COLYSEU PORTUENSE
Domingo 15 de Setembro 1889
ÁS 4 E MEIA DA TARDE
A MAIS EXTRAORDINARIA
Novidade
GRANDIOSA E EXCEPCIONAL TOURADA
UM MAGNIFICO CURRO DE 10 BRAVISSIMOS TOUROS
pertencentes ás grandes manadas da Companhia das Lezirias do Tejo e Sado.
Apresentação pela segunda e ultima vez, do celebre e valente toureiro Mexicano
PONCIANO DIAZ
(NOTA: Ponciano Díaz Salinas, “El torero con bigotes” ou “El Torero Charro” (1856-1899). Foi um dos grandes representantes da tauromaquia mexicana no século XIX. Foi ainda o primeiro matador do México a receber a alternativa em Espanha das mãos de Salvador Sánchez, Frascuelo.)
acompanhado dos afamados charros mexicanos
AGUSTIN OROPEZA e CELSO GONZALEZ
os quaes, pela segunda vez, em Portugal, executarão n’esta ultima corrida em que tomam parte, as difficilimas e surprehendentes sortes mexicanas, que tanto enthusiasmo e sensação acabam de produzir na grande praça de Madrid.
Assombrosas novidades tauromachicas
BANDARILHAS A CAVALLO
pelo notavel e arrojadissimo diextro (diestro!) Ponciano Diaz (Ponciano Díaz Salinas). Esta sorte constitue a suprema difficuldade do toureio e tem valido ao valente toureiro as maiores ovações dos publicos mexicanos e ultimamente na praça de Madrid.
UM TOURO LAÇADO A CAVALLO
por Ponciano Diaz e Agustin Oropeza.
Outra grande novidade de extraordinario effeito!
UM TOURO MONTADO (GINETEADO)
por Celso Gonzalez. Trabalho difficilimo e arriscadissimo, que em Hespanha produziu grande enthusiasmo.
E finalmente será picado por um ou dois dos charros
UM TOURO A PÉ, Á VARA LARGA
sorte esta executada por fórma ainda não vista nem em Hespanha nem em Portugal.
CAVALLEIROS
JOSÉ BENTO D’ARAUJO
E
D. FRANCISCO DE NORONHA JUNIOR (Prelada)
que por obsequio á Empreza, toma parte n’esta corrida.
BANDARILHEIROS
JOSÉ ROIZ (EL JOSEITO)
Roberto da Fonseca — João Calabaça — João Roberto — José dos
Santos
Antonio Augusto — Filippe Aragão (El Minuto)
e o distincto bandarilheiro, notavel em cambios e quiebros, que tanto tem agradado n’esta praça
JOSÉ HERNANDEZ (EL AMERICANO)
Um valente grupo de homens de forcado fará as pégas que o intelligente determinar.
A Banda dos Bombeiros Voluntarios do Porto executará antes e durante a corrida as melhores peças do seu reportório.
N. B.— O Grande artista Ponciano Diaz, toureará os touros que durante a corrida mais apropriados encontrar para a sua lide.
A embolação é franca e começará ás 9 e meia da manhã, e as portas para a corrida abrem-se às 2 e meia da tarde.
Estão em vigor todas as disposições policiaes e da arena que são do uso n’estes espectaculos.
Os bilhetes acham-se á venda nas seguintes casas dos Snrs., Domingos Barbosa, rua de Santo Antonio, 246 a 248 — Tabacaria de Arnaldo Soares, Praça de D. Pedro — Tabacaria Santos, Praça de D. Pedro — Nicolau Fernandes d’Abreu Guimarães, Cedofeita, 304 — Tabacaria Borges & Irmão, rua do Sá da Bandeira — Dionisio Ferreira dos Santos Silva, rua de Santo Antonio — Gaspar Seromenho, Tabacaria Regalia, Passos Manoel, 2 a 8 — José Lopes, Café da Estação, Campanhã, rua da Estação, 77 — Em Matosinhos, no café Rio Leça.
PREÇOS — Camarotes de Sombra 4$500, Sol 3$000, Tribuna 1$200, Fauteuils 1$000, Sombra Touril 700, Balcão de Sombra 700, Balcão Sol 350, Bancadas de Sombra 600, Bancadas de Sol 300 reis.
Distribuição da corrida
1.º touro — para José Bento d’Araujo
2.º » — » Roberto da Fonseca e João Roberto.
3.º » — » Ponciano Diaz e seus charros.
4.º » — » D. Francisco de Noronha Junior (Prelada).
5.º » — » Minuto e Calabaça.
INTERVALLO
6.º touro — para José Bento d’Araujo
7.º » — » Roberto da Fonseca e João Roberto.
8.º » — » Ponciano Diaz e charros, (laço).
9.º » — » Americano e Joseito.
10.º » — » José dos Santos e Antonio Augusto.
Este programma poderá ser alterado.
«O REAL COLYSEU PORTUENSE — Inaugura-se em 28 de Julho de 1889 o Real Colyseu Portuense, no lugar da Praça de Touros da Boa Vista (que existia já em 1870), cujas corridas competiam com outras que tinham lugar em duas outras praças menos importantes, a da Rua da Alegria e a da Serra do Pilar (que existiu no lugar onde hoje está o jardim-miradouro).
O Colyseu Portuense, por seu turno, teve vida efémera, desaparecendo em 1894 sem deixar marcas, senão na memória, quer pela sua bela arquitectura, quer sobretudo pelo testemunho escrito das muitas e boas touradas e toureiros. No seu lugar, entre diversos edifícios, surgiram o Tabernáculo Baptista e a Litografia Lusitana que fazem esquecer completamente as emoções taurinas que estiveram ligadas ao local que estes ocupam.»
In «A ROTUNDA DA BOAVISTA». Texto de José A. Rio Fernandes - O TRIPEIRO, Associação Comercial do Porto - Agosto/Setembro 1994.



