12 DE AGOSTO DE 1909 – LISBOA: 5.ª CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO E ENORME SUCESSO DO MATADOR MEXICANO RODOLFO GAONA

 
Biblioteca nacional de Portugal

TOUROS

Campo Pequeno

            A perda de uma pessoa muito querida, desvia por algum tempo das chronicas tauromachicas, Marialva.

            Este doloroso facto obriga-me a assumir esse encargo, e a roubar assim uns momentos aos cuidados do «ménage» e ás caricias infantis do meu encantador «baby».

            Que m’o perdoe esse anjo!

            É natural como mulher, não ser mui versada na arte de Montes, todavia, n’ests pequena interinidade farei a diligencia por elucidar os leitores sobre os principaes factos passados nos torneios.

            Com uma magnifica assistencia realisou-se ante-hontem outra corrida nocturna, em que figurava como espada o afamado mexicano Gaona (NOTA: Rodolfo Gaona), cuja carreira embora mui curta é já brilhante.

            Este maestro, embora se tivesse defrontado com rezes que lhe difficultavam a lide, houve-se distinctamente, quer a capote, nos quites e na brega, quer a trapo e a ferros, principalmente como no 5.º, como no 7.º, que eram como seus manos das fazendas de Valle da Figueira, onde o pasto parece ter qualidades mui nutritivas.

            Dos dez marcaremos: o 1.º cumpridor, o 2.º bom, o 3.º que acudiu com valor ás varas, mas que abrandou nos outros tercios, e o 7.º que preencheu.

Painel de azulejos com o cavaleiro José Bento de Araújo na fachada do prédio que ele mandou construir na rua da Sociedade Farmacêutica, em Lisboa.
FOTO: © LC 2025

            Ao 1.º e ao 6.º sahiu José Bento (de Araújo), sempre arrojado e alegre, cravando bons ferros á volta e á tira, no primeiro, e pouco fazendo no 6.º por sua má indole.

            No 6.º acompanhou o Morgado de Covas, que pouco se luziu tambem, antão, pelos motivos expostos. Pois, apesar d’isso, mesmo assim teve alguns ferros á tira que chamaram applausos.

Morgado, no 4.º, que ainda agora anda fugido, com tão boa vontade o procurou, que conseguiu sangral-o duas vezes a largos, e uma a curto, consentindo como manda a lei.

            Dos dois touros lançados para varas só um a ellas acudiu regularmente, dando ensejo a uma cahida a descoberto.

            Manuel dos Santos, que se salientou em «quiebros de rodillas», manejou bem o capote, tendo sido feliz nos quites ao picador que o 3.º tombou.

            Os restantes artistas pouco fizeram.

            Houve duas pegas de cara.

Alva Maria.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 14 de Agosto de 1909

HIGH-LIFE

No Campo Pequeno

            Assistencia elegante á corrida nocturna de hontem.

            Sr.as:

            Viscondessas da Torre, de Silvares e de Olivã, D. Maria de Lencastre Van-Zeller, D. Eugenia Mendia de Lencastre (Alcaçovas), D. Helena e D. Maria da Silveira de Vasconcellos e Sousa (Castello Melhor), D. Maria Helena de Almada e Lencastre (Souto d’El-Rei), D. Maria Luiza de Lencastre (Alcaçovas), D. Conceição de Moraes Sarmento Cohen, D. Maria José e D. Conceição Casal Ribeiro, D. Helena de Carvalho (Chancelleiros), D. Maria Luiza Luz de Almeida, D. Conceição de Wrem Vianna, D. Deolinda da Fonseca, D. Maria de Brissac Neves Ferreira Lobo de Campos, D. Emilia Macieira Lino, D. Maria das Dores ee D. Maria da Nazareth de Almeida Centeno, Mad. Mano de Artagão, D. Margarida Lorjó Tavares, D. Maria Luiza Osorio, Mad. Cecil Mackee, D. Isabel Leça da Veiga, Mad. Pinto Basto e filha, D. Maria Luiza de Mello Breyner Gonzaga Ribeiro, D. Maria Sophia Gentil, Mad. Machado Bacellar, D. Selda Potoka, m.elle Formigal de Moraes, mad. Petra Vianna, mad. Amaro Conde, D. Maria Dotti, D. Ignez de Mello Barreto, mad. Henrique de Mendonça, mad. Eduardo Placido, etc.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 13 de Agosto de 1909