16 DE DEZEMBRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: BANDARILHEIROS PORTUGUESES ALEXANDRE VIEIRA E ALFREDO DOS SANTOS SÃO OS BENEFICIADOS DA CORRIDA


 

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Com uma tarde sem sol e enfarruscada, realizou-se hontem a festa artistica dos sympathicos bandarilheiros Alexandre Vieira e Alfredo dos Santos.

O publico, que conhece a maestria e coragem com que esses dous artistas trabalham, concorreu á festa, levando regular asistencia ao elegante amphitheatro.

O programma da corrida constava de lide de oito cornupetos dos afamados granadeiros (NOTA: ganaderos ou ganadeiros?dos Srs. Estevam Augusto, Marquez de Castello Maior e D. Caetano de Bragança.

O gado, de typo egual e bem alimentado, nada deixou a desejar, sobrésahindo por sua bonita lamina (NOTA: lámina) os quarto e sexto, que deram joego (NOTA: juego) e demonstraram bravura.

Simões Serra, que sejonéo (NOTA: rejoneó) o primeiro bicho á sós e o quinto em competencia com o seu collega José Bento (de Araújo), cravou cinco ferros em cada um. No primeiro, nada de notavel pôde fazer, dados os resabios de seu adversario, recebendo todavia, justos applausos por seu difficil trabalho. No segundo esteve regular, recebendo um testaraso (NOTA: testarazo) o cavallo que montava.

José Bento (de Araújo) enfeitou a féra com dous bons ferros largos.

Os espadas, toureando de cepo, estiveram activissimos e mostraram a sua fina escola e maestria.

Machaquito collocou um par a cambio admiravel, (talvez o melhor da temporada) meio su sitio (NOTA: en su sitio?) e um cuarteando superior.

Segurita marcou com elegancia e arte cambio, mas sahiu sem conseguir cravar as bandarilhas. Em seguida, metteu um par a cuarteo superior, sahindo com toda a limpeza e mais um meio par bom.

Os dous diestros foram muito applaudidos e recolheram charutos e cigarros.

Manuel Pinheiro esteve infatigavel durante toda a corrida, trabalhando bem e fazendo diversos quites esplendidos.

No trabalho com as bandarilhas esteve melhor que nas tardes anteriores, cravando tres pares e meio muito acceitaveis, recebendo no final do trabalho um trompicon sem consequencias.

Muito de proposito deixamos para o final da resenha os nomes dos beneficiados. Ambos elles, tanto Vieira como Santos, trabalharam muito bem e mantiveram-se na altura de seus reconhecidos meritos.

Alexandre Vieira, no primeiro touro que lhe coube, cravou dous pares magnificos á cuarteo e dous meios pares muito regulares.

No segundo touro, em competencia com Santos, metteu um par á sahida da gaiola, tendo um ligeiro trompicon e par e meio em su sitio, sendo muito applaudido.

Santos enfeitou o morrilho do seu primeiro touro com dous pares encarnados muito bons, mettendo os braços, como manda a arte. Em seguida, metteu mais dous, um aproveitando, bem regular e outro a meia volta, muito bom.

No touro, cuja lide foi feita em competencia, metteu Santos um par a cambio de primeirissima, e par e meio acceitaveis.

Com a capa, os dous sympathicos toureiros portuguezes estiveram acceitaveis, trasteando desde muito perto e com frescura, apezar de um tanto deselegantes, por não parar os pés, como manda a arte.

Em meu fraco juizo, o trabalho de Santos foi mais luzido do que o de Alexandre Vieira, apezar de ter este maiores conhecimentos taurinos e mais arte.

Santos dispõe de taes pernas, que, correndo, é uma perfeita bicycletta desenfreada, tem musculos de aço e a sua agilidade, incomparavel. Graças a essas condições, como que sahiu quasi sempre com garbo das differentes sortes que executa.

Sacarey e Lisboa fizeram duas pégas muito boas.

No touro para curiosos o Sr. José Antonio Claro foi o felizardo que conseguiu pegar os 50$000 offerecidos pela empreza.

Em resumo: a tourada foi boa e o publico sahio satsfeito.

Justo Verdades.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 17 de Dezembro de 1906

30 DE SETEMBRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: "GRANDIOSA CORRIDA " COM 6 TOUROS


 

PRAÇA DE TOUROS

NO CAMPO DE MARTE

Empreza José Bento de Araujo

HOJE    Domingo 30    HOJE

 GRANDIOSA CORRIDA DE

6    Bravissimos Touros    6

Comprados aos Exmos. Srs. Emilio Infante da Câmara e Marquez de Castello Melhor

Estréa do applaudido cavalleiro portuguez NOBRE INFANTE, que tem merecido os melhores elogios na imprensa portugueeza e hespanhola.

Nova apresentação dos reputados matadores SEGURITA (de Madrid) e MACHAQUITO (de Sevilha).

Cavalleiro: José Bento de Araujo e Nobre Infante; Bandarilheiros: Alexandre Vieira, Alfredo dos Santos, Manuel Pinheiro e Manuel Lolo.

UM VALENTE GRUPO DE FORCADOS

PREÇOS: Camarotes, 60$; cadeiras, ?????? (NOTA: ilegível); barreiras de  sombra, ?????? (NOTA: ilegível); sombra, ?????? (NOTA: ilegível); barreiras de sol, ?????? (NOTA: ilegível);  sol, ?????? (NOTA: ilegível) 3$000.

Bilhetes á venda na Avenida Central n. 157; armazem ?????? (NOTA: texto ilegível), no largo do Rocio, e na casa A’ NINON, travessa de S. Francisco de Paula n. 12.

AVISO IMPORTANTE — A empreza não considera validos os bilhetes vendidos pelos Srs. cambistas.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 30 de Setembro de 1906

23 DE SETEMBRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: INÍCIO NOVA TEMPORADA


 

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1ª CORRIDA DA ÉPOCA

Viva a empreza tauromachica! Viva Machaquito e Segurita! São as palavras que encontro para traduzir o meu enthusiasmo, ao ter que fazer a resenha da inauguração da presente época tauromachica.

(Um parenthesis)... A tarde esteve nublada; nuvens côr de chumbo cobriam completamente a abobada azulada; os aficionados da arriscada arte de Castillares observavam o firmamento com o mesmo cuidado com que Flammarion o observa quando se apresenta en puerta alguma ?????? (NOTA: Texto ilegíveldos que lucen rabo.

Bravo. (na sua maioria) bien criado e com voluntad esteve o ganado portuguez, que se las trae na lide, onde mostram todos os ratimagos dos toreros con coleta canosa e os obriga a que se ?????? los piés entrando em sorte, como ?????? (NOTA: Texto ilegívelo touro que Noé enchiqueró na sua Arca.

De todos, no entanto, sobresahia o terceiro, nobre e voluntario.

Biblioteca nacional do Brasil

Os dous diestros que hontem alternaram estiveram muito bem, sobresahindo por ?????? (NOTA: Texto ilegível)

O maestro recebeu muitas palmas; e eu, em recompensa do seu trabalho lucido, dei-lhe uma papeleta de empeño.

Machaquito é um toureiro elegante, tem catedra sobre lo que se pesca, e estamos certos de que entre os cariocas deixará eterna recordação.

Na sahida da gaiola collocou um par de á cuarta (em seu primeiro touro) com toda a injudia, gracia, merito e etc... que requer a arte.

Depois dos intentos com superior preparacion, e em seguida meio par acceitavel e um par de frente, alegrando, e que lhe valeu uma ovação.

Na suerte de matar (não matando) conduziu-se como o proprio Frascuelo; deu um pase ??????  de rodillas, recojiendo o touro para dar-lhe um outro passe de pecho superior.

Depois brincou com a muleta como brincam os mestres, demonstrando muita calma e arte.

O seu trabalho foi terminado como manda Deus, debaixo de viva e calorosa manifestação.

Simões Serra cumpriu o seu dever com elegancia e maestria, deixando no morrillo do touro que lhe coube quatro ferros largos bem postos e tres curtos, sendo um delles a primor.

José Bento (de Araújo) portou-se como um artista que é, sempre valente, audaz e até temerario (ordenando aos de apié que o deixassem só no ruedo).

Collocou quatro ferros largos e bons e tres curtos entre os quaes, um superior.

Entre os muchachos sobresahiram Lolo, toureiro nobato porém com hechuras de algo. Este bandarillero prematuro, em seu segundo par, llegó á la cabeza do touro, e paró á sua frente como o proprio Guerra, collocando-lhe os railetes sahindo rempujado.

Alexandre Vieira esteve bem como sempre e cumpriu o seu dever a contento geral.

Santos e Pinheiro com desgracia.

Dos pegadores, Augusto de Marianna fez uma péga de frente boa e Russo uma outra tambem de frente superior.

O intelligente Sr. Arthur Lemos esteve muito accertado.

RESUMO — Tarde nublada, fria e triste.

O ganado acceitavel sobresahundo, no entanto, o 3º touro do programma, que foi superior.

Dos maestros Machaquito sobresahiu com a muleta.

Dos cavalleiros, José Bento (de Araújo) pela sua coragem.

A concurrencia frouxissima.

Com touros como os que nos apresentaram e toureiros como Machaquito e Segurita póde se felicitar á empreza e aos bons aficionados.

P.I.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 24 de Setembro de 1906

14 DE SETEMBRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: JOSÉ BENTO DE ARAÚJO CONTRATA O CAVALEIRO SIMÕES SERRA


 

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Para dar todo o brilhantismo as proximas touradas que se realisarão no redondel do Campo de Marte, a empreza José Bento de Araujo contratou mais o cavalleiro Simões Serra, que tantos admiradores conta nesta Capital.


In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 14 de Setembro de 1906

18 E 19 DE AGOSTO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO CONTRATA O ESPADA SEVILHANO FRANCISCO SORIANO «MAERA»


 

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    Por carta do arrojado cavalleiro José Bento de Araujo, ?????? (NOTA: Texto ilegível)

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 18 de Agosto de 1906

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Tauromachia

    — Em continuação da nossa noticia de hontem, podemos accrescentar que o arrrojado cavalleiro José Bento de Araujo acaba de fechar contrato com o valente espada Francisco Soriano Maera (montador de verdade) cujo nome dispensa reclames á sua cuadrilla de bandarilheiros.

Francisco Soriano "Maera"
«Un novillero sevillano muy estimable en la última década del siglo XIX»

    Por esta noticia se vê que o arrojado cavalleiro José Bento (de Araújo) não poupa esforços nem despezas para nos deliciar com uma época tauromachica de primeira ordem.

    Chamamos a attenção para a assignatura que a empreza abriu e cujo annuncio vae publicado na secção competente.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 19 de Agosto de 1906

4 DE FEVEREIRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: A ENTRADA A MATAR DO TOURO CAPIROTE


 

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    No proximo domingo, se o tempo permittir, a nova empreza tauromachica realizará mais uma corrida da época, fazendo a primeira exhibição do terrivel e afamado touro Capirote, cuja lide, por difficil, está posta em concurso pela empreza que offerece os premios de 2.000$ ao cavalleiro e de 1.000$ aos bandarilheiros que, de accordo com as exigencias, conseguirem lidar o bravissimo cornupeto.

    Vae ser uma tarde esplendida, essa que nos promette o estimado artista José Bento (de Araújo), para continuação da sua actual época no Rio.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 1 de Março de 1906

11 DE FEVEREIRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: DESPEDIDA DE MARÍA SALOMÉ, LA REVERTE


 


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    Devido talvez ao tempo ameaçador, que fazia, o redondel do Campo de Marte não teve uma concurrencia a abarrotar como era de esperar; ainda assim, como se tratava da festa da sympathica La Reverte, houve quem não resistisse — e foram por centenas e centenas — ao desejo de lá ir, fazendo uma casa regular.

    E foi o principal attractivo do dia, porque, á excepção de Morgado de Cóvas, do José Bento (de Araújo) e de La Reverte, as touradas estiveram além das espectativas, os artistas algo infelizes.

    E’ justo, no emtanto, salientar dous pares de ferros postos por Oliveira, a nunca desmentida correcção do sympathico José Bento (de Araújo) e a elegancia de Morgado de Cóvas.

    Houve uma boa péga pelo Cabeça.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 12 de Fevereiro de 1906

4 DE FEVEREIRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO:QUARTA CORRIDA DA CUADRILHA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO


 

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro - 4 de Fevereiro de 1906

28 DE JANEIRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: TERCEIRA CORRIDA DA CUADRILHA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO


 

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro - 28 de Janeiro de 1906

21 DE JANEIRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: A TOUREIRA ESPANHOLA MARÍA SALOMÉ “LA REVERTE” BRILHA NA PRIMEIRA ACTUAÇÃO POR TERRAS DO BRASIL


 

FOTO: https://www.abc.es/cultura/toros/20140710/abci-reverte-torera-dejo-mujer-201407091837.html

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E ha quem diga não haver aficionados legitimos no Rio.

Não sabemos como chamar aos que lá hontem estavam no redondel do Campo de Marte. Chovia devéras.

Pois nem assim a enorme multidão se deu por achada. Ficou a pé firme, supportou a agua que ininterrruptamente cahia, fina, penetrante e fria, o que, nem por isso, diminuiu a anciedade pela funcção nem applacou o enthusiasmo que La Reverte enf??? (NOTA: Texto ilegível) em todos os animos.

Que aquillo foi trabalhar como mil artistas. Sim, La Reverte, a María Salomé, no traje de luces, carmezim agaloado com que lidou e que lhe dava uns ares distinctos, de uma elegancia extraordinaria, e la gracia de um toureiro de verdade, teve as honras do dia. E bem merecidas que foram.

Feitas as cortezias com o garbo do costume, deu a intelligencia occupada a contento pelo toureiro Cruz, signal para o primeiro touro que sahiu para o cavalleiro Victor Marques, que o sujeitou a preceito com alguns ferros largos, confirmando, pela limpeza do trabalho, os seus creditos de artista perfeito.

Puntaret e Malagueño passaram o bicho de capa; e como para satisfazer a anciosa curiosidade do publico, que via na arena La Reverte, entrou para o touro em um trasteo, pelo qual toda a gente viu logo achar-se com effeito diante de uma artista, senhora do officio, executando os passes com uma graça e correcção inexcediveis.

O Russo fez uma regular péga.

Estrearam tambem, hontem, Anillio e Granito, os quaes, se não estiveram felizes nas farpas, o que não quer dizer não sejam bons artistas, passaram a capa com muita elegancia, o que tambem fez Pechuga.

Malagueño e Puntaret puzeram na féra, que lhes cahiu, optimos pares de ferros, com a correcção de artistas que são; tambem Alexandre e Oliveira fizeram jús aos applausos do publico.

Alexandre fez o salto da vara com dous touros.

La Reverte lidou a 3ª féra, um bonito animal, um bicho possante, fogoso, arrancando e marrando com furia.

La Reverte o toureou, brindando –o com tres pares de ferros compridos e um curto, muito limpamente postos, citando quasi sempre o cornupeto a sezgo, o que lhe valeu estrondosas palmas, delirantes applausos.

Raramente assistimos a tão estrondosa manifestação de enthusiasmo, como a que provocou a arrojada toureira!

Com o touro destinado a Anillio e Granito, La Reverte deu sorte a valer, reproduzindo façanhas admiraveis, e principalmente o simulacro de matar, que foi applaudido, depois de passar o touro de muleta, superiormente.

José Bento (de Araújo) não esteve feliz, comquanto tivesse posto em acção todos os seus habilissimos recursos de artista consummado.

O pessoal de forcado viu-se atrapalhado com o gado, pois todos os touros deram-lhe que fazer, sendo que ninguem pôde arrimar-se aos bichos. Foram derrotes e trambolhões temiveis.

Excellente o espectaculo de hontem, apezar da chuva.

Em resumo: uma quasi enchente.

Dos cavalleiros, Victor Marques cumprindo a sua obrigação e José Bento (de Araújo)um tanto infeliz.

De los de a pié, María Salomé (La Reverte), no juizo dos entendidos, é um phenomeno na arte tauromachica, dado o seu sexto.

Dos coletas, Malagueño, Puntaret e Antonio demonstraram coragem e entendimento.

E’ de censurar á empreza por deixar Pechuga de parte, como reserva, quando elle possue faculdades artisticas que o distinguem.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 22 de Janeiro de 1906

NOTA: Eis o que um blogue da Biblioteca Nacional de Espanha (https://www.bne.es/es/blog/blog-bne/la-mujer-que-invoco-la-constitucion-para-poder-torear) diz da toureira María Salomé, LA REVERTE: “Otra mujer (NOTA: para além de Juanita Cruz ou de Dolores Sánchez, LA FRAGOSA, por exemplo) que alcanzó celebridad en los ruedos es La Reverte, María Salomé, quien trabajaba en una mina de Jaén haciendo las mismas labores que los hombres y decidió hacerse torera cuando vio a La Fragosa torear en la plaza de su pueblo. Mujer de constitución robusta, llegó a ser condenada a cuatro años de cárcel en Portugal en 1903 por pegar una paliza a un hombre, aunque pronto fue indultada. Toreó en multitud de ocasiones con cierto éxito y llegó a alternar con grandes novilleros como Lagartijo o Machaquito. 

Aquí la vemos en una fotografía a color publicada por el semanario La Fiesta Nacional (6/10/1906) en sus días de gloria.

Biblioteca nacional de España
https://hemerotecadigital.bne.es/hd/viewer?oid=0012075131&page=10

Pero su suerte cambió cuando el ministro La Cierva prohibió el toreo femenino en julio de 1908 por ser opuesto a la cultura y a todo sentimiento delicado. El mismo día en que estaba contratada para torear en Madrid le fue comunicada la prohibición. Esta decisión, cuando La Reverte llevaba doce años toreando, fue tachada de injusta y vista por algunos críticos taurinos como el inicio de una campaña gubernamental para acabar con la fiesta de los toros en España.

Con este motivo, la revista Nuevo Mundo, que se mostró favorable a la prohibición, publicó una curiosa foto en la que se ve a la torera con pose muy femenina en su casa cosiéndose la taleguilla junto a otra imagen vestida de luces dispuesta para ir a la plaza y otra más en la que despacha con su apoderado.”

Biblioteca nacional de España
https://hemerotecadigital.bne.es/hd/viewer?oid=0001653584&page=24

La Reverte no se amilanó y presentó recurso contencioso contra la orden ministerial, medida en la que fue apoyada por parte de la prensa, como el diario republicano El País en una columna firmada por ‘Una feminista’ (26/7/1908):

Confieso mi enemiga al toreo, mi antipatía a esa lucha inútil y cruel en que el hombre se degrada y el bruto se eleva; pero a fuer de imparcial y justa, hago constar que, si hay que transigir con esa atávica diversión, es preciso respetar su carácter de independencia, y pues el público es soberano juez en cuestiones de lidia, y acude en masa a ver a la Reverte, a ovacionarla cuando el caso llega, es que le place el feminismo taurómaco y, ante su autoridad consagrada, hay que bajar la cabeza.

El recurso fue finalmente rechazado y entonces La Reverte, pasados tres años, decidió anunciarse en los carteles como varón con el nombre de Agustín Rodríguez, noticia impactante que provocó todo tipo de reacciones. El diario liberal El Globo llevó a su portada la noticia con títulos sensacionalistas: Historia que parece cuento. Hermafroditismo y torería. ¿Hombre? ¿Mujer? (16/8/1911)

El caso es que La Reverte se sometió a un reconocimiento médico y consiguió un certificado que daba cuenta de su masculinidad, por lo que pudo cambiar su nombre en el Registro Civil. En las primeras corridas en las que participó con su nueva identidad, las crónicas lo recogieron con ironía. Así en La Mañana (18/9/1911) podemos leer de un festejo en Oviedo:

«La novillada celebrada hoy bien puede calificarse de mixta, toda vez que tomaba parte en ella la antigua torera La Reverte, hecha varón por obra y gracia divina. Los toros corridos también debieron antes ser vacas, a juzgar por su cobardía y su mansedumbre.»

Una revista taurina satírica que tenía un divertido título ‘The kon leche’ llevó a su portada la imagen del torero-torera (29/9/1912):

Biblioteca nacional de España
https://hemerotecadigital.bne.es/hd/viewer?oid=0003873772

Pero La Reverte no tuvo el mismo éxito toreando como varón y ese mismo año de 1912 se retiró del toreo y se fue a su casa de Las Navas de Tolosa (Jaén), donde vivió primero de las rentas y luego como guardia en unas minas.

Lo más curioso de este caso es que, más de 20 años después, una vez que las mujeres pudieron torear después de aprobada la Constitución republicana y tras la lucha reivindicativa llevada a cabo por Juanita Cruz, La Reverte volvió a los ruedos otra vez para torear como mujer, aunque fue una vuelta efímera porque con su edad ya no estaba para aguantar cornadas y revolcones. Con este motivo el diario Ahora le dedicó su portada del 15 de agosto de 1934 en la que le vemos, la vemos, con su uniforme de guardia en una mina.

En la última página el periódico publicó una entrevista con el-ella, y a la pregunta de por qué volvía a los ruedos, contestó con toda sencillez que necesitaba el aplauso del público:

«Yo voy a las plazas a volver a oír las palmas, porque llevo veinticuatro años sin escucharlas y no me resigno a vivir sin ellas.»

Biblioteca nacional de España
https://hemerotecadigital.bne.es/hd/viewer?oid=0029958266

Escrito por:

Antonio García Jiménez - Biblioteca Nacional de España

https://www.bne.es/es/blog/blog-bne/la-mujer-que-invoco-la-constitucion-para-poder-torear

14 DE JANEIRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: UMA ESTREIA DE SUCESSO



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Soberba estréa, magnifica mesmo, a estréa da cuadrilla de José Bento (de Araújo), no redondel do Campo de Marte, attrahindo uma concurrencia extraordinaria, enthusiasta, como que a tomar a desforra desses dias aguados em que os aficionados execravam um tempo sem luz, triste, roubando-lhes horas de intensas vibrações, de vivas emoções, de vivas emoções.

Sol, sombra e camarotes regorgitavam.

E de permeio o claro-escuro dos trajes masculinos, as côres alacres das toilettes femininas.

Anciosa espectação a do publico nos momentos que precedem o toque do clarim para as cortezias.

Subito resôam as notas estridulas sahidas da intelligencia; rompe a banda de infanteria de marinha um dobrado; e surge na arena a cuadrilla, garbosa, provocando o enthusiasmo, a custo sopitado, da assistencia.

Feitas as continencias, como de estylo, começam as touradas.

Sáe o primeiro touro para José Bento (de Araújo).

Com a galhardia costumeira, José Bento (de Araújo), depois de offerecer a sorte á officialidade da canhoneira Patria, que de um camarote assistia ao espectaculo, colloca-se na querença.

A féra, fogosa, salta para a arena, mas, nega-se á sorte.

Foi, porém, só dessa vez; pois, o cavalleiro citava o touro, entrando-lhe no terreno afoitamente, ??????  ?????? (NOTA: Texto ilegível) ferros, dos quaes dous curtos, cada qual mais bem posto, irradiando alli Alexandre Vieira e João de Oliveira, os quaes, após algumas sortes infelizes, puzeram, o primeiro dous pares a rigor, muito bons e o Oliveira tres pares excellentes, o que lhes valeu palmas bem merecidas.

Pechuga e Malagueño lidaram o 3º touro.

Já é sabido serem ambos artistas de real mérito, pelo que não se lhes póde levar a má conta a falha de algumas sortes. Comtudo, Malagueño enfeitou o bicho com dous soberbos pares de bandarilhas e Pechuga com um.

Vieira, com extraordinaria precisão e raro brilhantismo, fez o salto de vara, sorte que offereceu á imprensa e aficionados.

As pegas nesta primeira parte estiveram magnificas.

O 2º touro, com pé a valer, não consentiu que Jacaré se lhe arrimasse as armas; por tres vezes não pôde o Jacaré aguentar o derrote do cornupeto. Só o Aureito (???) conseguiu fazer uma péga valente.

O Cabeça tambem fez uma optima péga do 3º touro.

Após o intervallo seguiu-se a 2ª parte, e póde-se dizer, talvez a mais emocionante.

O cavalleiro Morgado de Covas  veiu para arena em bello cavallo negro e, após as continencias, em que offereceu á imprensa a sorte, foi para o cite ao touro que lhe era destinado.

Bem raramente vimos cavalleiros de táo boa estrella, o que alliado á indiscutivel maestria de Morgado, contribuiu para o real successo que hontem teve.

Morgado enfeitou o cornupeto com dous ferros largos a meia volta e com quatro curto (???) mais, com uma gargalhada, que mostrou reconhecer a assistencia levantando-se enthusiasmada a applaudil-o. Foi uma consagração de artista se della ainda carecera Morgado.

Puntaret e Cruz despertaram ruidosos applausos pela limpeza e inexcedivel correcção do trabalho.

O primeiro fez a sorte da cadeira com ferros curtos, e que lhe mereceu uma verdadeira ovação.

Cabeça fez uma excellente péga.

O ultimo touro, um malhado vivo, esperto, foi lidado por José Bento (de Araújo) e Morgado de Covas.

Ambos se houveram com a galhardia que já conhecemos, enfeitando a fera com ferros largos e curtos.

José Bento (de Araújo), sempre de bom humor, provocando risos e applausos, Morgado, ardoroso, sorridente, foram alvo de constantes applausos.

Como se vê, foi auspiciosissima a estréa do José Bento (de Araújo).

E por ella é de augurar-se novos successos, devendo fazer sua apparição domingo 21, a arrojada toureira La Reverte, que de um camarote assistia a funcção de hontem.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 15 de Janeiro de 1906

14 DE JANEIRO DE 1906 – RIO DE JANEIRO: ESTREIA DA CUADRILHA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO ADIADA


 

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    Ainda hontem (7 de Janeiro de 1906) por motivo do máo tempo, não pôde estreiar a cuadrilla dirigida pelo conhecido cavalleiro sr. José Bento (de Araújo), o que contristou os aficionados.

    Só domingo (14 de Janeiro de 1906), se fizer bom tempo, é que se realizará a tourada de inicio da temporada.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 8 de Janeiro de 1906

31 DE DEZEMBRO DE 1905 - RIO DE JANEIRO: TOURADA NA VÉSPERA DA CHEGADA AO BRASIL DA MATADORA ESPANHOLA, QUE VAI INTEGRAR A QUADRILHA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARÁUJO (na imprensa brasileira)


 

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No dia 1 de janeiro, deve chegar ao nosso porto, a bordo do vapor Danube, a celebre matadora María Salomé, La Reverte, que vem com destino á cuadrilla do cavalleiro José Bento (de Araújo) e que com certeza vem fazer no Rio um successo egual ao que tem feito em toda Europa.

No dia 31 estréa no Campo de Marte a cuadrilla de José Bento (de Araújo), fazendo estréa nessa mesma tarde o cavalleiro Morgado de Cóvas, que pela primeira vez vem ao Brasil.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 26 de Dezembro de 1905

NOTA: La Reverte actuará na tourada de dia 21 de Janeiro de 1906.

31 DE DEZEMBRO DE 1905 – RIO DE JANEIRO: CORRIDA DA PASSAGEM DE ANO COM TOUREIROS ESPANHÓIS E PORTUGUESES


 

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Para o proximo domingo, 31 de dezembro, annuncia-se a estréa da cuadrilla tauromachica, dirigida pelo cavalleiro José Bento de Araujo, artista de sobra conhecido e applaudido incondicionalmente, pelo nosso publico.

Na corrida de estréa apresentar-.se-á pela primeira vez ao nosso publico, o cavalleiro Morgado de Cóvas, artista ainda muito novo, mas com uma coragem excepcional para o toureio.

Para a mesma cuadrilla deve chegar a esta capital, em principios do mez de janeiro, a celebre espada Maria Salomé «La Reverte», cujo valor artistico tem feito o maior successo em toda Europa.

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 24 de Dezembro de 1905

Dois retratos de María Salomé “LA REVERTE
FOTOS: Diario de Almería

NOTA: 

O artigo “¿María o Agustín? El torero travestido que engañó a España durante 20 años en las plazas más importantes”, publicado por Israel Viana no jornal ABC, conta a história de “LA REVERTE”.

Pode ser lido aqui: 

https://www.abc.es/historia/abci-reverte-torero-travestido-engano-espana-durante-decadas-pero-hombre-o-mujer-201903040215_noticia.html

“SENÉS. ¿Hombre o mujer?”, publicado no Diario de Almeria por Antonio Sevillano, narra a história de “LA REVERTE”.

Pode ser consultado aqui: 

https://www.diariodealmeria.es/almeria/SENES-Hombre-mujer_0_1615038724.html

O artigo “Mujeres Toreras - Noventa años de feminismo” de DULZURAS, publicado na edição de 15 de Julho de 1909 de LOS TOROS, também resume os percursos de algumas mulheres toureiras espanholas, incluindo o de María Salomé Rodríguez Tripiana “LA REVERTE”, que acabou, segundo aquela revista madrilena, por ter de refugiar-se em Portugal.

O texto da LOS TOROS (páginas 13 e 14) pode ser lido no sítio da Biblioteca Digital de Castilla y León aqui:

https://bibliotecadigital.jcyl.es/fr/catalogo_imagenes/grupo.cmd?path=10100916

28 DE OUTUBRO DE 1905 – RIO DE JANEIRO: CHEGADA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO E DA CUADRILHA IBÉRICA (TOURADAS EM SÃO PAULO E NO RIO DE JANEIRO)


 

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Acha-se nesta capital o cavalleiro José Bento de Araujo, que trouxe uma excellente cuadrilla, que vae trabalhar no Campo de Marte.

O cavalleiro José Bento (de Araújo) esteve hontem na redacção do Jornal do Brasil, dizendo-nos que a cuadrilla é de primeira ordem e que antes de trabalhar aqui vae dar quatro espectaculos em S. Paulo.

A cuadrilla compõe-se dos seguintes artistas:

Cavalleiros, José Bento (de Araújo) e Victor Marques; matador, Joaquim Peres Pechuga; bandarilheiros, Eduardo Cerco Puntaret e Antonio Bargo Malagueña (hespanhoes). João de Oliveira e Alexandre Vieira (portuguezes).

Com esta cuadrilla veiu o celebre touro Capirote, com o seu domador Manuel Gentil, que depois de bandarilhal-o, o desembolará e com o mesmo bravissiimo touro comerá á mesa.

Vêm mais 18 touros e cinco cavallos.

— E’ amanhã que se realiza no redondel do Campo de Marte, o festival artistico do cavalleiro Victor Marques e do bandarilheiro José da Costa.

Na secção competente vae publicado o bello programma desta tourada.

A los toros!

In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 28 de Outubro de 1905

BELO PROGRAMA

27 DE NOVEMBRO DE 1904 – RIO DE JANEIRO: ABERTURA DA NOVA PRAÇA DE TOUROS DO RIO DE JANEIRO COM ACTUAÇÃO DE CAVALEIROS PORTUGUESES


 

SPORT

Tauromachia

Inaugura-se hoje o novo redondel, recentemente construido no campo de Marte.

E’ director technico da empreza o cavalleiro Adelino Raposo.

A’s 4 ½ horas da tarde, abrir-se-á a corrida, na qual serão lidados bravissimos e corpulentos  touros do criador portuguez sr. Emilio Infante da Camara.

A cuadrilla é habilmente constituida e fará sortes das mais atrevidas e arrrojadas.

O intelligente da corrida será o sr. Olympio Mesquita.

Não percam os aficionados tão attrahente corrida.

In JORNAL DO BRASIL, 27 DE Novembro de 1904

NOTA: A arena foi edificada no local onde existia a praça das Laranjeiras.