26 DE AGOSTO DE 1894 - LISBOA: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA FESTA DOS CAMAROTEIROS RIBEIRO E VALENTE DA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO

 

Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

Praça do Campo Pequeno

            Promette ser magnifica a corrida do proximo domingo que é, como já dissemos, promovida pelos camaroteiros Ribeiro e Valente.

            Trabalham n’essa tarde os celebres saltadores landezes, que executarão um trabalho novo.

            Tomam parte os cavalleiros Fernando Ricardo Pereira e José Bento (de Araujo) e os bandarilheiros amadores Salgado, de Aldegallega, e Filippe da Rocha.

            Os bilhetes tambem se acham á venda na rua de Alcantara, 105

            Previnam-se os amadores.

In A VANGUARDA, Lisboa – 20 de Agosto de 1894

26 DE AGOSTO DE 1894 - LISBOA: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA FESTA DOS CAMAROTEIROS DA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO

 

Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

Praça do Campo Pequeno

            Domingo, beneficio dos camaroteiros. Trabalham os saltadores francezes. Cavalleiros, José Bento (de Araujo) e o amador Fernando Ricardo Pereira. Os toiros são do sr. João Thomaz Piteira. Daremos noticia d’esta magnifica toirada.

In A VANGUARDA, Lisboa – 20 de Agosto de 1894

19 DE AGOSTO DE 1894 - LISBOA: UMA CORRIDA ESTUPENDA COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO

 
Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

Praça do Campo Pequeno

            Realisou-se hontem a corrida promovida pelo bandarilheiro João Roberto.

            A concorrencia foi numerosa e a corrida esteve animadissima.

            O clou da tarde era a reapparição dos irmãos Robertos, artistas que, durante epocas succesivas, se fizeram applaudir na praça do Campo de Sant’Anna. Decerto se recordam os leitores afficionados dos esplendidos trabalhos então executados. São artistas completos. Tornaram-se notaveis pelas suas sortes de gaiola, pois, dispondo de umas pernas de aço, aguardavam os toiros mui cerca do toiril. Os cavalleiros trabalhavam desassombradamente,pois encontravam n’estes artistas um poderoso auxiliar, já porque punham os toiros em sorte, já porque os seus capotes eram os primeiros a ser lançados ao toiro, quando elle carregava sobre o cavallo.

            Com a muleta, ainda hontem vimos o applauso que mereceu o seu trabalho.

            Ultimamente, porém, já sobremaneira cançados e doentes, retiraram-se mais do toireio e foi hontem a primeira vez, na presente epoca, que vestiram os seus fatos.

            Mas vamos á corrida:

            Findas as cortezias, foram os irmãos Robertos alvo de grandes ovações.

            Vicente (Roberto) entrega a farpa ao cavalleiro José Bento (de Araujo), que espera.

            O 1.º — Veado. Negro, bragado, alvorado de rama, abarbellado, listão. O cavalleiro colloca tres ferros á meia volta, um dos quaes muito bom, e um á garupa. Pegando em curtos, deixou um bom par á meia volta. José Bento (de Araujo) ouve muitas palmas.

            2.º — Picanço. Negro, bragado.

            Vicente Roberto pediu a auctoridade licença para bandarilhar e foi para a gaiola. Não empregou os ferros, sendo, porém, muito applaudido pela maneira como esperou a rez.

            Collocou depois meio par.

            Roberto da Fonseca deixou tres pares e meio a quarteio, muito bem apontados.

            Com o capote tirou dez veronicas e um pharol.

            Magnifica péga de cara.

            Vicente, Roberto e forcado muito applaudidos.

            3.º — Calcinhas. Negro, caraça, bragado, listão.

            É esperado por Minuto(mais exactamente o espada sevilhano Enrique Vargas González, «Minuto» – 1870-1930) que nada faz á gaiola, deixando um bom par. João Roberto colloca um par de primeira ordem. Minuto cuartea por tres vezes, deixando outros tantos pares.

«MINUTO»
FOTO: EL ENANO- Hemeroteca Digital BNE (tratada por IA)

            João Roberto prende par e meio.

            Minuto, com o capote, dá sete veronicas e duas navarras.

            Boa péga de cara.

            Grande ovação a Roberto e Minuto.

            4.º —Boneco. Negro, listão, bocalvo.

            Saldanha colloca um par deanteiro. Gonçalves, meio descaido. O primeiro poz mais par e meio e o segundo um par. Pescadero tirou, com o capote, cinco veronicas.

            O Boneco foi pegado de cernelha.

            Manuel Casimiro offerece a primeira sorte a Vicente Roberto e vae esperar o

            5.º — Caracol. Negro.

            Depois de varias saidas falsas, sem que o animal arrancasse, sae Calabaça e esperta-o com um par de bandarilhas.

            Manuel Casimiro colloca então tres pares curtos, á meia volta, e um á garupa.

            6.º — Espingardo. Negro.

            João Roberto poz a quarteio quatro pares muito bem apontados. Vicente Roberto empregou n’este toiro um par a cuarteo.

            Roberto da Fonseca tira, com a muleta, nove naturaes e nove de peito.

            Finda a linde (lide) d’este toiro, o publico chamou e applaudiu muito Vicente, Roberto e João, recebendo o ultimo brindes de collegas e amadores. Por essa occasião, varios afficionados, constituidos em commissão, pediram aos irmãos Robertos para tomar parte na festa do bandarilheiro Raphael Peixinho.

            7.º — Caracol. Negro, bragadinho.

            José Bento (de Araujo) enfeita o morrillo do Caracol com tres ferros á tira, um á estribeira e um citando á tira e rematando a garupa.

            Deixa depois dois bons pares curtos á garupa.

            José Bento (de Araujo) teve chamada especial.

            8.º — Estorninho. Negro.

            João Calabaça, que prende á gaiola um bom par, aponta depois um par a quiebro.

            Roberto da Fonseca deixa dois pares e Vicente um par.

            Vicente, Roberto, Calabaça e Sancho ouvem palmas.

            9.º — Barbeiro. Negro, caraça, bragado.

            É esperado por Pescadero, que colloca um par á gaiola.

            Vicente põe dois bons pares e Minuto dois e meio.

            Sancho tira, com o capote, seis veronicas, e Pescadero, com a muleta, dá tres naturaes, dois com a direita e quatro de peito.

            Rija a péga de cara executada n’este toiro.

10.º — Barrete. Negro, caraça, bragado.

            Manuel Casimiro aponta tres farpas á tira e uma á meia volta.

            Pegando em curtos, deixa tres pares: dois á tira e um á meia volta.

            11.º — Barrete. Negro, caraça, bragado.

            Gonçalves colloca tres pares, saindo emborcado no primeiro.

            Saldanha deixa tres pares e Torres Branco par e meio.

            Minuto, com o capote, dá cinco veronicas.

            Em resumo:

            Os toiros. — Pertenciam seis ao lavrador Branco e seis a Roberto & Irmão.

            Cumpriram, saindo, porém, melhores os da segunda parte, pertencentes a Roberto & Irmão.

            Os cavalleiros. — José Bento (de Araujo) trabalhou muito bem.

            Ouviu merecidos applausos pelo seu trabalho no segundo toiro, o celebre Caracol, animal  já muito corrido e de difficil lide.

            Manuel Casimiro foi tambem applaudido pelo seu correcto trabalho.

            Os bandarilheiros.— Vicente Roberto e Roberto da Fonseca, dois artiostas de nome, tão arrojados quanto distinctos e conhecedores de todas as subtilezas da arte, foram applaudidissimos, recebendo do publico as maiores manifestações de sympathia e apreço.

            Vicente, devido ao seu estado de saude, pouco pôde fazer.

            Roberto teve ferros de merecimento e com a muleta, no sexto toiro, deu passes admiraveis, cingindo-se e parando-se.

            João Roberto esteve muito feliz. Trabalhou muito bem.

            Minuto muito bem como bandarilheiro e opportuno nos quites.

            Calabaça teve uma boa gaiola no oitavo toiro e um par a quiebro no mesmo toiro. Bravo.

            Pescadero deixou um bom par no nono toiro e uns passes de muleta muito bons.

            A casa boa. O publico satisfeito.— J. M.

Revista SOL Y SOMBRA, Madrid
Biblioteca nacional de España (tratada por IA)

            Domingo, beneficio dos camaroteiros. Trabalham os saltadores francezes. Cavalleiros, José Bento (de Araujo) e o amador Fernando Ricardo Pereira. Os toiros são do sr. João Thomaz Piteira. Daremos noticia d’esta magnifica toirada.

In A VANGUARDA, Lisboa – 20 de Agosto de 1894

15 DE JULHO DE 1909 – LISBOA: PRIMEIRA CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM GRANDES TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL


 

Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

            Campo Pequeno — Corrida nocturna — Com uma enchente á cunha, effectuou-se hontem n’esta praça, a inauguração das corridas nocturnas.

            Era de esperar que a illuminação electrica produzisse um effeito magestoso, attendendo ás condições do grande circo tauromachico.

            A installação foi montada pela acreditada casa A. E. G. Thomson Iberica, com sède na rua d’El-Rei, 56, 2.º, que mais uma vez confirmou os creditos que gosa universalmente. Para inicio de espectaculos nocturnos, não foi como seria para desejar, pois a lide foi muito resumida em trabalhos de sensação, e de commodidade, temos conversado.

O cavaleiro José Bento de Araujo ainda jovem.
FOTO © Rui Araújo - Blog Corridas Portugal - España - France - Brasil

            Abriu o torneio o valente cavalleiro José Bento (de Araujo), que aproveitou o oriundo de Salvaterra com toda a pericia, tendo empregados tres ferros que lhe valeram prolongados e quentes applausos. O 2.º da manada coube a Jorge Cadete e Moyano, que tiveram um trabalho de primeira ordem. Cadete, teve dois pares, de mestre. O 3.º para Manuel dos Santos e Ribeiro Thomé, foi egualmente bem aproveitado, fechando aqui o enthusiasmo que reinou desde o primeiro.

            Chegamos a suppor que o gado fornecido pelos lavradores Roberto & Roberto, tivesse experimentado os effeitos da electricidade, modificando o seu temperamento.

            Foram, pois, dignos de registo os tres chavelhudos que deram uma lide como qualquer ministro em situação precaria.

            Morgado de Covas, apresentou-se com uma linda casaca e com um cavallo para os dois touros, que estava a pedir enborcation nas mãos deanteiras, (NOTA: Escreve-se “emborcación”. “La emborcación se refiere al momento preciso en que el toro humilla y acomete, poniendo su cabeza y sus cuernos en la trayectoria del engaño (el capote o la muleta). Es el instante crítico de la reunión entre el toro y el torero, donde se define la “suerte”. Em português, investida e “entrada no engano”.) embora nacional, pois dizem os entendidos, ter servido com resultado nos jesuitas do Pelourinho. Correu muito, cumprimentou o tio do sr. D. Manuel e o cavallo escorregou na... mesura.

            O espada Regaterin, (NOTA: Antonio Boto Recatero, 1876-1938) e o seu ex.mo mano (NOTA: Regaterin Chico) estiveram a pedir... batatinhas.

Antonio Boto Recatero, Regaterín.
FOTO: Real Academia de la Historia, Madrid.

            O Regaterin Chico (NOTA: Regaterín Chico, aliás Victoriano Boto Recatero, era sobrinho dos bandarilheiros Victoriano, Luis e Tomás Recatero, e irmão de Regaterín. Era novilheiro e foi ainda subalterno.) quiz fazer aprendizagem, mas o respeitavel publico não lhe deu esse prazer, mas sim o de... vae «despir-te».

            Guardamos para o final as referencias para os dois artistas mais modernos que hontem pisaram o redondel, Alexandre Vieira e Alfredo dos Santos.

            Na corrida de domingo teve Alexandre Vieira dois pares que não esquecem e hontem foi o que teve as honras da noite. Preparou o touro, ordinario por signal, com pericia e saber, indo á cara e rematando as sortes com firmeza. Executou o salto de vara com felicidade e esteve muito diligente.

            Alfredo dos Santos, mais precipitado que o seu collega teve no emtanto dois pares dignos dos applausos que o publico lhe dispensou.

            Estiveram muito diligentes os bandarilheiros Cadete, Thomé e Manuel dos Santos, merecendo cada um d’elles uma medalha de salvação podendo confirmar Morgado de Covas e José Bento (de Araujo).

            A direcção esteve na berlinda, ouvindo applausos e morras.

In A VANGUARDA, Lisboa – 16 de Julho de 1909

5 DE DEZEMBRO DE 1910 – LISBOA: PARTIDA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO PARA A AMÉRICA LATINA

Biblioteca nacional de España

NOTICIAS

            Diestros para el Brasil.— A pesar de lo que aseguran algunos colegas de que las cosas por el Brasil no andan bien, nuestros informes recibidos de Lisboa son que la pasada semana salieron para el Perú el rejoneador José Bento de Araujo, el banderillero Manuel dos Santos, Piñero y el español José Parra (Parrita).

In EL TOREO, Madrid – 5 de Dezembro de 1910

12 DE AGOSTO DE 1894 – PORTO: SEGUNDA CORRIDA COM SALTADORES DAS LANDES E BENEFÍCIO DOS CAVALEIROS ALFREDO TINOCO E JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

O Real Colyseu Portuense
FOTO de ANTONIO MAYA, O TRIPEIRO (tratada pela IA)

TAUROMACHIA

Porto (NOTA: Real Colyseu Portuense, Boavista)

            Terá logar no domingo a segunda corrida em que tomam parte os saltadores landezes.

            Esta corrida é em beneficio de (Alfredo) Tinoco (da Silva) e José Bento (de Araujo).

            Os touros são do sr. visconde da Varzea.

            O espada é o conhecido Minuto Chico. (NOTA: Trata-se na realidade do sevilhano Enrique Vargas «Minuto», que nasceu em 1870 e faleceu em 1930.)

Biblioteca nacional de Portugal

In A VANGUARDA, Lisboa – 9 de Agosto de 1894

15 DE JULHO DE 1909 – LISBOA: PRIMEIRA CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM GRANDES TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL, INCLUINDO OS CAVALEIROS MORGADO DE COVAS E JOSÉ BENTO DE ARAÚJO

 
Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

            A corrida nocturna — O programma completo da grande corrida de ámanhã, quinta feira á noite é o seguinte: Lidam-se dez magnificos touros pertencentes á ganaderia cada vez mais acreditada dos srs. Roberto & Roberto, de Salvaterra de Magos, touros que de ha muito estão apartados para a inauguração das corridas nocturnas. Tomam parte na corrida: o notavel matador de touros Regaterin (NOTA: Antonio Boto Recatero, 1876-1938) e seu irmão, o não menos notavel bandarilheiro e matador de novilhos Regaterin-Chico; o estimado e applaudido José Moyano; os nossos distinctos bandarilheiros Jorge Cadete, Manuel dos Santos, Ribeiro Thomé, Alexandre Vieira e Alfredo Santos. O toureio a cavallo está a cargo dos festejados cavalleiros José Bento (de Araujo) e Morgado de Covas.

            Regaterin vem de Pamplona em cujas corridas alcançou grandes triumphos. Na terceira corrida tirou uns lances de capa no 2.º touro, verdadeiramente classicos, e no momento supremo deu quatro passes de muleta com os pés cravados no solo e rematou com um volapié monumental, que lhe valeu uma grande ovação e a orelha.


Antonio Boto Recatero, Regaterín (Madrid,1876 – Barcelona,1938)
FOTO: Villa de Arbeteta, Espanha (com IA)

            A illuminação da praça do Campo Pequeno vae ser um verdadeiro deslumbramento.

            Ás 8,27 sae da estação do Rocio um comboio para o Campo Pequeno, custando a passagem 50 réis em 2.ª classe e 40 na 3.ª


Jornal «VANGUARDA»
Biblioteca nacional de Portugal

In A VANGUARDA, Lisboa – 14 de Julho de 1909

NOTA

Mais informação sobre Regaterín aqui:

https://historia-hispanica.rah.es/biografias/7922-antonio-boto-recatero

https://villadearbeteta.es/2025/03/07/el-torero-regaterin-y-arbeteta/

28 DE JULHO DE 1889 – PORTO: ANÚNCIO DA CORRIDA DE INAUGURAÇÃO DO COLYSEU PORTUENSE COM OS CAVALEIROS JOSÉ MARIA CASIMIRO MONTEIRO E JOSÉ BENTO DE ARAÚJO E MAIS ARTISTAS DE PORTUGAL E DE ESPANHA

 
 

          Biblioteca de Assuntos Portuenses

INAUGURAÇÃO

DO

COLYSEU PORTUENSE

DOMINGO, 28 DE JULHO DE 1889

ESPLENDIDA CORRIDA

DE

10 TOUROS 10

Escolhidos ha muito para este dia, e pertencentes ao abastado ganadero

o Ex.mo Snr. Commendador CARLOS AUGUSTO MARQUES

            Ás 4 horas e ¾ da tarde começará este espectaculo, entrando na arena um LUZIDO CORTEJO composto dos arrojados e aplaudidos cavalleiros J. M. Casimiro Monteiro e José Bento d’Araujo e dos aplaudidos bandarilheiros portugueres  e hespanhoes Roberto da Fonseca, João da Cruz Calabaça, João do Rio Sancho, João Roberto, Vicente Mendes (El Pescadero), Rafael Santos (Santilho), José dos Santos e José da Costa.

            Depois de effectuadas as cortezias do estylo dar-se-ha principio á lide, debaixo da direcção do conhecido intelligente que foi da extincta praça do Campo de Sant’Anna em Lisboa, Manoel Botas.

            Um valente grupo de homens de forcado da Gollegá e Riacho farão as pegas que o intelligente lhes ordenar.

            Este programma poderá ser alterado por qualquer motivo imprevisto.

            A banda dos Bombeiros Voluntarios do Porto executará antes e durante a corrida as melhores peças do seu vasto reportorio.

            Preços: Camarotes de sombra, 4$500; Sol, 3$000; Tribuna, 1$200; Fauteuils, 1$000; Balcão-sombra, 700; Balcão-sol, 350; Sombra, 600; Sol, 300 reis.


NOTA

            Eis a história do Colyseu Portuense. Foi inicialmente contada por António da Torre nas páginas de «O Tripeiro» (Série 3, Ano 1, nº 21 (1926), p. 329-331).

            O texto narra o passado desta sala de espectáculos que funcionou no Porto entre 1889 e 1895, focando-se nas licenças para actividades tauromáquicas, equestres e de ginástica.

            Das praças de touros que teve o Porto, quando nós nascemos já tudo tinha desapparecido. Sabiamos, por termos ouvido contar a pessoas de idade, que tinha havido primeiro n'esta cidade uma pequena praça de madeira na Rotunda da Boavista e outra no largo da Aguardente e que n'esta haviam lidado artistas com reputação feita nas praças do Sul, taes como os Robertos, os Peixinhos, etc. Estava-se n'isto. As praças desappareceram, o Porto havia-se desinteressado de touradas e já nem lhes sentia a falta.

Um dia porém quando menos o esperava, soube pelos jornaes que se estava construindo uma nova praça de touros na Serra do Pilar, logo adiante d’aquelle morro que se encontra á sahida da ponte.

 A novidade do espectaculo attrahiu grande concorrencia. Quem quer que fosse então o emprezario da praça devia sentir-se em maré de rosas, porque o publico gostou, as corridas repetiam-se todos os domingos e as enchentes eram de tremer, proporcionando-lhe receitas avultadas. E quem tambem lucrou com isso foi o arrematante da ponte que rfecebia dez reis de portagem (ida e volta) por cada pessoa que a atravessasse.

Como valia a pena ir para ella assistir ao desfile dos que passavam para os touros, a ponte apinhava-se de gente como nos dias da romaria da Senhora do Pilar ainda hoje succede. Pouco se importava o publico que a ponte oscillasse assustadoramente. Era mais um aperitivo á gargalhada ver a triste figura que faziam os caminhantes, desequilibrados, trocando o passo, pallidos, semi-enjoados, querendo parar para tomar animo, mas sendo obrigados a seguir empurrados brutalmente pelos que vinham atraz d’elles em identico estado. 

Parecia que o publico portuense já não podia passar sem touradas. Isso animou uns individuos que tinham estado no Brazil, a organisarem-se em sociedade para a construcção e exploração de uma grande praça, á qual deram o nome de Real Colyseu Portuense. Estes individuos, já fallecidos, chamavam-se Lopes Pereira, que era um dos proprietarios da Ourivesaria Viziense, da rua de Santo Antonio, e Joaquim Vieira de Magalhães (natural de um concelho limitrofe do Porto), seu amigo e associado.

Real Colyseu Portuense (Porto).
FOTO ORIGINAL DE ANTONIO MAYA: «O Tripeiro» (tratada pela IA)

            O que foi a praca exteriormente mostra-o a gravura que apparece hoje em O Tripeiro, reprodução de uma excellente photographia que nos foi amavelmente pelo snr. Antonio Maya de Figueiredo, apaixonado amador tauromachico, que com seu irmão snr. Manoel Maya (os irmãos Mayas) já fallecido tambem entraram em algumas touradas, nas quaes revelaram apreciaveis qualidades de lidadores.

A inauguração do Colyseu fez-se em 28 de Julho de 1889, como consta do programma que inserimos na pagina anterior e que tambem devemos ao obsequio do snr. Maya de Figueiredo, bem como outros programmas que se lhe seguem.

Em 1890 realisou o celebre bandarilheiro Peixinho a sua festa artistica (...)


Real Colyseu Portuense, Boavista (Porto).
FOTO ORIGINAL de Antonio Maya cedida ao jornal «O Tripeiro»

 O Colyseu acabou como acaba tudo. (...)

Annos depois de demolido o Colyseu construiu-se uma nova praça de touros, de madeira, no Campo de Manobras da Serra do Pilar, que teve a sorte commum.

 Ao cimo da rua da Alegria, proximo á rua do Lima, construiu-se tambem uma outra, cuja frontaria se póde ver pela gravura que acompanha estas linhas, gravura que nos foi amavelmente cedida pelo snr. anoel Dias, outro amigo de O Tripeiro. Esta praça desappareceu tambem.

            E, por ultimo, a mais moderna de todas, a grande praça da Areosa, acaba de ser reduzida a cinzas, mercê d’um incendio, cujas causas as auctoridades policiaes andam perscrutando, tão extraordinario lhes parece o facto de arder por completo em três quartos de hora.

In O TRIPEIRO, Porto - Série 3, Ano 1, nº 21 (1926), p. 329-331

15 DE JULHO DE 1900 – LISBOA: UMA CORRIDA COM TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL E COMPETIÇÃO DE GANADEIROS

 
Praça de Touros do Campo Pequeno, Lisboa
FOTO: Arquivo Fotográfico da CML

TAUROMACHIA

            Certamen de ganaderias.— Está despertando o maior interesse e enthusiasmo a corrida que ámanhã se realisa na Praça do Campo Pequeno, não só porque reune elementos artisticos de primeira ordem, como tambem por haver grande curioosidade de saber qual dos creadores ganhará o premio, por apresentar o touro mais bravo e mais fino. 

            Os espadas da tarde são Faico e Montes, e os cavalleiros José Bento (de Araújo), Fernando de Oliveira, Manuel Casimiro e Joaquim Alves. Os touros são lidados em todos os tercios.


O cavaleiro José Bento de Araújo numa corrida na praça de Nimes, França.
FOTOS: © Arquivo Fotográfico da BNF

            Hoje, ás 2 horas da tarde, reune na praça do Campo Pequeno o jury que classificará o touro de melhor estampa e que possua mais predicados de touro de lide.

            O curro entrou hontem na praça e é composto de animaes lindissimos.

            Basta dizer que os afamados creadores Emilio Infante, Faustino da Gama, marquez de Castello Melhor e Correia Branco mandaram para a corrida certamente o melhor que tinham nas suas manadas.

Bilheteira - Praça de Touros do Campo Pequeno, Lisboa
FOTO: Arquivo Fotográfico da CML

In O SÉCULO, Lisboa – 14 de Julho de 1900

NOTA

O ganadeiro Emilio Infante acabaria por ganhar no dia seguinte (15 de Julho de 1900) o 1.º prémio do certame com o touro «Caperuzo».

29 DE JUNHO DE 1902 – LISBOA: CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO FERIDO NA FESTA DO SEU AMIGO FERNANDO DE OLIVEIRA



Biblioteca Digital de Castilla y León (imagem restaurada com IA)

LISBOA

Corrida efectuada en Campo Pequeño el 29 de Junio.

(Beneficio de Fernando de Oliveira)

            Con un lleno en todas las localidades y asistencia de la flor y nata de la sociedad lisbonense, verificóse el día de San Pedro el beneficio del simpático y distinguido caballero Fernando de Oliveira.

            Muchos días antes de la corrida, ya no había siquiera un billete, y los pocos que los revendedores consiguieron alcanzar, eran disputados á precios elevadísimos.

            El entusiasmo que reinaba por esta fiestas era desusado, indescriptible, debido sin duda á las simpatías de que goza el brillante caballero y por la forma sin precedentes en que el notable artista ha toreado toda la temporada, que le valió, en justicia, el título de maestro en el toreo á caballo.

            Y prescindiendo de más largo preámbulo, porque nos hace falta el espacio, vamos á la corrida.

            EL GANADO.— Se lidiaron diez toros del Sr. Porfirio Neves da Silva, que, á decir verdad, no acreditaron mucho la ganadería.

            La mayor parte fueron mansos y estaban mal presentados y, sobre todo, eran bastante desiguales.

            Así se componía la corrida que nos dió el poco escrupuloso ganadero de Salvaterra, que ciertamiente tiene en más aprecio el dinero que cobra que su nombre como criador de reses bravas.

            LOS CABALLEROS.— José Bento (de Araujo) tuvo una tarde muy afortunada, y con su toreo valiente y alegre en esta corrida, nos hizo recordar sus antiguas y áureas épocas en la plaza vieja de Lisboa, donde realizó una larga campaña. (NOTA: O jornalista refere-se à antiga praça do Campo de Sant’Anna, que fucionou entre 1831 e 1888). lidió con arte y valentía al primero, colocando rejones muy buenos, y con Fernando (de Oliveira) en el noveno, estuvo igualmente bien. Al terminar la lidia de este toro, con una de las cortas, fué cogido de encuentro en tablas frente al 1, sufriendo una contusión articular en la pierna izquierda, por lo que tuvo que retirarse á la enfermería; por fortuna , la cogida no revista la gravedad que se creyó al principio, pues la curación no se prolongará más de ocho días. José Bento (de Araujo) fué muy aplaudido toda la tarde.

SOL Y SOMBRA, Madrid
Biblioteca Digital de Castilla y León (imagem restaurada com IA)

            Fernando de Oliveira, una vez más logró poner en evidencia su indiscutible mérito, por la manera inteligente y sin igual con que toreó al quinto, un animal casi mando y tardo, pero al que el insigne artista obligó á acudir cuantas veces quiso, á cota de un trabajo ímprobe y gran valor. En el noveno, con José Bento (de Araujo), ejecutó también una faena de mucho mérito. Fernando (de Oliveira) fué delirantemente ovacionado. Joaquín Alves sólo regular en el quinto, y esto únicamente por la poca voluntad que de torear viene demostrando. ¡Si este muchacho tuviese sangre como conocimientos taurinos!...

            Simôes Serra se las entendió con un solemnísimo buey, el más manso de la corrida, y de ahi el motivo de no poder hacer nada. Sin embargo, se vió su buena voluntad y el público así lo comprendió, tocándole palmas en algunas ocasiones.

            EL ESPADA.— Antonio Fuentes hizo un trabajo muy variado con la muleta, en el que remató algunos pases de mérito, ciñéndose y parando mucho, aunque los toros que le tocaron no siempre se prestaban á «dibujos».

            Con las banderillas fué el Fuentes de siempre, inimitable, arrebatando á la multitud en el cuarto, que cumplió merced á la inteligencia del notable artista, quien puso pares de extraordinario valor en su suerte favorita.

            ¡Qué manera de citar! ¡Qué elegancia en el remate de las suertes! ¡Qué forma de preparar!

            Que aprendan ahí nuestros artistas, los que tengan deseos de progresar. Mas para eso fuera necesario también que el público les permitiese preparar convenientemente las reses. como hace ahora y como hace siempre Fuentes, no importando el tiempo que emplea. ¡Pero si el público muchas veces obliga á un artista á ir á los toros sin estar éstos en las debidas condiciones, sólo porque tarde un poco más en preparar...!

            Auxiliando en la brega, tanto á los caballeros como á los peones, trabajó mucho y bien.

            Em suma, Antonio Fuentes, por segunda vez en esta temporada, causó un delirio, siendo aplaudido con frenesí.

            Acompañando á Fuentes vino el matador de novillos Vaquerito, que no estaba anunciado en el cartel, el cual trasteó de muleta al sexto sin lucimiento, aunque bien ayudado por el maestro.

            LOS BANDERILLEROS.— En este tercio, muy poco bueno hay que anotar.

            Un par al cuarteo de Cadete en el segundo, y otro de Torres Branco en el mismo toro; dos pares de Manuel dos Santos en el séptimo, que ejecutó bien el quiebro de rodillas en el octavo, y un par al sesgo de Tomás da Roche en el séptimo.

            ¡Y nada más!

            Si los toros no cumpleron bien, tampoco los banderilleros hicieron muchas proezas que digamos.

            De los de la cuadrilla de Fuentes, Cuco en la brega y en un par al octavo, y Valencia y Malagueño en un par cada uno al décimo.

            Fernando de Oliveira recibió muchos y valiosos regalos.

            Asistió á la corrida S. M. el Rey, que condecoró al notable rejoneador con el grado de Caballero de Cristo.

CARLOS ABREU.

(INST. DE FERNANDO VIEGAS)

In SOMBRA Y SOL, Madrid – 4 de Setembro de 1902