TAUROMACHIA
O dia de hontem estava propicio ás touradas: havia sol e moças. A concorrencia entretanto não foi das maiores.
Dos camarotes poucos estavam occupados, a sombra tinha meia lotação e o sol era representado por um terço dos afficionados.
Ás 4 e 20 o intelligente, o transformista José Vaz o Careca, como foi logo apellidado, occupou a cadeira: Lisboa fez soar o calrim, e entrou a cuadrilla para os cumprimentos da pragmatica.
Saiu o primeiro touro para o Zé Bento (José Bento de Araujo), que apenas conseguiu metter no bicho tres ferros, não tentando applicar um ferro curto, apezar dos pedidos que soavam no redondel porque o cornupeto era sabido. Zé Bento (José Bento de Araujo) retirou-se descontente e só ao ser lidado o 5.º touro voltou á praça.
O 2.º touro coube ao Ribeiro Thomé e Alfredo dos Santos que o lidaram regularmente, sobre tudo o segundo que applicou bons ferros.
No 3.º Manoel dos Santos e Antonio Maera fizeram bons trabalhos, sendo merecidamente applaudidos.
Victor Marques lidou o 4.º touro, applicando tres ferros, não podendo fazel-o com o curto, visto que o cornupeto não se prestava.
João de Oliveira, Alfredo dos Santos, Manoel dos Santos e Ribeiro Thomé, houveram-se regularmente com o 5.º e 6.º touros.
O ultimo foi para o Santareno, o Cabeça, o Pouca Roupa e o Fardeta, que caracterizados de toureiros excentricos mantiveram os assistentes em ruidosas gargalhadas.
Do acima exposto, vê-se que a tourada foi regular.
Pena é que o gado seja inferior.
Frascuelo
In O SECULO, Rio de Janeiro - 25 de Novembro de 1907
NOTA
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