26 DE AGOSTO DE 1894 - LISBOA : UMA CORRIDA QUE VAI SER UM AUTÊNTICO FIASCO...

 

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RIBEIRO E VALENTE

            Estes dois excellentes rapazes, camaroteiros da empreza da Praça do Campo Pequeno, effectuam no proximo domingo a sua festa, que por todos os motivos teeem direito a ser immensamente concorrida. Em primeiro logar são dois excellentes caracteres, bondosos e sempre dispostos a bem servir o publico, e por isso é de justiça que agora venha a lei das compensações e que a praça regorgite de espectadores. Em segundo logar a corrida é organisada a capricho, pois que sabemos já que trabalham os salteadores francezes, (NOTA : Originários das Landes, no sul da França) um espada de nome, dois cavalleiros dos mais applaudidos, sendo José Bento d'Araujo e o amador Fernando Ricardo Pereira e toma tambem parte o amador Salgado. Os touros pertencem a um acreditado lavrador, que até hoje ainda não deu touros para o Campo Pequeno.

            Agouramos lhe uma casa á cunha.


A bilheteira da praça do Campo Pequeno.
FOTO : Câmara Municipal de Lisboa

LER AS CAUSAS DO DESASTRE AQUI: https://corridasportugalespanafrance.blogspot.com/2020/01/12-de-agosto-de-1894-porto-festa.html


In A TOURADA, Lisboa - 19 de Agosto de 1894

29 DE JUNHO DE 1894 - SINTRA : O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO PROMOVE UMA CORRIDA EM SINTRA...

 


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ECHOS E NOTICIAS

            Cintra. — No dia de S. Pedro, realisa-se em Cintra uma corrida de touros, promovida pelo arrojado cavalleiro José Bento (de Araújo), que está preparando grandes attractivos, a fim de que a corrida seja uma das melhores da epocha.

(NOTA : As festas de S. Pedro e e de S. Paulo são celebradas no mesmo dia.)

            Como cavalleiros tomam parte o promotor (José Bento de Araújo) e os srs. Fernando Ricardo Pereira e J. Burnay ; e como bandarilheiros, entre outros, os distinctos socios do Real Club Tauromachico, srs. Cambournac e Figueiredo.

            Os touros, 8 puros e 4 corridos, são do sr. Patricio, de Coruche.


In A TOURADA, Lisboa - 21 de Junho de 1894

8 E 9 DE DEZEMBRO DE 1894 - SALVATERRA DE MAGOS : UMA CORRIDA COM ARTISTAS DE ESPANHA E 4 GRANDES CAVALEIROS PORTUGUESES

 
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Em Salvaterra

            Nos dias 8 e 9 realisar-se-hão duas corridas de toiros, para as quaes offereceram gado, os ex.mos srs. Paulino da Cunha e Silva, Emilio Infante, Irmãos Robertos, Manuel dos Santos Correia Branco, Luiz Patricio, João Paulo e João Lino.

            Tomam parte generosamente os seguintes artistas.

            Espada — (matador de novilhos) Sebastian Silvan [El Chispa]. Cavalleiros  Tinoco, José Bento (de Araújo), Manuel Casimiro e Adelino Raposo.Bandarilheiros Raphael Peixinho, João Roberto, Minuto, José dos Santos, Theodoro, Cadete, Saldanha, Ramos, Torres Branco, Ferreira Estudante e Roberto Junior.

            Um valente grupo de forcados de Villa Franca.

FERRO DE PALMO.

In O ESPECTACULO, Lisboa - 9 de Dezembro de 1894

17 DE JUNHO DE 1894 - LISBOA : UMA CORRIDA COM TOUROS MANSOS E... PÚBLICO DESCONTENTE

 


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 Chronica das touradas

CAMPO PEQUENO

11.ª corrida da epocha. — Espada : Francisco Navarro, Quinito. Touros do sr. commendador Paulino da Cunha e Silva.

            Mais um desastre foi a corrida de domingo. Não ha meio de assistir a uma tourada boa, embora ella esteja recheiada dos maiores attractivos. E deve-se isso simplesmente aos touros que ali são lidados. No domingo foi a 11.ª corrida da epocha e são 10 os nomes dos lavradores que teem apparecido nos cartazes, e, com raras excepções, todos teem passado pelo desgosto que o sr. Paulino da Cunha soffreu. Não ha touros, é voz geral, e parece-nos que é uma triste verdade. De que serve uma corrida com elementos primorosos, se lhe falta a materia prima para complemento da boa obra. No emtanto, o que é certo é que nas praças de fóra se correm todos (touros ?) bravos. Allega-se que as gaiolas dão cabo dos touros. Acreditamos e combatemos aquelle systema de conducção. Se d'ahi é que parte o mal, acaba se com elle. Diz-se que o governador civil se não importa que o gado venha a pé, logo que hajam as necessarias precauções e que os lavradores queiram. Aqui é que bate o ponto e, segundo se affirma, elles é que não concordam. E porquê? perguntamos. Pois devem querer, devem procurar todos os meios de bem servir o publico, e não é só pensar nos seus interesses, não se importando que o povo, que paga, seja lesado com os maus touros que ali teem apparecido. Os lavradores, dando assim uma prova de sua lealdade e boa fé, devem ser os primeiros a trabalhar para que o gado venha a pé. Conseguido isto, se sahir da mesma qualidade, então é que se póde affirmar que não ha touros. Querendo os lavradores, tudo conseguirão, para bem dos seus creditos. N'outro logar d'este jornal tratamos tambem d'este assumpto.

            Não merece discripção muito longa a corrida de domingo, — e, como luctamos com falta de espaço, por isso a resumimos o mais possivel — não deixando de dizer no emtanto que podia ter sido magnifica, se os bois do sr. Paulino da Cunha tivessem marrado. Mas como na maioria sahiram mansos, eis o principal para que a tourada fosse um desastre para a empreza e um fiasco para o lavrador.

            Dos cavalleiros sobresahia Tinoco, que aproveitou com arte os dois touros que lidou, pondo ferros muito bons, principalmente no 2.º, que collocou 3 ferros curtos, sendo o ultimo magistral. O distincto artista foi muito applaudido.

                      O espada Quinito agradou muito ao publico. O vento prejudicou o seu trabalho de muleta, mas no emtanto teve passes de peito admiraveis, sendo colhido sem consequencias. O 6.º touro, que lhe sahiu, era manso de todo, por isso foi para o matadouro e veiu depois outro um pouco melhor. É muito trabalhador e muito attencioso. Agradou e o apublico applaudiu-o freneticamente.

            Os seus bandarilheiros pouco fizeram. Um d'elles, Pipo, foi colhido á gaiola quando tentava um quiebro, mas sem consequencias.

            Dos nossos artistas sobresahiram Theodoro e Cadete, que bandarilharam bem os 2 touros que lhe pertenceram, Cadete teve uma gaiola magistral, cuja sorte offereceu ao sr. Jayme Henrique. O publico applaudiu-os. Calabaça teve uma gaiola tambem boa e 2 pares rasoaveis. Minuto teve alguns pares muito bons. Tambem ouviram palmas.

            Pegas... 2 por junto.

            Direcção, muito demorada e incerta. Deixou andar um touro na praça mais de meia hora para ser pegado á volta, para afinal ser recolhido, sem os forcados fazerem nada.

            Em resumo, touros mansos, e o publico descontante. Entrada, meia praça.

            Á corrida assistiram Sua Magestade El-Rei e o sr. Infante D. Affonso.

D. JOSÉ TENORIO.


In A TOURADA, Lisboa - 21 de Junho de 1894

ONDE É QUE O DIABO PERDEU AS BOTAS EM PORTUGAL?




APRESENTAÇÃO

29 DE OUTUBRO DE 2025 

18H30

EL CORTE INGLÉS (LISBOA) - 6º andar

CRISTIANA BASTOS, ANTROPÓLOGA, PROFESSORA NO ICS

ROGÉRIO COPETO, CORONEL GNR

AUTOR

-- « UM TESOURO NO DESERTO » -- «O Algarve entre montes e memórias»

 EDITORA: 

Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), Lisboa

APRESENTAÇÃO DO LIVRO:

29 Out 2025

18h30

El Corte Inglés (Sala de Âmbito Cultural), Lisboa

Quem são os invisíveis do Algarve?

No retrato «Um Tesouro no Deserto, O Algarve entre montes e memórias», Rui Araújo retrata uma região esquecida, onde a solidão e o desamparo predominam, em especial entre os idosos. Quem são? Como e por que ficaram para trás? Uma conversa entre o autor, a antropóloga Cristiana Bastos e o coronel da GNR Rogério Copeto.

MODERAÇÃO:

Isabel Lucas, jornalista e crítica literária.

CONVIDADOS:

- Cristiana Bastos, antropóloga.

- Coronel Rogério Copeto, militar da GNR

 + presença do autor do retrato «Um Tesouro no Deserto, O Algarve entre montes e memórias».

LINKS:



-- « UM TESOURO NO DESERTO » -- «O Algarve entre montes e memórias»

UM TESOURO NO DESERTO
O Algarve entre montes e memórias

EDITORA
Fundação Francisco Manuel dos Santos (Lisboa) - Colecção "Retratos da Fundação". 

APRESENTAÇÃO DO LIVRO
29 de Outubro de 2025 - 18H30, EL CORTE INGLÉS (Lisboa).

    «Há um roteiro silencioso onde habitam portugueses que não se ouvem nem se veem.

    Que paisagem é essa e o que nos diz ela sobre quem lá vive e resiste? 

    Em UM TESOURO NO DESERTO, o jornalista Rui Araújo recupera a poesia triste de uma região esquecida, onde a solidão e o desamparo predominam, em especial entre os idosos que sobrevivem nos montes do nordeste algarvio. 

    Quem são? 

    Como e por que ficaram para trás? 

    O que se pode ler do país das histórias contadas? 

    Com Rui Araújo (autor do livro UM TESOURO NO DESERTO - O Algarve entre montes e memórias) e os convidados Cristiana Bastos (antropóloga) e Rogério Copeto (coronel da GNR). Moderação de Isabel Lucas.»

FONTE: 
Magazine Cultural El Corte Inglés, N.º 24 - SET - DEZ 2025

LIBRO DE NO FICCIÓN:
"UN TESORO EN EL DESIERTO"

Memorias y vida cotidana campesina en el Bajo Guadiana (Algarve).

EDITORIAL: Fundação Francisco Manuel dos Santos, Lisboa. Colección: "Retratos da Fundação".

PRESENTACIÓN: 29 de Octubre de 2025 -18H30 - El Corte Inglés (Lisboa) por Cristiana Bastos (antropóloga) - Docente en el Instituto de Ciências Sociais, Universidad de Lisboa, Rogério Copeto (coronel de la GNR), Rui Araújo (autor) - Moderación realizada por la periodista Isabel Lucas.


LINK - ENLACE
https://catalogos.elcorteingles.pt/ElCorteIngles/ambito-cultural/2025/magazine-setembro-dezembro/?page=15

24 DE MAIO DE 1894 - SANTARÉM : O ESPADA ESPANHOL FRANCISCO GONZÁLEZ ROMÁN «FAICO» E O CAVALEIRO JOSÉ BENTO DE ARAÚJO PARTICIPAM NA SEGUNDA CORRIDA DA ENTÃO NOVA PRAÇA DE TOUROS

 
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AS FESTAS EM SANTAREM

19 DE MAIO

            Está em festa a pittoresca cidade de Santarem.

            É hoje que se realisa ali a inauguração da nova praça de touros, de construcção moderna ; é solida, commoda e apparatosa, e ficará sendo, sem duvida, a melhor praça do Ribatejo.

            Para dar maior brilhantismo a esse acontecimento tauromachico, constituiu-se uma commissão composta de illustrados cavalheiros de Santarem, Almeirim e diversas povoações proximas, á frente da qual se encontra o distincto lavrador sr. Conde de Sobral.

            Essa commissão não se tem poupado a exforços a fim de que se faça uma festa digna de uma cidade importante como é Santarem.

            Os monarchas, que sempre da melhor vontade de prestam a presidir a estas festas, tambem auxiliaram a commissão, promettendo-lhe comparecerem a ellas.

            Entre os commerciantes, agricultores, industriaes, operarios e demais habitantes da cidade de Santa Iria, foi aberta uma subscripção para occorrer ás despezas a fazer com os festivaes. Em pouco tempo essa subscrição subiu a perto de 800$000 réis.

            Damos em seguida um resumo dos festejos, que começaram hontem á noite com marche aux flambeaux que, partindo ás 8 horas do lado da Penitenciaria, percorreu as ruas principaes até á Ribeira, atravessando a magestosa ponte, indo a Almeirim cumprimentar os membros da commissão presidencial, srs. conde de Sobral e Manuel Andrade.

20 DE MAIO

            Hoje, 20 : — Alvorada por differentes bandas de musica, Ás 9 horas chegada de suas magestades. Ás 10 horas Te-Deum no sumptuoso templo do Seminario. Ás 11 horas recepção. Ao meio dia, almoço offerecido a suas magestades, pela commissão presidencial, na sala da antiga junta geral. Ás 2 horas parada agricola no Campo de Sá da Bandeira, partindo o cortejo do passeio das Amoreiras e desfilando deante do pavilhão real em direcção á calçada do Monte. Ás 5 horas inauguração da praça de touros. Ás 8 horas jantar de gala. Ás 11 horas partida de suas magestades para a capital, organisando-se n'essa occasião uma serenata no Tejo entre o penedo de Santa Iria e o bairro d'Alfange, em que devem tomar parte a Sociedade Recreio Ribeirense, a Academia Bellini e outras bandas de musica.

Nova praça de touros de Santarém - à esquerda na foto e presídio à direita (cerca de 1900)
FOTO : Autor desconhecido - Câmara Municipal de Santarém - Memórias Fotográficas (FOTO RETOCADA)

            Como acima dizemos, a inauguração do novo circo taurino terá logar ás 5 horas da tarde, sendo corridos 10 touros pertencentes ao sr. conde de Sobral, que generosamente os offereceu para esta corrida.

            O pessoal que n'ella toma parte é o seguinte :

            Espada : — Fernando Lobo (Lobito).

            Cavalleiros : — Alfredo Tinoco e Manuel Casimiro.

            Bandarilheiros : — João Calabaça, João Roberto, Vicente Mendez (Pescadero), Raphael Peixinho, José dos Santos e José Martins (Azeiteiro).

            Forcados : — O valente grupo de Julio da Rafôa.

24 DE MAIO

            A segunda corrida effectua-se na proxima quinta feira, 24, correndo-se 10 touros do afamado lavrador Maximo Falcão.

            Espada : — Francisco Gonzalez (Faico). (NOTA : Francisco González Román «FAICO»)

            Cavalleiro :  — José Bento (de Araújo).

            Bandarilheiros e forcados, os mesmos da primeira corrida.

Francisco González «FAICO»
LA LIDIA - Biblioteca Digital de Castilla y León

            A Tourada far-se-ha representar nos festejos e nas corridas por um dos seus redactores.

In A TOURADA, Lisboa - 20 de Maio de 1894

5 DE SETEMBRO DE 1968 - SANTO ANTÓNIO DOS CAVALEIROS : UMA PRACETA CHAMADA JOSÉ BENTO DE ARAÚJO...

 

 

O cavaleiro José Bento de Araújo
FOTO : © Rui Araújo

            A Câmara Municipal de Loures aprovou na tarde de 5 de Setembro de 1968 a numeração policial de uma praceta de Santo António dos Cavaleiros (Ponte de Frielas) com o nome do cavaleiro tauromáquico José Bento de Araújo. (NOTA : 18 de Setembro de 1851 - 2 de Setembro de 1924)

            «Proponho que a Câmara Municipal (de Loures) aprove a numeração policial da Praceta José Bento de Araújo, Ponte de Frielas, com a seguinte discriminação : — um (lote C quatro) dois (Lote C três) três (lote C dois) quatro (Lote C um) cinco (lote D três) seis (Lote D dois) sete (Lote D um) oito (Lote A três) nove (Lote A dois) dez (Lote A um) onze (Lote B quatro) doze (Lote B três) treze (Lote B dois) catorze (Lote B um).

            Posta à votação esta proposta foi aprovada por unanimidade.»


DOCUMENTOS : © Câmara Municipal de Loures

            Quase dois anos antes, o município aprovara uma proposta diferente : José Bento de Araújo seria o nome de uma rua (e não de uma praceta como acabou por ser mais tarde) no novo bairro de Santo António dos Cavaleiros.

Pode ser um mero detalhe (porquanto nos tempos que correm o rigor é considerado cada vez mais algo irrelevante)...

A acta da «48.ª reunião ordinária» realizada em 2 de Novembro de 1966 ou 2 de Dezembro de 1966 é peremptória, apesar da discrepância de datas.

O cabeçalho do documento manuscrito da sessão refere o dia 2 de Dezembro de 1966 e o texto com a narração das propostas aprovadas indica outra data : 2 de Novembro.


DOCUMENTO : © Câmara Municipal de Loures

Trata-se de um arreliador lapso, que passou despercebido até 12 de Abril de 1968. Foi corrigido na acta desse dia a propósito de mais uma informação sobre o nome de José Bento de Araújo. A data exacta da reunião inicial é, portanto, segunda-feira, 2 de Dezembro de 1966 (e faz tanto mais sentido quanto 2 de Novembro era um sábado)...

            Seja como for, às cinco e quarenta e cinco da tarde de 2 de Dezembro de 1966, o presidente Joaquim Dias de Sousa e os vereadores Júlio de Freitas Borba, professor João de Almeida Santos e Raul de Sousa Otero Salgado, depois de lerem e aprovarem por unanimidade a acta da reunião anterior, começaram a debater a «Ordem do Dia».

            «Visto o disposto no número quatro do artigo cinquenta do Código Administrativo, e o respectivo parecer da Comissão Municipal de Toponímia, proponho a aprovação das denominações de arruamentos na área de urbanização do Casal Bravo  e Casal dos Cavaleiros, primeira fase, dez hectares, Ponte de Frielas, freguesia de Loures, conforme a seguinte discriminação : — Denominação e Designação no projecto : — Avenida João Branco Núncio — Rua C (troço) ; Rua Eduardo de Macedo - Impasse C onze ; - Rua Morgado de Covas - Impasse C doze ; - Rua Joaquim José Correia - Impasse C um ; - Largo Dom Duarte ; - Largo Francisco de Morais ; - Praça Dom Miguel Primeiro ; - Avenida Infante Dom Pedro - Rua B ; - Avenida Marquês de Marialva - Rua A (troço) ; - Avenida Manuel Carlos de Andrade - Rua A (troço) ; - Rua José Bento de Araújo - Impasse E - cento e onze ; - Rua António Luís Lopes - Impasse E onze ; - Avenida Conde de Avranches - Rua E ; - Rua Simão da Veiga - Impasse A um ; - Rua Carlos Relvas - Impasse E doze ; - Largo Doutor Rui de Andrade - Impasse B três ; - Rua Vitorino Froes - Impasse E um.

            Desde logo posta à votação, foi esta proposta aprovada.»


DOCUMENTOS : © Câmara Municipal de Loures

            A proposta inicial de denominação dos arruamentos de Santo António dos Cavaleiros com nomes de grandes cavaleiros tauromáquicos portugueses, segundo Fernando Correia, responsável do Gabinete de Comunicação Social da Câmara Municipal de Loures, partiu da empresa de construção civil ICESA, que construiu aquele bairro.

            A ICESA - Indústrias de Construção e Empreendimentos Turísticos S.A.R.L. já não existe.

            Um amigo fez-me, entretanto, chegar alguns dados disponíveis na internet (mais exactamente na Wikipedia) sobre esta firma.

«A ICESA, empresa de construção civil, era propriedade de Miguel Gentil Quina,banqueiro que dirigiu o Banco Borges & Irmão de 1970 até 1975 e fundou o Grupo Miguel Quina (3° maior grupo económico português até à revolução de 25 de abril de 1974), e irmão de Mário Quina, Medalha de Prata (em vela) nos Jogos Olímpicos de Verão de 1960, em Roma.»

Os investigadores João Cunha Borges, Patrícia Bento d'Almeida e Teresa Marat-Mendes  (ISCTE, 2022) estudaram a actividade da firma.

(NOTA : https://ciencia.iscte-iul.pt/publications/tecnologia-e-inovacao-nas-habitacoes-economicas-da-icesa/92643 )

«A ICESA era uma empresa que se destacava pelo fabrico de elementos pré-fabricados (Pinto, 1969), incluindo painéis resistentes de fachadas, paredes resistentes interiores, pavimentos e divisórias, lanços e patamares de escada, varandas, condutas de fumo, peças de cimalha e guardas de varanda (...)»

«A urbanização de Santo António dos Cavaleiros (SAC), concelho de Loures, foi a primeira realização da ICESA e a única que contemplou um projecto de enquadramento paisagístico por parte do arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles (Carapinha e Teixeira, 2003).»

Há documentos sobre a firma ICESA que podem ser consultados no Arquivo Histórico da Presidência da República.

(NOTA : https://www.arquivo.presidencia.pt/details?id=2282 )

            «O processo inclui cartas dirigidas ao Presidente, um abaixo-assinado, uma informação da Assessoria sobre a audiência concedida em 5 de Setembro 1977. Novo pedido de audiência em 1979.»

            A Comissão de Trabalhadores da ICESA também enviou ao presidente Ramalho Eanes um texto sobre a situação da empresa desde a sua criação.

            «"O QUE É A ICESA

            «A ICESA é uma empresa de construção civil que faz parte do conjunto de empresas do ex -"grupo-Quina.

            Tem sido uma empresa permanentemente descapitalizada desde a sua criação e sempre dependente financeiramente do Banco Borges & Irmão.

            Anteriormente a 1974 já a ICESA se encontrava tecnicamente falida, sendo devedora de largos milhares de contos ao Banco Borges & Irmão em 25 de Abril de 1974.»

            A praceta José Bento de Araújo tem cinco edifícios (pintados de branco e com varandas vermelhas) de habitações económicas de 3 e 4 pisos, mais um pequeno parque de estacionamento, que ocupam hoje o lugar com o Código Postal é «2660-287 Santo António Cavaleiros».


A Praceta José Bento de Araújo
FOTO : © Google Maps

            A questão da toponímia de Santo António dos Cavaleiros não começa e não se esgota na aprovação da numeração policial que consta da acta datada de 5 de Setembro de 1968...

                        Com efeito, existem mais documentos sobre este assunto no arquivo da Câmara Municipal de Loures.

            Acta da 3.ª reunião extraordinária da Câmara Municipal de Loures, efectuada em 12 de Abril de 1968.


DOCUMENTO : © Câmara Municipal de Loures

            «Em reunião ordinária do dia 2 de Dezembro de mil novecentos e sessenta e seis, (CORRECÇÃO DO ERRO DE DATA DA ACTA ESCRITA CERCA DE DOIS ANOS ANTES) esta Câmara Municipal deliberou aprovar a denominação "Rua José Bento de Araújo" para um determinado arruamento do Bairro de Santo António dos Cavaleiros, precisamente aquele que, na planta que acompanhou a sugestão da administração da empresa Icesa, SARL, foi designada por Impasse 'E cento e onze'. — Em seis de Fevereiro último (1968) aquela empresa informou que não foi aplicada a dita denominação porque se efectuou posteriormente à referida deliberação uma alteração do esquema de arruamentos. Nestes termos, Proponho que a Câmara Municipal delibere aprovar a revogação da mencionada deliberação, por não ter existido o leito da artéria designada por 'Impasse E cento e onze' na área do Bairro de Santo António dos Cavaleiros.»


DOCUMENTOS : © Câmara Municipal de Loures

            A «Rua José Bento de Araújo» não existe por causa de uma alteração do «esquema de arruamentos», decidida depois da acta inicial. Passou a ser designada «Praceta José Bento de Araújo» noutro local.

            Esta mudança abrangeu outros grandes nomes da tauromaquia nacional.

            Eis a cópia da acta da reunião ordinária realizada na Câmara Municipal de Loures em 18 de Julho de 1968.

DOCUMENTO : © Câmara Municipal de Loures

            «Visto o parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia, proponho que a Câmara Municipal delibere aprovar as seguintes denominações para novos arruamentos no Bairro de Santo António dos Cavaleiros, Ponte de Frielas : — Praceta Fernando de Oliveira, —  Praceta Manuel Casimiro, — Praceta José Bento de Araújo,  Rua Alfredo Tinoco, —  Avenida Francisco Pinto Pacheco, — Avenida Pedro Galego, — Avenida António Galvão de Andrade, — Avenida Dom Luís de Meneses, — Avenida Dom Sebastião, — Rua Manuel Mourisca, — Rua Conde de Vimioso, — Praça Dom Luís do Rego, — Rua Dom Alexandre Mascarenhas, — Praça Dom Rui da Câmara, — Praça Roberto João Dambi.»

DOCUMENTOS : © Câmara Municipal de Loures

            Assunto encerrado, portanto.

Santo António dos Cavaleiros presta à Tauromaquia portuguesa e aos grandes cavaleiros deste país, incluindo José Bento de Araújo, uma homenagem mais do que merecida.

Rui Araújo

NOTA FINAL

Sem o contributo de Fernando Correia (Gabinete de Comunicação Social da Câmara Municipal de Loures) e de Vera Estevão dos Santos (Arquivo Municipal de Loures) este «post» não seria uma realidade.

In ACTAS DO MUNICÍPIO DE LOURES - 1966 e 1968, ISCTE e ARQUIVO HISTÓRICO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

SETEMBRO DE 1909 - MOITA : FESTAS DA SENHORA DA BOA VIAGEM E CORRIDAS SÓ COM ARTISTAS PORTUGUESES

 

 

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MOITA

            As corridas que este anno se realisaram com motivo das festas á Senhora da Boa Viagem, correram sem incidente.

            A cavallo toureou José Bento (de Araújo) com a sua consumada valentia, sendo muito applaudido, assim como os bandarilheiros Theodoro, Saldanha, Manuel dos Santos, Luciano Moreira, Joaquim d'Almeida Chispa e Daniel do Nascimento.

            Todos os artistas pegaram na muleta, á excepção de Theodoro, alguns mostraram muito geito.

In REVISTA TAURINA, Lisboa - 24 de Outubro de 1909