na rua do Ouro 295, tabacaria á esquina do Rocio.


In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 7 de Agosto de 1879