24 DE JUNHO DE 1881 – ALMADA: CORRIDA NA PRAÇA DE SÃO PAULO NO DIA DE SÃO JOÃO COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO (empresário da praça)

 

            No dia de S. João effectua-se na praça de S. Paulo em Almada uma esplendida tourada em que toma parte como cavalleiro José Bento de Araujo.

            Os touros são do acreditado lavrador o sr. Emilio Infante da Camara.

            Bandarilheiros: Calabaça, Sancho, José Peixinho, Raphael Peixinho e José Maria da Costa.

            Não ha amador que se atreva a faltar.

In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa – 12 de Junho de 1881

26 DE AGOSTO DE 1894 – LISBOA: UMA CORRIDA ORDINÁRIA COM CASA FRACA... COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 
Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

Praça do Campo Pequeno

            Foram infelizes os promotores da corrida de hontem.

            A corrida resultou ordinaria e a casa estava muito fraca.

            Á hora marcada o Botas manda tocar o clarim.

            Entram na arena os lidadores precedidos dos cavalleiros que executam as cortezias de pois das quaes sae o

            1.º, Caramujo — Negro, bocalvo, listão.

            É esperado por José Bento (de Araujo), que não consegue prender o ferro á gaiola. Depois de tres saidas falsas, deixa um ferro, citando á meia volta e rematando á garupa. Colloca então um ferro á tira e previu uma saida falsa, aponta um ferro á tira e dois á meia volta. Nada mais pôde fazer por o boi defender-se, tapando-se.

            2.º, Gaiato. — Negro, listão, arvorado de rama.

            João Roberto que nada fez á gaiola, prende, depois de duas saidas falsas, um par descaido. Silvestre Calabaça deixa um bom par. Roberto colloca um par regular. Sae Calabaça que aponta um par en los rubios. Cita Roberto, porém, ao quadrar, o toiro levanta-se e este artista põe meio ferro no testuz.

            3.º, Penacho. — Negro, bragadinho. Foi para os saltadores landezes.

            Um d’elles espera-o á gaiola e... safa-se conforme póde.

            Tenta salval-o; porém o boi, que estava fraquinho, não podia correr e o saltador dá a entender que com malessos não póde executar o seu trabalho. O publico protesta e o homemzinho anima-se e.. é colhido.

            O outro pega em bandarilhas, põe um bom par á meia volta e dois pares a cuarteio. Com o capote tira varios passes.

            Sôa o clarim e saem os forcados. Manuel Fressura cita mas conserva-se pouco tempo na cabeça da rez. Chama repetidas vezes, porém o bruto a nada se move.

            4.º, Galricho. — Negro. Minuto deixa um bom par á gaiola. José Martins aponta meio, que resultou descaido. O primeiro colloca dois pares a cuarteio e um a sesgo, o segundo par e meio, sendo o par a quiebro.

            5.º, Piloto. — Negro, bragado, bocalvo, listão.

            Coube ao amador Fernando Pereira, que hontem esteve muito infeliz.

            Deixou alguns ferros descaidos e o cavallo foi por varias vezes colhido.

            O cabo executa n’este toiro uma boa pega de cara.

            6.º, Verdugo. — Nrgro, listão, bocalvo.

            O amador Salgado consegue apontar par e meio, depois de muito trabalho, pois o Verdugo não saia das taboas.

            7.º, Carrasco. — Negro, bragado,torrado, bocalvo.

            José Bento (de Araujo) enfeitou-lhe o morrillo com cinco ferros compridos, dois á tira, um á estribeira e dois á meia volta, e dois pares de ferros curtos magnificamente apontados.

            Este toiro esteve muito tempo na praça, porque se negou a entrar. Afinal, depois de grandes correrias, o conductor dos toiros consegue recolhel-o, Boa vara.

            8.º, Ferreiro. — Negro, bragado, bocalvo.

            O amador Rocha aponta um par e tres meios e Salgado tres pares e meio.

            Este touro foi recolhido a laço. Executou a péga um dos campinos, sendo ajudado pelos forcados.

            9.º, Pintasilgo. — Negro, bragado, listão. Os saltadores dão varios saltos. Deixam depois dois pares de bandarilhas.

            10.º, Caldeiro. — Negro, bragadinho. Fernando Pereira collocou, precipitadamente, varios ferros. O Caldeiro foi pegado de cara.

            11.º, Carocho. — Negro. Calabaça prende dois pares e Minuto par e meio.

            12.º, Forcado. — Negro. José Martins põe dois pares e Torres Branco outros dois, sahindo emborcado em ambos.

            Resumo:

            Os touros. — Pertencem ao lavrador sr. João Thomaz Piteira. Fracos e ordinarios. Exceptuaremos o setimo, que foi o que melhor se prestou á lide.

            Os cavalleiros. — José Bento (de Araujo) teve o melhor touro da tarde. O seu correcto trabalho mereceu-lhe applausos. Fernando Ricardo Pereira, muito precipitado.

O cavaleiro José Bento de Araujo
1891 - Cartoon da revista EL TOREO, Madrid (tratado pela IA)

            Os bandarilheiros. — Minuto teve uma boa gaiola e um sesgo no quarto touro e um par a cuarteio no decimo primeiro. Calabaça deixa dois pares bons no segundo.

            Os forcados. — Fizeram duas pégas boas.

            O publico. — Nada satisfeito.

J. M.

In A VANGUARDA, Lisboa – 27 de Agosto de 1894

26 DE AGOSTO DE 1894 - LISBOA: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA FESTA DOS CAMAROTEIROS RIBEIRO E VALENTE DA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO

 

Biblioteca nacional de Portugal

Tauromachia

Praça do Campo Pequeno

            Promette ser magnifica a corrida do proximo domingo que é, como já dissemos, promovida pelos camaroteiros Ribeiro e Valente.

            Trabalham n’essa tarde os celebres saltadores landezes, que executarão um trabalho novo.

            Tomam parte os cavalleiros Fernando Ricardo Pereira e José Bento (de Araujo) e os bandarilheiros amadores Salgado, de Aldegallega, e Filippe da Rocha.

            Os bilhetes tambem se acham á venda na rua de Alcantara, 105

            Previnam-se os amadores.

In A VANGUARDA, Lisboa – 20 de Agosto de 1894

26 DE AGOSTO DE 1894 - LISBOA: O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA FESTA DOS CAMAROTEIROS DA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO

 

Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

Praça do Campo Pequeno

            Domingo, beneficio dos camaroteiros. Trabalham os saltadores francezes. Cavalleiros, José Bento (de Araujo) e o amador Fernando Ricardo Pereira. Os toiros são do sr. João Thomaz Piteira. Daremos noticia d’esta magnifica toirada.

In A VANGUARDA, Lisboa – 20 de Agosto de 1894

19 DE AGOSTO DE 1894 - LISBOA: UMA CORRIDA ESTUPENDA COM O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO

 
Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

Praça do Campo Pequeno

            Realisou-se hontem a corrida promovida pelo bandarilheiro João Roberto.

            A concorrencia foi numerosa e a corrida esteve animadissima.

            O clou da tarde era a reapparição dos irmãos Robertos, artistas que, durante epocas succesivas, se fizeram applaudir na praça do Campo de Sant’Anna. Decerto se recordam os leitores afficionados dos esplendidos trabalhos então executados. São artistas completos. Tornaram-se notaveis pelas suas sortes de gaiola, pois, dispondo de umas pernas de aço, aguardavam os toiros mui cerca do toiril. Os cavalleiros trabalhavam desassombradamente,pois encontravam n’estes artistas um poderoso auxiliar, já porque punham os toiros em sorte, já porque os seus capotes eram os primeiros a ser lançados ao toiro, quando elle carregava sobre o cavallo.

            Com a muleta, ainda hontem vimos o applauso que mereceu o seu trabalho.

            Ultimamente, porém, já sobremaneira cançados e doentes, retiraram-se mais do toireio e foi hontem a primeira vez, na presente epoca, que vestiram os seus fatos.

            Mas vamos á corrida:

            Findas as cortezias, foram os irmãos Robertos alvo de grandes ovações.

            Vicente (Roberto) entrega a farpa ao cavalleiro José Bento (de Araujo), que espera.

            O 1.º — Veado. Negro, bragado, alvorado de rama, abarbellado, listão. O cavalleiro colloca tres ferros á meia volta, um dos quaes muito bom, e um á garupa. Pegando em curtos, deixou um bom par á meia volta. José Bento (de Araujo) ouve muitas palmas.

            2.º — Picanço. Negro, bragado.

            Vicente Roberto pediu a auctoridade licença para bandarilhar e foi para a gaiola. Não empregou os ferros, sendo, porém, muito applaudido pela maneira como esperou a rez.

            Collocou depois meio par.

            Roberto da Fonseca deixou tres pares e meio a quarteio, muito bem apontados.

            Com o capote tirou dez veronicas e um pharol.

            Magnifica péga de cara.

            Vicente, Roberto e forcado muito applaudidos.

            3.º — Calcinhas. Negro, caraça, bragado, listão.

            É esperado por Minuto(mais exactamente o espada sevilhano Enrique Vargas González, «Minuto» – 1870-1930) que nada faz á gaiola, deixando um bom par. João Roberto colloca um par de primeira ordem. Minuto cuartea por tres vezes, deixando outros tantos pares.

«MINUTO»
FOTO: EL ENANO- Hemeroteca Digital BNE (tratada por IA)

            João Roberto prende par e meio.

            Minuto, com o capote, dá sete veronicas e duas navarras.

            Boa péga de cara.

            Grande ovação a Roberto e Minuto.

            4.º —Boneco. Negro, listão, bocalvo.

            Saldanha colloca um par deanteiro. Gonçalves, meio descaido. O primeiro poz mais par e meio e o segundo um par. Pescadero tirou, com o capote, cinco veronicas.

            O Boneco foi pegado de cernelha.

            Manuel Casimiro offerece a primeira sorte a Vicente Roberto e vae esperar o

            5.º — Caracol. Negro.

            Depois de varias saidas falsas, sem que o animal arrancasse, sae Calabaça e esperta-o com um par de bandarilhas.

            Manuel Casimiro colloca então tres pares curtos, á meia volta, e um á garupa.

            6.º — Espingardo. Negro.

            João Roberto poz a quarteio quatro pares muito bem apontados. Vicente Roberto empregou n’este toiro um par a cuarteo.

            Roberto da Fonseca tira, com a muleta, nove naturaes e nove de peito.

            Finda a linde (lide) d’este toiro, o publico chamou e applaudiu muito Vicente, Roberto e João, recebendo o ultimo brindes de collegas e amadores. Por essa occasião, varios afficionados, constituidos em commissão, pediram aos irmãos Robertos para tomar parte na festa do bandarilheiro Raphael Peixinho.

            7.º — Caracol. Negro, bragadinho.

            José Bento (de Araujo) enfeita o morrillo do Caracol com tres ferros á tira, um á estribeira e um citando á tira e rematando a garupa.

            Deixa depois dois bons pares curtos á garupa.

            José Bento (de Araujo) teve chamada especial.

            8.º — Estorninho. Negro.

            João Calabaça, que prende á gaiola um bom par, aponta depois um par a quiebro.

            Roberto da Fonseca deixa dois pares e Vicente um par.

            Vicente, Roberto, Calabaça e Sancho ouvem palmas.

            9.º — Barbeiro. Negro, caraça, bragado.

            É esperado por Pescadero, que colloca um par á gaiola.

            Vicente põe dois bons pares e Minuto dois e meio.

            Sancho tira, com o capote, seis veronicas, e Pescadero, com a muleta, dá tres naturaes, dois com a direita e quatro de peito.

            Rija a péga de cara executada n’este toiro.

10.º — Barrete. Negro, caraça, bragado.

            Manuel Casimiro aponta tres farpas á tira e uma á meia volta.

            Pegando em curtos, deixa tres pares: dois á tira e um á meia volta.

            11.º — Barrete. Negro, caraça, bragado.

            Gonçalves colloca tres pares, saindo emborcado no primeiro.

            Saldanha deixa tres pares e Torres Branco par e meio.

            Minuto, com o capote, dá cinco veronicas.

            Em resumo:

            Os toiros. — Pertenciam seis ao lavrador Branco e seis a Roberto & Irmão.

            Cumpriram, saindo, porém, melhores os da segunda parte, pertencentes a Roberto & Irmão.

            Os cavalleiros. — José Bento (de Araujo) trabalhou muito bem.

            Ouviu merecidos applausos pelo seu trabalho no segundo toiro, o celebre Caracol, animal  já muito corrido e de difficil lide.

            Manuel Casimiro foi tambem applaudido pelo seu correcto trabalho.

            Os bandarilheiros.— Vicente Roberto e Roberto da Fonseca, dois artiostas de nome, tão arrojados quanto distinctos e conhecedores de todas as subtilezas da arte, foram applaudidissimos, recebendo do publico as maiores manifestações de sympathia e apreço.

            Vicente, devido ao seu estado de saude, pouco pôde fazer.

            Roberto teve ferros de merecimento e com a muleta, no sexto toiro, deu passes admiraveis, cingindo-se e parando-se.

            João Roberto esteve muito feliz. Trabalhou muito bem.

            Minuto muito bem como bandarilheiro e opportuno nos quites.

            Calabaça teve uma boa gaiola no oitavo toiro e um par a quiebro no mesmo toiro. Bravo.

            Pescadero deixou um bom par no nono toiro e uns passes de muleta muito bons.

            A casa boa. O publico satisfeito.— J. M.

Revista SOL Y SOMBRA, Madrid
Biblioteca nacional de España (tratada por IA)

            Domingo, beneficio dos camaroteiros. Trabalham os saltadores francezes. Cavalleiros, José Bento (de Araujo) e o amador Fernando Ricardo Pereira. Os toiros são do sr. João Thomaz Piteira. Daremos noticia d’esta magnifica toirada.

In A VANGUARDA, Lisboa – 20 de Agosto de 1894

15 DE JULHO DE 1909 – LISBOA: PRIMEIRA CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM GRANDES TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL


 

Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

            Campo Pequeno — Corrida nocturna — Com uma enchente á cunha, effectuou-se hontem n’esta praça, a inauguração das corridas nocturnas.

            Era de esperar que a illuminação electrica produzisse um effeito magestoso, attendendo ás condições do grande circo tauromachico.

            A installação foi montada pela acreditada casa A. E. G. Thomson Iberica, com sède na rua d’El-Rei, 56, 2.º, que mais uma vez confirmou os creditos que gosa universalmente. Para inicio de espectaculos nocturnos, não foi como seria para desejar, pois a lide foi muito resumida em trabalhos de sensação, e de commodidade, temos conversado.

O cavaleiro José Bento de Araujo ainda jovem.
FOTO © Rui Araújo - Blog Corridas Portugal - España - France - Brasil

            Abriu o torneio o valente cavalleiro José Bento (de Araujo), que aproveitou o oriundo de Salvaterra com toda a pericia, tendo empregados tres ferros que lhe valeram prolongados e quentes applausos. O 2.º da manada coube a Jorge Cadete e Moyano, que tiveram um trabalho de primeira ordem. Cadete, teve dois pares, de mestre. O 3.º para Manuel dos Santos e Ribeiro Thomé, foi egualmente bem aproveitado, fechando aqui o enthusiasmo que reinou desde o primeiro.

            Chegamos a suppor que o gado fornecido pelos lavradores Roberto & Roberto, tivesse experimentado os effeitos da electricidade, modificando o seu temperamento.

            Foram, pois, dignos de registo os tres chavelhudos que deram uma lide como qualquer ministro em situação precaria.

            Morgado de Covas, apresentou-se com uma linda casaca e com um cavallo para os dois touros, que estava a pedir enborcation nas mãos deanteiras, (NOTA: Escreve-se “emborcación”. “La emborcación se refiere al momento preciso en que el toro humilla y acomete, poniendo su cabeza y sus cuernos en la trayectoria del engaño (el capote o la muleta). Es el instante crítico de la reunión entre el toro y el torero, donde se define la “suerte”. Em português, investida e “entrada no engano”.) embora nacional, pois dizem os entendidos, ter servido com resultado nos jesuitas do Pelourinho. Correu muito, cumprimentou o tio do sr. D. Manuel e o cavallo escorregou na... mesura.

            O espada Regaterin, (NOTA: Antonio Boto Recatero, 1876-1938) e o seu ex.mo mano (NOTA: Regaterin Chico) estiveram a pedir... batatinhas.

Antonio Boto Recatero, Regaterín.
FOTO: Real Academia de la Historia, Madrid.

            O Regaterin Chico (NOTA: Regaterín Chico, aliás Victoriano Boto Recatero, era sobrinho dos bandarilheiros Victoriano, Luis e Tomás Recatero, e irmão de Regaterín. Era novilheiro e foi ainda subalterno.) quiz fazer aprendizagem, mas o respeitavel publico não lhe deu esse prazer, mas sim o de... vae «despir-te».

            Guardamos para o final as referencias para os dois artistas mais modernos que hontem pisaram o redondel, Alexandre Vieira e Alfredo dos Santos.

            Na corrida de domingo teve Alexandre Vieira dois pares que não esquecem e hontem foi o que teve as honras da noite. Preparou o touro, ordinario por signal, com pericia e saber, indo á cara e rematando as sortes com firmeza. Executou o salto de vara com felicidade e esteve muito diligente.

            Alfredo dos Santos, mais precipitado que o seu collega teve no emtanto dois pares dignos dos applausos que o publico lhe dispensou.

            Estiveram muito diligentes os bandarilheiros Cadete, Thomé e Manuel dos Santos, merecendo cada um d’elles uma medalha de salvação podendo confirmar Morgado de Covas e José Bento (de Araujo).

            A direcção esteve na berlinda, ouvindo applausos e morras.

In A VANGUARDA, Lisboa – 16 de Julho de 1909

5 DE DEZEMBRO DE 1910 – LISBOA: PARTIDA DO CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAUJO PARA A AMÉRICA LATINA

Biblioteca nacional de España

NOTICIAS

            Diestros para el Brasil.— A pesar de lo que aseguran algunos colegas de que las cosas por el Brasil no andan bien, nuestros informes recibidos de Lisboa son que la pasada semana salieron para el Perú el rejoneador José Bento de Araujo, el banderillero Manuel dos Santos, Piñero y el español José Parra (Parrita).

In EL TOREO, Madrid – 5 de Dezembro de 1910

12 DE AGOSTO DE 1894 – PORTO: SEGUNDA CORRIDA COM SALTADORES DAS LANDES E BENEFÍCIO DOS CAVALEIROS ALFREDO TINOCO E JOSÉ BENTO DE ARAUJO

 

O Real Colyseu Portuense
FOTO de ANTONIO MAYA, O TRIPEIRO (tratada pela IA)

TAUROMACHIA

Porto (NOTA: Real Colyseu Portuense, Boavista)

            Terá logar no domingo a segunda corrida em que tomam parte os saltadores landezes.

            Esta corrida é em beneficio de (Alfredo) Tinoco (da Silva) e José Bento (de Araujo).

            Os touros são do sr. visconde da Varzea.

            O espada é o conhecido Minuto Chico. (NOTA: Trata-se na realidade do sevilhano Enrique Vargas «Minuto», que nasceu em 1870 e faleceu em 1930.)

Biblioteca nacional de Portugal

In A VANGUARDA, Lisboa – 9 de Agosto de 1894

15 DE JULHO DE 1909 – LISBOA: PRIMEIRA CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DO CAMPO PEQUENO COM GRANDES TOUREIROS DE ESPANHA E DE PORTUGAL, INCLUINDO OS CAVALEIROS MORGADO DE COVAS E JOSÉ BENTO DE ARAÚJO

 
Biblioteca nacional de Portugal

TAUROMACHIA

            A corrida nocturna — O programma completo da grande corrida de ámanhã, quinta feira á noite é o seguinte: Lidam-se dez magnificos touros pertencentes á ganaderia cada vez mais acreditada dos srs. Roberto & Roberto, de Salvaterra de Magos, touros que de ha muito estão apartados para a inauguração das corridas nocturnas. Tomam parte na corrida: o notavel matador de touros Regaterin (NOTA: Antonio Boto Recatero, 1876-1938) e seu irmão, o não menos notavel bandarilheiro e matador de novilhos Regaterin-Chico; o estimado e applaudido José Moyano; os nossos distinctos bandarilheiros Jorge Cadete, Manuel dos Santos, Ribeiro Thomé, Alexandre Vieira e Alfredo Santos. O toureio a cavallo está a cargo dos festejados cavalleiros José Bento (de Araujo) e Morgado de Covas.

            Regaterin vem de Pamplona em cujas corridas alcançou grandes triumphos. Na terceira corrida tirou uns lances de capa no 2.º touro, verdadeiramente classicos, e no momento supremo deu quatro passes de muleta com os pés cravados no solo e rematou com um volapié monumental, que lhe valeu uma grande ovação e a orelha.


Antonio Boto Recatero, Regaterín (Madrid,1876 – Barcelona,1938)
FOTO: Villa de Arbeteta, Espanha (com IA)

            A illuminação da praça do Campo Pequeno vae ser um verdadeiro deslumbramento.

            Ás 8,27 sae da estação do Rocio um comboio para o Campo Pequeno, custando a passagem 50 réis em 2.ª classe e 40 na 3.ª


Jornal «VANGUARDA»
Biblioteca nacional de Portugal

In A VANGUARDA, Lisboa – 14 de Julho de 1909

NOTA

Mais informação sobre Regaterín aqui:

https://historia-hispanica.rah.es/biografias/7922-antonio-boto-recatero

https://villadearbeteta.es/2025/03/07/el-torero-regaterin-y-arbeteta/

28 DE JULHO DE 1889 – PORTO: ANÚNCIO DA CORRIDA DE INAUGURAÇÃO DO COLYSEU PORTUENSE COM OS CAVALEIROS JOSÉ MARIA CASIMIRO MONTEIRO E JOSÉ BENTO DE ARAÚJO E MAIS ARTISTAS DE PORTUGAL E DE ESPANHA

 
 

          Biblioteca de Assuntos Portuenses

INAUGURAÇÃO

DO

COLYSEU PORTUENSE

DOMINGO, 28 DE JULHO DE 1889

ESPLENDIDA CORRIDA

DE

10 TOUROS 10

Escolhidos ha muito para este dia, e pertencentes ao abastado ganadero

o Ex.mo Snr. Commendador CARLOS AUGUSTO MARQUES

            Ás 4 horas e ¾ da tarde começará este espectaculo, entrando na arena um LUZIDO CORTEJO composto dos arrojados e aplaudidos cavalleiros J. M. Casimiro Monteiro e José Bento d’Araujo e dos aplaudidos bandarilheiros portugueres  e hespanhoes Roberto da Fonseca, João da Cruz Calabaça, João do Rio Sancho, João Roberto, Vicente Mendes (El Pescadero), Rafael Santos (Santilho), José dos Santos e José da Costa.

            Depois de effectuadas as cortezias do estylo dar-se-ha principio á lide, debaixo da direcção do conhecido intelligente que foi da extincta praça do Campo de Sant’Anna em Lisboa, Manoel Botas.

            Um valente grupo de homens de forcado da Gollegá e Riacho farão as pegas que o intelligente lhes ordenar.

            Este programma poderá ser alterado por qualquer motivo imprevisto.

            A banda dos Bombeiros Voluntarios do Porto executará antes e durante a corrida as melhores peças do seu vasto reportorio.

            Preços: Camarotes de sombra, 4$500; Sol, 3$000; Tribuna, 1$200; Fauteuils, 1$000; Balcão-sombra, 700; Balcão-sol, 350; Sombra, 600; Sol, 300 reis.


NOTA

            Eis a história do Colyseu Portuense. Foi inicialmente contada por António da Torre nas páginas de «O Tripeiro» (Série 3, Ano 1, nº 21 (1926), p. 329-331).

            O texto narra o passado desta sala de espectáculos que funcionou no Porto entre 1889 e 1895, focando-se nas licenças para actividades tauromáquicas, equestres e de ginástica.

            Das praças de touros que teve o Porto, quando nós nascemos já tudo tinha desapparecido. Sabiamos, por termos ouvido contar a pessoas de idade, que tinha havido primeiro n'esta cidade uma pequena praça de madeira na Rotunda da Boavista e outra no largo da Aguardente e que n'esta haviam lidado artistas com reputação feita nas praças do Sul, taes como os Robertos, os Peixinhos, etc. Estava-se n'isto. As praças desappareceram, o Porto havia-se desinteressado de touradas e já nem lhes sentia a falta.

Um dia porém quando menos o esperava, soube pelos jornaes que se estava construindo uma nova praça de touros na Serra do Pilar, logo adiante d’aquelle morro que se encontra á sahida da ponte.

 A novidade do espectaculo attrahiu grande concorrencia. Quem quer que fosse então o emprezario da praça devia sentir-se em maré de rosas, porque o publico gostou, as corridas repetiam-se todos os domingos e as enchentes eram de tremer, proporcionando-lhe receitas avultadas. E quem tambem lucrou com isso foi o arrematante da ponte que rfecebia dez reis de portagem (ida e volta) por cada pessoa que a atravessasse.

Como valia a pena ir para ella assistir ao desfile dos que passavam para os touros, a ponte apinhava-se de gente como nos dias da romaria da Senhora do Pilar ainda hoje succede. Pouco se importava o publico que a ponte oscillasse assustadoramente. Era mais um aperitivo á gargalhada ver a triste figura que faziam os caminhantes, desequilibrados, trocando o passo, pallidos, semi-enjoados, querendo parar para tomar animo, mas sendo obrigados a seguir empurrados brutalmente pelos que vinham atraz d’elles em identico estado. 

Parecia que o publico portuense já não podia passar sem touradas. Isso animou uns individuos que tinham estado no Brazil, a organisarem-se em sociedade para a construcção e exploração de uma grande praça, á qual deram o nome de Real Colyseu Portuense. Estes individuos, já fallecidos, chamavam-se Lopes Pereira, que era um dos proprietarios da Ourivesaria Viziense, da rua de Santo Antonio, e Joaquim Vieira de Magalhães (natural de um concelho limitrofe do Porto), seu amigo e associado.

Real Colyseu Portuense (Porto).
FOTO ORIGINAL DE ANTONIO MAYA: «O Tripeiro» (tratada pela IA)

            O que foi a praca exteriormente mostra-o a gravura que apparece hoje em O Tripeiro, reprodução de uma excellente photographia que nos foi amavelmente pelo snr. Antonio Maya de Figueiredo, apaixonado amador tauromachico, que com seu irmão snr. Manoel Maya (os irmãos Mayas) já fallecido tambem entraram em algumas touradas, nas quaes revelaram apreciaveis qualidades de lidadores.

A inauguração do Colyseu fez-se em 28 de Julho de 1889, como consta do programma que inserimos na pagina anterior e que tambem devemos ao obsequio do snr. Maya de Figueiredo, bem como outros programmas que se lhe seguem.

Em 1890 realisou o celebre bandarilheiro Peixinho a sua festa artistica (...)


Real Colyseu Portuense, Boavista (Porto).
FOTO ORIGINAL de Antonio Maya cedida ao jornal «O Tripeiro»

 O Colyseu acabou como acaba tudo. (...)

Annos depois de demolido o Colyseu construiu-se uma nova praça de touros, de madeira, no Campo de Manobras da Serra do Pilar, que teve a sorte commum.

 Ao cimo da rua da Alegria, proximo á rua do Lima, construiu-se tambem uma outra, cuja frontaria se póde ver pela gravura que acompanha estas linhas, gravura que nos foi amavelmente cedida pelo snr. anoel Dias, outro amigo de O Tripeiro. Esta praça desappareceu tambem.

            E, por ultimo, a mais moderna de todas, a grande praça da Areosa, acaba de ser reduzida a cinzas, mercê d’um incendio, cujas causas as auctoridades policiaes andam perscrutando, tão extraordinario lhes parece o facto de arder por completo em três quartos de hora.

In O TRIPEIRO, Porto - Série 3, Ano 1, nº 21 (1926), p. 329-331