Tourada
A de hontem não deixou satisfeitos os amadores.
O gado era irregular; os touros de cavallo não sairam bons; dos que foram bandarilhados eram alguns muito bravos, especialmente os 6.º e 11.º
(Manoel) Mourisca trabalhou bem, aproveitando melhor que poude os pessimos touros que lhe couberam. No 1.º touro da segunda parte apresentou-se em um castanho que parece prestar-se para a lide.
Antonio Monteiro e (José) Bento d’Araujo não poderam (puderam) brilhar em razão tambem do mau gado.
Os cordovezes tiveram os dois melhores touros da corrida. Trabalharam bem a agradaram.
Robertos, Peixinho e Sancho foram applaudidos.
O 12.º touro saltou á segunda trincheira do lado do sol, entre a porta do cavalleiro e o touril. O animal, conseguindo firmar-se, investiu com os espectadores que lhe ficavam proximos, e em seguida trepando com incrivel facilidade pelos palanques ia derrubando á marrada os individuos que lhe ficavam no caminho. Foi um reboliço incrivel, — saias rasgadas, calças e casacos esfarrapados, arranhões, o demonio.
A maneira porque o touro saiu da segunda trincheira para a praça foi tambem signular; escorregando, na altura da sexta bancada na direcção de uma das portas que dão para a trincheira falsa, ciu de costas e assim veio aos rebolões enfiando por essa porta e estatelando-se na terra. Felizmente não houve desgraça maior a lamentar.
Houve duas pegas de cara bem feitas.
A concorrencia não foi grande.
In DIARIO ILLUSTRADO, Lisboa - 31 de Maio de 1880
