11 DE FEVEREIRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO : «CUADRILLA DO CAMPO DE MARTE»

 
Hemeroteca Digital Brasileira

Cuadrilla do Campo de Marte

            Publicando hoje os retratos dos toureiros que n'esta temporada trabalham na praça de touros, julgamos que os nossos leitores terão interesse em conhecer alguns dados biographicos, a respeito d'esses artistas que tão boas horas de prazer estãp proporcionando aos «aficionados.»


MARÍA SALOMÉ RODRÍGUEZ TRIPIANA

(La Reverte)


María Salomé Rodríguez Tripiana “La Reverte”
FOTO : Diccionario Biográfico de Almería

            Nasceu em Linares, provincia de Jaem, (NOTA : Não foi em Jaén, mas em Senés, Almería) Hespanha, no dia 28 de Agosto de 1880 (NOTA : A data correcta é 28 de Agosto de 1878) e na edade de 18 annos principiou a dedicar-se á arte de Pepe Hillo

(NOTA : Pepe-Hillo, aliás José Delgado y Gálvez, nasceu em 1854 e faleceu no dia 11 de Maio de 1801 na praça de touros de Madrid. Inovou a arte do toureio.)

PARA SABER MAIS : 

Livro de Julio Nombela : «Pepe-Hillo : memorias de la España de pan y toros», disponível no sítio da Biblioteca Taurina de Castilla y León. 

LINK :

https://bibliotecadigital.jcyl.es/bdtau/es/consulta/registro.do?id=14523) nas corridas da provincia do seu nascimento e de Cordoba, sendo a primeira corrida formal em que tomou parte na cidade de Arjona, Cordoba.

            Achava-se presenciando uma corrida em Ubeda (NOTA : Úbeda) e desceu a arena, vestida com calças de homem, e poz diversas bandarilhas a um dos touros, conquistando uma delirante ovação e fazendo com que o espada da corrida, Luiz Ramirez ('El Pollo') (NOTA : Luis Ramírez «El Pollo de Granada») ficasse enthusiasmado e se encarregasse para o futuro da educação toureira da Reverte.

            Com o fato de toureiro, toreou a primeira vez em Alcaraz em 6 de setembro de 1900 e desde então tem trabalhado nas praças de touros de Madrid, Saragosa, Barcelona, Jaen, Liñares, Cadiz, Gijon, badajoz, Ubeda, Carolina, Oviedo, Valdepeñas, Granada e em outras praças de Hespanha, Portugal e França.

            Em 1901, toureando em Infante, provincia de Ciudad Real, foi colhida por um touro, recebendo grave ferimento na verilha esquerda, que a obrigou a guardar o leito durante 38 dias.

            Para que se faça idéa da acceitação que tem tido La Reverte, diremos que em 1902 toreou em 38 corridas, em 1903 em 40, em 1904 em 42 e em 1905 em 50.

            Tal é, a grandes traços, a biographia de La Reverte, que os cariocas têm admirado n'esta temporada e que tanto enthusiasmo tem provocado pela sua coragem e pela sua arte.

(NOTA : PARA SABER MAIS sobre María Salomé Rodríguez Tripiana “La Reverte” (1878-1942):

 LINKS :

https://www.abc.es/archivo/abci-reverte-torero-travestido-engano-espanoles-sexo-durante-20-anos-202109060102_noticia.html

https://www.iealmerienses.es/Servicios/IEA/edba.nsf/xlecturabiografias.xsp?ref=691

ANTONIO HERRERA

(Anillo)

            Nasceu em Sevilha em 1873.

            Aos 16 annos principiou, como todo os aficionados, recorrendo (NOTA : percorrendo ?) todas as villas da provincia de Estremadura, asistindo á "tienta" de rezes bravas.

            Em 1890 toureou pela primeira vez em Madrid como bandarilheiro do mallogrado Francisco Pinheiro «gavira» (NOTA : Francisco Piñero Gavira, 1873 - 1898.

PARA SABER MAIS : https://elmuletazo.com/2018/10/15/la-tragica-historia-de-francisco-pinero-gavira-el-primer-torero-doctorado-en-la-condomina-de-murcia-por-julian-hernandez-ibanez/ ) e no mesmo anno em Saragosa com o mesmo espada. Em 1891 toureou em Sevilha e em 1892 embarcou para a America, toreando em diversos logares e actuando de matador de novilhos em varias praças do Mexico, regressando á Hespanha em 1902 onde toureou até 1904, época em que embarcou para os Açores, Ilha Terceira, toureando alli em 4 corridas e depois em diversas praças de Portugal.

EDUARDO CERCÓ

(Punteret)

 

            Nasceu em Sevilha no anno de 1876.

            Despertou-se-lhe afição na edade de 14 annos e toureou pela primeira vez, formalmente em Aracena, Aroche, Calaña e Huelva em 1892 e em 1893 passou a Portugal onde tem trabalhado em todas as praças do velho reino.

            Em 1902 foi contratado pelo infortunado cavalheiro Fernando de Oliveira e com elle veiu ao Rio de Janeiro, trabalhando aqui em 14 corridas e 6 em São Paulo, com geral acceitação.

LUIZ CÉSPEDES GÓMEZ

(Granito)

            Nasceu em La Carolina, (NOTA : La Carolina, Olavide, 25) Jaén, no dia 4 de setembro de 1878, e a primeira vez que vestiu o «trajo de luces» (NOTA : traje de luces) para tourear, foi no mesmo lugar do seu nascimento, em duas corridas em beneficio das victimas da guerra de Cuba.

            Depois, continuou toureando com matadores de primeira categoria em muitas praças de importancia de Hespanha e de Portugal.

            «El Granito» (NOTA : Granito) sentiu despertar-se afição em si ao ver tourear a Maria Salomé, La Reverte, á qual tem acompanhado em diversas occasiões.

ALEXANDRE VIEIRA

            Nasceu á 12 de julho de 1883, na formosa villa de Azambuja, proximo de Lisboa, e fez a sua estréa na praça de Almada em 22 de setembro de 1902, toureando depois em Alges, Azambuja, Villa Franca, Galega, Nazareth, Mafra, Sines, Aviz, Linea, Porto, Moita, Setubal, Sacavem, Santarem, Figueira da Foz, Cascaes, Caldas de Vizela, etc., e no Brasil, em S. Paulo e no Rio de Janeiro, onde os aficionados têm tido occasião de applaudil-o.

JOÃO DE OLIVEIRA

            É natural de Lisboa, onde nasceu á 16 de novembro de 1887.

            Debutou na praça de Alges em 22 de setembro de 1902, continuando a tourear como amador, nas praças de Nazareth, Azambuja, Moita, Mafra, Villa Franca, Sines, Villa Viçosa, Paço d'Arcos, Sacavem, Almada, Figueira, Setubal, Vizella, Abrantes.

            A primeira vez que vestiu o trajo de troureiro foi em Villa Viçosa, em 1903, e obteve as honras da tarde pelo seu trabalho.

            No Brasil tem trabalhado, á satisfação do publico, no Rio de Janeiro e São Paulo.

FRANCISCO BARREIRA

(Morgado de Cóvas)

            O arrojado artista que tantos e merecidos applausos tem sabido conquistar entre nós, pela sua coragem e pelo seu conhecimento do troureio, nasceu em Ponte de Lima, onde toureou pela primeira vez em 16 de julho de 1899, com o mais brilhante successo, que tem tido sempre em augmento de todas as vezes que se tem apresentado perante o publico em quasi todas as praças de Portugal, pois são rarissimas as que elle não tenha trabalhado, já como amador ou como artista.

            Morgado de Cóvas recebeu a alternativa das mãos de Fernando Ricardo Pereira, na praça do Campo Pequeno, em 1904 e ultimamente na grande corrida dada em Madrid em honra do presidente Loubet toureou dous touros «de puntas» com uma valentia e uma arte tão extraordinarias, que o publico lhe fez uma delirante ovação e o presidente da Republica Franceza o presenteou com uma valiosa recordação.

            Morgado de Cóvas é tambem um caçador apaixonado, distincto sportsman e um finissimo cavalheiro que a todos captiva pela sua affabilidade e gentileza.

In REVISTA DA SEMANA - Edição Semanal do JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro - 11 de Fevereiro de 1906

 https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/025909/per025909_1906_00300.pdf

6 DE JUNHO DE 1909 - LISBOA : SONHO DE UMA TARDE DE TOURADA...

 
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UM SONHO

            ...

            A praça tinha uma enchente. Não admira, porque o espada era Fuentes. A corrida agradou por completo. José Bento (de Araújo) e José Casimiro, que representam o passado e o futuro, farpearam com galhardia. Da parte dos nossos bandarilheiros houve muito boa vontade, sendo superiores alguns pares cravados por Theodoro e Manuel dos Santos, notaveis dois sesgos de Cadete, correcto um cambio de rodillas de Alfredo dos Santos e deligente a brega do kalifa da Gollegã e de Ribeiro Thomé.

            E vamos a Fuentes, o grande acontecimento da tarde, o supremo triumphador que, se não saiu da arena aos hombros dos seus admiradores enthusiasmados, recebeu, comtudo, a maior ovação que ha memoria em praças portuguezas.

            A fórma como bandarilhou o 5.º, de Emilio Infante, preparando as sortes sem auxilio de capote, não tenho eu palavras com que a descreva como não tenho phrases bastantes expressivas para relatar as faenas monumentaes executadas com a muleta, que nas mãos do insigne diestro é simplesmente magica, excedendo tudo que possa imaginar-se.

            Os lenços agitam-se, os chapeus voam das bancadas para a arena. Enthusiasmo tuidoso ! N'um camarote, destacando-se-lhe na lapella a fita vermelha da Legião d'Honra, com que o governo da Republica Franceza galardoou o seu merito comprovado em tantos trabalhos litterarios, achava-se Eduardo Coelho. (NOTA : O jornalista Eduardo Coelho foi um dos fundadores do Diário de Notícias) Fuentes vira-o e offerecera-lhe o simulacro da morte.

            Ao terminar a lide, de envolta com applausos ao famoso diestro, alguem chama por Eduardo Coelho. Foi como se largassem fogo ao rastilho d'uma peça de fogo de artificio de pyrotechnico celebre. Um clamor enorme se levanta em todo o circo e Eduardo Coelho, cofiando nervosamente a barba, de cabeça descoberta e luzindo-lhe a calva magestosa de pensador, vê-se obrigado a descer á arena. O que então se passou é impossivel narral-o ! Foi elle quem transferiu para quinta-feira a sensacional batalha de flôres, afim de que o publico podesse assistir á corrida, e, portanto, era justa a manifestação que constituia uma verdadeira consagração ao merito do popular jornalista, cujo nome é pronunciado com acatamento nos centros mais cultos da Europa e da America.

            A lide foi crescendo de enthusiasmo que toca as raias do delirio. No ultimo touro, a pedido geral, Fuentes pega em bandarilhas e colloca dois pares a quiebro como só elle sabe fazer.

            N'isto a philarmonica de Pico de Regalados rompe com um solo, de caixa de rufo e eu acordo no melhor do meu sonho. Era sete horas da tarde.

            Succediam-se as bandas, com fardamentos mirabolantes, entoando alegres passa-calles... saloios. (NOTA : pasacalle é uma marcha popular ou um desfile de festa popular). Lembrei-me da festa do Torres Branco. Tantas philarmonicas, acompanhadas por tão grande numero de forasteiros.

            ...

            Levado pelas noticias fôra até á Avenida e sentei-me n'um banco, junto a uma senhora gorda, esperando vêr uma batalha cujo fragor devia lembrar a lucta homerica de Aljubarrota.

            A temperatura alta da tarde obrigara a minha visinha a cerrar os olhos, começando a resonar, com o seu assobio á mistura. Insensivelmente, as palpebras foram-me descahindo e, dentro em pouco, via em sonhos a soberba corrida que acima descrevo e que era justamente a que no domingo se realisaria, se não fosse a decantada batalha.

            Perdera-se uma corrida boa, ganhara-se em troca uma pessima batalha de flores, cortejo funebre em cujas cavalgatas sobresaiam os grupos de municipaes, dardejando olhos terriveis sobre as sopeiras alinhdas pelos trottoires da Avenida.

            Desfez-se o sonho. Esfreguei os olhos e fugi, espavorido.

            A minha visinha resonava ainda e eu fui para casa lastimar a reimosia de quem impediu uma corrida soberba para nos dar, o espectaculo desolador da insipidez alfacinha.

Zé Boieiro.


In REVISTA TAURINA, Lisboa - 6 de Junho de 1909

29 DE AGOSTO, 2, 5 E 6 DE SETEMBRO DE 1909 - MONTEMOR-O-NOVO : SEGUNDA CORRIDA (NA PRAÇA DE TOUROS REMODELADA) E INAUGURAÇÃO DO CAMINHO DE FERRO...

 


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Montemór-o-Novo

            Realisaram-se n'esta nova praça de touros as tres corridas inauguraes, (NOTA : A praça foi inicialmente inaugurada em 1882) que resultaram magnificas, sobresahindo, porém, a 2.ª realisada no dia 2. por occasião da inauguração do caminho de ferro.

            A nova praça é elegante e bem construida, devido ao reconhecida competencia do distincto architecto sr. José Pedro Felgueiras, ficando sem duvida a primeira do Alemtejo.

            Este importante melhoramento deve-se incontestavelmente aos distinctos aficionados e importantes proprietarios, srs. Francisco Malta e Francisco Romeiras que não se pouparam a despezas para dotarem a sua terra de tão util melhoramento.

            Na primeira corrida lidaram se touros do lavrador sr. Castro de Cabrella, que resultaram regulares, estando todos os artistas diligentes.

            A 2.ª resultou superiorissima, principiando pelo magnifico curro apresentado pelo conceituado lavrador sr. Commandador Paulino da Cunha e Silva, que deram uma lide magnifica, dando logar a que todos os artistas brilhassem.

            Eis as notas que um nosso amigo nos enviou d'esta corrida.

            A casa á cunha. José Bento (de Araújo) abriu a corrida e tanto n'este touro como no seu 2.º teve ferros compridos e curtos magnificos, citados e rematados artisticamente e toureando com aquella valentia e alegria que todos lhe conhecemos, tendo recebido duas ovações que o devem ter deixado satisfeito. Foram justas.

            Morgado de Covas, não esteve tão feliz nos touros que lhe largarom, apesar d'isso, o sympathico cavalleiro procurou tirar o melhor partido possivel dos seus antagonistas, mostrando nos que com o tempo deve vir a ser um excellente cavalleiro porque tem boas disposições para isso e é um bom calção. Recebeu bastantes applausos pela sua boa vontade em agradar.

            Theodoro e Cadete bandarilharam superiormente o 2.º da corrida. N'este touro o valente Manuel dos Santos, executou um magnifico cambio de rodillas, que lhe valeu uma grande ovação. Este artista e Ribeiro Thomé brilharam no 3.º.

            O novilheiro sevilhano José Moyano é um excellente bandarilheiro e bom peaão de brega, como tal foram justos os applausos que o publico lhe dispensou. Com a muleta não nos agradou.

            Alfredo dos Santos deu um magnifico salto de vara e com as bandarilhas não ficou atraz dos seus collegas.

            Eduardo Cercó Punteret é um bandarilheiro muito regular e principalmente muito trabalhador.

            Houve pegas rijas por Manuel Fressura e Carraça.

            Emfim, foi uma corrida como ha muito não vejo no Campo Pequeno.

            A 3.ª corrida já não foi tão animada como a anterior, mas foi muito regular, tomara-mos vel as no Campo Pequeno assim.

            As tres corridas deixaram a todos satisfeitos, e principalmente aos dignos emprezarios.

            Crêmos que a empreza pensa dar duas corridas em outubro, com artistas como estes que cá vieram ultimamente. —C.

In REVISTA TAURINA, Lisboa - 19 de Setembro de 1909

30 DE AGOSTO DE 1909 - CACILHAS : GRANDE CORRIDA DE TOUROS COM ARTISTAS DE ESPANHA E DE PORTUGAL

 


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Praça de Cacilhas

            O emprezario d'esta elegante praça, sr. Lacerda, está organisando para o proximo dia 30 uma grande corrida de touros, por occasião do regresso dos cirios da Atalaya.

            Tomam parte n'esta corrida os cavalleiros José Bento d'Araujo e Eduardo de Macedo e os nossos melhores bandarilheiros e a valente toureira María Salomé «La Reverte».

In REVISTA TAURINA, Lisboa - 22 de Agosto de 1909

15 E 16 DE SETEMBRO DE 1909 - PORTALEGRE : FEIRA ANUAL E DUAS TOURADAS COM QUATRO CAVALEIROS...

 


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PORTALEGRE

            Ha grande enthusiasmo n'esta cidade pelas duas magnificas corridas que na quarta e na quinta feira se realisam na praça de D. Luiz do Rego, por occasião da grande feira annual, organisadas pelo distincto aficionado sr. dr. Affonso A. de Seixas Vidal.

            Serão lidados dois soberbos curros de touros do abastado lavrador sr. Commendador Paulino da Cunha e Silva, pelos festejados cavalleiros José Bento d'Araujo, Fernando Ricardo Pereira, Victor Marques e José Luiz Bento.

            Espada, o valente novilheiro José Moyano, bandarilheiros os applaudidos artistas Torres Branco, João d'Oliveira, Alfredo dos Santos, Paulo Massano e o toureiro hespanhol Eduardo Cercó Punteret.

Eduardo Cercó «Punteret»
FOTO : DR

            O grupo de forcados é capitaneado por Manuel Fressura e as corridas serão dirigidas pelo distincto amador sr. Manuel Lopes.

In REVISTA TAURINA, Lisboa - 12 de Setembro de 1909

29 DE AGOSTO E 2 DE SETEMBRO DE 1909 - MONTEMOR-O-NOVO : DUAS CORRIDAS BOAS NA PRIMEIRA PRAÇA DO ALENTEJO

 


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MONTEMOR-O-NOVO

            Esta nova praça de touros, sem duvida a primeira do Alemtejo, abiu as suas portas ao publico com duas magnificas corridas que se realisaram nos dias 29 e 2 do corrente.

            Este importante melhoramento deve-se sem duvidas aos distinctos aficionados e importantes proprietarios srs. Francisco Malta e Francisco Romeira que se não pouparam a despezas para dotarem a sua terra com este importante melhoramento que veiu dar grande incremento áquella importante povoação.

            Hoje e ámanhã realisam se ali duas magnificas corridas que hão de agradar muito pelos superiores elementos de que estão revestidas.

            Os touros que pertencem ao abastado lavrador sr. Commendador Paulino da Cunha e Silva, tem todos o ferro d'aquelle importante lavrador e foram apartados escrupulosamente pelo cavalleiro José Bento d'Araujo e pelo bandarilheiro Theodoro Gonçalves, o que é segura garantia, pois escolheram 20 touros de corpos e typo, e com indicios de muito bravos.

            O pessoal artistico não pode ser melhor. Cavalleiros os festejados artistas José Bento de Araujo e Morgado de Covas.

            Espada o estimado novilheiro sevilhano José Moyano e o seu bandarilheiro Eduardo Cercó Punteret que é um excellente peão de brega, e os nossos primeiros bandarilheiros Theodoro Gonçalves, Jorge Cadete, Manuel dos Santos, Ribeiro Thomé e Alfredo dos Santos.

            O grupo de forcados é composto de valentes pegadores do Campo Pequeno, tendo por cabo o conhecido Fressura.

            As corridas serão dirigidas pelo conhecido aficionado sr. Pedro Cannas.

            Como se vê, a empreza procurou o melhor pessoal artistico que temos e por isso as corridas devem resultar explendidas.

In REVISTA TAURINA, Lisboa - 5 de Setembro de 1909

11 - 13 DE JUNHO DE 1909 - FARO : ESPANHOL MALAGUEÑO, TOUREIROS PORTUGUESES E CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO NAS PRIMEIRAS TOURADAS CELEBRADAS NO ALGARVE

 


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CORRIDAS EM FARO

Nos proximos dias 12 e 13, realisam-se duas magnificas corridas na nova praça d'esta cidade, sendo cavalleiro o applaudido artista José Bento (de Araújo).

O pessoal de pé é constituido por excellentes artistas, como Malagueño, Alexandre Vieira e outros.

In REVISTA TAURINA, Lisboa - 6 de Junho de 1909

18 DE JULHO E 1 DE AGOSTO DE 1909 - LISBOA : TERCEIRA CORRIDA NOCTURNA COM TOUREIROS ESPANHÓIS E PORTUGUESES

 


A terceira corrida nocturna no Campo Pequeno

            Decididamente as corridas nocturnas cahiram no agrado do publico, porque o aspecto da praça com a deslumbrante illuminação é de um bello effeito. As duas ultimamente ahi realisadas foram magnificas e as enchentes colossaes. A empreza deve estar satisfeita pelos reultados dos seus esforços.

            A 3.ª corrida realisada no domingo ultimo se não satisfez os amadores não foi por culpa da empreza, mas sim dos touros que sahiram na maioria mansos e saltadores, prejudicando bastante o exito da corrida.

            A lide equestre a cargo dos festejados cavalleiros José Bento de Araújo) e Macedo, não teve o lusimento que devia ter, em parte devido á qualidade dos touros.

            Em bandarilhas apenas dois pares bons para Cadete, no 2.º e 7.º

            Manuel dos Santos, Thomaz da Rocha e Alfredo dos Santos collocaram alguns pares de merecimento, dadas as condições dos seus antagonistas que eram mansos.

            Com touros assim ninguem pode brilhar.

            Castor Ibarra Cocherito de Bilbao, (NOTA : Cástor Jaureguibeitia Ibarra «Cocherito de Bilbao» 1876-1928) que a aficion desejava vêr, pois havia duas epocas que não vinha  ao Campo Pequeno, tinha muita vontade de trabalhar e enthusiasmar os amadores, como o tem feito n'outras occasiões, mas apesar da su boa vontade, o trabalho não teve lusimento pelas condições dos touros que lhe destinaram.

            No 5.º da corrida empregou superiores pares de bandarilhas e com a muleta teve passes valentes e cingidos que a assistência applaudiu com justiça. Com o capote lanceou com arrojo, estirando bem os braços e auxiliou a lide com intelligencia.

            Pena foi que tivesse por adversarios tão indecentes touros.

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            Vito, que é um excellente bandarilheiro, collocou no 8.º dois superiores pares, de frente, que foram applaudidos e com o capote bregou bem. Com a muleta n'este touro pouco fez.

            Torres Branco, ao saltar a barreira, foi colhido, felizmente sem consequencias.

            Á corrida assistiu o sr. D. Affonso.

            A direcção do conhecido aficionado Jayme Henriques, foi boa e a concorrencia fraca na sombra e enchente nos logares do sol.

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In REVISTA TAURINA, Lisboa - 8 de Agosto de 1909

12, 15, 16, 19, 26 DE AGOSTO DE 1883 - SAN SEBASTIÁN : RECUERDOS - CORRIDAS HISPANO-PORTUGUESAS (CON EL REJONEADOR JOSÉ BENTO DE ARAÚJO)

 

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BILBAO

PLAZA DE TOROS

DE

SAN SEBASTIAN


CINCO GRANDES CORRIDAS DE TOROS.

Se verificarán en los días 12, 15, 16, 19 y 26 de Agosto de 1883, lidiándose toros de las más acreditadas ganaderías, por las mejores cuadrillas de España.

Tres de las corridas com los toros más caros de Castilla, Navarra y Andalucía, y las cuadrillas de LAGARTIJO y FRASCUELO. Una corrida con Caballeros en plaza y las cuadrillas de LAGARTIJO y FRASCUELO. Una corrida Hispano-Portuguesa de ocho toros; cuatro á la portuguesa y otros cuatro á la española, com cuatro matadores y cuadrilla de banderilleros y picadores, pegadores portugueses, rejoneadores, indios negros y Caballeros en plaza, lanceando los toros á la antigua usanza. El órden de las corridas será el siguiente:

DIA 12. —PRIMERA CORRIDA.

INAUGURACION DE LA TEMPORADA TAURINA DE 1883.

Se lidiarán seis toros de la acreditada ganadería del Excmo. Sr. Duque de Veragua, vecino de Madrid, com divisa encarnada y blanca, por las inmejorables cuadrillas de

Lagartijo y Frascuelo.

DIA 15. —SEGUNDA CORRIDA.

Se lidiarán seis toros de cinco años e seis yerbas, hermanos de los que tan extraordinario juego dieron en todas las plazas donde se corrieron el año pasado, pertenecientes á la ganadería del Excmo. Señor D. Nazario Carriquiri de Tudela, com divisa verde y encarnada, por las mismas cuadrillas de Lagartijo y Frascuelo.

DIA 16. —TERCERA CORRIDA.

Se lidiarán seis toros de la acreditada ganadería de la Sra. Viuda de D. Juan Manuel Martin, vecina de San Agustin, (Colmenar), com divisa naranja, carmin y caña. Los dos primeros serán rejoneados por los Caballeros en plaza D. José Rodriguez (a) Tabardillo, aplaudidísimo picador, caballista andaluz, vecino de Madrid y el intrépido como celebrado caballero portugués D. José Biento d’Araujo, vecino de Lisboa, siendo los padrinos de campo Lagartijo y Frascuelo. Matará dichos toros el sobresaliente de espada Valentin Martin. Los otros cuatro toros llevarán la lidia ordinaria por todas las cuadrillas dirigidas por

Lagartijo y Frascuelo.

DIA 19. —CUARTA CORRIDA.

Corrida Hispano-Portuguesa de ocho toros; cuatro embolados para pegarlos á la portuguesa y los otros cuatro de puntas, para la lidia á la española, siendo los primeros, de la acreditada ganadería de D. Atanasio Rodriguez de Guadalix, com divisa encarnada y rosa y los últimos de una de las más antiguas ganaderías de Castilla, perteneciente hoy á D. Juan Antonio Mazpule, com divisa blanca.

Las cuadrillas se compondrán de Francisco Sanchez Frascuelo (mayor) y Juan Ruiz Lagartija, Caballeros en plaza, indios negros rejoneadores y pegadores Portugueses. El órden de esta corrida será el siguiente:

1.º       Dos toros embolados que rejonearán los negros á puerta de gayola, de rodillas y en otras posturas, pegados despues de frente y de espaldas, sujetados por los hombres forcados Portugueses y muertos por último á estoque por un matador sobresaliente de espada.

2.º       Otros dos toros embolados que serán rejoneados á la portuguesa por los Caballeros (José) Bento d’Araujo y José Rodriguez (a) Tabardillo, com trajes á la antigua de Caballero Portugués y com caballos de gran lujo, amaestrados para quebrar á los toros y pegados en diferentes posturas por los pegadores, y muertos á estoque por otro sobresaliente de espada.

3.º       Dos toros de puntas de Mazpule, quebrados á rejon grande por los mismos Caballeros que se presentarán á la antigua española y apadrinados por los diestros Frascuelo (mayor) y Lagartija.

4.º Otros dos toros de puntas de la misma ganadería de Mazpule que se lidiarán á la española, picados, banderilleados y muertos á estoque por las cuadrillas de

Frascuelo (mayor) y Lagartija.

DIA 26. —QUINTA Y ÚLTIMA CORRIDA.

Se lidiarán seis toros de la renombrada ganadería del Excmo. Sr. D. Antonio Miura, vecino de Sevilla, com divisa verde y negra, por las incomparables cuadrillas de

Lagartijo y Frascuelo.

La presentacion de los Caballeros en plaza, se hará com gran ostentacion en carruajes tirados por cuatro caballos lujosamente enjaezados, cubiertos com mantas de gran riqueza y penachos. Los trajes de los alguaciles, Caballeros en plaza, pages, palafraneros, etc., han sido construidos por el acreditado sastre del Teatro Real de Madrid, D. Lorenzo París.

Los demas detalles de cuadrillas, precios y condiciones de abono, se anunciarán oportunamente en otros carteles, programas y periódicos. Para pedidos de programas, abono y billetes, dirigirse al escritorio de J. ARANA, San Sebastian.


NOTA: Os cartazes que podem ser consultados em BILBOKO LIBURUTEGI DIGITALA (https://www.bilbao.eus/bld/)

12 DE AGOSTO DE 1909 - LISBOA : 5.ª CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO

 


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Touradas

A ultima corrida nocturna no Campo Pequeno

            N'esta praça realisou-se na passada quinta feira, 12, a 5.ª corrida nocturna, organisada pela empreza Baptista & Lacerda.

            A concorrencia foi grande, pelos desejos que os aficionados tinham de vêr o valente espada mexicano que tão boas impressões deixou quando pela 4.ª vez veiu a Lisboa, tourear na corrida á hespanhola organisada pelo Real Club Tauromachico.

            Rodolpho Gaona é um toureiro de longo futuro porque tem condições que o recommendam : valentia, serenidade e muita vista. N'esta corrida mais confirmou o que d'elle dissemos, quando nos visitou por primeira vez, e se as suas faenas de muleta não tiveram o brilho que elle desejava, foi motivado pelos touros que lhe destinaram, a isso se não prestarem, no entanto no 5.º touro moleteou com valentia e bastante cingido, procurando adornar se. O publico apreciou devidamente o seu trabalho, retribuindo lhe com bastantes applausos.

            Com bandarilhas no 5.º teve uns pares aceitaveis e no 7.º teve uns pares a cambio muito bons e outro de frente bom.

            Nos quites aos piqueros esteve valente e por vezes adornado, ouvindo bastantes applausos.

            Gaona deixou bom cartel em Lisboa, e ha de agradar sempre.

            A lide equestre a cargo dos valentes cavalleiros José Bento d'Araujo e Morgado de Covas.

            José Bento (de Araújo) toureou o seu primeiro com a sua costumada valentia, cravando ferros bons á meia volta e á tira, que lhe renderam bastos applausos.

            Morgado de Covas, lidou com valentia o 4.º procurando-o com acerto, porque a rez era fugidia, no entanto sangrou com alguns bons ferros á meio volta e um á tira, ouvindo applausos.

            O 6.º foi toureado a duo pelos dois estimados artistas, mas apenas cravaram uns ferros de pouco valor porque o touro ao chegar á jurisdição tapava-se e d'ahi a difficuldade de empregar ferragem, no entanto o publico applaudiu os dois valentes artistas pela deligencia e boa vontade que demonstraram.

            A lide á hespanhola, a não ser o 3.º, que proporcionou aos varilargueros o empregarem alguns puyazos valentes, principalmente os do velho Agujetas. Este touro foi bravo e de poder, chegando a bandarilhas huido.

            Da gente portugueza, na brega salientaram-se Theodoro e Manuel dos Santos, este principalmente, que esteve incansavel, e acertado, não gostando alguns amadores que trabalhasse tanto... esses mesmos não tiveram mais remedio que applaudil-o, quando Manuel dos Santos no 7.º touro executou tres quebros de rodillas no mesmo touro e no mesmo terreno, caso unico na nossa praça.

            Em bandarilhas salientou-se Theodoro e Manuel dos Santos.

            Carlos Gonçalves reappareceu n'esta corrida já restabelecido da doença que ha duas epocas o tem affastado das nossas arenas, teve no 8.º uns pares acceitaveis, assim como Alfredo dos Sanrtos.

            Os touros do sr. Emilio Infante estavam bem tratados, mas alguns sairam saltadores e fugidios, o que difficultou bastante a lide. A corrida no conjuncto não desagradou.

            Dirigiu a corrida, com acerto, o antigo aficionado sr. Jayme Henriques.



In REVISTA TAURINA, Lisboa - 22 de Agosto de 1909