Revista tauromachica
Realisou se no domingo, com pequena concorrencia, a tourada em beneficio de Caixinha.
O gado pertencia ao sr. Motta Gaspar, e era em geral pouco fino.
Trabalharam os cavalleiros (Manoel) Mourisca, José e Antonio Monteiro, e (José) Bento de Araujo.
É quasi escusado dizer que foi (Manoel) Mourisca o cavalleiro que mais de distinguiu, o que não admira, porque é elle de todos os que estão trabalhando na praça do Campo de Sant’Anna, o que mais sabe. Pena foi que se apresentasse com um cavallo de cortezias que tinha umas grandes joelheiras, o que é indesculpavel, porque (Manoel) Mourisca é o primeiro entre os seus collegas, trabalha sempre, e não lhe faltam recursos para adquirir um cavallo capaz para apresentar nas cortezias. Depois de (Manoel) Mourisca teve a palma (José) Bento de Araujo, a quem não falta arrojo e boa vontade. Ha de ser um dos primeiros cavalleiros se se corregir de alguns defeitos, e se não teimar em fazer tantas sortes a sesgo, ás vezes intempestivamente. José Monteiro foi pouco feliz e muito precipitado, o que foi causa sem duvida de ter posto uma farpa na capa de uma das bolas do Pimpão. Antonio Monteiro andou regularmente, comquanto tambem se lhe notasse alguma precipitação.
Roberto manteve os seus creditos de bom toureiro; trabalhou bem nas bandarilhas, e admiravelmente com a capa e com a muleta. José Peixinho obteve palmas, porque demonstrou em algumas sortes ter sabido aproveitar as lições de seu fallecido pae.
Os moços de forcado, umas vezes bem e n’outras mal. O que sobretudo se notou n’elles é a falta d’ordem.
Caixinha teve algumas palmas e recebeu ramos de flores.
Se não fosse
o famigerado Pimpão, que continua
sempre prompto em arrancar para os cavallos e Rasado Claro, que sustentou tambem ser muito bravo, todo o publico
se retiraria descontente.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 13 de Agosto de 1879



