6 DE MAIO DE 1894 - LISBOA : ORIGINALIDADES E PECADOS...

 
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ORIGINALIDADES

            No n.º 2 d'esta revista, escrevi um artigosito com o titulo acima, e era intenção minha continuar a escrever, sobre qualquer assumpto , que podesse figurar n'esta secção : — Originalidades. Porque, com franqueza, ás vezes apparece por ahi cada cousa que, na verdade, deve ser classificada conforme merece. (NOTA : O referido «artigosito» inicial pode ser consultado aqui : https://permalinkbnd.bnportugal.gov.pt/viewer/183957/?return=1&prev_next=0#page=1&viewer=picture&o=info&n=0&q= )

            Por tanto principiei por dedicar esta secção para esses assumptos comicos e originaes. Mais tarde arrependi-me e atê mesmo de escrever o primeiro artigo simplesmente por não merecer a pena referir-me a esse escripto e mesmo lá está o proverbio : — «não vale a pena gastar cera com ruins defuntos. Mas tentei novamente inaugural-a e agora vae a valer, mas só para cousas que valham a pena e sejam dignas de referencia.

            Vou tratar de um dos taes assumptos origimaes.

            Na Folha do Povo, de sexta-feira, appareceu um communicado de um accionista, que tem mais de um voto — diz elle — em que se queixa de vinganças, de monopolios de artistas, dos cavalleiros que lá fóra já não eram applaudidos e que foram á procura de louros, de vinganças do sr. Costa Guerra (NOTA : Antonio da Costa Guerra era aficionado e foi, designadamente, gerente das praças de touros do Campo de Sant'Anna e do Campo Pequeno, em Lisboa. Faleceu na capital em 1897.) e muitas mais coisas que agora não me lembro.

            Em primeiro logar o tal accionista, na sua opinião, quer transformar a praça do Campo Pequeno, o primeiro circo tauromachico do paiz, n'uma escola de toureio, ou por outra, em praça da Cruz Quebrada.

            Quer para ali todos os bandarilheiros e cavalleiros que para ahi ha, não se lembrando sequer que aquella praça, para que concorreu com o seu capital, segundo elle proprio declara, visto ter mais que um voto, deve conservar os seus espectaculos á altura da primeira praça do reino.

            As corridas de touros realisadas n'aquella praça não desmentem os seus creditos, pois que teem sido dignamente organisadas com elementos de primeira ordem. Se a empreza fosse a admittir os artistas que lá querem entrar, então são todos, porque todos na sua opinião, se acham com direito para isso e mais tarde viria a troupe Pae Paulino exigir tambem ali a sua entrada, pois que tem andando a praticar por essas praças das provincias. (NOTA : A troupe do Pae Paulino também chegou a actuar no Brasil)

            Temos a trabalhar ali os bandarilheiros antigos como Calabaça, Sancho, Raphael, João Roberto, Minuto, Pescadero, Theodoro e Cadete, e alguns não trabalham em todas as corridas, tendo, á excepção de Cadete, Theodoro, Minuto e Sancho, folgas cada um na sua tourada.

            Calcule-se o que seria, se por ventura entrassem para aquella praça mais artistas.

            Está da parte da empreza, quando lhe apeteça ou veja que ha um outro bandarilheiro portuguez, mais moderno, com aptidões, mandal-o incluir no grupo dos artistas d'aquelle circo, e cremos mesmo que quando isso aconteça a empreza será a primeira a fazel-o, sem precisar que ninguem lh'o lembre. E para confirmar isto basta dizer-se que o bandarilheiro Sancho, velho como está e sem poder trabalhar, a empreza não o deixou de fóra e paga-lhe como se elle fosse um artista com todo o seu vigor.

            Ora isto é que é preciso tambem que se saiba. Não vamos só a dizer o que nos appetece, levados n'uma ou n'outra influencia, e esqueçamos actos como estes. Portanto a empreza, quando assim aconteça assim procederá.


O cavaleiro José Bento de Araújo

            No que respeita aos cavalleiros, simplesmente lhe digo que Alfredo Tinoco, José Bento (de Araújo) e Fernando de Oliveira, são três artistas distinctissimos e que os louros que os dois primeiros foram lá fóra á procura, já os levaram de cá, conquistador n'aquellas celebres touradas da praça do Campo de Sant'Anna, e portanto o articulista da Folha do Povo andou erradamente no que escreveu. Então agora entre nós e a empreza fez muito bem em apresentar os artistas mais dignos de figurar nos cartazes d'aquella praça.

            Temos ainda Fernando d'Oliveira, um cavalleiro primoroso no seu trabalho, cujos louros conseguiu alcançar á custa de muita coragem e boa vontade.

            Ha ainda um novo, Manuel Casimiro, que em tão pouco tempo tem feito progressos extraordinarios e dentro em breve devemos ter entre nós quatro cavalleiros distinctissimos, que honrarão sobremaneira a tauromachia portugueza.

            Com respeito ao sr. Costa Guerra, cavalheiro respeitavel, o articulista a seu respeito escreveu o que lhe disseram. E portanto não tocamos n'esse ponto.

            E mais coisas poderia dizer ao sr. accionista com mais de um voto, mas como o titulo da secção indica o escripto, fiacamos por aqui.

D. JOSÉ TENORIO.

In A TOURADA, Lisboa - 6 de Maio de 1894

23 DE SETEMBRO DE 1909 - LISBOA : CORRIDA E POLÍTICA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO...

 
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Touradas

Campo Pequeno

            A corrida que na ultima quinta-feira, 23, se realisou n'esta praça, tinha um fim altamente sympathico, e penna foi que a commissão organisadora não acceitasse o generoso offerecimento dos applaudidos cavalleiros Casimiros, pois temos a certeza que a receita seria muito maior ; mas a maldita politica...

            A concorrencia foi diminuta.

            Os nossos artistas foram recebidos com applausos pela assistencia, que assim premiava a gentileza de se associarem a tão sympathica obra de caridade, e o mesmo succedeu a Saleri, que tambem gentilmente se prestou a tomar parte n'esta festa.

            Lidaram-se touros do acreditado lavrador Roberto, que estavam bem apresentados, saindo alguns bravos.

            Damos uma breve noticia d'esta sympathica festa, por falta de espaço e por os jornaes diarios a já terem largamente noticiado.


A lide equestre estava a cargo dos festejados artistas José Bento (de Araújo), Macedo e Morgado de Covas, que procuraram tirar o melhor partido que puderam das rezes que lhes foram destinadas, sendo bastante applaudidos.


            A lide a pé correu por vezes bastante animada por parte dos nossos habeis bandarilheiros Theodoro, Cadete, Manuel dos Santos e Ribeiro Thomé, que á porfia queriam enthusiasmar o publico com o seu primoroso trabalho, havendo pares superiores de todos elles, que foram muito applaudidos.

            Manuel dos Santos sobresaiu em dois bellos pares a cambio e em dois quiebros de rodillas.

Saleri, que é realmente um bom toureiro, esteve incansavel, e no 5.º touro teve pares de bandarilhas que a assistencia applaudiu com justiça.

Fez uso da muleta tirando passes de boa escala, cingidos e valentes, e adornando se por vezes.

Ao novel bandarilheiro João Froes destinaram o ultimo touro, quando aliás o podiam fazer altertnar com outro collega, ou então não lhe dessem a alternativa, se não tinha meritos para alternar com os collegas. O sol, quando nasce, é para todos !

Faltaram, por justos motivos, Rocha e Alfredo dos Santos.

Na brega, além de Saleri, distinguiram-se Theodoro, Manuel dos Santos e Ribeiro Thomé.

Houve pegas muito valentes, e, cousa rara, opportunamente ajudadas.

A lide foi dirigida com acerto pelo conhecido aficionado sr. Jayme Henriques.



In REVISTA TAURINA, Lisboa - 30 de Setembro de 1909

3, 4, 5 E 6 DE OUTUBRO DE 1909 - VILA FRANCA DE XIRA : FEIRA ANUAL E QUATRO CORRIDAS DE TOUROS SÓ COM ARTISTAS PORTUGUESES

 


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As corridas em Villa Franca

            Promettem ser animadas e concorridas, como aliaz é costume, as corridas que por motivo da grande feira annual em Villa Franca, ali se realisam em 3, 4, 5 e 6 do proximo mez, sendo a ultima nocturna, facto este que leva aquella povoação ribatejana, grande numero de pessoas tanto de Lisboa como dos arredores.

            As corridas d'este anno, como sempre tem succedido, foram organisadas a capricho, figurando n'ellas como lidadores, os applaudidos cavalleiros José Bento d'Araujo e Macedo, e os nossos apreciados bandarilheiros Theodoro, Saldanha, Torres Branco, Manuel dos Santos, Thomé, João d'Oliveira e João Froes, que depois da sua alternativa se apresenta aos seus conterraneos pela primeira vez.

            Tambem tomam parte nas corridas, os bandarilheiros amadores de Villa Franca, Francisco Rocha e Matheus Falcão.

            Como se vê, o elenco dos artistas não pode ser melhor, e é segura garantia do luzimento que decerto terão as corridas.

            Os touros que se hão de lidar, pertencem, no primeiro dia ao sr. Antonio Luiz Lopes ; no segundo, ao dr. Affonso de Souza, os do terceiro, são cedidos generosamente pelos lavradores, Antonio Luiz Lopes, dr. Affonso de Souza e Eduardo de Santos, de Vallada, o qual fornecerá os touros para a ultima corrida, isto é a nocturna.

            N'essa noite a praça ostentará brilhante illuminação electrica.

            Dirige as corridas, o estimado Carlos Martins.

            Nos quatro dias de corrida, haverá para Villa Franca comboios especiaes.


In REVISTA TAURINA, Lisboa - 30 de Setembro de 1909

3 DE OUTUBRO DE 1909 - VILA FRANCA DE XIRA : FEIRA ANUAL E CORRIDAS DE TOUROS

 


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Villa Franca

            Como de costume, realisou se no primeiro domingo d'este mez e dias seguintes, (NOTA : 3, 4, 5 e 6 de Outubro de 1909) a feira annual, havendo 5 corridas de touros, sendo 4 diurnas, 3 por artistas e 1 de amadores, e outra nocturna.

            As corridas deixaram um tanto a desejar, devido á má qualidade dos touros da 1.ª e 3.ª, dando jogo regular os da 2.ª, que pertenciam ao dr. Affonso de Souza, e seja dito em abono da verdade, portou-se como um cavalheiro, enviando 5 touros puros.

            Os cavalleiros em todas ellas foram os artistas José Bento (de Araújo) e Eduardo Macedo, que deligenciaram empregar todos os seus recursos e valentia.

            Os bandarilheiros foram Theodoro, Saldanha, Torres Branco, Manuel dos Santos, Thomé, J. d'Oliveira, João Froes, «Punteret» e os dois amadores Francisco Rocha e Matheus Falcão.

            Todos estiveram muito deligentes e contribuiram com bons pares de bandarilhas para o exito e animação das touradas, especisando Theodoro, Torres Branco, Thomé e João d'Oliveira nas corridas diurnas e Manuel dos Santos e «Punteret», bem como os dois amadores Rocha e Falcão na corrida nocturna que não resultou boa foi isso em parte devido á illuminação, que este anno esteve muito má.

            A corrida de amadores foi uma das melhores, devido aos touros todos se prestarem, cabendo as honras da tarde ao cavalleiro Andrea, e o amador José Azevedo Coutinho em bandarilhas.

            Em todas as corridas houve magnificas pegas de cara e de cernelha, sendo dirigidas com criterio e saber pelo distincto aficionado amador sr. João Marcelino d'Azevedo.

In REVISTA TAURINA, Lisboa - 24 de Outubro de 1909

TEMPORADA TAUROMACHICA NO COLYSEU PARAENSE - BELÉM, PARÁ : «Migrantes galegos e práticas culturais em Belém ( XIX/XX.)» - Maria de Nazaré Sarges, Professora da Faculdade de História/Universidade Federal do Pará

 


O cavaleiro José Bento de Araújo no Brasil.
Revista «DON QUIXOTE», Rio de Janeiro

        No final do século XIX e início do XX, as cidades amazônicas em decorrência da economia gomífera vivenciaram um intenso processo de urbanização dos seus espaços urbanos. Ao lado desse frenesi econômico, social e cultural, as cidades do norte do Brasil, em especial Belém do Pará, receberam um expressivo contingente de imigrantes ibéricos. Os “galegos” chegavam sob o forte apelo da propaganda imigrantista do governo paraense e, na cidade exerceram várias atividades desenvolvendo estratégias de adaptação à nova terra, como as touradas que se tornaram concorridas nas tardes de domingo no Colyseu Paraense.

TEMPORADA TAUROMACHICA NO COLYSEU PARAENSE: 

migrantes galegos e práticas culturais em Belém ( XIX/XX.)

AUTORA

Maria de Nazaré Sarges, Professora da Faculdade de História/Universidade Federal do Pará

TOURADA

Foi magnífica a corrida de domingo.

Touros bons e lidados com perícia.

O cavaleiro foi Antonio Marques de Carvalho [...]

O público aplaudindo-o rasgadamente [...] fez-lhe simplesmente justiça.

Numa segunda-feira do mês de julho do ano de 1893, o jornal Diário de Notícias estampava em uma de suas páginas a avaliação da tourada ocorrida no domingo anterior na praça de touros da cidade de Belém do Pará.

As touradas praticadas por imigrantes portugueses e espanhóis que haviam chegado à cidade de Belém no período de aceleração da economia da borracha constituem um dos exemplos do cosmopolitismo da Amazônia no mesmo período. A presença de estrangeiros na capital foi incentivada pelo Estado brasileiro. No caso paraense, esses imigrantes foram atraídos pela possibilidade de enriquecimento que a economia gomífera poderia lhes proporcionar ou pela promessa de empregos estimulada pela propaganda do governo do Pará. Lauro Sodré, então governador, alardeava que “o estrangeiro que queira viver conosco encontrará uma terra hospitaleira e um clima benigno que lhe garantirá saúde e robustez”. Esse momento concorreu para que a cidade se tornasse uma mistura de sotaques e práticas culturais trazidas do continente europeu e fosse lembrada por autores, como Dalcídio Jurandir (2004: 298), De Campos Ribeiro (2005:37) e Osvaldo Orico (1960), que registraram em suas memórias o pregoar de trabalhadores estrangeiros que circulavam cotidianamente vendendo “Ov fresco”, “Ouro quebrado” e os mais diferentes produtos que eram apregoados num sotaque peculiar de cada nacionalidade que se fazia presente nas ruas de Belém.

Nesse cenário citadino de virada de século, as camadas enriquecidas por meio da borracha, defensoras da ideologia do progresso, transformaram a cidade de Belém num verdadeiro centro de consumo de produtos importados. Consumiam-se desde uma boa literatura estrangeira até a manteiga importada da Dinamarca ou então os últimos modelos do figurino parisiense. O refinamento dessa época encontrava-se espelhado na antiga Rua dos Mercadores, atual Conselheiro João Alfredo, onde havia lojas com denominações que reforçavam o francesismo instalado na cidade, como Paris N’América, Notre Dame de Paris, Marselhesa, Petit Paris e vários outros empórios com sortimentos ao gosto e ao alcance dos enriquecidos.

Por outro lado, o espaço público era urbanizado com a abertura de largas avenidas, chamadas de boulevards. Nessa época, foi aberto o Boulevard da República, hoje, Avenida Castilho França, houve o calçamento de ruas, instalação de quiosques, de bondes, reforma de praças, arborização da cidade e tantos outros melhoramentos que deveriam espelhar a civilização na Amazônia (SARGES, 2000). Fazendo parte desse cenário, havia trabalhadores estrangeiros e nacionais oferecendo seus serviços, como guarda-livros, leiloeiro, alfaiate, e madame Gabrielle, que ao chegar de Paris, uma de suas primeiras providências foi informar ao comércio e às senhoras da sociedade que confeccionava espartilhos. Ao lado dessas ofertas de serviços, estavam os anúncios oferecendo trabalho àqueles que se enquadrassem, por exemplo, como criado de armazém, caixeiro, cozinheira, ama-de-leite.

No auge da economia gomífera, a imprensa era farta de notícias sobre os estrangeiros na cidade. Esses sujeitos, apesar da adversidade, procuraram criar estratégias de sobrevivência, vendendo quinquilharias, peixes, sorvetes, engraxando sapatos ou ainda carregando pianos das famílias burguesas; e os portugueses eram considerados os mais traquejados neste serviço.

Como exemplo de práticas e formas de lazer vivenciadas pelos galegos naquela época, havia as touradas, cujos espetáculos no Circo Colyseu eram constantemente divulgados nas gazetas de Belém. Os cavaleiros que se apresentassem neste Circo deveriam demonstrar audácia e bravura e a companhia contratante daquela temporada deveria apresentar ao público, touros bravos e música da melhor qualidade. A relevância das touradas exigiu que, em 1894, fosse criada uma empresa para a exploração da praça de touros, desse modo surgiu o Colyseu Paraense. Além do espetáculo das touradas, a praça era usada para outros espetáculos, como os cavalinhos e os bailes de máscara (DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 1894: 1).

O Colyseu Paraense, de propriedade de José Candido da Cunha Osório, entre outros acionistas, ficava à estrada Conselheiro Furtado, na Praça Batista Campos. A praça de touros oferecia aos freqüentadores variados tipos de assentos, desde os camarotes de sombra até as arquibancadas localizadas à sombra ou ao sol, variando os preços conforme a localização, desde 20$000 (vinte mil réis) até 2$000 (dois mil réis). Às vezes, o público era obrigado a voltar para casa porque a chuva, muito comum nas tardes de Belém, não permitia que houvesse a função.

Os bilhetes do circo eram vendidos no Café Chic, na Mercearia Baptista, na Mercearia Santos, no Wery-Well, no Estaminet, na Casa Bahiana, no Café Central, e nos dias de corrida, nas bilheterias do Colyseu. As touradas eram também freqüentadas por crianças as quais, se acompanhadas dos pais, até sete anos não pagavam ingresso, e por senhoras da sociedade, o que demandava bom comportamento dos freqüentadores, tanto que, algumas vezes, os jornais exigiam atenção da polícia para os palavreados “pouco decentes” que costumavam trocar alguns espectadores. Neste momento, é importante ressaltar que, na Espanha, as corridas de touro eram inicialmente espetáculos para as classes privilegiadas, no entanto, a partir do século XVIII, tornou-se um lazer com maior participação das camadas populares. Em Belém do Pará, essa diversão era freqüentada tanto pelo público popular como pelos governadores do Estado, que de vez em quando se faziam presentes nas lides domingueiras.

Os patrocinadores das corridas sempre homenageavam alguma pessoa ilustre que estivesse visitando a cidade. A corrida realizada num domingo de julho de 1899, por exemplo, foi dedicada ao escritor Coelho Netto e a de outubro de 1893, à oficialidade do navio da marinha italiana. Eles também costumavam homenagear autoridades locais e sociedades de classes, um exemplo disso foi a função ocorrida no dia 24 de março de 1895, dedicada “à briosa classe caixeral do comércio d´esse Estado”, composta em sua maioria por imigrantes portugueses. Mas também havia espetáculos de beneficência em prol do Grêmio Literário Português, da Associação Humanitária Bombeiros Voluntários, da Santa Casa de Misericórdia, da Real Sociedade Portuguesa Beneficente, dentre outros; ou de toureiros, como a “festa artística”, dedicada a José Pinto ou ao bandarilheiro Cara Ancha.

Esse tipo de diversão, uma exclusividade ibérica, era objeto de debates por “críticos especializados” ou por simples freqüentadores da arena. Eles reclamavam de todos os detalhes relacionados ao espetáculo, até em relação à circulação das linhas de bondes da área que atendia o Colyseu. Esse caso foi solucionado pela Companhia Urbana por meio da criação da linha Colyseu Paraense, mas preço do bilhete foi ao dobro do convencional, gerando um protesto por parte da imprensa que considerava um desrespeito à lei e ao público das touradas (CORREIO PARAENSE, 1893:2)

As touradas geravam muitas polêmicas em relação ao transporte, às qualidades dos touros, ao desempenho dos artistas, ao comportamento dos freqüentadores e à música que fazia parte do espetáculo. Em certa ocasião, houve um abaixo-assinado veiculado em um periódico local que exigia que “a música não toque a marcha fúnebre quando quiser solenizar um par de ferros bem metidos (no animal)” e que “antes de começar as corridas não devem os intervalos exceder a dez minutos, e uma vez elas começadas a cada “sorte” devem ser tocados oito compassos (uma parte) [...]”.

A música, considerada tão própria da tauromaquia, existe desde o começo da própria arte taurina (MARCO, 2003:637) e aqui no Pará, sempre foi um problema nos espetáculos das touradas, visto que as reclamações, estampadas nos jornais, constantemente registravam:

não podemos acreditar que a Empresa convenha ter na praça uma música que para tocar um trecho qualquer, tanto antes de começar o espetáculo como no intervalo, seja necessário que uma grande parte dos espectadores bote os bofes pela boca fora bradando incessantemente: Toque a charanga! (CORREIO PARAENSE, 1896: p.2)

A exigência continuava por parte dos signatários de um outro abaixo-assinado, também publicado num periódico local, no qual exigiam que os touros fossem escolhidos por qualquer marajoara ou vaqueiro que conhecesse a fauna paraense. Eles chegavam a expressar que fosse dada a preferência a “este cargo” ao marajoara Manduca.

Os freqüentadores do Colyseu reclamavam quando a tourada era considerada um logro por culpa dos fornecedores, que não ofereciam gado bravo. Mas esses mesmos fornecedores também recebiam elogios quando colocavam touros da melhor raça, isto é, bravos. Ao presenciar uma corrida num domingo de outubro do ano de 1893, o articulista do Diário de Notícias assim afirmou: “as corridas de touros realizadas na tarde de domingo último, quanto ao curro, fornecido pelos fazendeiros Penna&Filhos, estiveram esplêndidas”. No entanto, no domingo seguinte, ele usou rispidamente a sua pena para escrever:

"Os srs. Penna&Filhos tem sido credores dos meus elogios, mas hoje são credores da minha censura". Esta crítica era uma conseqüência do fato de que o gado fornecido para a corrida em benefício do Grêmio Literário Português "não era gado para uma corrida de touros, mas sim dignos de uma charrua" ( DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 1893. p.3)

A festa dos touros evoluiu a favor do gosto e das exigências do público que assistia ao espetáculo, o que contribuiu para o surgimento de A Tourada, um jornal dedicado aos admiradores da tauromachia, de propriedade de Francisco Garrido.

O regulamento da praça de touros estabelecia que a empresa ficasse responsável pela constituição de uma fazenda (ganadeira), onde fossem criados animais especialmente para as touradas, seguindo o mesmo sistema da Europa, ou seja, o gado deveria estar sujeito á privações especiais para que apresentasse bravura indispensável. A empresa também deveria fazer  melhoramentos na praça, instalando uma cúpula de cristal para proteção da chuva, reformando o touril, construindo cocheiras para os cavalos e estábulos para os touros. Além disso, o regulamento fixou o número de vinte corridas diurnas ou noturnas para cada época tauromachica e o valor de 400$000 (quatrocentos mil réis) a ser pago ao cavaleiro, sem incluir a despesa do transporte dos artistas da Europa, ficando às vezes em 250$000 (duzentos e cinqüenta mil réis).

Os jornais da época constantemente anunciavam a presença de toureiros famosos, como Miguel Gonçalves Avillarillo, diretor de touradas da Companhia Espanhola, e Pedro Ramirez, matador de touros, ambos chegaram à capital no mês de outubro de 1895, para algumas apresentações tauromachicas, ou de amazonas, como Lola Cruz, que na função de 17 de setembro de 1893, deveria farpear o primeiro touro. Além desses, os jornais destacavam também os toureiros portugueses Antonio Marques de Carvalho, Alfredo Tinoco e José Bento de Araújo, os dois últimos eram proprietários de uma empresa tauromachica. Esses cavaleiros eram tão prestigiados na sociedade que A Província do Pará, na edição de 12 de setembro de 1900, ao noticiar a morte e o funeral do Alfredo Tinoco, informou que seus amigos colocaram à disposição daqueles que desejassem acompanhar o cortejo fúnebre, bondes, cuja saída seria do largo do Palácio.

Os noticiários também registravam outras formas de diversão dos galegos. Havia o “Casino Espanhol”, fundado em 1896, que também tinha finalidade social, haja vista que cada compatriota, ao adquirir um número de ações, pagava 50$ (cinqüenta réis) por cada papel, com o objetivo de reunir fundos necessários para obras sociais. A chamada dos membros da colônia era feita pela imprensa local e na língua-pátria, a exemplo da que foi veiculada numa gazeta local,

Casino Español

Se convoca a la colonia espanhola residente em este Estado, para una reunião que se efectuará el domingo 25 del corrente á la una y media [...]

El Presidente,

Juan Moreira Martinez.(FOLHA DO NORTE, 1900: 2)

A preocupação em manter os laços de solidariedade e, conseqüentemente, o fortalecimento da identidade, levou os galegos a criar a “Sociedade de Beneficência Espanhola”.

Essa sociedade, destinada aos enfermos, aos desvalidos ou àqueles que precisassem de auxílio para regressar à pátria, resultou em ações sociais, como a festa realizada no Teatro da Paz, noticiada pelo periódico independente El noticiero español, que contou com a apresentação da artista espanhola dona Esmeralda Cervantes. Nesta noite, a orquestra tocou o Guarany, obra do maestro Carlos Gomes, e o governador Paes de Carvalho entregou a D. Manuel Parada Corvacho, presidente do Cassino Espanhol, a significativa soma de 200$000 (duzentos mil réis).

Mesmo que os espanhóis e os portugueses estabelecessem laços de solidariedade e a afirmação de suas identidades por meio de expressões culturais, a relação conflituosa no espaço público era latente, conforme registrou uma denúncia publicada no jornal A República (1896) contra o “Restaurante Espanhol”, situado no largo de Sant´Anna, que hospedava as horizontaes, mulheres que ofendiam a moral pública com seu comportamento desregrado. Para a Amazônia ou outro local do país, a prostituição era uma das conseqüências da chegada de imigrantes estrangeiros.

Outros casos estampados nas páginas da imprensa local ou nas folhas de registros policiais refletem as tensões sociais da época, fosse entre nacionais e estrangeiros ou entre os próprios estrangeiros, como o caso em que um português deixou com sua esposa muitos objetos seus para que a mesma os levasse quando fosse se mudar. Porém, a mulher leiloou todos os objetos, com a ajuda de José Pereira, também português e agente de leilões (AUTOS, 1900)

Houve o caso do espanhol Jose Garcez, cuja profissão era calceteiro, que por acreditar que o mundo estava no final, “meteu na algibeira todo o dinheiro que possuía e caiu no mundo”, isto é, passou a bebericar em todos os botequins, criando confusões e promovendo agressões. Este terminou os seus atos de valentia no xadrez.

Na crônica das ruas, há o caso de três amigos espanhóis que, juntos, resolveram jantar. Foram todos para um “frege”, onde se regalaram com muito bom caldo à portuguesa, iscas de fígado, dobradinha com arroz e rim no espeto, acompanhados de excelentes nacos de toucinho, tudo regado a “quartilhos do verde” (vinho). Depois de bem alimentados e “encharcados”, travaram uma longa discussão, o que resultou em nariz contundido, escoriações no queixo e dedo torcido, terminando o jantar dos amigos espanhóis numa rápida temporada no xadrez.

Além dos casos que envolviam brigas entre os patrícios galegos, também era muito comum encontrar rixas entre nacionais e estrangeiros. Duas lavadeiras, sendo uma cearense e a outra espanhola, ao disputarem um coarador (onde se coaravam roupas), que ficava em frente a um cortiço à estrada de São Jerônimo, terminaram recolhidas no xadrez.

Os jornais noticiavam rixas que faziam parte do cotidiano de Belém, algumas podem até ser consideradas engraçadas se não representassem trabalho para a polícia. Como exemplo, há o caso que envolveu o espanhol Cypriano Alonso e o nacional João Gomes Santos, tendo como protagonista uma cabra. A filha de João Gomes contou ao Capitão Gil que o espanhol Alonso vendeu uma cabra a seu pai, contudo o animal voltou para a casa do vendedor, que tornou a vendê-la a outra pessoa. Ao passar pela estrada de São José, a queixosa reconheceu o animal e tratou de registrar sua denuncia.

Essas são algumas dentre as várias histórias que permearam o cotidiano de uma cidade que vivia um processo de modernização propiciado pela valorização da borracha no comércio internacional e que, no rastro do boom gomífero, incentivou a vinda de europeus por acreditar que esses indivíduos, vindos do outro lado do Atlântico, eram os verdadeiros agentes da civilização. No entanto, esses novos habitantes, ao lado desse verniz civilizatório, ao longo do tempo, passaram a incomodar a administração local que não conseguia resolver o problema do inchamento populacional da capital paraense.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DE CAMPOS RIBEIRO, José Sampaio. Gostosa Belém de Outrora. Belém: SECULT, 2005.

DALCÍDIO JURANDIR. Belém do Grão-Pará. Belém: EDUFPA; Rio de Janeiro: Casa Rui Barbosa, 2004.

ORICO, Osvaldo. Da Forja à Academia. Rio de Janeiro: José Olympio ed., 1960.

SARGES, Maria de Nazaré, Belém: Riquezas produzindo a belle époque (1870-1912), 1. ed., Belém: Paka-Tatu, 2000.

TOMÁS MARCO. De la música como tauromaquia. In: GONZÁLEZ, Antonio García-Baquero (org.). Fiestas de Toros Y Sociedad. Sevilla: Universidad de Sevilla, 2003.

FONTES

Autos Crimes, 1900.- Centro de Memória da Amazônia/UFPA.

A República, Belém, 1896.

Folha do Norte, Belém, 22 de março de 1900, p. 2.

Diário de Notícias, Belém, 12 de fevereiro de 1893, p.3.

________________, Belém, 28 de dezembro de 1894. p. 1.

Correio Paraense, Belém, 13 de maio de 1893, p. 2.

________________, Belém, 16 de maio de 1896, p. 2.

A Província do Pará, Belém, 12 de setembro de 1900, p. 1

15 DE AGOSTO DE 1909 - CALDAS DA RAINHA : PRIMEIRA CORRIDA COM ARTISTAS ESPANHÓIS E PORTUGUESES

 


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Caldas da Rainha

            Realisa-se hoje, na praça de touros d'esta villa, a 1.ª corrida, na qual toma parte o estimado cavalleiro José Bento d'Araujo.

            Espadas, os novilheiros José Moyano e seu filho Raphael Moyano e os bandarilheiros Manuel dos Santos, Alexandre Vieira, Ribeiro Thomé e o toureiro hespanhol Eduardo Cercó Punteret.

            Serão lidados touros da antiga ganaderia que pertenceu ao sr. conselheiro Alvares Pereira.

In REVISTA TAURINA, Lisboa - 15 de Agosto de 1909

19 DE ABRIL DE 1903 - LISBOA : CORRIDA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM O ESPADA ESPANHOL RAFAEL MOLINA «LAGARTIJO» E OS CAVALEIROS FRANCISCO SIMÕES SERRA E JOSÉ BENTO DE ARAÚJO

 


DOCUMENTO Rui Araújo

11 DE FEVEREIRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO : A «CUADRILLA» DE JOSÉ BENTO DE ARAÚJO NA PRAÇA DO CAMPO DE MARTE - UMA CRÓNICA DE «JUSTO VERDADES» EM... PORTUÑOL NO JORNAL DO BRASIL

 


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TAUROMAQUIA

4.ª CORRIDA DE ABONO

— Pero, Trini, ¿te quedas ó te vienes?

— Ni me quedo ni vóy.

            — ¡Que gracia tienes!

— Yo tengo lo que tengo... ¿Usté se entera¿

— Tu tienes muchas cosas, retrechera.

— ¿Qué es lo que tengo yo?...

            — Mucho salero.

— ¿De veras?.

            — De veritas.

                        — Embustero.

.............

Despues graciosamente, dándome antojos, tomó varios claveles, rojos, muy rojos ;

Y con postin flamenco de macarena, los en garzó en los rizos de su melena.

Cogió el mantón bordado de sedas finas, y con sus manecitas alabastrinas,

lo colocó en sus hombros esculturales,

para vivo tormento de los mortales.

Ya terminé — Me dijo. — ¿Nos vamos?

                                               — ¡Vamos!

Y ambos á dos del brazo nos enlazamos.

.............

Salimos á la calle ; ella hermosota,

con hechuras de chula, semi-mascota :

Y yo, como cristiano que á veces peca,

con ribetes de lila, semi-babieca.

y así, los dos juntitos, cual siempre estamos (Aquí, dirá la Trini, «Dios lo que semos!. — No estuvimos ni estamos, más estaremos.) en la plaza de toros nos personamos.

Dieron las cuatro y media ; voceó la gente,

sonó el clarin taurino pausadamente,

y (José) Bento (de Araújo) pensativo, pero sin pena,

con la troupe taurina pisó la arena.

Hechas las ceremonias rituales, en las que José Bento (de Araújo) y Morgado de Covas, demostraron ser dos jinetes de primera magnitud,

La María, la reina del toreo,

la que nunca en jamás tuvo cerote,

se llegó frente á mi, me llamó feo,

            y me tiró el capote,

diciendome despues «Oiga usté, trucho, no me lo empeñe usté, que vale mucho.

Y salió al ruedo el primero de la tarde : negro como la tinta china, bien armado y de muchas libras. Morgado le paró los pies con un ferro bueno, aprovechando ; otro superior, otro inmejorable otro...

            Al ver como Morgado ferros metia,

            Me dijo á mi la Trini, con alegria :

                        «¿No está usté viendo?.

            ¡Camará, que certeza tiene metiendo.»

Y en efecto, Morgado continuó su faena,

dejando en su sitio otros dos ferros más, de los cortos, que le valieron palmas, enhorabuenas y flores.

            El Malagueño, á imitación de Juan Molina, demostró ayudando al caballero, que sabe manejar el capote de brega.

.............

            El segundo que fué un semi-buey, estaba bien criado y vestia terno negro sin costuras, confeccionado en la sastreria de Roberto da Fonseca.

            Puntaret, logró ponerle (á fuerza de pies y pupilas,) un par aprovechando á la media vuelta ; y Vieira otro regular, á toro parado.

            El buró, tomó los medios negándose á entrar en suerte, y como los muchachos sudaban el kilo sin conseguir um gramo de toro,

                        Se armó una grita fenomenal ;

                        y el presidente

                        al manso toro, por impotente,

                        mandó al corral.

.............

            Retinto en colorado, de pocas carnes y con muchos resabios, fué el tercero.

            La Reverte, con todas las simpáticas circunstancias que se trae, se encaró com mi humilde persona y me brindó su primer par de banderillas diciéndome :

                        Aunque no lo camelo,

                        vaya por su mersé ;

                        en gracia de que á uesté

                        le falta el pelo.

            Y se fué... se fué al toro ; lo preparó magistralmente, y adornó su morillo con un par superior, saliendo perseguida.

            Al tomar la barrera, pisó en falso, y cayó sobre el estribo lastimándose en la sien derecha.

            Con mas coraje que nunca, tomó nuevamente los palos, y ovacioanda por el publico, puso tres pares más de eterna recordación.

            La Trini, que se ha golvido (Volvido ?) poetisa, entusiasmada con la lucida faena de la matadora, se dirijó á la misma y la dijo :

                        Salomé, por lo que tu eres

                        en estas y otras faenas,

vales más que mil mujeres

                        de las guenas.

            Negro y abierto de cuerna fué el cuarto.

            Antonio Herrera, Oliveira y Granito lo castigan con cuatro pares aceptables, destacándose por lo superior, el puesto por Antonio : palmas al muchacho.

            Durante la brega, el chuveiro celeste abrió su válvula, y empezó á remojarnos de tál forma que tuvo que suspenderse la lidia.

                        El aguacero que soportamos

                        nos puso el cuerpo de tál manera,

                        que yo y la Trini, nos cobijamos

                        en un buraco de la escalera.

                        Y allí estuvimos con mucho aquél,

                        solo un ratico...¡ que rato aquél!.

.............

            A las seis menos vinte y cinco minutos, a um que seguía pingando, continuó la torada ; pisando el ruedo un toro intruso, que por equivocacion le dió plaza el encargado de los chiqueros.

            Viera, con la garrocha en ristre, le sale al encuentro, dando el salto de cabeza á rabo, con lucimiento ; y por mandato presidencial es retirado el toro.

            El quinto, retinto en colorado lo saluda Viera, dándole la bien venida con otro saltiro ; y María con su guapeza torera, le clava un par bueno aprovechando.

            El Malagueño, tras una salida en falso, deja otro al cambio, superior ; y termina María con un par excelente.

                        Por la cruz de San Andres

                        que estos dos,

                        como hay Dios

                        que valen, lo menos tres.

.............

            Arrecia la lluvia, y José Bento (de Araújo) sin temor á mojarse, se presente en el anillo. El público lo saluda con palmas al por mayor, y por orden incognita, pisa la arena un toro boyante y bravucon.

            (José) Bento (de Araújo), solo como un hongo le colóca tres ferros largos y dos cortos, superiores ; y el respectable público, lo aplaude freneticamente.

                        De imparcial haciendo alarde

                        Diré sin gloria ni pena,

                        que estuvo mala la tarde,

                        pero la corrida, buena.

Justo Verdades.

In REVISTA DA SEMANA - Edição Semanal do JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro - 11 de Fevereiro de 1906