TTUROMACHIA
Do nosso chronista tauromachico, “D. Justo Verdades”, recebemos o seguinte telegramma, traduzido, decifrado e adivinhado á ultima hora, via maritima e terrestre, por um cabo imaginario e submarino :
Petropolis, 5.38 da tarde — Plumbeas nuvens toldam o
firmamento. Parece verso, mas não é. Praça de touros meio cheia ou cheia até ao
meio. Muito luxo, muitas damas bonitas e alguns diplomatas feios.
Paz continente americano garantida, melhor que em Varsovia. Barão Rio Branco faz milagres. (NOTA: «Barão do Rio Branco» correspondia, por um lado, a José Maria da Silva Paranhos Jr., aliás Barão do Rio Branco, que foi ministro das Relações Exteriores no Brasil, e era, por outro, uma marca de vinho da Companhia de Vinhos Finos do Douro, empresa sediada em Vila Nova de Gaia, que o exportava para o Brasil.) (José) Bento (de Araújo) Presidente, Ministros tauromachicos, deitou decreto, declarando-se director, declarando-se dictador. Povo enthusiasmado, tributa-lhe ovadellas. Victor Marques, cavalleiro-môr do circo taurino, fez ceremonias rituaes, pedidndo Santa Barbara para que não trovejasse. Maera, Deputado por acclamação, pronunciou discurso, despedindo-se hospitaleiro povo brasileiro e dando “gracias” ovações recebidas. Nuvens vertem lagrimas de sentimento. Chove a cantaros e Cantaritos pede ao “Supremo Hacedor” que termine a chuva e dá varios “capotazos” bons. Alfredo dos Santos, devido á molhadella, espirra; Villa transforma-se em “aldeia”.
Suspende-se corrida ao quarto touro. Mandem-me um guarda-chuva, um impermeavel e um par de botas, daquellas grandes,
In JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro – 30 de Março de 1908


