28 DE JANEIRO DE 1906 - RIO DE JANEIRO: A “CUADRILLA” LUSO-ESPANHOLA AJUDA A VIÚVA DE UM JORNALISTA BRASILEIRO...

 

O cavaleiro Morgado de Covas.
FOTO: A TRIBUNA. Hemeroteca da CML (tratada por IA)

DIVERSAS NOTAS

            — Por occasião da tourada de hontem, na praça do Campo de Marte, os artistas da quadrilha tauromachica tendo á sua frente os cavalleiros José Bento de Araujo, o Morgado de Covas, (NOTA: Morgado de Covas chamava-se Francisco de Lima da Costa Barreira. Era natural de Vila Nova de Cerveira. Nasceu no dia 8 de Maio de 1873 e faleceu a 14 de Março de 1920. A sua alternativa ocorreu na tarde de 17 de Julho de 1904, em Lisboa. Abandonou a lide no dia 9 de Outubro de 1919 depois de uma corrida na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa) Simões Serra e a matadora Maria Salomé, la Reverte, deram uma volta ao redondel pedindo em favor da familia do reporter Francisco Valente. (NOTA: Francisco Valente (1876–1906), repórter do Jornal do Brasil, falecera na semana anterior (21 de Janeiro de 1906) no naufrágio do Couraçado Aquidabã. O navio estava fundeado na Baía de Jacuecanga, em Angra dos Reis, quando o paiol de munições explodiu por razões nunca esclarecidas. O couraçado partiu-se ao meio e afundou rapidamente.  Morreram  mais de 100 pessoas, incluindo oficiais. O falecimento do jornalista  suscitou homenagens póstumas e até composições musicais que citavam seu nome por causa da tragédia.)

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 https://assets.marinha.mil.br/dphdm/sites/www.marinha.mil.br.dphdm/files/AquidabaEncouracado1885-1906.pdf )

 
O couraçado brasileiro Aquidabá.

            A collecta rendeu 797$760, que foi entregue aos collegas do fallecido para a encaminharem á viuva.

María Salomé Rodríguez Tripiana, «La Reverte» ou Agustín Rodríguez Tripiana (depois de 1908).

FOTO: La Fiesta Nacional, Madrid - Biblioteca nacional de España. (Tratada por IA)

            Os maiores totaes de esportulas foram recolhidas pela toureira Maria Salomé e pelo cavalleiro Simões Serra, que hontem não toureou e que se prestou do melhor grado a collaborar no generoso acto.

In JORNAL DO COMMERCIO, Rio de Janeiro - 29 de Janeiro de 1906